quarta-feira, 18 de junho de 2008

RIBEIRA - XXI


O dia amanhecia limpo, com poucas núvens no céu, anunciando mais um dia de trabalho para a população da cidade de Hiroxima, uma cidade japonesa localizada na província de Hiroxima. A cidade entre montanhas, em um vale, fica no rio Ota, cujos seis canais dividem a cidade em ilhas. Cresceu em torno de um castelo feudal do século XVI. Serviu de quartel-general durante a guerra sino-japonesa. Em 5 de agosto de 1945 foi a primeira cidade do mundo arrasada por uma bomba atómica: 75 mil pessoas foram mortas ou feridas.

Naquele dia, Natal vivia uma tranquila noite quando a BBC de Londres anunciava pelo rádio que uma bomba de terrível poder destrutivo fora posta sobre uma cidade japonesa.: Hiroxima. As pessoas que tinham rádio em casa ouviram, porém nada comentaram, pois de bomba já estavam cheios delas. Uma a mais, uma a menos não fazia diferença. O sistema de autofalantes da Agencia Pernambucana, situada na Ribeira e espalhada pelos bairros da cidade, divulgou a noticia. Todos ouviram aquele informe e os jornais da cidade copiavam pelo sistema Morse os informes dados direto de Londres de que os Estados Unidos lançaram uma Bomba H sobre Hiroxima, cidade japonesa. Os telegramas fechavam dando a data de 06 de agosto de 1945 e com a palavra do piloto do avião que dizia: "Missão Cumprida". Natal era um cidade bem longe do Japão, mas no teatro da II Guerra Mundial.

No Comando do Quartel Americano, em Natal, nenhuma palavra. Era um silêncio absoluto. Os praças tinha a permissão de se divertir no Salão do Grande Hotel como se nenhuma conversa fosse dada a eles. E Natal, o dia passara com seu turno de vida normal e chegara a noite dentro da mais absoluta calma, apesar de ser tomada por uma guerra, com aparelhos fazendo vôos para a África, como era costume nos últimos três anos. As noticia não chegaram a alarmar o povo, acostumado a viver em meio a tranquilidade. De bomba H nada se sabia. No entanto, no dia seguinte foi dada a certeza. Um avião B-29, de nome "Enola Gay" partira de um campo avançado no Pacífico, sob o comando do piloto Paul Tibbets Jr. levando um artefato pequeno, até, que fora batisado de "Little Boy" - garotinho - para deixar cair num canto demarcado, na cidade de Hiroxima, fazer fotos da bomba quando explodisse e de voltar de imediato para o seu campo de pouso. O piloto de nada sabia. Nem o poder da bomba que levara para deixar cair sobre a cidade japonesa, que explodiria a poucos metros antes de tocar o solo. Foi isso que ele fez. Foi isso que aconteceu.

O primeiro ataque atómico da história fez com que a cidade de Hiroshima ficasse mundialmente conhecida. O alvo inicial seria Kyoto, ex-capital e centro religioso do Japão, mas Henry Stimson, secretário de Guerra norte-americano, preferiu a cidade de Hiroshima, escolhida para o ataque porque ficava no centro de um vale, o que pode aumentar o impacto da explosão nuclear, já que as montanhas ao redor prenderiam na região as intensas ondas de calor, a radiação ultravioleta e os raios térmicos produzidos no ataque. Definidos os detalhes da missão, o bombardeio B-29, "Enola Gay" (batizado com o nome da mãe do piloto), comandado pelo piloto Paul Tibbets, decolou da pequena ilha Tinian para um vôo de 2.735 km. Logo depois levantaram vôo outros dois B-29 que tinham a missão de medir e fotografar a missão. O Enola Gay, levava em sua carga fatídica o artefato chamado pelos americanos de "Litte Boy" (garotinho), sua carcaça tinha 3.2 m. de comprimento e 74 cm de diâmetro, pesando 4.300 kg., e potencia equivalente a 12.5 kt de TNT.

As 8,15 horas da manhã do dia 6 de agosto de 1945, o Enola Gay lançou a primeira bomba atómica programada para detonar a 575 m acima da cidade japonesa onde viviam milhares de pessoas, e após um silencioso clarão, ergue-se um cogumelo de devastação de 9.000 m. de altura provocando ventos de 640 a 970 km/h e espalhando material radioativo numa espessa nuvem de poeira. A explosão provocou um calor de cerca de 5,5 milhões de graus centígrados, similar as temperaturas próximas ao limbo do Sol. Hiroshima tinha na época cerca de 330 habitantes, e era uma das maiores cidades do Japão. O bombardeio matou cerca de 130 mil pessoas e feriu outras 80 mil. A bomba é até hoje a arma que mais mortes provocou em pouco tempo. 221.893 mortos é o total das vítimas da bomba reconhecidas oficialmente.. A bomba afetou seriamente a saúde de milhares de sobreviventes. A grande maioria das vítimas era formada pela população civil, que nada tinha a ver com a guerra ou que a simples curiosidade as levassem ao local. Prédios sumiram com a explosão transformando a cidade em um deserto. Num raio de 2 km, a partir do centro da explosão, a destruição foi total. Milhares de pessoas foram desintegradas e, por isso, as mortes jamais foram confirmadas.

A reconstrução da cidade só pode ser encetada sem riscos a partir de 1950 e começou pela ponte Inaribashi. Hoje, a cidade é, de novo um grande centro industrial. No seu centro foi criado um Parque da Paz, com um museu da catástrofe e um monumento das vítimas da explosão. Um edificio em ruínas , o único cuja estrutura metálica não foi destruída pela bomba foi conservado como testemunho. No Brasil, hoje, a colónia japonesa faz lembrar os 100 anos de sua imigração, no ano de 1908, ao par de que tempos depois viu seu pais destroçado pala Bomba Atômica.. Tinham se passados 37 anos que o japonês estava no Brasil, quando toda a tragédia aconteceu. É de se lembrar, também, nesses cem anos o que viveu o povo japonês no ano de 1945 quando o pais se declarou por vencido ante as potencias do oeste.

terça-feira, 17 de junho de 2008

RIBEIRA - XX


Os japoneses eram um povo que procurava se estabelecer fora de seu país, como a sorte lhes sorrisse. Em 1960, muitos japoneses, já um tanto aclimatados com o Brasil, procuravam lugares mais distantes do que São Paulo e Paraná para viver. E foi nesse ponto que a colónia japonesa aportou em Natal. Naquele ano, o Governo do Rio Grande do Norte acolheu a colónia japonesa entre os natalenses que veio para plantar, colher e vender produtos horti-fruti-granjeiros como já sabia fazer esse negocio. Os japoneses vindos para Natal foram destinados a uma terra que até aquela época era improdutiva e não havia ninguém que tivesse interesse em cultivá-la. No municipio de Parnamirim que fazia parte da grande-Natal, os japoneses fincaram seus instrumentos para o plantio de tomates, xuxus, pimentões, entre muitas outras variedades de frutas, legumes e hortaliças. Quando foi colhida a primeira safra de produtos, os japoneses vieram para Natal e venderam a preços bem baratos todos os seus produtos. O natalense ficou abismado com tamanha façanha de um povo estranho, olhos fechados, estatura baixa e que a tudo dizia "hai". Se uma pessoa fizesse em troca um "hai", recebia um outro "hai" de resposta. Tantos "hai" fizesse o natalense, quantos "hai" recebia da parte do japonês, um homem simples, baixo e sorridente. Então, estava aqui uma parte daquela nação japonesa e seus modestos "hai". Com o passar do tempo viu-se surgir uma casa de pasto, um restaurante japonês no bairro do Tirol para atender a clientela nipónica e também natalense que se identificara de imediato com aquele povo da terra do sol nascente.

O nipo-brasileiro é um cidadão brasileiro com ascendentes japoneses. Também são considerados nipo-brasileiras as pessoas nascidas no Japão radicadas no Brasil. Os descendentes de japoneses chamam-se nikkei, sendo os filhos nissei, os netos sansei e os bisnetos yonsei. Os nipo-brasileiros que foram ao Japão trabalhar a partir do fim dos anos 80 são denominados dekassegui. Uma das caracteristicasda sociedade brasileira é a miscigenação mas, no caso dos nipo-brasileiros, ela levou um tempo maior para acontecer. O casamento de japoneses fora da colônia não era aceita pela maioria dos imigrantes por não querer manter laços no Brasil podendo assim retornar para o Japão. Porém, o lado étnico-cultural foi o que mais dificultou, inicialmente, a miscigenação. Os japoneses possuem uma cultura fechada e, mesmo hoje em dia, o casamento com um não-japonês (gaikokujin) é mal-visto por grande parte da população.

No caso dos imigrantes japoneses no Brasil, essa situação de isolamento étnico acabou por se deteriorar a partir da década de 1970. Os imigrantes de primeira geração raramente se casavam com um não-japonês, porém, a partir das segunda e terceira gerações, o fenómeno da miscigenação passou a fazer parte da realidade da colônia japonesa no Brasil. Os imigrantes , assim como a maioria dos japoneses, eram budistas e xintoistas. Nas colônias japonesas houve uma forte presença de padres brasileiros para catequizar os imigrantes. O casamento com pessoas católicas também contribuiu para o crescimento dessa religião na comunidade. Desse modo, 60% dos descendentes de japoneses no Brasil são católicos.

Vivem no Japão mais de 300.000 brasileiros, a maioria dos quais são dekasseguis (brasileiros de orígem japonesa). A comunidade brasileira no Japão é a terceira maior fora do Brasil e, por sua vez, é a terceira maior comunidade imigrante no Japão, atrás apenas dos coreanos e chineses. Inversão do fluxo migratório de brasileiros descendentes ou cônjuges de japoneses ao Japão a procura de melhores oportunidade de renda, iniciados na segunda metade da década de 80 do século XX. A maioria dos brasileiros no Japão são escolarizados, mas são empregados como operários em fábrica de automóvel e eletrônicos. Muitos são submetidos a horas exaustivas de trabalho, ganhando salários pequenos para o padrão de vida japonês. A maior parte dos imigrantes no Japão vão aliciados por agências de recrutamento, legais ou ilegais.

segunda-feira, 16 de junho de 2008

RIBEIRA - XIX


A imigração japonesa no Brasil começou no início do seculo XX, com um acordo entre o governo japonês e o brasileiro. O Brasil abriga a maior população japonesa fora do Japão. São cerca de 1,5 milhão de pessoas. O uso do termo nikkei é, atualmente, usado para denominar os japoneses e seus descendentes. O Japão vivia desde o final do século XIX, uma crise demográfica. O fim do feudalismo deu espaço para a mecanização da agricultura. A pobreza passou a assolar o campo e as cidades ficaram saturadas. As oportunidades de emprego tornaram-se cada vez mais raras, formando uma massa de trabalhadores rurais miseráveis. No Brasil, por sua vez, estava faltando mão-de-obra na zona rural. Em 1902, o governo da Itália proibiua imigração subsidiada de italianos para São Paulo. As fazendas de café, principal produto exportador do Brasil na época, passaram a sentir a falta de trabalhadores com a diminuição drástica da chegada de italianos. O governo brasileiro, então, precisou encontrar uma nova fonte de mão-de-obra. Desta vez, decidiu-se por serem atraídos imigrantes do Japão.


O Kasato Maru é considerado pela historiografia oficial o primeiro navio a aportar no Brasil com imigrantes japoneses, em 18 de junho de 1908. Chegou ao porto de Santos trazendo 165 familias, que vinham trabalhar nos cafezais do oeste de Sao Paulo. O ano de 2008 está marcado com o do primeiro centenário da vinda dos janoses para a nova terra, o Brasil. A imensa maioria dos imigrantes japoneses tinha a pretensao de enriquecer no Brasil e retornar para o Japão em, no máximo, tres anos. Todavia, o enriquecimento rápido em terras brasileiras era apenas um sonho Submetidos a trabalhos de horas extras, mesmo assim, os imigrantes tinham salarios baixissimos e pensar em voltar, com o seu salário não dava.

A geração nascida no Brasil foi aquela que mais dificilmente se adaptou. A barreira do idioma, os hábitos alimentares, o vestuário, o modo de vida e as diferenças climáticas acarretaramum choque de cultura extrema. A primeira geração nascida no Brasil viveu de forma semelhante aos pais imigrantes. A segunda geração viu, definitivamente sepultada a esperança de retornar ao Japão. A eclosão da II Guerra Mundial abalava a terra natal e era mais seguro permanecer no Brasil. Muitos imigrantes começaram a chegar nesse periodo a convite dos seus parentes. Na década de 1930, o Brasil já abrigava a maior população japonesa fora do Japão. Quando o Brasil declarou guerra ao Japao, a comunidade japonesa foi diretamente atingida. A língua japonesa foi proibida de ser falada no País.

A partir da terceira geração no Brasil, os descendentes de japoneses passaram a se abrir definitivamente com a sociedade brasileira. Em 1960 ocorre um grande êxodo rural dentro da comunidade nipo-brasileira. Os japoneses saem do campo e rumam para as cidades. Os bisnetos de japoneses, em sua maioria adolescentes e jovens, são os mais integrados ao Brasil. Os vínculos com o Japão ancestral são mínimos, onde a maoria sabe falar pouco ou nada de japonês. Atualmente, a maioria dos nipo-brasileiros falam principalmente o portugues. A primeira geração fala com frequencia dialetos japoneses, muitos deles somente o japonês.

domingo, 15 de junho de 2008

RIBEIRA - XVIII


Parnamirim fica bem próximo ao município de Natal, tanto é que durante muito tempo ali era chamado de grande Natal. Internacionalmente, Parnamirim foi reconhecida como "Trampolim da Vitória", devido a sua participação na II Guerra Mundial, onde os Estados Unidos, pelo acordo assinado com o Brasil, instalou naquele vilarejo uma Base para o treinamento de soldados que dali partiam para lutar na Europa e na África. A posição estratégica do município deu lugar a essa denominação. A terra é rica, com um lençol freático e detentora de águas minerais. A origem do nome Parnamirim vem do tupi-guarani "Paraná-mirim" ou pequeno rio veloz.

Durante anos, o lugar serviu como terra para doar aos capitães-mores. No ano de 1881 a região foi cortada pelos trilhos da linha férrea entre Natal e Nova Cruz. Depois de ter vários donos de terra, em 1927, Parnamirim passou a pertencer ao português Manoel Machado, ocupando uma extensão entre o Engenho Pitimbu, até os Guarapes, terminando ao sul com as terras do Engenho Cajupiranga. Nessa época, Manoel Machado adquiriu tudo o que havia nas terras, como fazendas, sítios e engenhos além das áreas desabitadas. Em meio a tudo isso, Parnamirim nasceu. Em 1927 foram abertas diversas rotas aéreas no Brasil e nesse meio, escolhidas pontos que permitissem instalar uma rede de aeroportos. De tal modo, uma empresa italiana - a CGA - se instalou no lugar, numa área doada por Manoel Machado. Foi nesse tempo que se construiu uma estrada de rodagem , ligando Natal ao campo de aviação em Pitimbu., contribuindo para se instalar o correio aéreo. Essa estrada era carroçal, pois nesse tempo ainda não havia instalação de materiais bem mais resistentes, como o pixe. Em 1933, a Air France comprou de Manoel Machado novas partes de terra para ampliar o aeroporto de Parnamirim. Nesse mesmo tempo, a empresa francesa comprou ou absorveu as demais companhias privadas de aviação e transferiu todos os seus hangares e demais instalações para o outro lado da pista onde hoje está instalada a Base Aérea de Natal. Com o desenrolar da II Guerra o governo do presidente Getúlio Vargas se viu forçado a assinar um acordo de defesa mútua , ceder áreas para instalações de bases norte-americanas no Nordeste, romper relações diplomáticas com a Alemanha, Itália e Japão, em janeiro de 1942. Finalmente, a 22 de agosto desse ano declarou guerra aos países do Eixo.. A construção das Bases Naval e Aérea, em Natal, seria fruto desse acordo.

O Brasil, nesse mesmo ano, criou a Base Aérea, de Natal, surgindo de fato a cidade de Parnamirim. Nesse acordo ficou estabelecido que o Brasil ficava do lado oeste da pista de Parnamirim, dividindo com Air France e os Estados Unidos com o lado leste, onde já estava construído o maior campo de aviação e bases de operações militares que os americanos dominariam fora dos Estados Unidos. Assim nasceu o campo de Parnamirim, mostrado nos mapas norte-americanos como Trampolim da Vitória uma vez que apontava direto para a África e Europa. Um plano audaz do Governo Americano. Somente em outubro de 1946 a Base Leste foi entregue a Força Aérea Brasileira, depois de terminada a II Guerra Mundial.

RIBEIRA - XVII


Antes da deflagração da II Guerra Mundial, Natal já era sondada como a cidade mais próxima do Continente da África e dos Paises da Europa. É tanto que no Governo Juvenal Lamartine, no ano de 1930, foi aprovado um acordo entre Natal e uma empresa alemã para a construção de uma base próxima ao rio Potengi, conhecida por Praia da Limpa (Montágem). Então, no mesmo ano a empresa alemã iniciou o plano para instalar a Base onde os aviadores pernoitavam no local. No ano de 1930, o mesmo ano, chegou a Natal o hidroavião Guanabara e, a partir desse ano começo a implantação da Base de Hidroaviões no Rio Potengi. A partir de fevereiro a empresa Filgueira & Cia tinha em mãos o acerto final permitindo o voou regular entre a Europa e o Brasil, passando por Natal, dos aparelhos da sua representada firma alemã, a Condor-Lufthansa.

Os vôos traziam passageiros e cargas da Espanha, Gâmbia, Ilhas Canárias, e Frankfurt, na Alemanha. Ne Natal, os aparelhos rumavam para o Riode Janeiro e Buenos Ayres, na Argentina. O tráfego proseguiu até o ano de 1939, com um transporte confortável, silencioso e o mais caro do mundo. Cada aparelho vinha com 28 passageiros além da tripulação. Natal se destacou como a capital brasileira de maior tráfego aéreo daquele tempo. Os passageiros dos aviões da Alemanha aproveitavam a sua estadia em Natal para aproveitar do banho de mar nas praias limpas e quentes do nosso litoral. Era o começo de que a cidade era por demais um ponto turístico, com seguiu após esse tempo, a partir do ano de 1980. Na Base da Montagem ficavam hospedados os tripulantes de aparelhos franceses, italianose dos próprios alemães sempre alojados na sua Base do Campo da Limpa. Até esse tempo, Natal não dispunha ainda de um hotel de alta eficiencia capaz de dar guarida aos seus visitantes. Alguns desses passageiros costumavam ir até a rua 15 de Novembro, já despontando como uma atração para quem tivesse a intenção de pernoitar com mulheres de vida livre.

Somente com a II Guerra Mundial, Natal passou por mudanças quando da construção do aeroporto de Parnamirim, quando chegaram os soldados norte-americanos. Nesse tempo, Natal já contava com o seu primeiro hotel de grande classe - o Grande Hotel - e assim podia receber até mesmo Rei, diplomata e homens da mais elevada importância.Natal era configurada como a cidade mais próxima da África e, por isso mesmo, o trânsito pela cidade era enorme, principalmente dos soldados americanos, mudando o hábito de homem nativo. Natal foi a primeira cidade do Brasil a conhecer o chiclete. Depois da Guerra, Natal continuou a exportar produtos para o Primeiro Mundo, inclusive a xelita, tungstênio, algodão, cera de carnauba, sal e até recentemente o petróleo, onde se produz em terra a maior quantidade do produto. Em décadas recentes Natal se tornou a melhor e mais rica estação do turismo.

Com certeza, a sua posição privilegiada com a África e a Europa lhe deram esse meio de recurso como um centro de atração entre o velho e o novo continente. Com o passar do tempo a cidade perdeu o seu encanto da velha Ribeira, deixando alí apenas a recordação. Mesmo assim, alguma coisa sobrou para nao se esquecer totalmente o barro: O Teatro Alberto Mãranhão, outras casas de espetáculos, uma Casa Bancária, uma estação de Radio,um jornal e outrs coisas que perduram com o tempo para se lembrar de que a Ribeira foi e é o primeiro bairro de Natal. A Cidade Alta era um bairro de residências onde tudo que havia de majestoso era o morro do Tirol que protegia aquele bairro.

sexta-feira, 13 de junho de 2008

RIBEIRA - XVI


A Ribeira foi e é o centro cultural de Natal, Rn. Nesse bairro nasceu a cidade, em 1599, apesar de ter sido fincado o marco de fundação na Cidade Alta, hoje praça André de Albuquerque. Naquele ermo local, onde só havia tocas de índios, a delegação de Portugal fincou o marco de fundação daquilo que seria a cidade. Naquele largo se pôs um pelourinho, demarcou-se a cidade e se providenciou a construção de uma tapera de palha que, com o passar do tempo, seria a antiga Catedral de Natal. Porém foi para além do rio, na entrada da barra, que houve de fato a construção, de pau a pique, de um fortim que se batizou de Fortaleza dos Reis Magos, pois sua construção aconteceu no dia 6 de janeiro de 1600, dia de Santos Reis. No forte ficavam abrigados os soldados do Império com todo a sua dispensa, munições e armas de fogo. Ali, nascia o Forte e para além, a Ribeira, com o passar do tempo. No começo houve muita luta com os índios que habitavam uma aldeia - a Aldeia Velha -, cujos nativos chamavam de Igapó.

Ao lado do forte, pelo lado do rio Potengi, não havia proteção qualquer. Era apenas uma espécie de praia. Quando a maré estava cheia, pela praia do Forte ficava represado um riacho que levava as águas das lagoas que se juntavam em círculos ao longo do que se chama hoje Praia do Forte. Quando a maré estava vazante, essa água descambava para o rio Potengí e, dali, para o oceano. Com a construção do Forte, abriu-se um buraco no chão da fortificação, e por esse buraco ou cavidade, sacudia-se os corpos de soldados que viessem a morrer naquele lúgubre pedaço de chão. Com a invasão dos holandeses, anos depois, se viu a importância da cavidade e os soldados mortos eram jogados alí mesmo para sair direto no oceano, em mar aberto, passando por baixo de um calçadão de pedra feito pela natureza.

O tempo passou e os soldados do Império rumavam para o cerco da Cidade, em busca de alguma coisa para comer, pois o dinheiro do pagamento aos praças demorava muito a chegar. No alto, eles trocavam por bugingangas aquilo que lhes serviam. E, vez por outra, tinham em uma índia a sua compensação para suprir as suas necessidades machistas. Isso, na Cidade, onde existia a capela feita de palha. E pelas andanças de vai-e-vem, os soldados foram criando com o tempo o costume de ir por um local que eles chamavam de ribeira, pois todo o setor era alagado pelas águas do rio Pontengi. No seu impulso o rio morria por perto do que hoje se chama av. Rio Branco. Uma ponte havia - e ainda hoje existe - no local para transpor as pessoas de um lado a outro da ribeira. Era uma ponte feita com troncos de coqueiros, igual a uma outra que se fez, também de troncos, na passagem das Rocas, na rua Hildebrando de Gois, hoje assim chamada a via Antes, era tudo mangue.

Contudo, o tempo seguiu. E a ribeira se fez nascer como um bairro: o bairro da Ribeira, seguindo o seu chamado de longas datas. Na Ribeira ficava, com o tempo, aquele centro cultural histórico da capital. Inúmeras ruelas atravancavam o bairro. A rua Dr. Barata tinha seu fim antes do que é hoje, caminhando-se pela rua Chile. Com o tempo se rasgou aquele trecho e a rua veio a ficar da Av. Tavares de Lyra (nome dado hoje). Falava-se em centro cultural porque alí havia a verdadeira cultura de uma cidade nascente. Já no século passado - século XX - a Ribeira mostrava que existia com a sua Rua do Comércio, hoje chamada de rua Chile, av, Tavares de Lira, rua Frei Miguelinho, Av. Duque de Caxias e, por fim, av Rio Branco e rua Almino Afonso.

O centro cultural da cidade, no século XX, ficava por conta do Teatro Carlos Gomes, o salão de bailes do Grande Hotel e, na década de 20, os carnavais que faziam a festa na Av. Tavares de Lira, onde as pessoas desfilavam em carros da época diante de olhares dos que ficavam nas calçadas. Além desse divertimento anual, havia o comércio, tanto na rua Chile como nas demais artérias do bairro, entre os quais rua Frei Miguelinho, Dr. Barata, Tavares de Lira e Duque de Caxias. Um bairro que nasceu ao longo do tempo trazendo todo o passado de glórias e amarguras para que ainda hoje poetas e trovadores decante a sua magia nostálgica.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

RIBEIRA - XV


A visita de surpresa a Natal do Presidente norte-americano Franklin Delano Roosevelt e do Presidente do Brasil, Getulio Vargas, para assinar o protocolo "Conferência de Natal", garantindo a presença do Brasil no Conflito Mundial da II Guerra, teve a participação de autoridades do Exercito e Aeronautica, além do Governador do Estado, Rafael Fernandes que recebeu um convite para ir na Base, no dia 28 de janeiro de 1943. Isso foi mantido em sigilo e nem mesmo o Governador sabia do que se tratava ou quem estaria presente naquela ocasião. O encontro dos dois presidentes se deu a bordo do destroier Jouett, na data de 28 de janeiro, durante a noite. Os chefes de Estado não falaram muito e o Presidente Roosevelt apenas relatou que o Brasil era uma potência e que seria alvo de ataques de submarinos alemães, vez que a Alemanha tencionava dominar o mundo. A posição geografica do Brasil era sumamente importante, vez que Natal era a cidade mais próxima do continente africano, de modo especial, de Dakar, no Senegal.

Os acertos dessa visita do presidente Roosevelt a Natal foram realizados no mais alto sigilo e quando aconteceu, sem que ninguem soubesse, nem mesmo as autoridades locais, Vargas chegou um dia antes, ficando a bordo do destroier Jouett, no meio do rio Potengi para que ninguém soubesse. Nem os seus assessores mais diretos. Fotos foram tiradas em terra pelo Comando do Estado Maior do Exercito e se tornaram verdadeiras relíquias, posteriormente, para a Impresa e colecionadores da história. O presidente Roosevelt, depois da reunião com Getulio Vargas, seguiu, logo cedo do dia seguinte, partindo para Trinidad. O segredo permaneceu por algum tempo até que o Brasil rompeu relações diplomáticas com a Alemanha alegando o ataque de embarcações brasileiras por submarinos alemães.

Natal era uma cidade pequena e seu mais frequentado salão de baile era no Grande Hotel, inaugurado em 1938 e arrendado pela quantia de 10 cruzeiros, importância significativa na época, o que hoje equivale a 10 reais. O major Theodorico Bezerra foi o seu arrendatário e alí ficou até o seu fechamento pelo Governo do Estado. O "Major" nasceu em Santa Cruz do Inharé e teve uma infancia pauperrima. Depois de servir ao Exercito iniciou sua vida ambulante, vendendo e comprando de tudo. Depois de 1923, ele passou a ser sócio de um amigo, comprando um caminhão para o transporte de cargas. Foi no couro do bode onde o "major" descobriu o seu meio-de-vida. Daí, então passou a ser comerciante no ramo de hoteis. Entre os mais importantes teve ele o Avenida Hotel, o Internacional e, por fim, o Grande Hotel. Como empresário ele passou a viver melhor, com criador de gado, dono de farmacias e até mesmo de uma agência de Carros.

Theodorico Bezerra teve, no Grande Hotel, o seu maior império. Alí, abrigava as maiores autoridades que visitavam a cidade. No salão de festas do hotel, promovia o que de melhor agradasse aos visitantes, sempre gente da maior estirpe. Os norte-americanos que visitaram Natal, no período da Guerra, tinha no Grande Hotel os seus momentos de lazer. Imperadores, Diplomatas, Embaixadores e demais autoridades ficavam hospedados no Grande Hotel, o seu melhor hotel da cidade. Quando os Estados Unidos começaram a fazer o aeroporto de Parnamirim, o pessoal que ali ficava se destinava nos fins de semana as festas realizadas no Hotel do Major Theodorico. Alí se encontrava a fina flor da sociedade natalense. As moças, procurando um marido rico, um norte americano. Os rapazes, esses, somente olhavam as moças que se deleitavam com os seus "namorados" americanos.

No salão de baile tinha de tudo. Garções estilizados, prontos a servir os convivas, alfaiates, barbeiros, manicuras e um mundo de gente, cada qual com o seu afazer, pronto para agradar os visitantes. O Hotel contava com uma praça de automóveis que ficavam dia e noite a espera de alguém que se destinasse a Parnamirim, onde morava ou talvez fosse embarcar num avião de horário incerto. Um piano estava alí, aberto a todos que aproveitassem uma boa música, especialmente as norte-americanas. A visita dos presidentes do Brasil e dos Estados Unidos trouxeram a Natal a ocasião do seu desenvolvimento. Quando terminou a Guerra, os acontecimentos continuaram, pois a cidade então tomava o seu rumo próprio. Nada era mais o que um dia fora. Natal era uma menina-moça ao despontar de sua juventude.