terça-feira, 11 de agosto de 2009

RIBEIRA - 364

O FIM DO MUNDO
O alerta está em vários lugares, para aqueles que circulam pelo maravilhoso mundo da Internet: o mundo acabará em 2012. Uns dizem que não é exatamente o fim do mundo, mas o fim deste mundo que conhecemos, será na verdade apenas uma grande transformação em 21 de dezembro, no solsticio de inverno desse fatídico ano. O fato é que tudo teria sido previsto pelos maias, que eram ótimos astrônomos e cujas profecias costumam gerar bons debates na Internet ou conversas de botequim. A tese de um cataclismo de grandes proporções também é abraçada por muitos ultrarreligiosos que esperam por algum tipo de armagedom planejado por ninguém menos que o grande criador do céu e da Terra. O comediante americano Bill Maher, no hilário filme "Religulous", em cartaz em Londres, passa pelo tema com todo o deboche possivel e faz, ele mesmo, um alerta particular: a crença religiosa no fim do mundo pode um dia fazer com que a humanidade realmente ponha as mãos na massa e acabe de vez com a vida no planeta azul.
A verdade é que, infelizmente, não estamos imunes a isso. Uma destruição lenta e gradual poderá vit com a constante emissão de gases causadores do efeito estufa e o consequente aquecimento global. Mas o homem continua também detentor de meios para destruir o planeta de forma muito mais rápida. Desde a sua estreia no cenário internacional, em agosto de 1945, no Japão, as bombas atômicas nunca abandonaram completamente o papel de pesadelo coletivo da humanidade. Com isso em mente, Barack Obama falou em sua recente vinda à Europa, de seu plano para "um mundo sem armas nucleares". O presidente americano afirmou que os Estados Unidos têm "responsabilidade moral" para liderar a comunidade internacional na direção desse objetivo, e as novas negociações com a Rússia nessa área seriam o primeiro passo. Um passo para prevenir o fim do mundo.
Poucos especialistas, entretando, acreditam ser possível eliminar todas as armas nucleares do planeta. Muitos alertam que seria inclusive perigoso, já que bombas atômicas têm também a capacidade de garantir a paz, servindo como instrumento para deter a possível ação de grupos ou líderes fanáticos que quisessem, deliberadamente, causar a maior destruição possível. Sem armas nucleares, o mundo estaria à mercê de qualquer um que voltasse a fabricá-las. As palavras de Obama seriam, então, apenas uma fonte de inspiração, não devendo ser levadas ao pé da letra. Até porque mal elas haviam sido pronunciadas, a perspectiva da destruição total e inconsequente voltou a preocupar uma pequena faixa de terra no extremo leste do planeta, a Peninsula coreana.
A crise envolvendo a comunista Coreia do Norte e o resto do mundo voltou com força total. O recluso regime suspendeu as negociações sobre o seu programa nuclear e retomou o trabalho de suas usinas. Disse que a decisão do Conselho de Segurança da ONU, de condenar o seu lançamento de um foguete, havia sido uma "declaração de guerra". Como o regime norte-coreano não segue os mesmos parâmetros de raciocínio que normalmente se vê em política internacional, é difícil saber o que pode sair da cabeça do seu líder supremo, Kim Jong Il.
O agravamento da crise reforça os argumentos dos que defendem que tanto os Estados Unidos como as outras potências devam manter seus arsenais, já que sem eles perderiam sua capacidade de pressionar ou até mesmo se defender de regimes fanáticos e imprevisiveis. Com isso, permanece viva a tese de que as armas nucleares vieram para ficar, e o Irã, assim como o Paquistão e a Índia anos atrás, vê-se no direito de, pelo menos, dominar sua tecnologia. As palavras de Barack Obama seriam uma fonte de inspiração, mas, ao pé da letra, não passariam de uma utopia impossivel. Visto dessa maneira, o perigo pode não estar em 2012, mais a profecia maia ainda pode um dia se confirmar.
----

RIBEIRA - 363

BECO DA LAMA
Quem passa pelo saudoso Beco da Lama, uma rua estreita no centro da cidade - Natal Rn - nem se lembra que alí se dorme no chão bruto, se vende flores e produtos aromáticos para festejar o seu santo preferido, de São Jorge a Yemanjá, come-se à bessa, nos restaurantes que alí existem, toma-se uma caninha "braba", daquelas que inveterado cospo e faz cara feia, joga-se no bicho, pois em Natal não é proibido jogar (no bicho - cobra, macaco ou avestruz) e tem tanta coisa que se falar aqui, não vai dar tempo. Antigamente, um rapaz, numa bodega da esquina, próximo a feira das frutas, tinha o seu ponto predileto onde fazia para vender a tradicional "meladinha" que era cachaça com mel. Ele só abria o ponto às 10h da manhã. Fechava às 2h da tarde para abrir outra vez, às 4h. Alí, bebiam em um reservado, os secretários de estado, escritores, advogados, jornalistas e até mesmo boêmio para não se dizer outra palavra não menos cabida. Eu não sei se, depois da morte do homem, o bar continuou funcionando. Sei, apenas que, aos sábados, por volta das 10h, outra vez o Beco da Lama se enche de gente. São jornalistas, poétas, escritores, advogados ou mesmo quem ainda não é conhecido. O Beco, num pedacinho de nada, se enche de gente, cada um com a sua conversa e todos falando a um tempo só. É, na verdade, um ponto de encontro dos "velhos" e inveterados amigos - e até inimigos - que se juntam para comemorar, com as suas falas o que tem de se comemorar: Nada!!!. Tão logo passe o dia, o Beco se esvazia. Em tempos remotos, tinha ali um "cabaré", pois era assim que se chamava uma casa de alguns quartos para alugar a homens que tomavam uma "dama" para ter um relacionamento conjugal. Essas moças - quase sempre de 20 anos ou pouco mais - viviam alí à espera do seu "homem" que por meia hora era o seu "dono". Depois desse tempo, era lavar e enxugar. Outro "homem" talvez estivesse impaciente para poder entrar e cumprir a mesma missão. O Beco da Lama é antigo. Vem dos primórdios do tempo em que a cidade acabava alí. Lama era porque pelo beco escorria lam ou de chuva ou de lavagem de roupa e de banho. A lama descia pelo local até chegar a um terreno próximo do Mercado da Cidade e alí ficava. Natal era uma cidade - naquela época - de poucas casas e naquele beco existiam mocambos de palha fincados na areia. Um cachorro magro era a arma de cada um. Quando o cão sarnento latia era sinal que vinha gente para um dos casebres, sempre para falar da vida dos outros. Um certo dia, a Câmara Municipal proibiu da gente contunuar morrando em suas palhoças. Tinha que se fazer casebres de taipa. A cidade foi tomando pé do progresso, mas o Beco continuou a ser chamado "da Lama", apesar de existir uma placa dizendo que alí é a rua Dr. Francisco Ivo, um homem que morou na Av. Rio Branco, quase na esquina com a rua Cel. Cascudo onde tem a Feira das Frutas. A placa está na bodega de Nazzi, homem que já morreu e que, em vida, fazia a tradicional "meladinha". Hoje, a rua é calçada e as casas são todas de comércio, salvo o quiosque que existe no local onde as "damas" costumam fazer o seu "ponto". O Beco da Lama é pequeno, indo da rua Ulisses Caldas até a rua João Pessoa. Depois desse ponto, o beco leva outro nome. Hoje, um grupo de blogueiros e não blogueiros fazem dali um ponto de encontro, um reduto, para se dizer melhor, principalmente aos sábados, mas sem deixar os outros dias passar em branco. Poucos sabem a história do Beco. Outros, sabem até demais. Alguns teimam em chamar o beco de apenas beco. O Beco da Lama. Notívago, sem nada para encher as agruras do tempo, ele é um beco como outros existentes em toda a parte do mundo.
-----

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

RIBEIRA - 362

- SIMONE -
No tempo em que veio ao mundo, talvez não existisse a tal boneca "Barbie". Sei, apenas, que a vi crescer de um mês e tanto tempo assim. As tais "Barbie's" chegaram por seu mundo apenas em sonho. Eu tive a oportunidade de conduzi-la nos braços, no primeiro dia de sua vida. Chorona que era!!!. Mas, a mim não importava aquele choro de criancinha. Eu a cuidava e quando aquela frágil criança começava a chorar, imediatamente eu a largava nos braços de sua mãe que sabia acalentar de formas a que o nenen se calasse. A mãe era todo orgulho. Anseio eterno de uma mãe. Mãe-Coruja, certamente. O umbigo de Simone foi enterrado na porta de casa. Isso era uma surperstição das mães. Dizia-se que o umbigo deveria ser eterrado na porta de casa. Assim foi feito. Tudo era muito simples, então. Simples mesmo.
Passaram os dias e na primeira vez que Simone saiu de casa, foi coisa de um mês. A mãe já estava boa - mais ou menos boa - do resguardo. Então, um dia de domingo, de tarde, sua mãe, a filha Simone, e eu saímos para uma visita e também mostrar a filha amada a uns conhecidos da gente. A tarde era de sol, fazia calor, embora não muito. Seguimos viajem de casa para a casa dos conhecidos nossos. Foi uma festa total aquela que se fez notar. Na casa dos nossos amigos havia mais gente e todos queriam pegar naquele pequeno presente de Deus que veio ao mundo como que por encanto. Eu, jamais esqueci daquele dia de tanta ternura, aconchego e benquerer. A menina nada fazia. Pouco abria os olhos. E quando abria, então era uma festa como todos querendo ver. Passou-se a tarde toda nesta festança.
Porém, um dia se passou. Um, dois, três e mais dias. A guria crecia mais, chorava menos. Nos seus afazeres domésticos a sua mãe não perdia o olho, conzinhando, batento roupa, engomando e um olho na menina. Era sempre assim. Dores? A menina não sentia. Dor, que é uma coisa tão comum nas crianças. Simone, entretanto não sofria desses incômodos. E o tempo passou. Um ano. A festa que se fez. Pouca festa, enfim. Apenas para os vizinhos e amiguinhos. Quando cheguei em casa, apenas tive direito ao bolo confeitado. Um pedaço, apenas. Contudo, eu saboreei aquele repasto como se tivesse feito a festa por completo. Um, dois, três anos. Nesse tempo, eu chamei Simone para o meu colo e alí demonstrei todo o meu amor que eu sentia por ela. Acanhada, sem saber o que representava aquele momento para mim, apenas balançou a sua linda e bem feita cabeça ornada de cabelos curtos, chegando à orelha, vestido de algodão, de duas cores - branca e vermelha - era o que Simone vestia.
O tempo foi passando, veio a escola e, tempos depois, o Atheneu. Mone já era grandinha. Sempre deleitou por mim um largo e confidente afeto. Era chorona por tudo e por nada. Magrinha que nem uma gazela. Ela brincava com as suas colegas, guardava segredos de menina e quando já estava com seus 14 anos, achou de arranjar um "namorado". Qual, o que!!! Namorado?!!! - Eu então me "espivitei". Eu cheguei a ameaçar em passar como o meu carro sobre eles, se o namoro continuasse. E o namoro, então, acabou. Eu me dei por satisfeito. Nesse tempo, Simone aprendia a dançar em um Ballet da cidade. E teve a oportunidade de se apresentar no Teatro de Natal (Rn), o Teatro "Alberto Maranhão", antes chamado por Teatro "Carlos Gomes". Essa festa talvez tenha sido por volta do ano de 1980 ou um pouco mais.
A peça foi deveras bem feita. Havia gente demais para assistir ao espetáculo. Eu a levei ao Teatro todas as vezes que havia espetáculo. Orientei ao fotógrafo a tirar foto da minha princesa, muito embora não fosse a primeira bailarina. A assim, se fez. O tempo mais uma vez passou tão rápido e, aos 17 anos Simone foi pedida em casamento. E, logo se casou. Uns tempos morou em Natal e depois viajou para Florianópolis, (SC). À sombra de uma lembrança que nunca se apaga, lá ela está, hoje com os seus 43 anos e quando me telefona não sei porque, sempre acaba chorando. E e também.
Hoje, eu não me lembro de quatas "Barbies" ele teve ocasião de brincar. Não sei mesmo. Para mim, ela é a própia Barbie dos meus eternos sonhos onde e quando durmo na esperança de um dia poder revê-la. Se não teve uma boneca Barbie é porque, tão somente ela sempre foi, para mim uma Barbie. Eterno pássaro dos meus mais diletos sonhos. Berbie mulher capaz de envolver e encantar os sonhos eternizados de quando eras apenas uma menina.
---

domingo, 9 de agosto de 2009

RIBEIRA - 361

- RUA JOÃO PESSOA -
Quem não conheceu Natal (Rn) no principio dos anos 20, nem imaginava o que era uma cidade provinciana. Para os jovens de hoje, provinciana era qualquer coisa. Uma cidade de não sei o que. Se era assim, essa foto diz bem. Uma cidade sem calçamento, sem carros e até mesmo sem ninguém. A casa que pode-se ver na foto. era um verdadeiro palacete, um bangalô, por assim dizer. O meterial com que se fez o sobrado, era de todo importado da França ou mesmo da Inglaterra. O dono do palácio estava a construir para tão logo depois do seu casamento com uma jovem que morava logo perto. A construção foi um esmero, feita com bastante cuidado. Pode-se ver ainda aí, o portão de ferro que se abria para os construtores poderem passar. Mesmo assim, tinha um outro portão. bem atrás, indo pela rua João Pessoa - o nome era outro, nesse tempo - e os pedreiros costumavam a usá-lo para não atrapalhar a entrada principal. Do lado direito de quem olha, não tinha prédio algum. Bem atrás, na esquina da rua da Estrela (hoje rua José de Alencar) pode-se ver uma casa de três janelas e uma porta do lado que dá para o sol nascente. Depois dessa casa, tinham outras iguais. Para se dizer melhor: casinhas. Na Rua João Pessoa, ainda se estava construindo uma Igreja de Crentes. Pelo meio da rua havia o plantio de árvores. Os trilhos do Bonde já estavam lá, com a fiação elétrica acompanhando o trajeto com postes feitos de ferro. Um pé de mungubas estava logo na esquina do novo sobrado. Assim, era Natal provinciana - vem de provincia - do tempo antigo. O sobrado ficou alí por longo tempo antes de ser comprado por uma firma. Nele, o dono não habitou. A morte veio primeiro. Ele, apenas viu a sua obra concluida. Nos écos do passado ficou os recados que sua noiva dizia: "Elegância! Elegância!", pois o homem tinha que andar com a cabeça um pouco para baixo, como que olhando o chão. O casarão ficou abandonado por tempos ídos. Uma familia de gente pobre tomava conta do lugar, provavelmente por órdem dos herdeiros. Janelões e portas sempre ficavam feichadas. Na frente do casario nem calçada existia. Tudo era chão. Chão de um terreno bruto. Era manhã quando alguém tirou essa foto. Talvez umas dez horas da manhã. Na rua, era apenas silêncio. Não havia alma viva. Algumas janelas na casa da esquina da rua da Estrela, já estavam abertas. Não se podia ver uma única pessoa. Algumas pedras amontoadas seriam para se fazer, tempos depois, a Praça Pio X, pois a Igreja do Padre João Maria terminara apenas no sonho do velho-jovem sacerdote. Quando o sacerdote morreu, em 1905, tudo ficou ao abandono. Um caminho identificava que ali, então, ia-se começar a construção da praça sob os olhares obtusos do enigmático sobrado. História de um passado remoto.
----

RIBEIRA - 360

- "A VIDA SECRETA DAS ABELHAS -
Tendo com um dos produtores o famoso astro Will Smith, o melodrama "A Vida Secreta das Abelhas" adapta um bestseller nos EUA, escrito por Sue Monk Kidd. O filme entra em cartaz em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. Dirigido e roteirizado por Gina Prince-Bythewood - uma diretora experiente em televisão - , "A Vida Secreta das Abelhas" procura atrair um público feminino e interessado em histórias sentimentais, contando com um time de atrizes consagradas. A adolescente Dakota Fanning encabeça a lista, interpretando Lily Owens. Menina triste, ela foi marcada por uma tragédia muito cedo, envolvendo a morte da mãe. O pai, T. Ray é bruto com ela e com sua empregada, Rosaleen, a única pessoa a ter um vínculo afetivo real com Lily. A aliança entre as duas se fortalece quando Rosaleen, acompanhada por Lily, vai à cidade disposta a registra-se como eleitora. O ano é 1964 e acaba de ser aprovada a Lei dos Direitos Civis que impõe limites à histórica discriminação contra os negros. Mas, na Carolina do Sul, onde eles moram, os rancheiros brancos não estão dispostos a aceitar as mudanças. Diante dos olhos apavorados de Lily, alguns deles espancam barbaramente Rosaleen que, ferida, ainda vai presa por ter reagido. Diante da omissão do pai, Lily entra escondida no hospital onde sua empregada está amarrada na cama, e as duas escapam. Seu destino é Tiburon, onde a menina quer procurar pistas sobre sua mãe morta. A etiqueta é um pote de mel, igual a uma ilustração que Lily viu entre as coisas de sua mãe, leva a garota a procurar sua fabricante, August Boatwright. Líder de uma família negra e próspera na cidade, ela acolhe Lily e Rosaleen em sua casa, contrariando a irmã June, ativista dos direitos negros e feminista, que desconfia da história contada pela menina branca. A outra irmã, May, muito sensível, apega-se logo às duas recém-chegadas. A estadia na casa de August, enquanto seu pai a procura sem idéia de seu paradeiro, prolonga-se tempo o bastante para que Lily descubra uma vida nova, em que trabalha como apicultora e passa a fazer parte de uma afetuosa comunidade feminina. O subtema do racismo se dilui para dar lugar a uma história sentimental que se resolve quase sempre através de simplificações piegas. O filme registra uma raridade no cinema norte-americano - um princípio de romance interracial, entre a menina Lily e o filho de uma das amigas da casa, Zach. Seu beijinho é o máximo de ousadia a que este filme se permite.
---

sábado, 8 de agosto de 2009

RIBEIRA - 359

- MARIDO POR ACASO -
Uma Thurman parece não querer largar tão cedo o vestido de noiva. Depois de interpretar nos dois "Kill Bill" uma personagem chamada de A Noiva, ela assume novamente o vestido branco e marcha rumo ao altar na comédia romântica "Marido por Acaso", que estreia m circuito nacional.
Desta vez, a atriz é a dra. Emma, uma psicóloga a um passode casar-se com um homem que considera seu grande amor, o editor Richard. Ela comanda um programa de rádio no qual distribui conselhos amorosos a mulheres mal amadas e afins. Tudo vai bem até ela sugerir a uma ouvinte que pense duas vezes antes de se casar. A moça desmancha seu casamento com o bombeiro Patrick e este decide vingar-se da psicóloga. Com ajuda de um garoto que parece saber tudo de Internet, Patrick falsifica documentos e forja um falso casamento com Emma. Quando a psicóloga e Richard vão oficializar sua união, são avisados de que ela não é solteira. Para cancelar o casamento, o bombeiro deverá assinar uma série de formulários. Antes, ele tem alguns planos para infernizar a vida de Emma e dar seu troco. Por coincidencia - daquelas que só acontecem em filmes - Patrick deverá passar-se por Richard - para, aliás, defender o emprego do editor. O bombeiro e a psicóloga começam a ficar mais tempo juntos para enganar um casal de alemãs. Surpresa das surpresas: Patrick se apaixona por Emma, e vice-versa.
"Marido por Acaso" é uma comédia romântica e, como tal, todos sabem o que vai acontecer no final. O 'como vai acontecer' não é tão dificil assim de imaginar. Emma fica balançada, pois sempre planejou sua vida nos mínimos detalhes. Assim, na sua cabeça, Richard é o cara ideal para ela, um sujeito certinho, além de editor do seu livro que acaba de ser publicado e é um sucesso. Por outro lado, o bombeiro Patrick é um romântico inveterado e surpreendente, como Emma esqueceu que uma pessoa pode ser - o que traz a excitação que ffaltava na vida dela.
Dirigido por Griffin Dunne, "Marido por Acaso" passa longe do brilho de comédias como "O Pecado Mora ao Lado", de Billy Wilder, e "Jejum de Amor", de Howard Hawks, que elevaram o gênero a um patamar superior.
----

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

RIBEIRA - 358

- O LOUCO -
Era uma quarta-feira, manhã de sol, gente passava, uns, indo. Outros, vindo. Era assim, no prédio do escritório onde eu aprendi a trabalhar. Mulheres, sonhoras vinham e iam, de um lado para outro. Às vezes, buscavam uma casa de venda de artigos de costura. Em outros casos, somente queriam visitar as lojas de vendas de tecidos. Era assim que as senhoras faziam todos os dias, ou quase todos, pois havia feriado e domingos. Entre as mulheres e os homens, passava um homem bem mal vestido: um roupão azul quase preto encobrindo o paletó e parte das calças igualmente azul ou mesmo preta. Entre muitos outros - uns, pedintes - ele perambulava falando sozinho coisas que somente ele entendia. Cabeça abaixada, barba por fazer, cabelos compridos guardados por um chapeu que outra fora um belo chapeu, ele seguia rua à fora como se procurasse ninguém. Eu o olhava pela porta do prédio, no primeiro andar - era uma porta que o dono fez uma janela, pois era aberta. só, meia porta - o homem parecia um monstrengo de tão alto que era. Ele caminhava alheio ao movimento das casas de comércio, da gente que passava e mesmo de carros que às vezes vinham pela rua. Os outros - povo - não lhe falavam coisa alguma, pois o homem não era - para quem o via - ninguém. Quando - ele - pedia uma esmola a um transeunte, sempre ouvia a resposta: "Perdoe!". E ele, então continuava a caminhar, sem reclamar. O seu nome, nunca ouvi alguém falar. Quem se referia a ele, o chamava tão somente de "louco". Eu, apenas ouvia e não comentava. Com certeza, para mim, ele também era um "louco". Com os meus 13 anos de vida, era o que eu podia pensar. Não duvidava de ninguém. E a vida continuava, lenta e vagarosa, como era a vida naquele tempo, na cidade. De longe, chegava o som de uma batida de sinetas: era o bonde que seguia para a cidade. De outras vezes, o roncar de um motor definia a passagem de um carro. Passava depressa que eu não tinha tempo de olhar qual marca era o carro. Na rua, tinham poucos carros estacionados. Poucos, mesmo. Lá um ou outro passava. O Banco perto do escritório onde eu trabalhava, alí, nenhum funcionário tinha carro. Nesse tempo, os carros que por aqui trafegavam, eram todos importados e deviam custar muito carro. É tanto que pouca gente tinha carro por esses lados de uma cidade que nem conseguia prosperar
Foi em um dia como o que eu via o "louco" passar que, de modo não explicavel, eu notei que o homem chegava em frente ao escritório passando, em seguida, para mais além. Eu fui tomado de susto com aquela figura tenebrosa que chegava onde eu estava a trabalhar. Vi-lhe apenas de relance, quando ele passou. Eu escutei, baixinho, o que o louco estava a fazer e então percebi que o homem tinha ido ao banheiro. Uma outra voz se insinuou; era o homem que cuidava do prédio. Ele dizia umas coisas que eu não entendia, dado a distancia do escritório e do banheiro. Fiquei calado, procurando ouvir de qualquer modo o que se passava. Somente vozes. Vozes, e nada mais. Passado o tempo, o homem voltava, calado como sempre, sem nada falar e seguio o seu destino em busca da rua de onde tomaria o seu destino. Para mim, aquilo era um assombro. pois não imaginava ver de perto o "louco" passando perto à minha sala. Eu tive vontade de fechar tudo - a porta, com certeza - e me encolher na minha solidão de alguém que estava com um temor sem fim.
Algum tempo se passouaté que surgiu à porta o zelador do prédio, linpando o sujo que não havia, como uma vassoura de cabelos de lã. Ao passar em frente ao escritório, teceu um bom dia para mim, na sua forma de falar. Eu respondi e lhe perguntei o que o "louco" estava a fazer alí do prédio. Então, ele me respondeu que ele apenas procurava o sanitário. Eu disse, em seguida, por que o zelador fizera tanto barulho. Ele então me respondeu que, ali, não era órgão público para se utilizar do banheiro.De fato, eu concordei, sem saber do que se tratava ou o que era "órgão público". Afinal, o tal órgao público devia ser a rua ou um beco, coisa assim. Eu me dei por satisfeito e o zelador continuou o seu trabalho edificio afora.