quinta-feira, 6 de agosto de 2009

RIBEIRA - 357

A ESTRELA BRILHA
Com o futuro profissional traçado após vencer um concurso de redação na escola, aos 15 anos, Chris Flores abandonou as sapatilhas do balé clássico - foram 12 anos de treino pesado - e foi fazer faculdade de jornalismo na PUC-SP por insistência da professora de literatura. "Eu pensei em seguir carreira como bailarina, mas desisti por ser uma profissão muito sacrificante", diz. "Não consegui achar nada que eu realmente gostasse de fazer, até vencer o concurso e perceber o quanto adorava escrever". Aos 30 anos e casada pela segunda vez, Chris é uma das apresentadoras do programa HOJE EM DIA, ao lado de Ana Hickmann, Britto Jr, e Edu Guedes, em que comenta as notícias sobre a vida dos famosos.
Em março, ela comemorou o início de mais um desafio: apresentar sozinha o programa Ressoar, na Record News, que aborda temas ligados a responsabilidade social. Trabalhar em TV não fazia parte dos planos dessa jornalista habituada a escrever em revistas de celebridades desde que se formou, em 1998,. Foram sete anos como repórter e depois editora, sempre atuando nos bastidores da notícia, até surgir o inesperado convite para substituir sua chefe na época em um quadro de notícias no programa "A Casa é Sua", de Sônia Abrão, na Rede TV. Acabou assumindo como titular. Depois veio o convite para ter um quadro no programa "Tudo a Ver", ao lado de Paulo Henrique Amorim. E, finalmente, em março do ano passado, Hélio Vargas, então diretor artístico da Rede Record, chamou-a para integrar o time das manhãs da emissora.
Com uma beleza camuflada por um par de óculos - ela tem 3 graus e meio de miopia -, Chris é muito mais bonita pessoalmente do que aquela mulher séria e comportada, vista diariamente na TV. Afirma não ter medo das comparações com a principal estrela do programa, Ana Hichmann. Ela acredita que o público exagera de duas maneiras bem distintas: "Cada um aquí sabe muito bem o seu papel. O público de vê como uma amiga e enxerga a Ana como a mulher que todos gostariam de namorar. Nunca serei mais linda do que ela, e nem quero ser. Se me preocupasse com isso, provavelmente minha participação nã daria certo". Ana Hickmann reforça a opinião da amiga: "A Chris se tornou uma verdadeira irmã para mim. Ela virou minha cúmplice para tudo", diz, além de elogiar a capacidade da companheira como comunicadora: "Ela tem carisma".
Sobre a união do quarteto, que tem dado a média de 8 pontos no Ibope nas manhãs da Record, Chris (Christina Flores) conta que não existe uma fórmula mágica e sim uma grande sintonia"O segredo do programa é que nós quatro realmente nos gostamos. Se trabalhassemos num lugar em que o pessoal mal se falam, certamente não teríamos esse sucesso todo". Britto Jr. concorda que a presença da amiga está fazendo diferença. "A Chris tem uma simpatia que não veio para dividir e sim para somar com os outros apresentadores", diz. Para o chefe de cozinha Edu Guedes, a parceira de programa merece todo o reconhecimento. "Ela é muito criteriosa e sempre trabalhou duro. O sucesso atual é fruto daquilo que ela plantou", afirma.
Filha de pais separados, Chris se viu aos 26 anos repetindo a mesma história, ao colocar um ponto final em um casamento de três anos - foram seis e meio de namoro. "Pensei que seria para sempre e foi dificil aceitar o fracasso", diz. Depois de alguns meses de terapia, que a fez enxergar que começou a namorar muito cedo e que estava casada por comodidade, Chris encontrou por perto o homem com quem teve seu primeiro filho. "O Ricardo (Corrêa, fotógrafo) era aquele melhor amigo que virou namorado. Ele começou mais a dormir na minha casa do que na dele, então falei: vem morar comigo. Estamos juntos há quatro anos". O filho, Gabriel, de 3 anos, foi daqueles bebês bonitos que já estamparam capa de revistae não desgruda os olhos da TV quando vê a imagem da mãe na tela. "Ele percebe que sou eu quem está lá e diz "mamãe maluca" e cai na risada, conta a apresentadora, que passou por uma gravidez complicada e teve que ficar de repouso, com risco de perder a criança. "Foi um verdadeiro divisor de águas. Nesse momento percebi que eu não era nada", diz. Ciumenta assumida, ela não admite que o filho tenha babá nem passe muito tempo com as avós. E aínda comenta que não tem medida para defendê-lo. "Ser mãe é ser uma assassina em potencial. Se alguém mexer com meu filho, sou capaz de matar". Apesar da vida de apresentadora de TV. Chris Flores, 31 anos, não troca os afazeres maternos por nada. E curte todo o tempo livre com seus dois amores: O seu marido, Ricardo Corrêa, 42 anos, e o filho Gabriel.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

RIBEIRA - 356

LUA GONZAGA
Para os jovens de hoje que não conheceram Luiz Gonzaga, seguem aquí algumas notas que eu tive em conversa com ele, pelos ídos de 1970. Ele era um caboclo forte e me disse que a sanfona causava-lhe um tremendo cansaço, já naquela época, no corpo arcado pelos anos de vida. Em 1970. Gonzagão ainda não tinha sessenta anos. Um outro assunto que ele abordou em sua conversa foi sobre Gonzaguinha. O velho Gonzagão fez questão em dizer: "Aquele menino...Sei não." e baixou a cabeça. Nesse tempo, ele - Gonzagão - demonstrava um forte afeto pelo filho, porém não concordava com o modelo da musica que o seu filho fazia. Ele queria ver um Gonzaguinha fazendo a continuação do que o seu pai - Gonzaga - fazia. Não, o contrário. Gonzaguinha era um tipo "moderno" o que Gonzaga não concordava por algum motivo. Na verdade, Gonzaga venceu todas as agruras que se apresentavam desde 1940, quando ele, de fato, começou a cantar. Para Luiz Gonzaga, o "artista" tem muito chão para andar - e a pé, do jeito que ele mesmo fez. Para se recordar, tem a melodia de Luiz Gonzaga onde ele canta: "Minha vida é andar por este pais". Olha bem que ele diz: "andar". Em outra canção ele remonta: "Quem é rico anda em burrico. Quem é pobre anda a pé". Nessas duas composições, ele demontra que o artista tem que forçar para poder vencer, se o caso. Andar para poder alcançar o mérito daquilo que ele sonha. Luiz Gonzaga começou ainda cedo, com 8 anos de idade. Foi nesse tempo que ele já começava a mostrar a sua força. Mesmo assim, passaram-se quase 30 anos para que aquele "menino" mostrasse ao povo o que ele queria. Em 1940, ele apenas tocava nas rádios e certa vez, Gonzaga tirou uma nota mínima em um programa de calouros sob o comando de Ary Barroso. Então, ele voltou para os bares da vida, no Mangue carioca, cantando para marinheiros e desempregados naqueles locais que havia de tudo, de prostituta a ladrão. Veio a Segunda Guerra, e ele a cantar. Somente em 1945 é que ele, enfim, encontrou um parceiro, o advogado cearense, Humberto Teixeira. E os dois fizeram verdadeiras jóias da música nordestina. Há quem diga que seu maior sucesso é "Asa Branca". Pode até ser. Todavia, há muitas outras jóias que, se não foram tão conhecidas tal qual "Asa Branca", alcançaram o mesmo patamar que a nobre música que imortalizou os dois artistas que a fizeram: Humberto Teixeira e Luiz Gonzaga. Para se conhecer mulhor o cantor vale à pena saber: Luiz Gonzaga do Nascimento nasceu a 13 de dezembro (dia de Santa Luzia, e por isso o sacerdote o batizou com o nome de Luiz) de 1912. Seu falecimento aconteceu no dia 2 de agosto de 1989 - faz 20 anos que Lua morreu. Lua foi um apelido que lhe puseram porque ele tinha um rosto redondo como a Lua. - Seu nome formou um misto por ter sido ele um cantor do Nordeste do Brasil, por isso lhe trataram de "O Rei do Baião". E ele até que gostou do apelido e assim ficou sendo conhecido internacionalmente. Lua nasceu na Fazenda Caiçara, no sopé da Serra do Araripe, na zona rural do Exú, sertão de Pernambuco. O lugar seria revivido anos mais tarde em "Pé de Serra" - "Lá no meu Pé de Serra dexei ficar meu coração. Ah que saudade tenho. Quero voltar pro meu sertão". - Essa música, ao contrário do que se imagina, é um xote e não, um baião. E esta música foi uma de suas primeiras composições. Seu pai, Januário, trabalhava na roça, num latifúndio, e nas horas vagas tocava acordeão (também consertava o instrumento). Foi com ele que Luiz Gonzaga aprendeu a tocá-lo. Na verdade, o que Januário tocava era um fole de 8 baixos e era muito convidado pelos donos de festa de seus arredores. Não era nem adolescente ainda (tinha 8 anos), quando passou a se apresentar em bailes, forrós e feiras, de início acompanhando seu pai. Autêntico representante da cultura nordestina, manteve-se fiel às suas orígens mesmo seguindo a carreira musical no sul do Brasil. O gênero musical que o consagrou foi o baião, derivado de um tipo de lundú, denominado "baiano". A canção emblemática de sua carreira foi "Asa Branca", que compôs em 1947, em parceria com o advogado cearense Humberto Teixeira. Ele nasceu na cidade de Iguatú, a 5 de janeiro de 1915. Foi,além de advogado, deputado federal e compositor.
Depois de querer namorar uma moça de Exú, quando já completara 18 anos, o pai da moça, coronel Raimundo Deolindo o ameaçou de morte. A moça se chamava Nazarena. Chegando em sua casa, Lua Gonzaga levou uma surra de seu pai e de sua mãe. Isso o revoltou e Luiz fugiu de casa, à pé, indo chegar em Crato, no Ceará. Por lá vendeu o seu único bem: a sanfona, por 80 mil reis. Partiu para Fortaleza e lá ingressou do Exercito, mentindo ter 21 anos. Como corneteiro, passou viajanto por vários Estado, incluindo Paraíba, Piauí, Pará e Estado do centro. Em Juiz de Fora, Mg, ele conheceu outro soldado, Domingos Ambrosio, que lhe passou alguns segredos do acordeão
Em 1945, Luis teve um caso com uma cantora de coro chamada Odaléia Guedes que já estava grávida e deu à luz a um menino, no Rio. Luiz Gonzaga já deixara o Exercito e vivia de tocar sanfona.Ele tratou da criança e adotou como sendo seu filho, dando-lhe o nome de Luís Gomzaga do Nascimento Júnior, o Gonzaguinha, que foi criado pelos seus padrinhos, com a assistência financeira do artista. Em 1948, casou-se com a pernambucana Helena Calvalcante. que tinha se tornado sua secretária particular. O casal viveu junto até perto do fim da vida de "Lua". E com ela teve outro filho que Lua a chamava de Rosinha. Luiz Lua Gonzaga sofria de osteoporose. Morreu vítima de parada ardio-respiratória no Hospital Santa Joana, na capital pernambucana. Seu corpo foi velado em Juazeiro do Norte e posteriormente sepultado em seu município natal.

LUIZ GONZAGA
o rei do baião

LUIZ GONZAGA

Januário José dos Santos, vindo dos Quidutes e dos Anselmos era um conhecido tocador de fole de 8 baixos. Ele subiu a encosta da Serra do Araripe com destino à chapada. Mas ficou na Fazenda Caiçara, quase no sopé da serra, na fazenda do Barão do Exu, bem onde começava o Rio Brígida que ía desembocar no São Francisco. Ana Batista de Jesus, ou simplesmente Santana, era uma cabocla bonita, e deixava muito olhar na esteira do seu caminho, sedentos daqueles olhos bonitos, daquele gingado de marrã bravia. Daí o cuidado de Efigênia, sua mãe. Espantava os mais afoitos, animava os de melhor qualidade. E Januário caíra nas suas graças. E na Igreja de Exú, em Setembro de 1909, o casamento foi feito, sem arranjo, sem arrumação e principalmente sem samba. Claro! O único tocador de forró da região era o noivo. No dia 13 de Dezembro de 1912, uma sexta-feira, nasce na Fazenda Caiçara, terras o Barão de Exú, o segundo de nove filhos do casal Januário José dos Santos e Ana Batista de Jesus, que na pia batismal da matriz de Exú o menino Luiz, que recebe esse nome por ser o dia de Santa Luzia. Passado o tempo, em 1920, Luiz Gonzaga, com apenas 8 anos de idade, canta e toca a noite inteira e, por agrado, recebe 20$000, que amolece o coração de sua mãe, que não o queria sanfoneiro. A partir daí, os convites para animar festas tornam-se frequentes. Antes mesmo de completar 16 anos, "Luiz de Januário" ou Luiz Gonzaga já é nome conhecido no Araripe e em toda redondeza, como Canoa Brava, Bodocó e Rancharia. No ano de 1929, em uma festa de véspera de ano novo viu pela primeira vez Nazarena, da família Saraiva. Apaixonou-se, mas, sendo repelido pelo pais da moça, o coronel Raimundo Delgado, o ameaçou de morte. Em casa, Januario e Santana aplicaram-lhe uma surra que Luiz Gonzaga, revoltado, decide fugir, indo a pé até o Crato (Ce) onde vende a sua sanfoninha por 80 mil reis. Segue para Fortaleza e, voluntariamente alista-se no Exercito depois de mentir a respeito da sua idade. Luiz Gonzaga apresentou-se como tendo 21 anos. Quando em 1930 estoura a revolução no Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Paraíba ele ingressa no Exército com um soldo de 21 mil reis. Entra as fileiras como corneteiro, seguindo com o Segundo Batalhão de Caçadores para Souza, PB; Pará, Ceará e Piauí. Ganha fama no Exército de o apelido de "Bico de Aço", por ser exímio corneteiro.. De passagem por Juiz de Fora, conhece Domingos Ambrósio, que lhe ensina mais alguns truques na sanfona. Luiz Gonzada, no ano seguinte, 1931, deixa o Exército e segue para São Paulo, desembarcando na Estação da Luz e, nas imediações, compra sua primeira sanfona branca de 120 baixos. Daí em diante, todas as suas sanfonas foram de cor branca. Nesse mesmo ano (1939) volta ao Rio de Janeiro, onde fez amizades e, aproveitando o aprimoramento que fizera nos tempos de caserna com Dominguinhos Ambrósio, inicia a carreira artistica, divertindo marinheiros e desocupados em geral, no Mangue, lugar também frequentado por malandros e prostitutas. Explode a Segunda Guerra Mundial. O Brasil é literalmente invadida pela música estrangeira, principalmente a norte-americana. É o ano em que se apresenta pela primeira vez em um palco, no cabaré O TABU. Luiz Gonzaga toca todo tipo de música, Blues a Fox Trotes; imita artistas famosos da época, como Manezinho Araujo, Augusto Calheiros e Antenógenes Silva. Começa a apresentar-se em programas de rádio, como calouro. Suas incursões no programa de calourode Ary Barroso não lhe garante êxito. Numa das casas noturnas onde tocava no Mangue, é desafiado por um grupo de estudantes nordestinos que exigem que toque algo "lá da terra", coisa que Gonzaga tinha abandonado. Depois de treinar em casa durante semanas apresenta-se diante dos mesmos Universitários tocando "Pé de Serra" e "Vira e Mexe". É aplaudido no só pelos rapazes como por toda a casa. Volta ao programa de Ary Barroso onde conquista a nota máxima. Depois de 1941, ele chegou a gravar 30 discos de 78 rpm, muitos choros, valsas e mazurcas apenas em solo pois não lhe é permitido cantar. Em 1943, Luiz Gonzaga teve a inspiração se apresentar com roupas nordestinas. Apenas no ano de 1945 ele veio a conhecer o seu parceiro de musicas imortais: Humberto Teixeira. Com essa parceria, Gonzaga fez um novo arranjo em suas melodias. Foi então que ele adotou o acordeão, zabumba e triângulo. Inicia-se 1946 e Gonzaga unido a Humberto Teixeira, cearense, compôs verdadeiros hinos que atravessaram o mundo, como EU, Europa e Japão. Foram melodias que ainda hoje fazem suceso: "No meu Pé de Serra", "Baião", e a famosíssima "Asa Branca" vindo em seguida "Juazeiro", "Légua Tirana", "Assum Preto", "Paraíba" entre tantas outras. Entusiasmado com o sucesso Gonzaga resolve voltar a Exú e nasce, em parceria com Humberto Teixeira, "Respeita Januário". A parceria duraria até 1979, quando falece Humberto Teixeira. Porém Gonzaga não parou de compor até o ano de 1989 quando veio a falecer, no dia 2 de agosto. Ficam as lembranças de que ama o Nordeste, as melodias feitas por Gozagão homem que fez composições sobre todo aspecto do Nordeste,. Para quem quer conhecer essa parte do Brasil, é preciso tão somente ouvir Luiz Lua Gonzaga, a alma eterna do Brasil

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

RIBEIRA - 355

KATIA BRONSTEIN

Eu, um dia desses, tive a oportunidade de ver um show por um canal de TV, de Katia B, ou Kátia Bronstein, como é o seu nome. Teve em média, cerca de uma hora de duração entre falas de Katia à repórter que a entrevistava e numeros da cantora. Quem ainda não conhece Katia - que ela adota o B para se saber que alí está o verdadeiro Bronstaein - deve procurar adquirir seus CDS ou DVDS, que são bastantes no mercado fonográfico do Brasil e do exterior. Katia surgiu ainda menina, cantando sob a influência da sua mãe e, se não tem o seu nome divulgado pelas estações de TV, não é culpa sua. Desde 1980, Katia faz shows no Brasil e já em 1990, ela estava no auge de sua carreira. Quando chegou 2000, ela, então, se consagrou muito mais ainda com os lançamentos de seus novos CDs.

Certa vez, ela declarou: "Muita gente não sabe o que realmente eu sou. Uns acham que sou atriz, outros bailarina, outros cantora. Compositora. Ninguém faz a menor idéia. Eu sou todas as opções anteriores". De tudo o que ela quer, a música é a maior paixão. Isso se pode ouvir nos discos "Katia B". 'Só deixo o meu Coração na Mão de quem Pode' e 'Especial' da garota do leste europeu que conheceu Ipanema, no Rio.

Katia gosta de pensar em nascimentos. Nasceu como artista ao ajudar o parto do Circo Voador em Ipanema. Quem não viveu a história do Circo, certamente sabe de alguma outra maneira o que é a efervescencia criativa de qualquer de suas formas. Katia constrói se estética passo a passo, sem alarde e com firmeza.

Katia Bronstein cresceu no bairro de Ipanema durante o final dos anos 60 e início da década de 70, quando, ainda jovem, iniciou a sua carreira. Sua mãe costumava tomar parte em bossa nova em bares e festas durante o período de nascimento desse novo estilo musical. Daí foi um passo para Katia cantando em coros de vozes femeninas nos shows que fazia no Rio Egberto Gismonti participando de prococe gravações. Musica sempre foi um problema na sua casa e ela passou a acompanhar aulas em idade infante, enveredando na sua paixão por cantar. Nessa fase conturbada de adolescente, Katia também deu lugar as artes cênicas, estudando dança e teatro e participando, portanto, deuma forma do grupo de jovens que estavam tendo fama na "avant-garde dos artistas do Rio de Janeiro, no início da década de 80.

Depois de participar em vários filmes, peças teatrais, musicais e de dança, Katia concentra a sua carreira a cantar. Em meados da década de 90, quando ela começou a olhar para alguns dos novos sócios, Katia teve a sorte de encontrar o já falecido Suba. Antes de morrer, em 1999, ele teve a oportunidade de compor o musical para o novo album de Katia que foi lançado somente no ano 2000.

Katia Bornstein, a Katia B, é uma das poucas cantoras brasileiras que tem a perfeita noção do que um bom show não se resume a própria música ou ao rosto bonito. Os shws de Katia B - como o do recem-lançado "Especial", seu terceiro CD - marcam também outro tipo de presença na consciencia do espectador. Eles se empenham na criação de um clima. No cenário, no figurino, na formação da banda, na escolha do repertorio e na própria opção pelos lugares onde se apresenta. No todo. Nada é casual e, no entanto, tudo é sincero. O clima dos shows de Katia B não raro cria um curioso contraste com o teor de suas músicas. Se estas quase sempre celebram um amor feliz, o clima pode apontar na direção da melancolia. Nessa dialética, ela alcança aquela convivência entre alegria e tristeza que caracteriza, por exemplo, as músicas judaica e balcânica ou a nossa bossa nova. A fina seleção do que entra ou não entra em discos e shows também atesta seu cuidado autoral, nas parcerias. Katia B, porém não quer ser mera repetidora da tradição. Ela faz música brasileira não só pós-Beatles, mas também pós-Massive Attack. A sua elegante ousadia se reflete na formação que a acompanha nos shows de "Especial".

Katia B é o nome artistico. Muitos anos atrás seus pais avós emigraram da Russia para o Brasil. Hoje, o sucesso de suas músicas convida a participar de apresentações fora do Brasil, como no México, Uruguai, França e Alemanha e no bem conhecido Popkomm Festival de Berlim.

domingo, 2 de agosto de 2009

RIBEIRA - 354

UM HOMEM SÓ

Eu podia ter encerrado o motivo da história de Hugo (da Cunha) na última matéria que eu fiz quando nós íamos para o Recife. Porém não fiz. E não fiz porque de Hugo tem um universo para contar, histórias que ele nunca contou ou apenas silenciou, fatos que ele nunca quis dizer ou para ele pouco importava. Casos que Hugo nem queria saber ou - no seu entender - não valia à pena. Por isso, ele era silêncio diante da vida ao se falar do seu mundo particular. Não raro, baixava a cabeça, olhava para o chão, remoía a memoria e, ao voltar a si, ao falar, apenas dizia: "Deixa pra lá". E sorria. Sorria o bastante para desviar-se da verdade daquele assunto. Eu, certa vez, fui até a casa de Hugo, no Tirol e fui recebido por sua mãe, uma mulher de cor alva, como Hugo era, altura mediana, talvez da mesma altura de Hugo, magra igual a Hugo, vestido comprido de cor branca. Então, eu perguntei por Hugo e, ela sem mais querer, chamou o seu filho. Notei na mulher um olhar um tanto esquisito ao me perguntar quem eu era. Então eu repondi. Daí ficou uma desfiança da mulher perante mim. Ela se virou e chamou o seu filho. Ainda nesse tempo eu nada entendia de olhares desconfiados. Apenas percebi, e só.
Hugo era um moço que havia estudado na Escola Técnica de Comércio de Natal, onde muitos outros alunos passaram por lá. Ele era, de modo surpreendente, aluno de muito querer, gostava de ouvir e de perguntar, mesmo que fosse uma resposta um tanto simples. Ele sempre respondia ao amigo que apenas queria saber e nada mais. Para Hugo, não havia uma resposta, porém várias até que o assunto, ao seu ver, chegasse a uma conclusão. E mesmo assim, ele ainda duvidava de que tudo fosse tão simples assim. No seu modo de falar, não raro me dizia que as coisas estavam muito esquisitas, complicadas. E ele não aceitava essa questão.
As piadas que se dizia a ele, eram apenas para satisfazê-lo sem, contudo, ele deixar o assunto esquecido. Não raro, Hugo parava em sí mesmo a perscrutar o que ele não sabia, mas queria entender de uma melhor forma possivel. Podia ser qualquer assunto, desde ciência, religião ou mesmo uma mera comparação entre dois temas. Era comum ele perguntar como se dava aquilo. Se a resposta fosse nula ou acadêmica, ele gargalhava, dizendo: "Esse homem...". Tudo na vida, para o rapaz, tinha o seu motivo.
Uma coisa interessante era que Hugo vivia sempre em função dos estudos. Para isso, comprava livros, quando podia, que tocassem num tema que até aquele ponto ele desconhecia. E no fim, ele arrematava: "Ave Maria. Esses homens são uns loucos". Com isso ele não queria dizer seu comportamento. Apenas, dizia e ficava a meditar, taciturno, com a cabeça abaixada para depois voltar a sorrir. Dizia sempre isso: "Sabe! Eu não concordo!", mesmo se fosse uma resposta de ciência ou de religião. Para Hugo, o assunto não tinha o seu verdadeiro fundamento, por isso ele não concordava.
Arlindo Freire, jornalista, chegou a me dizer, certa vez, que Hugo vivia sempre querendo saber mais, por sua dedicação e a sua febril convicção. Ele - Hugo - tinha um grande complexo de inferioridade por causa de sua aparência física um tanto disforme - boca grande, rosto redondo, cabeça chata, dentadura feia - com a qual parecia não gostar de sorrir. No entanto, Hugo soltava largas gargalhadas ao ponto de que, ele, ao se curvar, puxando o joelho e a perna para cima, encostava a sua testa em seu membro inferior, até mesmo a soltar um cuspe e encher os olhos de lágrimas ao fazer tal gesto deixando molhada toda a sua calça.
Por se considerar feio de mais, Hugo evitava até mesmo namorar. Com as moças da JOC - Juventude Operária Católica - ele mantinha apenas uma relação de amizade, de coleguismo, pois entendia que, por mais que ele quisesse, elas não o compreenderiam sobre o verdadeiro valor do ser humano. Hugo fez caminhadas à pé, durante as noites, depois de uma reunião da JOC para deixar em suas casas várias jocistas, viajando da Cidade Alta para o Alecrim e até mesmo Lagoa Seca, sem faltar com o respeito para com as suas colegas. Ele as comparava como colegas, irmãs, amigas, companheiras com toda sua dignidade, conforme as lições que recebia da JOC.
Ainda jovem, Hugo saiu da JOC, indo beberica a partir de 1958 ou coisa assim. Um dia, seguiu viagem para Salvador (BA) e por lá, já com uma companheira, não digo dos seus sonhos, ele veio a falecer em 1961, isolado dos seus amigos mais eternos, íntimos e fieis, fato que nos deixou amargurados bastante pois Hugo era para nós um verdadeiro amigo, capaz de oferecer-se a fazer qualquer coisa que nos o pedissimos. Acabara-se então, os sonhos, as tristezas, fracassos e vitórias para um rapaz que de um modo ou de outro trazia em si a marca de tais desventuras e aventuras. E sempre ele foi assim. Ou quase sempre. Os motivos mais íntimos, desconhecidos e inexplicáveis foram com Hogo para sempre. Eu guardo em mim, uma saudade eterna por sua inesquecivel ausencia.

sábado, 1 de agosto de 2009

RIBEIRA - 353

VIAGEM DE TREM
Eram por volta das 9h da noite quando bateu à porta o meu companheiro Hugo (da Cunha), gritando pelo meu nome. A minha mãe chega se assustou e perguntou quem era àquela hora. Eu mesmo disser ser Hugo, o meu companheiro de viagem, daquela madrugada. Hugo morava um pouco mais distante da estação do trem, que ficava no bairro da Ribeira, em Natal (Rn), por isso tinha acertado comigo de nós juntarmos os trapos e seguir para o local de embarque, os dois, juntos, porque, de madrugada, podia ter ladrão. Mas, isso não nos assustava.
"Entra, Hugo" - disse eu, indo buscar a sua mala - pesada como que - porém ele não se fez de rogado e entrou mesmo com a mala. A mala era, de fato, uma "maca", feita de lona, comprida e de certa forma, baixa. Estava cheia de roupas, materiais outros, sapatos, meias e mesmo chinelas, ele dizia: "Tem de tudo, aquí", e soltava uma extensa gargalhada dizendo, depois: "Esse homem...". E eu não o constrangia, sabendo que Hugo era mesmo daquele jeito. Na verdade, fazia pouco tempo que eu o conhecia. Isso foi em 1956, em agosto. Então, fazia oito meses que nós nos conheciamos. Ele trabalhava como frentista em um posto de gasolina e eu, em um armazem que ficava a uns 50 metros do posto onde Hugo trabalhava. Mesmo assim, e nem por isso, nós nos conheciamos muito bem, dado a influência do movimento ao qual nós dois participavamos. Eramos jovens, nesse tempo e tudo o que queriamos era festejar o encontro para onde nós teriamos que ir, no Recife (Pe). Eu, ele e uma ruma de rapazes e moças que tinhamos que chegar a estação no horario certo, pois de 5,30 o trem partia de Natal para um sem fim do mundo.
A minha mãe cuidava de terminar o serviço da minha mala ou maca, engomando à ferro quente, aquecido com carvão feito brasa, tudas as roupas que eu tinha de levar na viagem. Nesse tempo, ainda nesse tempo, a minha mãe não conhecia o Recife, uma terra que ela muito sonhou em conhecer, coisa que só veio a acontecer muitos anos depois. Era tanto que ela sempre dizia isso: "Recife! João sempre me prometeu levar lá. Nunca levou !". Eu tinha uma maca de madeira que comprara na feira do Alecrim, em um sábado, para fazer essa viagem. A minha maca era maior e mais pesada que a que Hugo trazia. A minha era toda feita de madeira. Pintada de amarelo, com os rabiscos de tinta preta, aquela era a minha maca. Já chegava as 10h da noite quando tudo estava pronto, arrumado, ajeitado, guardado na nova e esmerada maca.
--- "Pronto ! Está tudo aí ! " - disse a minha mãe, fechando a maca com uma chave.
--- " O Franol, mãe !!! " - lembrei eu, para saber se a mulher havia esquecido o tal "Franol", remédio indispensavel para mim, numa viagem longa àquela que eu faria.
--- "Tá tudo dentro da bolsa !" - respondeu a minha mãe.
Eu sofria de "puxado" - asma - e tinha que tomar um comprimido de Franol quando o "cansaço" me acometia. Quem nunca teve "cansaço" - asma - é bom nem pensar em tê-lo. Eu fui acometido de asma quando pequeno, ao tomar um banho em uma torneira com a água da rua, que vinha totalmente aquecida. À noite o "puxado" se mostrou. Quanto mais eu queria respirar, menos eu podia. O meu pai arranjava tudo o que se dizia ser bom. Para mim, no entanto, não adiantava. Até rabo de calango ele passou no meu peito. E, nada!.
Prontos com as macas, lá fomos nós, às 2h da madrugada, seguindo direto para a estação do trem. depois de tomarmos um café "forte" feito por minha mãe, com pão, manteiga e bolo feito em casa. O meu irmão dormia e nós, sem barulho, saímos de casa, eu tomando a benção de minha mãe e Hugo se despedindo sem não deixar de soltar uma ampla gargalhada ao lhe dizer - eu - "Cuidado !'" . Era o bastante a fazer Hugo sorrir. Nós, as macas e as ruas. Cada qual com seu destino por sobre a cabeça, custando a equilibrar. No meu caso, a minha mala era mais pesada e eu tinha que sustentá-la sobre a cabeça. Por vezes, já um tanto cansado, pegava a mala pela sua aldrava para ver se conseguia suportar aquele mundão de peso. E fomos assim, lutando contra o peso e contra o tempo que nós chegamos à estação. Alí, era tudo iluminado. Já havia uns viajantes da nossa turma. Nós chegamos faltando poucos minutos para as 3h. Daí, era esperar pelo trem que seguia viagem logo mais, às 5h30. Outros foram chegando, rapazes e moças, para fazer o embarque que ía durar até meia noite. Mais de 13h de viajar, comendo-se pelo caminho. Grude, tapióca, milho assado e tantas coisas que, nas estações os vendedores nos ofereciam. O dinheiro não era muito. Hugo fez logo a sua reserva. E eu, também. Nós passariamos seis dias no Recife. E tinha a volta. As peripécias da viagem de Natal ao Recife, foram muitas. Hugo perdeu a sua mala porque JBOliveira entendeu ser uma maca bem velha. Desarrumou tudo que havia dentro e sacudiu a mala de Hugo para fora do trem, num matagal por onde se passava na ocasião. Uns acharam graça, outros, não. A quantidade de jovens dava para encher um carro e meio. Era como se todo o Rn estivesse presente no encontro da JOC - Juventude Operária Católica - do Nordeste. Em Recife, alguém providenciou uma outra mala para Hugo poder guardar seus pertences de viagem.