sábado, 27 de fevereiro de 2010

LUZ DO SOL - 40

- ENCONTROS -
- CONTOS -

Às 10 horas da manhã, Otto entrou no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, para trato de assuntos particulares de sua empresa de aero-taxi quando se deparou com a figura por demais admirável da mulher que nunca mais a encontrara: Emma. A jovem de 28 anos estava ali, parada, olhando para Otto, com um sorriso amplo na face no seu modo de sorrir. Emma acabara de desembarcar do avião procedente da Europa, onde fora a negócios de exposição de quadros de sua empresa. Ela estava feliz por encontrar Otto sem ao menos ter que avisá-lo que estava para chegar. Aliás, na verdade, Emma não teria nenhum sentido em avisar a Otto, apesar da amizade nutrida entre ambos. Num ocaso da vida, eles se enamoraram em um virtuoso amor sentimental que ambos somente queriam desfrutar desse pelo afeto como se nada mais os importasse. Com o passar do tempo, eles romperam a angustia de tal bem querer e seguiram cada um para o seu lado. Otto era uma importante figura de negócios, já um tanto velho para Emma, pois, nessa altura dos acontecimentos, ele já estava com seus 47 anos. Casara e descasara com uma jovem mais nova que ele, depois do affair que teve com Emma durante algum tempo. De modo que Emma era ainda muito jovem e aquele amor não passara de uma chuva de verão para bem se dizer. Um amor de simples colegial com seu mestre. Porém, ao passar dos anos, com ambos mais experientes a jovem mulher já estava no esplendor da vida onde os negócios, as exposições teriam mais amplo lugar no seu ambiente. Com uma firma bem solidificada, a custeio de seu próprio pai, um alemão que residia em Berlim, sua terra natal ela viveria a seu bel prazer, conseguindo obras de certo modo clássicas para expor na Europa e, assim, viver a vida.
Ao desembarcar em Congonhas, Emma deveria seguir a seu atelier, onde haveria, por certo, outro volume de material para fazer mais de uma exposição. Contudo, a imagem de Otto, neto de alemão nascido no Brasil, imobilizou a jovem, pois não esperava encontrar tão cedo aquele mestre que, um dia, fora o grande amor de sua vida.
--- Tu estás perdido? – perguntou Emma de sobressalto.
--- Olá você! Que agradável surpresa. Nem pensava em encontrá-la – sorriu Otto ao responder tal questão.
--- É verdade. Cheguei agora, no avião. Ave. Quanto atraso! Duas horas e meia. – respondeu Emma.
--- Deixa-me comprar um desses que você não vai mais atrasar. E nem precisa dizer a hora. É entrar, e pronto. – respondeu sorrido, o homem.
A jovem sorriu e desfez-se da incomoda mala que puxava, passando para Otto que naquele instante de tensa ansiedade procurou ser gentil, Emma sempre alegre e exultante demorou-se a conversar sobre tratos e negócios. Em questão de minutos, Otto lhe perguntou um tanto apreensivo, onde Emma ficaria em São Paulo.
--- Não sei ainda. Em um Hotel, provavelmente. Depois sigo para a minha estância. Antes, porém, vou até o meu atelier, no centro. É isso. O retrato de uma dama! – e sorriu pra valer.
--- Ora. Não se apresse muito. Você pode ficar em meu apartamento. Sem custos. – sorriu Otto.
--- Ótimo. Agora: não tem cães por lá? – perguntou um tanto alarmada a jovem.
--- Não. Não tem. E sim, tem um gatinho. Mas é de porcelana. – sorriu Otto.
--- Ah bom. Isso não tem acuidade. – sorrio Emma.
E ambos saíram do aeroporto, pegando o carro de Otto, que o dirigiu com cuidado e ali mesmo, ficaram ambos a conversar. Onde Emma tinha ido, o que aproveitara então, passeios, Louvre, museu Schwules da Alemanha, Museu de Belas Artes, de Moscou, praças, recantos turísticos e coisas belas de se ver. Emma, em simples palavras contou de tudo o que vira e o que deixara de ver por pura falta de tempo. Além disso. Emma sorriu ao contar das cervejarias de Moscou, de um excelente requinte que dava gosto de se ver. Vinhos, as mais elegantes marcas e as cervejas, em copo até parecia um presente, acontecimento igual que a Alemanha.
No apartamento de Otto, todo mobiliado com acuidade e apreço, a jovem mulher deitou num amplo sofá de veludo, admirando os quadros expostos no ambiente e retratos mostrando o Velho Mundo que Otto guardava com o mais amplo carinho, recordações de seus avôs paternos. Nesse momento, o homem estava cuidado de afazeres na cozinha e, com pouco tempo voltou com uma xícara de café para Emma.
--- Obrigada! – respondeu a mulher.
--- Quando quiser, é só dizer. Eu faço o seu almoço. Acabaram-se os dias de sacrifícios que você enfrentou em Paris, Berlim, Moscou. – sorriu o homem
--- Deixa que eu mesma faço. Comida caseira. Isso que é vida. Comer e dormir. – sorriu Emma com orgulho e prazer.
--- O seu quarto já está pronto. – respondeu o homem.
--- Já? – perguntou a mulher de forma surpresa.
--- Se preferir. – arrematou Otto.
--- Bem, Nesse caso. ...Posso escolher? – sorriu a moça de forma deslumbrante.
--- Como quiser! – respondeu Otto um tanto alegre.
--- Vou dormir no seu quarto. Aconchegada a você. – rebateu Emma.
--- Ora vejam só. Depois de tantos anos. – contrapôs Otto, de forma alegre.
Nesse instante, Otto e Emma seguiram para o quarto de casal, esquecendo até as fotos perdida que Emma trazia em sua bolsa. Uma delas sugestiva expondo a mulher com o turbante na cabeça, enrolada em vestimentas alegres e sem altivez, mostrada suas coxas pequenas e macias ao final do robe, pernas enlutadas por uma espécie de perneiras que findava aos pés onde um sapato descansava ao seu dobrar. Aquela era uma foto tirada em Moscou por um rapaz homossexual. Seu rosto sério era encoberto quase no total, enrolado apenas por um turbante de peles de castor. As mãos, somente apareciam, pois a coberta de penhor lhe encobria por completo. Era uma imagem exuberante aquela da mulher meiga e lasciva como uma deusa do arcanjo. No claro-escuro do quarto Otto e Emma se abraçaram em torno de si e sem dizer se amaram frenéticos como dois anjos de imensa adolescência.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

LUZ DO SOL - 39

- VERÔNICA -
- CONTO -

Já passavam das 7 horas da manhã e Verônica estava com pressa para chegar ao trabalho, visto que o expediente começava a partir das 8 horas. Ela era filha de um casal separado que, a despeito de tudo, habitava a mesma casa em companhia de outras três filhas e um neto, filho de Eunice, a mais velha de todas, e que vivia separa do seu marido. Quando o relógio marcava pouco mais as 7 horas, Verônica se apressou em tomar banho em uma lata cheia de água, pois a condição de morada da família era de precária extrema. Na parede de fora tinha uma janela que vivia sempre fechada. Um varal de roupas era visto da janela pata outra parte do cômodo. Um fogão queimando a carvão também era visto no lugar, que se improvisava como cozinha. Duas cadeiras velhas era o resto da mobília da casa. E no compartimento tinha um guarda-louça de uma forma aparente, pois era feito todo de mosaico pregado na parede do cômodo. Em cima do guarda-louça, umas quinquilharias e uma toalha ao lado. Verônica enxugava seus pés com outro pano de passar no chão, quando era preciso. Ela calçava um tamanco e vestia naquela ocasião uma modesta camisola que cobria parte do seu corpo. Essa era a vida doméstica de Verônica.
Em questão de minutos, a moça estava pronta para sair, aos gritos da irmã mais velha com seu filho no colo pedindo que desocupasse a lata, pois precisava fazer café da manhã e preparar o mingau do filho:
--- Deixa-me entrar! – gritou Eunice.
--- Já vai!! – respondeu Verônica como pode com voz de quase louca.
Em instantes, a moça saiu da cozinha e passou pela irmã, empurrando para cima, ela e o seu filho, cruzou com outra das três irmãs, em verdadeiro desespero, mesmo ouvindo um xingamento a irmã mais nova:
--- Tá louca, megera?! – gritou com certa brutalidade a sua irmã mais nova.
A moça não deu resposta e procurou de imediato de arrumar às pressas, passando o pente no cabelo solto e bem composto, vestiu uma roupa surrada de tanto usar, não observando a sua mãe que entrou e saiu do novo velho recinto, tocou o batom de todos os dias e saiu às pressas como não se importasse em ter que tomar café. Na frente do casebre, o velho pai estava de costas a arrumar as roseiras. Outra irmã, ainda dormia, pois chegara tarde do comércio do sexo.
Logo depois do casebre de tijolo, ela deu chamada a um ônibus que se aproximava para que fizesse para no local. Independente disso, o ônibus teria que parar, pois era obrigatório fazer uma parada no local, onde cinco outras pessoas procuravam entrar a todo custo no seu interior. Verônica procurou forçar a sua entrada no meio das outras pessoas, uma das quais fez finca-pé para que ela não transpusesse o lugar. Enfim, o transporte deu partida, dirigido por um homem soberbamente gordo e um cobrador soberbamente magro. Na rua, os carros a passar, frenéticos num vai e vem de loucos, buzinando como se com aqueles buzinassos os loucos desvairados fizessem com que os carros da frente andassem mais depressa. A jovem se segurou onde pode ficar no meio de tanta gente que já enchia o ônibus, pondo-se bem perto de um jovem que estava sentado no banco e se aproveitava para cheirar aquele suave e doce encanto desejoso da moça. Ela olhou de cima para baixo e viu a intenção do jovem em querer sentir o cheiro do seu sexo. E permitiu ao jovem fazer o que lhe aprovava acercando-se mais do rapaz quase colando seu sexo com o rosto do moço. Vendo como lhe agradava o tal ensejo, Verônica sorriu e disse com leve empolgação:
--- Ai meu Deus. Como tem besta neste mundo. – sorriu a moça ao dizer tal caso.
E aí pensou em outro jovem que trabalha com ela. Todos os dias ou quase todos, eles estavam a fornicar quando o relógio batia o meio dia. Com todos saindo para o almoço, Verônica e Cícero ficavam a sós e, então, ambos aproveitavam para se esconder na sala onde tinha umas máquinas de revelação de filmes de jornal e lá, aproveitam as horas de ternura e enlevo. Cícero levantava o seu vestido e ela delirava de encantos com aquela delicadeza do amor. Era minutos de prazer e sedução que os dois amantes se deixavam extasiar. Em certas ocasiões, a moça se acercava do rapaz com total idealidade para ter um frêmito orgasmo enlouquecedor. Era o momento final daquela atração inevitável nos seus dias de real prazer. Ao terminar a passagem de eterna loucura. Ela se abraçava ainda mais com Cícero até o êxtase fervoroso de inesquecível brilho. Após àquela hora de delírio extremo, Cícero e Verônica deixavam o encantador recinto, onde o cheiro predominante era o de sais, nitrato e demais produtos de revelação, então procuravam o banheiro da redação onde se limpavam do odor esquisito do sêmen de uma cópula.
Ao parar o ônibus a moça desceu sem deixar de olhar o rapaz que estava inquieto em seu assento, com o agasalho sobre suas pernas, suando como um louco, incapaz de se refazer de sua insanidade delirante, olhando em virtual companheirismo da mulher sempre amada e se despediu de Verônica, sem mesmo o nome de ela ele saber. O carro prosseguiu viagem com o rapaz tresloucado em seu interior, olhando para qual lado a jovem caminhava. Ele notou apenas um olhar sorridente da jovem e de imediato a moça dobrou em uma esquina ao lado e seguiu sua viagem pensando então apenas no seu amado do meio dia. Aquele era o furor imortal que Verônica estava a pregar na juventude do belo Cícero, homem que ela tanto o amava. Desse instante em diante, ela somente teria o gozo para o seu companheiro de redação. O resto, era interminável passado.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

LUZ DO SOL - 38

- DALVA -
- CONTO -
A cidade estava repleta de gente, em um vai-e-vem tumultuoso, onde carros, taxis, ônibus buzinavam e roncavam por entre o meio a multidão desvairada em plena 10 horas da manhã. Os edifícios tão elevados contrastavam com algumas casas de morada que ali ainda resistiam em existir a qualquer preço. O homem de meia idade, todo sujo, esmolambado, pedia uma ajuda qualquer a quem passasse. Do outro lado, um homem com placas nas costas e na frente oferecia empréstimos a quem quisesse sem precisar falar. E eram muitos desses tais pobres viventes a anunciar em suas placas os nomes dos escritórios de empréstimo que abundavam em toda a metrópole. No meio de tanta algazarra, havia um edifício muito alto, um espigão de 80 andares a enfrentar com sua sisudez os demais edifícios, alguns maiores que ele. No penúltimo andar do ROCHEDO, que era o nome do gigante prédio, estava a galgaz figura de um jovem homem de negócios. Cabelos brancos, porém de apenas 46 anos, olhos semicerrados, mãos valentes, rosto suave, de média altura, viril como ele era. O seu nome era Humberto. Para o seu conforto, a sala em que despachava, era de espaço médio, pois além do escritório, havia outra sala onde quatro funcionários trabalhavam o dia todo, com uma hora de descanso para o almoço. Logo após a ante-sala, havia um estacionamento de dois elevadores por onde os funcionários entravam e saiam. Outro elevador existia na sala nobre do empresário, aonde ele chegava e saia, sempre depois do expediente. Altivo, trajando terno escuro, camisa branca, gravata mesclada, sapatos pretos, esse era o estilo do empresário. Quando havia reunião de gabinete, havia outro salão que ocupava o andar inteiro, onde quatro portas, duas de um lado e duas do outro, asseguravam o entrar e sair dos participantes. Nas paredes laterais, havia dois janelões sempre fechados, pois o ar condicionado permitia a iluminação a todo o aposento. Esse era o ROCHEDO, onde todos os funcionários trabalhavam.
Certa vez, Humberto saiu logo cedo da tarde, pois tinha outro compromisso a fazer marcado para as 3 horas da tarde. Ele desceu pelo elevador próprio, avisando logo de saída a uma secretária que voltaria logo após a reunião. E a funcionária apenas ouviu e calou. Quando Humberto desceu do elevador e se aproximou do seu carro, onde estava o motorista, ele viu passar pela calçada uma jovem bem trajada, vestido composto, colar no pescoço, relógio pequenino no punho, cabelos loiros que assim de passagem lhe chamou logo a atenção. E ele caminhou até a calçada para ver de quem se tratava. A moça entrou no edifico ROCHEDO e se perdeu por entre outras pessoas, talvez tendo ido ao salão de refeitório do monumento histórico ou mesmo a outro departamento. Humberto ainda viu a jovem ao entrar depressa. Porém não quis mais se preocupar com nada naquela hora. O homem se casou uma só vez, perdendo a mulher em um acidente de veículo. As suas duas filhas eram já formadas: uma era bioquímica e a segunda era ginecologista trabalhando no mesmo prédio que o seu pai, desempenhando as suas funções. Aldora era a mais jovem e Aldenora, a mais velha. A mais velha tinha um noivo. A outra, Aldora, ainda não namorava.
Quando o homem saiu em seu veículo Peugeot viu novamente saindo do edifício a jovem moça saindo pela calçada, andando devagar, olhando os seus amados objetos na polchete e aproveitando para ajeitar o cabelo até. Ela estava com uma manta no ombro, medindo cerca de 30 centímetros e com um comprimento de um metro. O homem ordenou que o motorista parasse e por sua vez, novamente saltou, chegando até a jovem e perguntou-lhe:
--- Nós já nos conhecemos? – perguntou Humberto.
A moça, assustada, olhou o cavalheiro dos pés a cabeça para depois responder.
--- Na verdade, não posso afirmar. Sei apenas que o conheço, por certo. – falou a jovem se aquietando do seu temor.
--- Ah bom. Com certeza de alguma festa que houve? – perguntou Humberto.
--- Talvez isso. Humberto é o seu nome? – perguntou a moça.
--- Ah. Sim. É o meu nome, senhorita. .... – e ele parou no meio da questão.
--- Dalva. É o meu nome. – e assim, sorriu.
--- Ah. Dalva. Pode ser que nós nos conheçamos. Dalva. Belo nome para dignifica dama. – recitou Humberto uma forma antiga de conquista.
--- Sempre os que me conhecem acham engraçado meu nome. Aliás, é uma estrela! – disse isso e sorriu a mulher.
--- Na verdade, sim. Estrela Dalva. Pois a vejo do meu sítio quando estou lá. – sorriu Humberto.
--- Pois é. Dalva foi inspiradora do meu pai que ele achava tão linda. Eu mesma já me acostumei. - declamou a jovem.
--- Bem. Foi um prazer. Eis o meu celular. Quando quiser, é só ligar. – disse Humberto.
E assim, os dois se despediram. Cada um para o seu destino. Na cabeça de Humberto, o nome de Dalva não saía. Desde que perdera a sua mulher, não houve mais alguma outra que pudesse acolhê-lo. Tudo era serviço após seu pai se aposentar e viver da colheita de produtos que cultivava junto a sua mãe que passaram a viver no sito ou granja como se quisesse avocar.
Com o passar dos dias, o celular tocou. Ele viu e não reconheceu a chamada. De qualquer forma, atendeu. Era Dalva que estava na outra ponta. Conversaram coisas simples por algum tempo e, logo depois, ela se despediu prometendo voltar à ligação ainda naquela tarde. Os afazeres do dia fizeram com tudo fosse adiado, pois Humberto estava ansioso em esperar aquela senhorita. Até mesmo a filha mais chegada a ele, Aldora, ficou surpresa com tanta alegria que o seu pai estampava em certo momento da hora. Ao sair da sala do seu pai, Aldora disse:
--- Cuidado. Hoje, esta muito feliz! – e sorriu Aldora ao sair e trancar a porta do escritório do pai.
Em contrapartida, o pai apenas sorriu, com os olhos baixos como quem enxergava por cima dos óculos, mesmo sem ter óculos. No íntimo, ele dizia:
--- Menina esperta! – e sorriu.
Às 4 da tarde, o celular bateu. Ele pegou o aparelho, conferiu o número e com vexame logo respondeu:
--- Oi. Onde estás? – perguntou Humberto.
A voz respondeu algo que ele logo se apressou em tirar o terno, gravata, de camisa aberta no colarinho e chamando a secretaria e lhe dizendo:
--- Vem uma senhorita aí. Deixa entrar. Hoje não estou para mais ninguém. – falou Humberto um tanto sério.
--- Sim, senhor. – respondeu a secretária.
Como poucos instantes, Dalva surgiu à entrada de seu escritório. Foi uma alegria completa. Humberto jamais esqueceria aquele dia. Foram duas palavras, apenas, para corromper aquele amor ao distante longo tempo. Os dois saíram pelo elevador interno, exclusivo de Humberto. Ao chegar ao térreo, ele dispensou o motorista e pegou um taxi. Dali, ambos rumaram para algum local de elevados prazeres. A jovem, com seu vestido negro, era algo que estonteava Humberto. Quando a noite chegou, estavam Dalva e Humberto envoltos em cobertas como nunca d’antes acontecera.


quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

LUZ DO SOL - 37

- JOANA -
- CONTO -

Seu nome era Joana e ela sabia que os seus ancestrais foram Reis e Rainhas ao Comando do Sacro Império que governou Portugal por longos séculos. Quando Joana chegou ao Brasil, nos idos de 1940, foi recebida por grande festa por parte dos seus amigos que aqui já viviam há algum tempo. No ano em que chegou ao Brasil, já estava havendo guerra entre o país e as outras nações contra o líder nazista Adolf Hitler e seus aliados como o Japão e a Itália. Por conta de tal fato, as homenagens prestadas a Joana foram de certo modo bastante simples, pois o seu país não estava em guerra contra as nações envolvidas. De modo que, o Brasil se juntou aos Estados Unidos, a Inglaterra, França e outras nações. Nessa altura da história, Joana já estava fora dos requisitos que podiam usufruir uma personalidade, pois acabara também o poder do Santo Império sobre as outras nações desde quase 200 anos. Com isso, ser Alteza para Joana valia muito pouco até porque, no Brasil, a questão de Sua Alteza Real já acabara desde 1890, mais ou menos, quando se deu a proclamação da Republica ocorrida no ano de 1889 quando o Monarca Imperador Dom Pedro II foi deposto. Por tal motivo, ser Sua Alteza ou não valia bem pouco na história do Brasil.
Desta forma, Joana se valeu das amizades dos seus concidadãos e aqui plantou a sua casa, mesmo sabendo que em nada valia ter sangue real. Assim sendo, Joana passou a residir na capital do país, lugar onde podia conversar com seus irmãos de pátria e freqüentar os salões de baile da cidade do Rio de Janeiro, já então uma metrópole rica e abundante em seu patrimônio para a honra do seu “Ditador”, o doutor Getulio Dorneles Vargas chamado também “o pai dos pobres”. A idade de Joana era de apenas 25 anos. Moça de porte elegante, cor alva, olhos brilhantes, tez aveludada, sobrancelhas arqueadas, mãos de veludo, boca de carmim. Era tudo que nutria a bela moça vinda direto de Lisboa. A sua fidalguia vinha de tempos remotos quando os soberanos tencionavam dar a alguém um título de “filho-de-algo” que constituía a monarquia portuguesa. Quase todos os Reis de Portugal criaram as categorias formais de fidalgo, inscritos nos livros Reais. E por esses séculos, então, eram consagradas tais nobrezas aos ricos que habitavam aquela pátria.
No tempo em que Joana chegou ao Brasil já não havia tanto porte que a configurasse em uma senhora ou senhorita como sendo mulher da alta nobreza portuguesa. Mesmo assim, todos os concidadãos a respeitavam como tal. O certo é que Joana fez de sua vida uma festa onde todos os portugueses podiam considerá-la digna para o seu bel prazer. Solteira, de muitos pretendentes, Joana não se decidia qual o caminho a ser tomado para a sua solidez do matrimonio. Certa vez, em uma festa, ela observou um rapaz de quase sua idade e lhe fez festas com sua simpatia. O seu nome era Fernando, português de Évora, moço de um bom falar, simpático até e que estava no Brasil a trato de negócios. Os dois entabularam conversa e, de um passo, eles estavam a namorar. Após um mês, Fernando voltou para Portugal com a promessa de que retornaria ao Brasil tão logo as suas funções o permitissem. E assim, o fez. Antes do verão brasileiro, Joana e Fernando selaram compromisso na Igreja da Gloria diante de grande parte de portugueses que no Brasil residiam. Os pais de ambos estavam presentes para dar o seu apoio oficial ao casamento. O assento de casamento foi lavrado por inscrição do Consulado de Portugal, com o sacerdote, parentes e autoridades do registro civil do Brasil e de Portugal.
Logo após os acontecimentos civis e religiosos, comemorou-se a festa de núpcias com um lauto banquete ao som de uma orquestra e acordes de instrumentos regionais de Portugal. Ambos os noivos celebraram essa união ao som de valsa e de musica lusitanas até altas horas da madrugada. Logo em seguida, Joana e Fernando alugaram um carro e logo após partiram para a cidade de São Paulo onde festejaram a sua união. A cidade era magnífica para o casal. Jardins acolhedores cheios de labirintos formados por árvores ao redor, museus onde figuras imperiais denotavam o seu poder, cartas da Rainha Elisabete, quadros do primeiro Imperador do Brasil, Dom Pedro, cadernos de livros com a coleção de selos, praças onde nobres ostentavam suas figuras de escol. Museus de artes sacras era o domínio da cidade paulista. O passado remoto do Brasil imperial, teares expostos para quem quisesse olhar, quadros de pintores célebres eram a mostra cativante dos olhares de Joana e Fernando, Quanta beleza para se olhar e sentir que a lembrança voltava aos mais longínquos recantos da Europa de tempos antigos. Isso tudo o casal pode ver. Na volta, uma semana depois, um desastre. O carro em que os dois voltavam colidiu de frente contra outro veículo, pela manhã cedinho, quando trovejava bastante em toda a região com chuva torrencial caindo sem cessar. Ainda, apesar do claro do dia, os dois veículos trafegavam com seus faróis acessos, porém, como o transito pesado da estrada, não houve possibilidade de sair fora. No acidente, morreram quatro ocupantes, dois em cada um dos veículos, escapando apenas duas crianças que viajavam no banco traseiro do carro que foi colidido. Joana e Fernando morreram.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

LUZ DO SOL - 36

- CANTANDO NA CHUVA -

- CONTO -

Era o ano de 1965 quando Rinaldo viu exposto em cartaz o "HOJE" de "Cantando na Chuva", filme rodado em 1952. Era aquele um ré-lançamento, pois o filme fôra o máximo no seu tempo de estreia. Para todos que os viram , Rinaldo ainda se lembrava dos comentários alusivos à película, fato que o impressionou bastante. Na época, Rinaldo ainda era pequeno e, assistir a um filme sozinho, não era recomendável para um garoto. Desde criança era ele o rapaz que tinha a sua simpatia por cinema. E, algumas vezes, chegou a ir, aos domingos, assistir com o seu pai filmes onde ele pudesse entrar, pois a censura proibia entrada de crianças e garotos em certos espetáculos, o que o deixava bastante constrangido. Então, Rinaldo se acostumou em assistir filmes de categoria inferior, pois era assim que a censura permitia. E ele costumava dizer, ao ver o anúncio de uma fita onde era censurado até 18 anos:

--- Bosta! Eu queria ver tanto este filme! É uma merda total! - comentava o menino.

Sendou ou não "uma merda total", o fato é que Rinaldo se contentava em assistir filmes de classe bastante inferior e nesses filmes ele vibrava com a ação do "moçinho" para acudir a"mocinha" que estava em perigo. Esses eram os filmes da Norte- América, pois não passavam outros de países como França, Itália, Alemanha, Inglaterra e bem mais. Até mesmo os filmes nacionais tinham censura, a não ser as comédias de última categoria. Quando passava um filme mais sensato, mesno sendo brasileiro, a platéia aplaudia com entusiasmo os últimos instantes daquela história. Porém, para Rinaldo, de pouco importava saber de uma película vibrante e até sensual onde a ação se passava com tal envergadura que, não raro, a platéia deslumbrava por enredos onde apenas diziam coisas que eram escondidas até do grande público, como cacheiras, rios e lagos para se opor até mesmo às grandes necessidades dos enlaçados amantes, até porque, cena alguma deixava ver a moça se agarrando ao rapaz para ter um orgasmo fatal. Com o passar do tempo, tais fenômenos se tornaram menos púdicos, pelo menos no cinema francês e italiano. Contudo, no tempo de Rinaldo, tais aventuras eram consideradas "feias" para quem assistisse o cinema americano. Havia cortes até mesmo na hora da projeção, no Brasil, onde cada filme merecia a sua censura.
Quando Rinaldo fez 18 anos, um peso se desfez do seu corpo. Nessa idade, ele poderia assistir a filmes até então proibitivos para alguém de idade inferior. Foi aí que ele assistiu a todos os filmes poibidos até 18 anos que chegavam a passar no cinema da cidade. E, no caso do filme desejado que o cinema anunciava para aquele dia, ele não olhara nem mais a censura, pois a todos os filmes Rinaldo tinha acesso. E foi assim que ele se empolgou em ver a atriz mostrando suas sensuais coxas em "Cantando na Chuva". Na verdade, o filme não tinha nada demais, a não ser a presença da atriz, Cyd Charisse que era um irradiante explendor, muito bela e meiga, por sinal. A estrela foi de todo enigmática no filme que encantou a platéia naqueles idos anos que Rinaldo assistiu ao espetáculo por ñ vezes que passava nos cinemas do Brasil.. Ao fim do espetáculo, o rapaz comentou severamente:
--- Ô bosta! Não teve nada demais para censurar! - comentou Rinaldo.
E foi assim. por longos anos que ele se acostumou em assistir tais filmes de categoria então alemãs, irlandesas, suécas, japonesas e até mesmo chinesas onde também se tem censura para o desagrado de outros tantos Rinaldos da vida como foi, igualmente, para o jovem que não se contentava em saber de tais recomendações impostas pelo governo do seu país. Afinal, tais censuras nem precisavam ser recomendada, pois, no caso dos garotos, estes sabiam bem mais do que um filme onde tudo se passava às escondidas, mas se vendo por alguém que tinha mais saber do que os censores.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

LUZ DO SOL - 35

- PRIMAVERA -
- CONTO -
Quando Jací passou pela sala de visitas olhou para o relógio imenso que estava pregado à parede, de um tamanho médio de 2,50 metros. Em cima de tudo, estava o relógio. Logo a baixo, em uma espécie de estante, estava um carrilhão medindo cerca de 1,00 metro que se balançava lentamente, para um lado e para o outro. Não fazia qualquer barulho. Apenas um carrilhao estava ao compaso das horas. O relógio era um Kuko, luxuoso de um carrilhão da marca alemã tendo uma melodia bela ao marcar das horas. À altura do carrilhão tinha duas esferas de bronze tão niqueladas que mais pareciam ouro. O Kuko fôra do seu bisavô que passou para o seu avô e, por fim, para o pai de Jaci. A corda era dada a cada semana e até parecia que era um relógio que nunca parou e nem quebrou jamais. Seu móvel era em madeira resistente, uma espécie de jacarandá bem lustrada, com pés também de igual madeira, fazendo firme o relógio no chão atapetado de veludo. No meio do movel havia uma tranca que se abria para poder dar corda. Ao seu lado esquerdo, um pêndulo que indicava que era para dar corda. O Kuko em si era todo cromado em ouro. Na parte de cima do móvel havia também um resalto como protetor de algo que lhe pudesse derrubar. Havia igualmente dobradiças, todas cromadas, ao longo do móvel. Aquela era uma joia rara dos tempos antigos. Na hora que Jací passou à sua frente, o Kuko começou a tocar a velha melodia para, depois, soar às 8 horas da manhã. Para ela já era tarde demais para se chegar à Universidade onde a moça estudava. As suas irmãs Jânia e Jacira já saíram ao longo do tempo, estando frequentando os cursos da Universidade. E Jaci somente depois das duas irmãs é que podia sair, por causa do banho e do café da manhã, tendo que se arrumar logo após sem deixar de dizer:
--- Droga! - com a cara abusada por conta do horário.
Em frente à sua casa, ampla por todos os lados, um jardim na frente com um plantio de rosas que enfeitavam o seu ambiente, estava o carro estacionado esperando pela moça. Ao embarcar no carro ela, novamente, disse:
--- Droga! - com a cara trancada como que o mundo estivesse a desabar.
O motorista deu partida e rumou para a Universidade sem pensar nos problemas que estavam a afetar a moça. Na porta da casa, estava a governanta olhando Jaci partindo, para ver se tudo estava certo, ainda. Em seguida, a governanta entrou enquanto o jardineiro chegava para aguar o roseiral da casa.
Quando Jací era pequena, de cerca de 8 anos de idade, ela se surpreendeu com um caso que muito lhe fez muito estremecer. Ela estava sentada no colo do seu pai quando sentiu um leve volume a roçar o seu corpo. Preocupada com aquilo, ela tentou pegar naquele volume duro como pedra. Ao fazer tal ação, o seu pai, que estava sentado também, a ouvir o noticiário do rádio, resmungou um desaforo para Jaci. Durante esse tempo, a menina ficou preocupada com aquele volume duro e, certa vez, quando seu pai entrou no banheiro, Jaci ficou a olhar por uma fresta da porta o homem totalmente nú, pois era o horario do seu banho matinal. Ela, com vagar, pode ver o pai e o volume que estava duro naquela vez. Era o penis do homem que então estava mole. De certa, a menina achou graça e saiu para um lado da casa, sorrindo à vontade.
Nessa hora, apareceu a mucama que logo lhe perguntou sem maiores preocupações.:
--- Que tais fazendo ai? - perguntou a mucama.
--- Nada não. - respondeu Jací, sorrindo.
--- Ora já se viu? Sorrir para uma formiga? - indagou a mucama.
E a garota sorrindo correu para o seu quarto de dormir onde as duas irmãs estavam a conversar. Ela escutou a conversa das duas e depois foi se deitar, morrendo de achar graça. As irmãs de nada entenderam e uma, disse.
--- Doooida! - falou uma das suas irmães.
Com o passar do tempo, vieram os seus 12 anos. Então, certa vez, Jaci se olhando no espelho da penteadeira, notou algo que lhe pôs em terrível susto. Dois calombos estavam surgindo em seu corpo. Eram os mamilhos crescendo. Ela, então, se enfurnou na cama. Alí pegou uma toalha e vez a vez de um corpete, arrochando bastante para não ver os seus mamilos crescer. A ação durou até sua mucama chegar e, vendo todo aquele alvoroço da mocinha, foi logo perguntando:
--- O que é isso? Deixa eu ver! - falou a mucama.
--- Não. Tão "espirando".! - respondeu a mocinha.
--- Que tá espirrando? Deixa eu ver! - brabou a mucama.
--- Não! Tão enrolados! - choramingou a mocinha.
E a mucama levou as mãos ao cobertor e despiu a mocinha, caindo na gargalhada para assombro de Jaci que já não entendia de coisa alguma. E a mucama, disse.
--- Os peitos dela estão se formando!! Deixa de besteira! Isso é normal. São teus peitos! - disse a mucama embravecida e fazendo um thunco.
A menina não saiu mais da cama pelo resto do dia, toda encolhida, se escondendo da mãe e das irmãs que morriam de achar graça.
Com o passar do tempo, vieram os 14 anos. Certa vez, ao acordar, a mocinha notou que o seu cobertor estava sujo:
--- Sangue? - disse Jaci, baichinho e assustada.
Olhou por mais uma vez o lençol manchado de sangue, menarca, por sinal que ela tivera durante a madrugada. Com um medo terrivel, a moçinha pegou o lençol, fez um embrulho e jogou no saco de ropas sujas do seu quarto, bem ao fundo para ninguém notar. E voltou para a cama onde se encolheu toda, como um caracol, com as pernas puxadas até aos peitos. E ficou assim por vários minutos até a chegada da mucama ao seu quarto e de suas outras duas irmãs. A mucama perguntou a Jací:
--- Não vai se levantar? - e deu um truco com a boca.
--- Daqui a pouco. - respondeu Jaci.
--- Olha a hora! Tem escola! E por que estás toda amuquecada aí? - perguntou a mucama.
--- Descançando. - respondeu Jaci.
--- Descançando? E passou a noite correndo? Levanta! - reclamou a mucama com um thuco da voz. Quando descobriu a moçinha, notou presença de sangue em seu chambre. Então clamou aos céus, bradando:
--- Virgem Maria!!! Ela é moça!!! Até que enfim "chegou" as "regras". - gritou a mucama.
De imediato, as outras irmães e a sua mãe chegaram ao quarto onde a moçinha estava toda encolhida como um imbuá que se fecha todo quando alguém o apanha. Só punha cabeça do lado de fora, uma parte até. Com os seus cabelos longos e louros, pele alva e macia , mais parecia uma assombração com aquela posição encurvada.
--- Ela é moça! Ela é moça! Ela é moça! Rompeu a bandeira! Rompeu a bandeira! Ela é moça! Chegou a primavera! - gritavam as mocinhas, dançando em roda no meio do quarto, entre as camas e puxando a mãe para a roda, obrigando a dançar com elas. E a mucuma também, até que enfim a mucama fez questão em dizer.
--- Vai tomar chá de cidreira e café...mais tarde. Se enrola e fica quieta. Só se levanta para tomar banho. - vociferou a mucama, fazendo o seu tradicional thunco com a sua voz.
--- Não saiu mais nunca. - chramingou a jovem.
--- Ah Vai! Num tô dizendo mesmo! Ora! - vociferou a mucama.
--- Ela é moça! Rompeu a bandeira!. Chegou a primavera! - continuam a gritar as duas irmãs de Jaci, intermitentemente.
Foi uma confusão e tanto naquele dia com Jaci toda acanhada na ponta da cama, encolhida, enrolada, contorcida com medo do sangue vemelho cor de ocre que sacudira no saco de roupas.
E o tempo se passou, Jací já formada em seu corpo, pouco se lembrava do que aconteceu com ela naqueles dias de glória para todos os de casa. Ainda deu adeus com a mão para a governanta, sem saber se ela notara o seu aceno. O carrou tomou a pista e se dirigiu com certa pressa para a Universidade, onde Jaci frequentava o curso de Matemática.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

LUZ DO SOL - 34

- CONDESSA -
- CONTO -
Elizabethe de Astúrias surgiu no Brasil pelos anos de 1950, quando o país se desenvolvia graças ao governo de Getúlio Vargas, com a descoberta de petróleo que fez da nação um apogeu de encantos. A Condessa Elizabethe foi recebida com amplas pompas por parte dos moradores da Espanha que chegaram ao Brasil muito antes da II Guerra Mundial. Desse modo, Espanha e Brasil guardavam celeiros de amizades onde todos os espanhois eram tratados com estima e lealdade. E dentre todos estava a Condessa de Astúrias, nome que herdou de sua família que habitava o Estado de Andaluzia bem antes da guerra dos mouros. A Condessa tinha o dom de uma mulher atraente por sua cor do corpo e do cabelo, quase sempre curto, de sua altura jovial, rosto belo e infinitamente triangular, olhos de um tom esverdeado e quase azul, boca pequena e sempre com batons, sobrancelas arqueadas, seios amplos e pele do seu corpo bem tratada que lhe dava o tom de uma mulher eterna e fatal.
Ao chegar ao Brasil, com seus 25 anos, a Condessa Elizabethe logo se comportou como alguém que nascera no seu novo país. Conversas longas com os seus parceiros, alguns descendentes de Príncipes e Princesas, outros de Duques, Condes e Barões, todos esses com títulos de nobreza que pertenciam com relação ao monarca de seu país, a Espanha. Embora, Elizabethe tenha adotado Astúrias, ela não era propriamente uma descendente de tal lugar. Pelo menos assim pensava, pois seu pai era também espanhol e outros entes passados eram da França, Reino Unido e Portugal entre muitos ascendentes. Já estando no Brasil, Elizabethe quis conhecer toda a historia do pais conforme o tratado de Tordesilhas até o instante de sua chegada.
Sabia-se que os espanhois migraram para o novo continente desde a sua descoberta. Porém, foi apenas no século XIX que houve a maior chegada de espanhois para as terras brasileiras onde a principal atividade dos imigrantes era o plantio do café. Disso, a Condessa já sabia. Mas, havia a cultura entre os dois paises, a miscigenação dos povos que mais atraía àquela alta nobreza. E foi por esse caminho que a Condessa seguiu. Nas conversas com os seus amigos, ela procurou saber mais sobre a nação brasileira e como eram aceitos os que vinham de fora. A Condessa percorreu vasta parte do Brasil, como São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande e estados do centro e do norte. Na sua idade, a Condessa não casara ainda. Foi em uma viagem de cruzeiro para o norte do pais que ela ficou encantada por um nativo da região. Era nativo porque nascera no Brasil e, não por ser silvicola. O seu nome era Adriano, descendente de genovês, província da Italia. Ele tivera como parentes próximos os Papas ou prelados da Igreja Romana. Foi uma conversa amena a bordo de um navio Ita, de passageiros. Aliás, todos os Ita eram navios de passageiros ficando o Lloyd como os navios cargueiros. Com tais conversas sempre à noite entre os dois viajantes, foi um pulo para o namoro e, por conseguinte, o noivado. Com um espaço de um ano, ambos se casaram na Igreja de Nossa Senhora do Monte do Carmo, no Rio de Janeiro, sede Episcopal da Diocese. A cerimônia foi um verdadeiro esplendor com as mais ilustres e tradicionais personalidades da Espanha e do Brasil, além da Itália e de outros países que foram convidados. O anel de casamento da Condessa Elizabethe de Astúrias lhe foi presenteado pelo noivo Adriano, empresário da marinha mercante brasileira. Era um anel feito em ouro com diamante e rubí. Da união, nasceram dois filhos. Por seu casamento com o empresario Adriano, a Condessa se tornou bastante popular no Brasil e aqui desenvolveu um trabalho de ação popular. Elizabethe falava fluentemente o português, o que a aproximou ainda mais do povo brasileiro. Durante a sua união casamentar, a Condessa envolveu-se em várias atividades de filantropia, como tratamento para cegos. Tal união durou por por mais de 30 anos de incessante luta quando uma morte súbita levou a Condessa Elizabethe de Astúrias. O marido ainda viveu por mais algum tempo tendo morrido em um naufrágiu de um yate de sua propriedade em costas brasileiras. A Sua Alteza Real ainda hoje é lembrada por tudo o que fez no país.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

LUZ DO SOL - 33

- LARISSA -
- CONTO -
Larissa vem do grego e diz ser pessoa cheia de alegria. E era assim Larissa Orseide, nome pelo qual a identificava. Foi dessa forma que Hélio a conheceu, muito embora não a chamasse pelo seu sobrenome pois sentia certa dificuldade de pronunciar. Não se importando com o seu nome, a jovem procurava ter o mais alto respeito dos seus amigos. Rosto redondo, olhos quase mortos, nariz afilado, boca de eterna candura, seios repletos, era desta forma a jovem mulher dos seus 22 anos. Mas parecia uma deusa grega como o seu pai costumava dizer ao brincar, quando ainda era uma menina. Seus avós chegaram ao Brasil no século 19 e daí, tiveram filhos e, um deles era o pai da jovem e inquietante Larissa. Seus avós seguiram o plantio de uvas. Seu pai era funcionário publico e Larissa era apenas estudante procurando completar os seus conhecimentos no terceiro grau e se formando como professora de Linguas Mortas ou Desaparecidas, uma colocação sem par para uma deusa como a jovem dama. No meio disso tudo, encontrava-se Helio, rapaz jovial, elegante, terno completo, mãos sempre limpas, esguio e de certa altura, coisa em torno de 1,70 metros. Para Larissa, ele era um homem completo. Formaram conhecimento na Faculdade onde Hélio também cursava Letras e assim, veio aquele contentamento para ambos. Com passar dos dias, os dois amantes fugiam para algum lugar onde namoravam, passeavam de barco a remo, conduzido apenas por Helio, tendo no apoio a sua namorada, brincavam de se esconder, caíam cansados na margem do rio e passavam o domingo inteiro a fazer tais travessuras.
Certa vez, os dois acertaram o casamento, ao descontento do pai de Larissa. Mesmo assim, resolveram casar ao costume dos gregos, com danças folclóricas, ropas típicas, comidas e bebidas . O casamento grego pode ser considerado um tributo ao festejo e quem presencia jamais esquece. A recepção de um casamento grego é uma verdadeira festa onde a diversão e a dança são palavras de primeira ordem. Algumas tradições são originárias da antiga Grecia. Tal como em muitas outras culturas, no passado, o casamento grego era uma espécie de acordo entre a família do noivo e a familia da noiva. A família da noiva oferecia o dote, que poderia ser uma parcela de terreno, dinheiro, ou outros bens da família. Na cama de casados dos noivos, era colocado o dinheiro oferecido, e quem visitasse também a casa costumava contribuir com dinheiro para a nova vida dos noivos. E assim se fez no casamento de Larissa e Helio. O seu matrimônio ocorreu no mês de Janeiro, pois seria mais provável à proteção da mulher, pois neste mês se dedicava a celebrar a deusa Hera, mulher de Zeus e defensora das mulheres. Por outro lado, Janeiro é considerado pelos gregos o mês da fertilidade. Doces e flores faziam parte dos convites que eram entregues em mãos às famílias. Era prática comum a noiva levar consigo, grãos de cereais como um ritual de fertilidade. O bolo de casamento era tipicamente feito com mel, sementes de sésamos e marmelo, simbolizando o bom e o mau que poderiam aparecer pela vida fora. De uma forma ou de outra o casamento representa um Sacramento. A cerimônia de núpcias de Larissa teve início como todos os casamentos gregos. A cerimônia foi iniciada fora da Igreja. com o sacerdote dando a benção e em seguida os noivos dirigiram-se para o interior do Templo onde acenderam as velas e seguraram durante o restante da cerimônia. Logo depois seguiu a coroação, ritual que simboliza o reconhecimento do papel dos noivos no reino de Deus. Por fim, o sacerdote segurou os braços da noiva e do noivo e conduziu os dois à volta da plataforma da Igreja três vezes. Assim, terminou a cerimônia ficando os noivos unidos como marido e mulher. A recepção da festa foi até o amanhecer, repleta de comida e bebida além de música clássica e de dança. Na tradição da dança, Helio e Larissa seguiram o costume de dançar juntos e unidos por um lenço e cada um agarrado nas pontas. Na festa de Larissa não faltou o quebrar de pratos para dar sorte ao casal. Esse ritual foi uma demonstração de se quebrar os pratos na soleira da porta para espantar os maus espíritos. Enfim, Larissa casou de forma mais antiga da tradição grega, com seu vestido rodado, longo e de luvas brancas igual ao véu da noiva. Helio vestiu um fraque como mandava o figurino. Alto era o dia seguinte, quando ambos se recolheram a seu lar. E a festa continuou para além das horas.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

LUZ DO SOL - 32

- CRISTAL -
- CONTO -
O seu nome era Josephinne Cristal. Uma bela e atraente mulher de olhos claros, boca suave, cabelos estirados e ligeiramente ondulados, sombrancelas arqueadas, nariz afilado e de uma altura mediana. Todos os seus amigos a conheciam e chamavam-lhe por Cristal, nome que herdou dos seus pais. Movendo-se a passos largos, muito embora vagarosos, a dama nutria afeição por um velho amigo cujo nome era Albert Joffre, nome de um Conde ou Duque inglês de tempos remotos. Durante a Iº Guerra Mundial, Cristal, inda menina, veio com os seus pais para o Brasil, residindo em uma cidade do sul do pais. Muito embora, parte de sua família foi residir nos Estados Unidos, em um território ainda pouco conhecido, em um lugar que nem se falava em guerra. Desse longinquo parentesco, Cristal não teve mais notícias. Com relação a Albert, ela somente veio a conhece-lo depois de anos quando estudava em uma Colégio existente no lugar e onde também estudava Albert que alguns lhe chamavam de Conde. Conde Albert Joffre, caso que ele não levava em consideração. Ainda pequeno, Albert brincava na fazenda de seus pais como qualquer garoto. Já, por seu modo de decencia, Cristal procurava ler autores célebres e imortais, negócio que faziam as suas amigas de estudos. Quando Cristal atingiu sua puberdade, aos 15 anos, houve festa em seu lar com a presença de várias moças donzelas, estudantes também, que comemoravam aquela bela idade da virgem. Nesse ponto, Albert igualmente estava presente. Seus pais não cabiam de regozijo e contentamento junto a outros nobres cavalheiros que falavam no começo da IIº Grande Guerra, mesmo muito antes do seu início, onde se falava apenas na Alemanha que sofrera forte derrocada. Eram as conversas do homens enquando as senhoras damas trocavam olhares para com os seus filhos vendo se alguém arcaria vantagens sobre alguma senhorita, vez que, no caso, todas as moças de 15 anos eram então chamadas por esse derivado. Houve danças à moda francesa, onde Cristal tomou aos seus braços a figura de Albert, bailando ao som suave de uma orquestra de cordas com esmero e bom senso. Alguém chamou baixinho a atenção onde se ouvia ao som dos violinos o casal de jovens a dançar.
--- Parece noivos! - disse uma voz.
--- E não repare! - dizia outra de cara torcida,voz abafada, e olhares medrozos.
O baile durou até altas horas da noite, quando todos os convivas foram para as suas mansões e Cristal convidou, apenas algumas amigas para que fossem dormir com ela, em um quarto amplo e bem arejado. Nesse ponto, Albert e os seus pais foram igualmente para as suas manções. Nos albores da adolescencia, as amigas de Cristal conversaram por mais algum tempo, histórias de salão até que veio o sono e, então, todas as mocinhas adormeceram. A luz da lua penetrava pelas brechas das janelas que entreabriam ao quarto escuro de Cristal e ela ficou a cismar por um tempo enorme até que o sono também a apanhou. Foi um acaso notavel aquele do dia dos 15 anos. Tempos depois, quando a moça já completara seus 18 anos, ouviu com espanto, alguém a tossir na sala ao lado do Colégio Imperial onde a jovem continuava os estudos para um grau maior. Ela calou e ficou a ouvir tão somente. Com o passar dos minutos, Cristal notou a presença de Albert que voltava de algum lugar ainda a tossir. Nesse instante, um calafrio lhe tomou o ser. Embora não quisesse admitir, Albert era o tal que tussira antes, pois ao voltar à sala de aulas, ele ainda tossia vagamente. Logo que terminou a aula, Cristal procurou Albert, porém esse, com temor, saíra intempestivamente. Desse dia em diante, Cristal não mais notara a presença de Albert. Curiosa que ficou, ela procurou saber, em casa do jovem o que acontecera de modo que Albert não fora mais a aula. Na mansão, o mordomo disse apenas que ele estava viajando com os seus pais.
--- Estranho! Muito estranho! - comentou a moça, baixinho.
E dalí, seguiu para a sua mansão, sem nada dizer a ninguém, mesmo a seus pais. Com o passar dos dias e a ausencia de Albert, a moça resolveu a perguntar à direção do Colégio a razão de tanta falta que causava o jovem. E a resposta veio meio fraca, pois em nada lhe satisfazia:
--- Tomar ares no bosque! - foi o que lhe disse a preletora.
--- Ares? - comentou baixinho somente para sí a jovem Cristal.
Vindo o passar das semanas correu a notícia mais grave que ela poderia receber: Albert morrera. Estava com tuberculose. A moça, desmaiou. Em sua mansão, a criadagem correu para socorrê-la, esfregando-lhe os pulsos, passando cânfora no nariz até que Cristal tornou. O mordomo a levou nos braços para o seu quarto de dormir e lá deixou a jovem acomodada de modo no seu leito. Uma mucama veio até o quarto e por lá ficou. Dapois, uma outra criada, acercou-lhe com um chá de ervas para que ela tomasse. Apesar de relutar insistente, Cristal tragou um leve e pouco da beberragem enquanto a mucama a acudia enrolando o lençol de linho para que a moça não sofresse de frio tanto assim. Não era frio que Cristal sentia. Era apenas a dor de perder um ente tão amado e querido por causa de uma doença cruel. A jovem ficou recolhida por um bom tempo, com a presença de seus pais, de modo especial, de sua mãe que lhe fazia afagos sem cessar desde o dia que soube da notícia da morte do seu jovem amigo. Com o decorrer dos meses, Cristal, já refeita do que acontecera, foi até o cemitério da cidade com um ramalhete de rosas depositar no túmulo da família Joffre onde Albert também fora sepultado. Desse dia em diante, Cristal não mais se importava em querer saber de outra ligação com alguém. Foi Albert o seu único e derradeiro amor, apesar de nunca ter revelado a ninguém. Desde então, passou a lecionar no Colégio Imperial até o último dia de sua vida.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

LUZ DO SOL - 31

- LIMITE -
- CONTO -
Duas almas em desalinho. Quando Elisa atendeu ao telefone já sabia que era ele. Todos os dias, Joel fazia essa ligação. Às vezes, mais de uma vez. Chegou o momento de se desfazer tudo, por completo. Por mais que Joel insistisse, para Elisa já não era mais possível suportar. Seu modo ativo de resolver, não teria modos de guardar por mais tempo. Havia conflito de ambos os lados. Elisa tinha em nome um significado semelhante ao de Joel. Ambos eram os adorados de Deus. Mas isso nada de importancia levava. Na sua altiva posição de mulher, ela era mais que uma simples senhora dos desejos profundos e em nada os seus nomes se aglutinavam. E ela nem pensava nisso. Apenas queria ser Elisa. Quando os dois se conheceram, na verdade, era um mar de rosas. Jantares à luz de vela, passeios em parques privados, viagens de canoas à luz do sol. Com o passar do tempo, o mar secou como um rio em tempo de estiagem. A moça, então, pensou duas vezes. Para ela, conviver com um homem que não lhe dava prazer era o mesmo que possuir um candelabro que não mais iluminava. Esbelta, rosto redondo, mãos suaves, cabelos curtos, ela era uma deusa ao contrário de Joel que nada do que ela possuia ele haveria de ter. Magro, longo, mãos grossas como um trabalhador de pedras, ele viera do interior onde a sua familia tinha um rancho de criação de gado. Mesmo assim, apesar do franco poder econômico, Joel não era um verdadeiro homem ativo e consciente. Para ele, gostar de gado era o mesmo que não querer saber das coisas que, por certo, ele queria viver. Bebidas, mulheres e prazeres. Ao conhecer Elisa. na verdade, Joel mudou o seu proceder. Já não queria mais saber dos prazeres que se encontrava com facilidade nas avenidas da vida. Mesmo assim, Elisa não se conformou, pois sabia que o rapaz, um dia, teria que voltar a sua vida de sempre. A mudança era uma questão de horas. Tão logo a jovem moça se acostumasse com seu modo de viver, ele trairia tal confiança. A jovem já tivera outras experiências de tal modo. Por certo, o jovem homem não lhe seria o primeiro. Com a sua perspicácia de vida, Elisa não se deixaria levar por outras iguais. Talvez, mesmo sendo uma jovem prudente, ela não temia o futuro de ser uma mulher ativa e sem esposo. A sua imaginação era de que haveria um espaço para alguém ou não havia espaço algum. Esse era o seu modo de pensar e de viver. Moça de grandiosas posses que nem sabia o quanto, na verdade, pois seus pais não lhes dizia do qual precisava e nos seus lastros bancários a fortuna era imensa como nem podia imaginar. Mesmo assim, Elisa não parecia querer saber o verdadeiro valor da furtuna. Ela morava sozinha, em um apartamento luxuoso e amplo onde dividia os espaços com os seus empregados e um mordomo. Não recebia visitas, a não ser dos pais e irmãos além de alguém muito conhecido. Por isso, nem o próprio Joel aparecia por lá, a não ser em outro requintado apartamento que ela reservava para os encontros de amigos, em um outro edificio onde pouco habitava. O seu cômodo ambiente era dividido entre muitas poucas coisas, como um cama de casal coberta por uma cortina de ampla e iluminação parca como Elisa gostava. Naquele dia de outono, ao tomar o seu café da manhã, o telefone tocou antes na sala onde o seu mordomo o atendeu. De modo, que ela sabia quem era o incômodo visitante da manhã quando o mordomo lhe transferio a ligação. Foi então que a moça ouviu com presteza os argumentos dados por Joel e, ao final, disse-lhe que não queria mais continuar aquela amizade, de forma duradoura, pois seu limite chegara ao fim. O acaso da vida teve um final que nem ela saberia dizer por quanto tempo. Era o inverno que acercava entre os dois corações amargos e solitários. Tudo acabou como um verdadeiro sonho de amor.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

LUZ DO SOL - 30

- SELMA -
- CONTO -
Fazem anos que Marcos esteve com Selma, um arcanjo primaveril de sabor encantamento. O seu esguio perfil dava-lhe um puro esplendor de quem era uma mulher quase celta, por que não dizer tal forma assim. Seu olhar era terno como a luz difusa do luar, suas madeixas onduladas com um brilho tênue do claro louro, lhe davam um pecaminoso estontear de uma dama de alcova. Como era bela e enigmátiga aquela esfuziante jovem ninfa. Muito mais atraente que as adolescentes moças dos silenciosos recantos da preversão sensual. Sua boca era por demais meiga e perfeita como as musas dos milenares recantos orientais. As curvas de seus olhares encantavam aos que buscavam a flor púrpura da afetuosa adolescencia. Tudo enfim era ela, a celta que em uma núvem do céu apareceu a vagar no sol de seu amado ser. Quantas vezes ela se mostrou a preferência do seu puro otimismo ao resplandescente e luminoso amado. O acaso do pecar diante de seus encantos não lhe faria sentir o estontear da pura e inesplicável existencia. A ilusão da alcova lhe deixava perplexa em sentir o orgasmo vibrante diante do seu amado amante. Enfim, ela não exitava em desistir de qualquer deleite sexual. O seu amado, era uma experiencia impura para aquecer aquele meigo coração. Com isso, diante da vaga existencia do sentido, Selma procurava se cobrir do mais puro lampejo como todas as nifas, por seu tempo, adornavam. A paixão derradeira da musa púdica pelo arcanjo de alguma forma celestial não seria mais que alguma forma do amor antigo que, um dia, aprendera nos vislumbres do seu verdadeiro e eterno leito. Nada além de uma ilusão passageira acudiu seu coração. Para a jovem mocinha, tudo era inverdade daquele ilusório bem. O segredo e o sagrado com terno coração por fim lhe abriram os horizontes do limiar da fantasia. Na pura imaginação da cruel loucura levou a dozela a acreditar na pura telepatia do sempre eterno amor em se dedicar um só instante à luz da lua e cumprir o desejo mesmo que fosse por uma fulgaz melodia, a melodia do amor. Que os meros e quentes beijos envoltos no cetim do seu eterno passariam de vez quando o sonho acabasse. E, então, Selma, por mais que quisesse não teria forças para seguir em sua incerta vida vazia. Teria o coração feito em pedaços no cansaço da prisioneira existencia. Ainda além, se perguntaria quantos anos se passaram daquele algoz instante. Apenas o crepusculo se apara de vez para Selva lembrando de sua mágica juventude. E então veria que tão fragil como um cristal fora aquele amor. Um cristal de dois corações onde carinhos juvenis, juramento febris se efeitiçavam. E a mancha cruel do efêmero desejo se acabara em vão. Foi assim que Marcos acordou para a verdadeira imagem de um sonho de amor. Talvez, a esperança lhe desse força de esperar bem e muito mais além.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

LUZ DO SOL - 29

- RELICÁRIO -
- CONTO -
O relicário estava exposto na galeria da Loja dos Sonhos, onde todos podiam admirá-lo com ternura e devoção na sizudez do mágico tempo. E alí estava também Euclides pensando em poder adquirir aquela esplendorosa joia que de há muito vinha ele a meditar em poder dar o presente a meiga e doce Racílva, uma boneca de louça, mais parecia ser. A menina, certa vez, perguntou a Euclides para que servia o relicário. Em resposta, o rapaz lhe disse que aquele era um presente valioso e só poderia tê-lo quem tivesse relíquias para guardar em eternos instantes de sua vida. A garota, nesse instante, sorrio de prazer como era o seu hábito costume. Ao dizer tal alocubração, Euclides quis enfeitar o poder de um relicário, simples, talvez, mas de eterno real valor. Relíquias são prendas de se guardar perto do próprio coração para o eterno penhor da devoção. Naquele real instante, Euclides estava a admirar o adorno da Loja dos Sonhos, pensando em poder adquirir tal pendor para satisfazer aos sonhos e quimeras que Racilva por ele inquietante soluçava. Aquela era uma peça tão simples que a alguém com afeto se doava em dias festivos. Porém, podia ser um objeto sacro-santo que apenas os monumentais templos ostentariam tê-lo, guardado nos esconderijos mais íntimos das tendas dos encontros ou no tabernáculo do mistério. O seu valor, tão singelo significava o preço de uma jóia rara como um translúcido e maravilhoso rubi. O encanto da primaveril Racilva era a carência de algo tão esplendoroso como aquele mágico e frugaz relicário. Para o poder e a devoção de Euclides fez o adquirir o brilhante adorno que o faria chegar às mãos sublimes da encantadora e devotada menina cujos encantos eram tão requintados e magestosos como as musas dos sonhos de alcova do jovem rapaz. Do momento então ao conquistar o relicário, Euclides saiu garboso e feliz pois tinha em suas mãos o guardador das miragens tranquilas da imberbe musa do seu eterno santuario. Era a consagração plena de uma volúpia onde jamais alguem seria atraido para ver os sacros segredos de uma menina. A autêntica escolha de um relicário por parte da delicada e eterna Racilva era o exemplo de sublimes intenções de riqueza multiplice dos que buscam rezar peregrino diante do altar dos distintos gestos da real nobreza. E então, Euclides, refletindo sobre a devoção daquele adorno procurou caminhar adentro a rumo onde a garota estava a esperar e sem saber o que lhe teria os seus bonissimos pendores à luz de um sonho que dele nunca antevera descortinar. Aquela lembrança seria página sublime que a guardaria para sempre no eterno do seu ser. Sobre as margens do seu sentir, outras mãos não tocariam para o seu ousado final. E, então, movido por tanta ternura, Euclides com delicadeza chorou.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

LUZ DO SOL - 28

- SONHOS DE AMOR -
- CONTO -
Lindo era o sonho que Ivan nutria pela encantadora bailarina quando dançava ao som de uma famosa orquestra com o seu par, um jovem belo e extasiante para o deleite da platéia formada por rapazes e moças em sua cidade. Por horas, Ivan esperava começar o espetáculo mirabolante onde ele podia ver a dança aos pés da bailarina acompanhada pelo seu mestre do esplendoroso e virtual concerto. Com o seu chapeu de palha gomado e bordado que ele tirava e colocava às suas pernas, Ivan era delirante ao ver a deusa virtual a alucinar a plateia com as mocinhas rompendo em suspiros a cada passo que se via ao bailar da sensual artista. Era o êxtase aquela cena muda entre os dois bailarinos a voltear em torno de si e arremeter a dama para o alto amparando a queda quando ela tinha que voltar ao luxuoso tablado de moisaco límpido. Os rapazes faziam senões e as mocinha gritavam suaves diante de tal irreverência dos mestres da dança ao som de uma nobre e suave melodia acalentadora. Para Ivan, aquele sonho de amor tecia o mais brilhante e doce momento que ele tanto esperava. Com o salão do cinema às escuras, dava-se para notar apenas a tela ao fundo de tudo, a desvendar aquelas miríades de alucinações que só o cinema podia trazer. Damas e cavalheiros, noivos e noivas, namorados e suas meigas damas eram o euforismo de tudo o que se completava em todo o salão de brilho reluzente cambiando com as cores tênues que imaginavam o ser presente. Na entrada da casa de espetáculos havia cartazes do filme que projatava a tal alucinação dos que estariam a vê-lo na noite de um sábado. Era alucinante tudo que diziam os cartazes mostrando a musa delirante que só ao ver, se podia ter a certeza de que era, na verdade uma deusa do Olimpo. Donzela esfuziante e bela, era capaz de fazer sonhar os mais alheios seres que se fizeram presentes àquela sessão de cinema. E entre tantos, estava Ivan, cauteloso e comportado, sem dizer palavras algumas, esperando só então o inicio da sessão no augusto cinema da cidade. Onde o vislumbre de cada cena eternizante, podia-se notar que aquela era a melhor de todas ao se debruçar aos braços de um verdadeiro sonho da mulher virginal e amada tão distante, em outro mundo, na tela da perfeição tranquila e calma. A walquíria dançava volteando entre círculos monumentais a cada compaso que o seu mestre fazia para que os dois se completassem ao seu maestral fim. Aquele voltear de sonhos fazia Ivan enternecer de um verdadeiro amor pela virgem donzela cujas jovens belas presentes também suspirava de meigo encanto. Para Ivan, aquele sonho não se acabaria jamais.

domingo, 14 de fevereiro de 2010

LUZ DO SOL - 27

- RIVOLI -
- CONTO -
Era uma multidão imensa para assistir a estréia da Orquestra Sinfônica naquela noite no Teatro. Entre inúmeras pessoas, estava Esaú, jovem galante e soberbo, demonstrando o seu ar de aristocrata vindo mesmo do interior do país fazia algum tempo. No programa do dia, contava-se a apresentação da switch de George Gerswin - Rhapsody in Blue -obra magistral do autor norte-americano. Equela era uma verdadeira noite de gala para os admiradores da música erudita. As pessoas trajavam suas magnificas roupas cobertas com sobretudo por causa do frio que fazia com os ventos a soprar. Entre toda aquela gente, estava Esaú com sua dúvida comum de saber qual dos dois caminhos a seguir: se entrar no Rivoli ou se ir para um restaurante soberbo e mais distante, apesar de em suas mãos ter o ingresso para o espetáculo da noite. Aquela era uma dúvida cruel, pois sempre acontecia com ele em não saber qual caminho a seguir. Era um verdadeiro desastre o seu destino diante da multidão que se aglomerava em frente ao teatro. O barulho dos carros que chegavam e partiam deixava no rapaz na mais tremenda e simplesmente angústia. A harmonia lhe parecia mais distante de encontrar. Na entrada da casa de espetáculos, se estava abrindo os portões para dar ingresso aos que fizeram acertos antecipados, pois não havia lugar para os ingressos adquiridos na hora do espetáculo. A multidão se moveu em busca de seus assentos nos camarotes, nas frisas, nas poltronas e mesmo nas gerais. Com todo aquele movimentar de gente, entre trajes suntuosos, cintos, colares e capas, ficava Esaú de fora, pois não sabia a razão de não poder ter acesso ao espetáculo onde o concerto maior era, sem dúvidas, a Rapsódia de Gerswin, tendo mais as apresentações de composições de Liszt, Rossini, Ravel entre outros mais. No seu desalinho do caminhar, Esaú resolveu ir para um outro local, bem mais distante, um restaurante de requinte e prazer onde se podia consumir os mais soberbos pratos e as mais delicadas bebidas, algumas, estrangeiras. Em tal local, ele entrou. O seu modo elegante de vestir fez dos homens que atendiam as mesas, os garçons, e lhe oferecer o melhor do que podia existir àquela hora da noite. Todo o ambiente parecia repleto de gente, todos cavalheiros e senhoras damas, essas, com seus colares, brilhantes e adornos do mais requintado feitio. Então, Esaú atendeu ao garçon que lhe lhe trouxe o menu para que o rapaz pudesse escolher o que havia de melhor na culinária do local. Depois de eterno procurar, Esaú findou por escolher aquilo que ele achava de melhor. Do outro lado do imenso salão, uma virtuosa moça lhe lançou o olhar sem que ele notasse. Com o passar de instantes, um maitre se aproximou de Esaú, entregando-lhe um bilhete.Ele agradeceu e ficou a ler. O bilhete só dizia um nome: Sandra. Ele olhou em volta até verificar quem tinha enviado a mensagem. Por fim, Esaú identicou a jovem que lhe fazia acenos medrosos. O jovem retribuiu e fez a vez de ter sido convidado por Sandra. Com instantes, os dois estavam abraçados e descuidados como eternos namorados, daçando em volta do salão. Uma tenue nuvem de perfume sacudiu Esaú que esperimentava acolher a jovem em misteriosa dança. Já não importava ao jovem o aconchego que se fazia no Rivoli, pois alí o sossego era mais amplo. Com o tempo, outros casais faziam a roda do compasso a dançar virtuosos sem nem ao menos julgar por aparencias profanas.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

LUZ DO SOL - 26

- CARLA -
- CONTO -
Aquele era o Dia dos Namorados, o Dia de São Valentim. Naquela data eram oferecidos jantares dos mais requintados e luxuosos recantos da cidade onde os rapazes aproveitavam para pedir, com impetuosidade e romantismo, a mão da jovem em casamento. Aquele era o supremo dos dias das jovens que se sentiram atraídas por um outro jovem cavalheiro. Tocava-se músicas romanticas ao som de pianos e violinos, uma atração sem par para suavizar ainda mais aqueles momentos de sempre eterna felicidade. Nos restaurantes não havia vaga se o namorado não requisitasse bem antes um local de doce encanto para estar apenas ele e a sua bem amada. Luz de vela era o requinte ideal para se celebrar o clássico amor. Romance era a palavra suprema de que a jovem requintada gostaria de ouvir do seu eterno noivo. Na cidade, filmes classicos de amor não faltavam. Enfim, tudo era pleno de rosas, joias e adornos sensuais. Foi assim com a delicada e meiga Carla, quando foi pedida em casamento por seu apaixonado namorado que lhe fez presente uma Maçã do Amor, além de um cordão de ouro e uma aliança com um mimo especial de terna doçura pleno de suavidade e brandura. Para Carla, aquele era um outro universo do qual somente as divas do encanto poderiam ter o bem aventurado acesso. Com a promessa de amor eterno, o seu amado lhe entregou flores com um beijo suave e delicado com essencias e perfumes. As rosas vermelhas simbolizavam o doce encanto de ternura e enlevo com a singela oferenda de que no futuro flores ainda lhe daria. Era tudo um carinhoso sonho de amor e de encanto para uma quase menina jovem. Ao pedir sua mão, ele suavemente lhe deu o encanto de dizer da alegria sentida naquele momento de desejos incontidos. Então, os dois voltearam no salão feito para o baile enquanto o piano tocava suave encantos mil dos eternos namorados. Os negros cabelos de Carla esvoaçavam ao eterno amor entre delicadas rosas, presentes do seu amado. O noivo, aproveitando aquele gesto de amor, segurando Carla com maestria e delicadeza, beijava-lhe os lindos cabelos mercando a impetuosidade que a ele assumia, sem falar nem mesmo ao toque de uma melodia eterna. Por seu lado, Carla trazia lágrimas no olhar de tanta felicidade que sentia. Para a jovem moça não havia plena ilusão de se consumar. Era só romance eterno. Para si, a imágem em nada mudara. Com seu amplo vestido rodeado de enfeites. Carla olhava terna para o noivo e ao seus braços, rodopiou em torno do salão, fazendo com que a jovem suspirasse de ventura. Naquele momento, Carla sorria e chorava de tanta felicidade. Sentia-se feliz a olhar o seu noivo que somente a podia transportar para os mágicos instantes de suave alegria. A festa transcorria sem parar quando todos os casais, com puro amor, dançavam à luz tenue e difusa do salão de baile. Para a jovem, o que almejava era que tanta felicidade jamais pudesse ter fim. Ao som da melodia, ela era estrela a brilhar sabendo que o seu amor crescia cada vez mais. E quando velhinhos, ela teria aquele momento para lembrar, pois tal veneração não acabaria jamais, mesmo estando nos momentos de dor, pois a vida seria bem pequena para tanto amor.

LUZ DO SOL - 25

- CASSANDRA -
- CONTO -
Eram 8 horas da manhã quando Cassandra caminhava pela rua principal da sua cidade onde havia edifícios elevados em meio a casas térreas, todas de muito bom gosto. Alí moravam uns poucos remanecentes de antigos senhores de terra e, nos edificios, abrigavam-se escritórios, Bancos, departamentos de comércio entre outras representações de setor exterior. Na verdade, aquele era o fim de um frutuoso progresso de antigamente para dar lugar aos mais luxuosos conglomerados do país. Ao caminhar, despretenciosamente, Cassandra ouviu um baque surdo e impressionante aos seus pés. Com a jovem, temerosa por não ter sido atingida pelo enorme saco vindo do alto de um edificio, gritou de uma forma baixa, olhos fechados pelo que passara junto e, em seguida, com o braço direito na testa e a mão esquerda na boca, fez:
--- Uuuiii! - voz de Cassandra.
Em seguida, a moça abriu os olhos e, temerosa e amedrontada, olhou para o saco enorme que se decompunha em sangue, molhando todo o calçamento ao seu redor, e desmaiou. As pessoas que passavam ao lado e mais distante, acorreram para ver o que acontecera. Um homem caido de certa altura do edificio, vindo morrer no chão. De repente se formou a multidão em torno do homem. Do edificio, vieram pessoa para saber o que havia ocorrido. Um rapaz, acudiu Cassandra que estava desmaiada junto ao corpo. Tudo isso se passou em questão de segundos. Alguns sairam dizendo:
--- Ave Maria. Nem quero ver! - vozes.
--- Que foi isso, meu Deus? - vozes.
--- Nossa Senhora!!! - vozes.
O corpo do homem estava estendido no chão ensopado de sangue que escorria para todos os lados. Por seu turno, Cassandra era socorrida por um rapaz que a arrastou até a calçada do edificio onde outros homens também acudiram a moça que continuava desmaiada. Um homem foi quem disse:
--- Leva para o hospital. Leva! - voz de um homem.
--- Foi ela? Foi ela? Foi ela? - perguntou um outro em desespero.
O jovem que a socorreu estava alí, agasalhando a moça, fazendo todo o mecanismo para que Cassandra recuperasse os sentidos e nada conseguia naquele primeiro minuto. O negocio era levá-la a um hospital, pois lá teria melhores condições de socorrê-la. Um rapaz que viu tudo, sabia que a jovem escapara de um acidente grave quando o homem caiu a seus pés, por pouco sem atingí-la. A jovem viu o homem morto e desmaiou. Foi assim.
Enquanto uma porção de gente queria socorrer o homem caído, um outro, vindo do interior do edificio, com um pano nas mãos, disse:
--- Ninguém mexe. Chame a polícia! - dizia o segurança.
Por seu lado, um outro homem encostou o carro próximo ao edificio e correu para socorrer a jovem. Com o rapaz e a ajuda de mais dois outros, levou Cassandra até o interior do veículo, pôs no banco de trás, na companhia do rapaz e de outro homem que tão depressa pegou uma carona no assento da frente, e o homem rumou para o hospital.
No caminho, o homem do carro perguntou:
--- Quem viu o estrondo? - - perguntou o homem.
--- Eu vi quando a moça passou e, de repente, aquilo caiu la de cima, bem a seus pés. Ela desmaio naquela hora! - disse o rapaz.
--- Você diz no hospital. Certo? - falou o homem do carro.
Foi um instante desesperador. O carro corria a todo custo, cortando sinais, buzinando insistente, em velocidade estonteante até chegar ao hospital mais próximo. A moça acordou por um instante e perguntou.
--- O que é isso? - perguntou Cassandra.
--- Calma! Estamos chegando. - disse o jovem.
E a moça voltou a desmaiar.
--- Pronto! Desmaiou de novo! - disse o rapaz.
--- Estamos chegando. Espere. - falou o homem do carro.
Com o carro na parte alta da calçada, o homem chamou os maqueiros que até pareciam, já estavam de sobreaviso. Os maqueiros pegaram a jovem pelos braços e pelo troco enquanto o rapaz ajudou levando-lhe apenas por suas pernas. Três maqueiros de imediato rumaram para o interior do hospital enquanto a atendente perguntava aos presentes.
--- Quem é o responsavel? - perguntou a atendente.
--- Não tem ninguém! - respondeu o homem do carro, esbaforido.
--- Eu assumo. - disse o rapaz que socorreu.
--- Carteira! - pediu a moça um tanto aborrecida.
--- Só tenho a minha. Serve? - respondeu o rapaz do socorro
--- Deixe eu ver. Onde ela mora? - perguntou a antipática jovem.
--- Não tenho idéia. Ela ia passando quando um homem caiu de um prédio, aos seus pés. Aí, ela desmaio. É o que eu posso dizer. - disse o jovem.
A moça antipática olhou cismada para o rapaz enquanto o homem do carro disse a mesma coisa.
--- Foi, senhora. Ela desmaiou. Nós estamos prestando socorro. Não vi documento algum com ela. - respondeu ohomem do automóvel.
--- Vou anotar aqui. Vocês podem esperar ali, nas cadeiras. - disse a moça antipatica.
Nesse mesmo instante apareceu um médico para saber de melhores informações. A moça disse o que os que prestaram socorro lhe disseram também. E o medico perguntou qual era dos quatro. Ela apontou para o rapaz. Então, o médico se aproximou dele e voltou a perguntar.
--- O senhor é parente? - perguntou o médico.
--- Não senhor. Nós só prestamos socorro. É tudo que eu sei. - respondeu o rapaz.
--- Ela vai ficar em observação. Se aparecer algum parente, por favor, diga-lhe o que houve. - respondeu o médico de forma delicada.
O tempo passou. Três meses que a moça sofrera o impacto com queda do homem do edificio. Com um pouco de tempo, a jovem retornou os sentidos. Mas não se lembrava mais quem era. No início daquela manhã do dia do trauma, um homem que se dizia ser o pai, apareceu no hospital. Ele procurou saber quem socorrera a filha e ficou sabendo que tinha sido o jovem. Com o passar das horas daquele dia, Cassandra recebeu alta. Foi o seu pai quem a recebeu. Ela não o reconhecia e nem sabia o que estava fazendo em um hospital. O médicou recomendo procurar um psiquiatra. Eles - o pai e Cassandra - voltaram para a própria casa. Os três meses passado, não trouxeram de volta as lembranças do que a moça vira naquele dia. Nem as fotos da familia ela reconhecera. Sómento havia algo que não esquecera: o saco caído no chão. Com os tres meses que passaram, o psiquiatra procurou retornar aos seus momentos de juventude e ela aprendeu a viver como se estivesse nascendo naquele momento. Com relação aos seus pais e irmãos, ela adotou como se tivesse procurando ter alguém. O rapaz que a socorreu naquele dia, ela não mais se lembrava quem foi. De início, não sabia de nada. Passados três meses, ela já não se lembrava que um dia passara naquela calçada onde o homem despencou para a morte. Cassandra levou uma vida discreta como se tudo era novo para si. Um dia, um carro desgovernado abalrroou com um poste no momento em que Cassandra ía passando. Foi um susto terrivel que a moça teve, chegando a desmaiar. Socorrida, ela recobrou os sentidos. E tudo foi como um sonho. Então, de repente, ela recobrou a momeria e perguntou, então em razao do seu passado esquecido:
--- O homem? O homem? - perguntava Cassandra.
--- Em coma! - disse-lhe alguem.
Ninguém respondera que aquele homem não era o mesmo que se espatifou na calçada do edificio. Então, Cassandra chorou de dor e comoção. Ela voltou ao seu estado de antes de acidente. Agora, Cassandra se lembrava de tudo o que passara. O homem do carro, esse tinha sido levado para o hospital.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

LUZ DO SOL - 24

- LORENA -
- CONTO -
A tarde prometia sol forte naquele verão. Não se importando com o que fosse, Lorena ajeitou os papeis de sua pasta e vestiu o que mais lhe proporcionava para uma advogada de defesa e, entre outras coisas que teria de levar, passou a vista em seu gabinete, existente sua casa, olhou os sapatos para ver se lhe agradavam, chamou a governanta e lhe disse que tomasse conta dos "pequenos" - dois filhos de Lorena - pois estaria de volta logo que acabasse o julgamento na cidade vizinha. Ainda chamou os pequenos para lhes dizer com muito rigor:
--- Juizo, ouviu? Juizo! Não tem nada de computador e nem de amiguinhas. Juizo! - disse Lorena como se passasse um carão nos filhos amados.
Em seguida, rumou para a garagem do edificio de apartamentos onde foi buscar o seu automóvel de última marca. Lorena pôs os seus processos no banco dianteiro do carro, arrumou o cabelo comprido e loiro, olhou-se no espelho do retrovisor interno, passou um dedo nos lábios, deu partida e mesmo vagarosa, saiu do edificio de 20 andares, um verdadeiro colosso da arquitetura moderna, buzinou para o porteiro que já estava disposto e saiu um tanto vagarosa pela rua onde morava para então pegar a rodovia.
Nessa mesma hora, em um restaurante de estrada, o homem subiu em seu truckado de 22 pneus, lá ajeitou-se como pode, guardou as quatro latas de cerveja na geladeira do truckado, olhou para o seu lado esquerdo, buzinou com a sua esmerada corneta de tres bocas, fazendo um barulho surdo e advertente, saiu do seu acostamento onde tinha mais cerca de dez carros e trucks estacionados, rumou pelo lado de dentro do posto, seguiu para tomar a rodovia, parou para dar passagem a outros carros e seguiu viagem, de início, devagar para, depois, pegar a sua marcha normal. O seu nome era Dagoberto, homem alto, corpulento, de mãos firmes, vestindo uma camisa aberta ao peito e uma calça jeans. Nos pés, um par de sapatos um tanto velhos.
No seu caminho, Lorena seguia lenta, vez que a rodovia estava repleta de autos, caminhões e igualmente trucks àquela hora da tarde. Um serviço de desobstrução da via tornava o trânsito mais devagar ainda. Logo à frente, uma máquina fazia o conserto de uma faixa cujo local estava obstruído por árvores e terra. Por isso, o caminho da rodovia se fazia em apenas uma mão, com os operários sinalizando as passagens de quem seguia em sentido contrário, como era o caso da advogada. Após breves minutos que mais pareciam uma eternidade, o trânsito fluiu normal, com o longo caminho de autos pela frente, alguns passando pela contra-mão para chegar primeiro ao seu lugar. enquantos outros com objetos na carroçaria, elevando um tanto o veículo que se tornava pequeno de tanta encomenda que conduzia. Nesse ponto, Lorena disse para consigo:
--- Ave Maria! São uns loucos! - comentou a mulher.
O truckado de Dagoberto começava a descer uma ladeira na encosta de uma pedreira onde se ouvia sempre o espocar de dinamites para retirar um pouco de material para o calçamento. Esse estrondo se fazia num ponto bem lá dentro da pedreira e não tinha cuidado de vir a cair para o lado de cá do morro. Apenas a ladeira era perigosa, deixando Dagoberto atento para a passagem dos autos de vinham em direção contrária e para os carros e caminhões que seguiam vagarosos em sua mesma direção. O homem passou a mão na cabeça e voltou a descançar o braço da porta da boleia do seu truckado. Os relógios de bordo identificavam que tudo estava certo com o truckado, inclusive os pneus. Ele olhou por uns instantes os equipamentos. O motorista levava uma carga em cima de 22 pneus e, por mais que lhe chamasse a atenção, era sempre preciso olhar os instrumentos de bordo.
Em sentido contrario, vinha a fila de carros, cada qual mais apressado, esperando a subida da íngreme ladeira. O buzinar dos autos não incomodava Dagoberto, pois a sua buzina era mais forte que as dos automóveis passantes. Ao dobrar de uma curva à direita, eis que veio o choque. Um carro tentou cruzar com outro e só encontrou a frente do truck. Foi pancada feia. Dagoberto ainda puxou o seu truck para a direita porém o que tinha que haver foi inivitável. Com o choque, Dagoberto bateu com a cabeça na frente do seu carro, perdendo os sentidos. O carro que colidiu com o dele, era dirigido por uma mulher. Apenas se ouviu gritar:
--- Ai meu Deus! - voz da mulher.
E o carro caiu de barranco a dentro, pelo lado direito de quem sobe, desgovernado, inteiramente às tontas, derrubando árvores, levando rochas, seguindo em desalinho e sòmente a parar a 50 metros de distancia, quando os restos do veículo, todo amassado, machucado como se fosse uma casca de frutas oscilou e ficou com um dos seus pneus para cima, a rodar até ao ponto de parar. Em seu interior estava uma mulher. A sua morte foi quase instantânea, pois perdeu a consciência quando estava deitada no meio do caminho do acidente, vez que o carro lhe despejou para fora. O seu nome, conforme os documentos de identificação, era Lorena.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

LUZ DO SOL - 23

- GILDA -
- CONTO -
O Teatro estava cheio àquela hora da noite, com as senhoras e cavalheiros, moças e rapazes, alguns noivos e namorados tomando os seus acertados e cômodos lugares oferecidos nas frisas e camarotes, cujo meio era reservado para as autoridades de Estado, poltronas numeradas e, para muitos dos espectadores, na geral, onde todos os que estavam podiam ver o espetáculo magistral que estava sendo oferecido. No palco, a orquestra sinfônica que apresentaria as peças de música, incluindo a famosa "O Bolero", de Maurice Ravel. Entre os muitos convidados, estavam Gilda e Honório, casal requintado e cheio de glamour, cujo prazer era ser exclusivo nas matinês que se fazia na bela cidade. Gilda era uma bela e exuberante jovem de alto requinte da sociedade patriarcal onde os homens eram os senhores e as mulheres eram as suas acompanhantes e nada mais. Honório era um rapaz que veio de familia pobre. Mesmo assim, seus avós paternos se firmaram no comércio de exportação no ramo do algodão. Naquele instante, Honório era um bemquisto jovem também da alta sociedade, graças a herança de seus avós passada para o pai e seus tios. Por conseguinte, a familia de Honório era cortejada pelas mais elevadas pessoas do meio social. Naquela sessão. Gilda era a dama preferida e acercada de todos os convivas, até mesmo das ilustres autoridades de estado, e vivia sendo sempre cortejada pelos mais belos e augustos jovens nascidos na província. De origem alemã, pois seus bisavós eram alemães de cunho e alma, ela não levava grande importância para tal fato. Apenas queria usufruir da diversão. Em um casarão à beira-mar, Gilda tinha os seus prazeres de folga. Amigas não lhes faltavam onde passava horas e mais horas a conversar, tocar piano, exercitar nos demais instrumentos de corda e de madeira e, não raro, dormir pelas altas madrugadas quando não havia mais ninguém e o piano se tornava mudo. Na cidade, era mais cautelosa, apesar de sempre haver amigas a lhe rodear. Com seu porte juvenil de uma dama de 22 anos de idade, era o seu vestir um cetim plissado com bordados em paetês, feito sob medida. Plumas de castor encimava ao ombro, luvas brancas nas mãos e um pouchet a tiracolo. Era ela delirante naquela festa do Teatro, tendo ao lado o seu namorado Honório, jovem também muito bem vestido de smoking, gravata, colarinho, sapatos e cinto cheios de requinte de festa. O seu orgulho de estar ao lado de Gilda era menor do que a própria eloquente dama. Seguramente não olhava em derredor, causando até aborrecimento para com os partilhantes do evento. A moça se agasalhou em torno do ombro do namorado, deitando-lhe as madeixas ao vislumbre do jovem. Cheiro inalterado de phebo, marca de vida longa, ícone de perfumaria com o doce afeto de sândalus que se altercavam no ambiente perfumoso do salão do Teatro. Para o jovem Honório, de tradição comum, aquilo era o climax que ele podia auferir. Aos acordes de O Guaraní, de Carlos Gomes, estava sendo iniciada a festa, com a abertura lenta e enigmática da cortina do espetáculo. Tocaram-se peças, as mais suaves e belas ao executar dos inauterantes instrumentais eruditos até a chegada vez de O Bolero, do eterno Ravel, última do espetáculo, marcando o encerramento da tradicional noite de festa. Houve uma evolução de delirantes aplausos por dez minutos contínuos, fazendo com que a orquestra retomasse uma vez mais à cena e executasse mais vezes trechos do Bolero, atendendo a tantos apelos incontidos. Por fim, terminara a magistral comemoração. À saída, o pessoal, seguindo pelo entre-trecho do Teatro até alcançar as monumentais portas de ferro onde seguiam em direção aos seus automóveis. Entre os que saíam, vinha também, Gilda, entre sorrisos e graças conversando com suas amigas, tendo ao seu lado o namorado Honório. Era tudo contentamento, apesar do avançar da hora. Foi então, que por entre os jardins que alí havia, um jovem, armado com uma arma de fogo, fez um único disparo atingindo o peito da jovem Gilda. Ninguém percebeu quem dera o tiro, pois no meio da multidão, o homem se meteu e escapuliu para longe dalí. O aglomerado se formou em torno da jovem e um cavalheiro se pòs ao dispor de socorrer Gilda com toda a pressa para o pronto socorro. Assim foi feito. Ao chegar ao hospital, Gilda já estava morta.