sábado, 13 de fevereiro de 2010

LUZ DO SOL - 26

- CARLA -
- CONTO -
Aquele era o Dia dos Namorados, o Dia de São Valentim. Naquela data eram oferecidos jantares dos mais requintados e luxuosos recantos da cidade onde os rapazes aproveitavam para pedir, com impetuosidade e romantismo, a mão da jovem em casamento. Aquele era o supremo dos dias das jovens que se sentiram atraídas por um outro jovem cavalheiro. Tocava-se músicas romanticas ao som de pianos e violinos, uma atração sem par para suavizar ainda mais aqueles momentos de sempre eterna felicidade. Nos restaurantes não havia vaga se o namorado não requisitasse bem antes um local de doce encanto para estar apenas ele e a sua bem amada. Luz de vela era o requinte ideal para se celebrar o clássico amor. Romance era a palavra suprema de que a jovem requintada gostaria de ouvir do seu eterno noivo. Na cidade, filmes classicos de amor não faltavam. Enfim, tudo era pleno de rosas, joias e adornos sensuais. Foi assim com a delicada e meiga Carla, quando foi pedida em casamento por seu apaixonado namorado que lhe fez presente uma Maçã do Amor, além de um cordão de ouro e uma aliança com um mimo especial de terna doçura pleno de suavidade e brandura. Para Carla, aquele era um outro universo do qual somente as divas do encanto poderiam ter o bem aventurado acesso. Com a promessa de amor eterno, o seu amado lhe entregou flores com um beijo suave e delicado com essencias e perfumes. As rosas vermelhas simbolizavam o doce encanto de ternura e enlevo com a singela oferenda de que no futuro flores ainda lhe daria. Era tudo um carinhoso sonho de amor e de encanto para uma quase menina jovem. Ao pedir sua mão, ele suavemente lhe deu o encanto de dizer da alegria sentida naquele momento de desejos incontidos. Então, os dois voltearam no salão feito para o baile enquanto o piano tocava suave encantos mil dos eternos namorados. Os negros cabelos de Carla esvoaçavam ao eterno amor entre delicadas rosas, presentes do seu amado. O noivo, aproveitando aquele gesto de amor, segurando Carla com maestria e delicadeza, beijava-lhe os lindos cabelos mercando a impetuosidade que a ele assumia, sem falar nem mesmo ao toque de uma melodia eterna. Por seu lado, Carla trazia lágrimas no olhar de tanta felicidade que sentia. Para a jovem moça não havia plena ilusão de se consumar. Era só romance eterno. Para si, a imágem em nada mudara. Com seu amplo vestido rodeado de enfeites. Carla olhava terna para o noivo e ao seus braços, rodopiou em torno do salão, fazendo com que a jovem suspirasse de ventura. Naquele momento, Carla sorria e chorava de tanta felicidade. Sentia-se feliz a olhar o seu noivo que somente a podia transportar para os mágicos instantes de suave alegria. A festa transcorria sem parar quando todos os casais, com puro amor, dançavam à luz tenue e difusa do salão de baile. Para a jovem, o que almejava era que tanta felicidade jamais pudesse ter fim. Ao som da melodia, ela era estrela a brilhar sabendo que o seu amor crescia cada vez mais. E quando velhinhos, ela teria aquele momento para lembrar, pois tal veneração não acabaria jamais, mesmo estando nos momentos de dor, pois a vida seria bem pequena para tanto amor.

LUZ DO SOL - 25

- CASSANDRA -
- CONTO -
Eram 8 horas da manhã quando Cassandra caminhava pela rua principal da sua cidade onde havia edifícios elevados em meio a casas térreas, todas de muito bom gosto. Alí moravam uns poucos remanecentes de antigos senhores de terra e, nos edificios, abrigavam-se escritórios, Bancos, departamentos de comércio entre outras representações de setor exterior. Na verdade, aquele era o fim de um frutuoso progresso de antigamente para dar lugar aos mais luxuosos conglomerados do país. Ao caminhar, despretenciosamente, Cassandra ouviu um baque surdo e impressionante aos seus pés. Com a jovem, temerosa por não ter sido atingida pelo enorme saco vindo do alto de um edificio, gritou de uma forma baixa, olhos fechados pelo que passara junto e, em seguida, com o braço direito na testa e a mão esquerda na boca, fez:
--- Uuuiii! - voz de Cassandra.
Em seguida, a moça abriu os olhos e, temerosa e amedrontada, olhou para o saco enorme que se decompunha em sangue, molhando todo o calçamento ao seu redor, e desmaiou. As pessoas que passavam ao lado e mais distante, acorreram para ver o que acontecera. Um homem caido de certa altura do edificio, vindo morrer no chão. De repente se formou a multidão em torno do homem. Do edificio, vieram pessoa para saber o que havia ocorrido. Um rapaz, acudiu Cassandra que estava desmaiada junto ao corpo. Tudo isso se passou em questão de segundos. Alguns sairam dizendo:
--- Ave Maria. Nem quero ver! - vozes.
--- Que foi isso, meu Deus? - vozes.
--- Nossa Senhora!!! - vozes.
O corpo do homem estava estendido no chão ensopado de sangue que escorria para todos os lados. Por seu turno, Cassandra era socorrida por um rapaz que a arrastou até a calçada do edificio onde outros homens também acudiram a moça que continuava desmaiada. Um homem foi quem disse:
--- Leva para o hospital. Leva! - voz de um homem.
--- Foi ela? Foi ela? Foi ela? - perguntou um outro em desespero.
O jovem que a socorreu estava alí, agasalhando a moça, fazendo todo o mecanismo para que Cassandra recuperasse os sentidos e nada conseguia naquele primeiro minuto. O negocio era levá-la a um hospital, pois lá teria melhores condições de socorrê-la. Um rapaz que viu tudo, sabia que a jovem escapara de um acidente grave quando o homem caiu a seus pés, por pouco sem atingí-la. A jovem viu o homem morto e desmaiou. Foi assim.
Enquanto uma porção de gente queria socorrer o homem caído, um outro, vindo do interior do edificio, com um pano nas mãos, disse:
--- Ninguém mexe. Chame a polícia! - dizia o segurança.
Por seu lado, um outro homem encostou o carro próximo ao edificio e correu para socorrer a jovem. Com o rapaz e a ajuda de mais dois outros, levou Cassandra até o interior do veículo, pôs no banco de trás, na companhia do rapaz e de outro homem que tão depressa pegou uma carona no assento da frente, e o homem rumou para o hospital.
No caminho, o homem do carro perguntou:
--- Quem viu o estrondo? - - perguntou o homem.
--- Eu vi quando a moça passou e, de repente, aquilo caiu la de cima, bem a seus pés. Ela desmaio naquela hora! - disse o rapaz.
--- Você diz no hospital. Certo? - falou o homem do carro.
Foi um instante desesperador. O carro corria a todo custo, cortando sinais, buzinando insistente, em velocidade estonteante até chegar ao hospital mais próximo. A moça acordou por um instante e perguntou.
--- O que é isso? - perguntou Cassandra.
--- Calma! Estamos chegando. - disse o jovem.
E a moça voltou a desmaiar.
--- Pronto! Desmaiou de novo! - disse o rapaz.
--- Estamos chegando. Espere. - falou o homem do carro.
Com o carro na parte alta da calçada, o homem chamou os maqueiros que até pareciam, já estavam de sobreaviso. Os maqueiros pegaram a jovem pelos braços e pelo troco enquanto o rapaz ajudou levando-lhe apenas por suas pernas. Três maqueiros de imediato rumaram para o interior do hospital enquanto a atendente perguntava aos presentes.
--- Quem é o responsavel? - perguntou a atendente.
--- Não tem ninguém! - respondeu o homem do carro, esbaforido.
--- Eu assumo. - disse o rapaz que socorreu.
--- Carteira! - pediu a moça um tanto aborrecida.
--- Só tenho a minha. Serve? - respondeu o rapaz do socorro
--- Deixe eu ver. Onde ela mora? - perguntou a antipática jovem.
--- Não tenho idéia. Ela ia passando quando um homem caiu de um prédio, aos seus pés. Aí, ela desmaio. É o que eu posso dizer. - disse o jovem.
A moça antipática olhou cismada para o rapaz enquanto o homem do carro disse a mesma coisa.
--- Foi, senhora. Ela desmaiou. Nós estamos prestando socorro. Não vi documento algum com ela. - respondeu ohomem do automóvel.
--- Vou anotar aqui. Vocês podem esperar ali, nas cadeiras. - disse a moça antipatica.
Nesse mesmo instante apareceu um médico para saber de melhores informações. A moça disse o que os que prestaram socorro lhe disseram também. E o medico perguntou qual era dos quatro. Ela apontou para o rapaz. Então, o médico se aproximou dele e voltou a perguntar.
--- O senhor é parente? - perguntou o médico.
--- Não senhor. Nós só prestamos socorro. É tudo que eu sei. - respondeu o rapaz.
--- Ela vai ficar em observação. Se aparecer algum parente, por favor, diga-lhe o que houve. - respondeu o médico de forma delicada.
O tempo passou. Três meses que a moça sofrera o impacto com queda do homem do edificio. Com um pouco de tempo, a jovem retornou os sentidos. Mas não se lembrava mais quem era. No início daquela manhã do dia do trauma, um homem que se dizia ser o pai, apareceu no hospital. Ele procurou saber quem socorrera a filha e ficou sabendo que tinha sido o jovem. Com o passar das horas daquele dia, Cassandra recebeu alta. Foi o seu pai quem a recebeu. Ela não o reconhecia e nem sabia o que estava fazendo em um hospital. O médicou recomendo procurar um psiquiatra. Eles - o pai e Cassandra - voltaram para a própria casa. Os três meses passado, não trouxeram de volta as lembranças do que a moça vira naquele dia. Nem as fotos da familia ela reconhecera. Sómento havia algo que não esquecera: o saco caído no chão. Com os tres meses que passaram, o psiquiatra procurou retornar aos seus momentos de juventude e ela aprendeu a viver como se estivesse nascendo naquele momento. Com relação aos seus pais e irmãos, ela adotou como se tivesse procurando ter alguém. O rapaz que a socorreu naquele dia, ela não mais se lembrava quem foi. De início, não sabia de nada. Passados três meses, ela já não se lembrava que um dia passara naquela calçada onde o homem despencou para a morte. Cassandra levou uma vida discreta como se tudo era novo para si. Um dia, um carro desgovernado abalrroou com um poste no momento em que Cassandra ía passando. Foi um susto terrivel que a moça teve, chegando a desmaiar. Socorrida, ela recobrou os sentidos. E tudo foi como um sonho. Então, de repente, ela recobrou a momeria e perguntou, então em razao do seu passado esquecido:
--- O homem? O homem? - perguntava Cassandra.
--- Em coma! - disse-lhe alguem.
Ninguém respondera que aquele homem não era o mesmo que se espatifou na calçada do edificio. Então, Cassandra chorou de dor e comoção. Ela voltou ao seu estado de antes de acidente. Agora, Cassandra se lembrava de tudo o que passara. O homem do carro, esse tinha sido levado para o hospital.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

LUZ DO SOL - 24

- LORENA -
- CONTO -
A tarde prometia sol forte naquele verão. Não se importando com o que fosse, Lorena ajeitou os papeis de sua pasta e vestiu o que mais lhe proporcionava para uma advogada de defesa e, entre outras coisas que teria de levar, passou a vista em seu gabinete, existente sua casa, olhou os sapatos para ver se lhe agradavam, chamou a governanta e lhe disse que tomasse conta dos "pequenos" - dois filhos de Lorena - pois estaria de volta logo que acabasse o julgamento na cidade vizinha. Ainda chamou os pequenos para lhes dizer com muito rigor:
--- Juizo, ouviu? Juizo! Não tem nada de computador e nem de amiguinhas. Juizo! - disse Lorena como se passasse um carão nos filhos amados.
Em seguida, rumou para a garagem do edificio de apartamentos onde foi buscar o seu automóvel de última marca. Lorena pôs os seus processos no banco dianteiro do carro, arrumou o cabelo comprido e loiro, olhou-se no espelho do retrovisor interno, passou um dedo nos lábios, deu partida e mesmo vagarosa, saiu do edificio de 20 andares, um verdadeiro colosso da arquitetura moderna, buzinou para o porteiro que já estava disposto e saiu um tanto vagarosa pela rua onde morava para então pegar a rodovia.
Nessa mesma hora, em um restaurante de estrada, o homem subiu em seu truckado de 22 pneus, lá ajeitou-se como pode, guardou as quatro latas de cerveja na geladeira do truckado, olhou para o seu lado esquerdo, buzinou com a sua esmerada corneta de tres bocas, fazendo um barulho surdo e advertente, saiu do seu acostamento onde tinha mais cerca de dez carros e trucks estacionados, rumou pelo lado de dentro do posto, seguiu para tomar a rodovia, parou para dar passagem a outros carros e seguiu viagem, de início, devagar para, depois, pegar a sua marcha normal. O seu nome era Dagoberto, homem alto, corpulento, de mãos firmes, vestindo uma camisa aberta ao peito e uma calça jeans. Nos pés, um par de sapatos um tanto velhos.
No seu caminho, Lorena seguia lenta, vez que a rodovia estava repleta de autos, caminhões e igualmente trucks àquela hora da tarde. Um serviço de desobstrução da via tornava o trânsito mais devagar ainda. Logo à frente, uma máquina fazia o conserto de uma faixa cujo local estava obstruído por árvores e terra. Por isso, o caminho da rodovia se fazia em apenas uma mão, com os operários sinalizando as passagens de quem seguia em sentido contrário, como era o caso da advogada. Após breves minutos que mais pareciam uma eternidade, o trânsito fluiu normal, com o longo caminho de autos pela frente, alguns passando pela contra-mão para chegar primeiro ao seu lugar. enquantos outros com objetos na carroçaria, elevando um tanto o veículo que se tornava pequeno de tanta encomenda que conduzia. Nesse ponto, Lorena disse para consigo:
--- Ave Maria! São uns loucos! - comentou a mulher.
O truckado de Dagoberto começava a descer uma ladeira na encosta de uma pedreira onde se ouvia sempre o espocar de dinamites para retirar um pouco de material para o calçamento. Esse estrondo se fazia num ponto bem lá dentro da pedreira e não tinha cuidado de vir a cair para o lado de cá do morro. Apenas a ladeira era perigosa, deixando Dagoberto atento para a passagem dos autos de vinham em direção contrária e para os carros e caminhões que seguiam vagarosos em sua mesma direção. O homem passou a mão na cabeça e voltou a descançar o braço da porta da boleia do seu truckado. Os relógios de bordo identificavam que tudo estava certo com o truckado, inclusive os pneus. Ele olhou por uns instantes os equipamentos. O motorista levava uma carga em cima de 22 pneus e, por mais que lhe chamasse a atenção, era sempre preciso olhar os instrumentos de bordo.
Em sentido contrario, vinha a fila de carros, cada qual mais apressado, esperando a subida da íngreme ladeira. O buzinar dos autos não incomodava Dagoberto, pois a sua buzina era mais forte que as dos automóveis passantes. Ao dobrar de uma curva à direita, eis que veio o choque. Um carro tentou cruzar com outro e só encontrou a frente do truck. Foi pancada feia. Dagoberto ainda puxou o seu truck para a direita porém o que tinha que haver foi inivitável. Com o choque, Dagoberto bateu com a cabeça na frente do seu carro, perdendo os sentidos. O carro que colidiu com o dele, era dirigido por uma mulher. Apenas se ouviu gritar:
--- Ai meu Deus! - voz da mulher.
E o carro caiu de barranco a dentro, pelo lado direito de quem sobe, desgovernado, inteiramente às tontas, derrubando árvores, levando rochas, seguindo em desalinho e sòmente a parar a 50 metros de distancia, quando os restos do veículo, todo amassado, machucado como se fosse uma casca de frutas oscilou e ficou com um dos seus pneus para cima, a rodar até ao ponto de parar. Em seu interior estava uma mulher. A sua morte foi quase instantânea, pois perdeu a consciência quando estava deitada no meio do caminho do acidente, vez que o carro lhe despejou para fora. O seu nome, conforme os documentos de identificação, era Lorena.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

LUZ DO SOL - 23

- GILDA -
- CONTO -
O Teatro estava cheio àquela hora da noite, com as senhoras e cavalheiros, moças e rapazes, alguns noivos e namorados tomando os seus acertados e cômodos lugares oferecidos nas frisas e camarotes, cujo meio era reservado para as autoridades de Estado, poltronas numeradas e, para muitos dos espectadores, na geral, onde todos os que estavam podiam ver o espetáculo magistral que estava sendo oferecido. No palco, a orquestra sinfônica que apresentaria as peças de música, incluindo a famosa "O Bolero", de Maurice Ravel. Entre os muitos convidados, estavam Gilda e Honório, casal requintado e cheio de glamour, cujo prazer era ser exclusivo nas matinês que se fazia na bela cidade. Gilda era uma bela e exuberante jovem de alto requinte da sociedade patriarcal onde os homens eram os senhores e as mulheres eram as suas acompanhantes e nada mais. Honório era um rapaz que veio de familia pobre. Mesmo assim, seus avós paternos se firmaram no comércio de exportação no ramo do algodão. Naquele instante, Honório era um bemquisto jovem também da alta sociedade, graças a herança de seus avós passada para o pai e seus tios. Por conseguinte, a familia de Honório era cortejada pelas mais elevadas pessoas do meio social. Naquela sessão. Gilda era a dama preferida e acercada de todos os convivas, até mesmo das ilustres autoridades de estado, e vivia sendo sempre cortejada pelos mais belos e augustos jovens nascidos na província. De origem alemã, pois seus bisavós eram alemães de cunho e alma, ela não levava grande importância para tal fato. Apenas queria usufruir da diversão. Em um casarão à beira-mar, Gilda tinha os seus prazeres de folga. Amigas não lhes faltavam onde passava horas e mais horas a conversar, tocar piano, exercitar nos demais instrumentos de corda e de madeira e, não raro, dormir pelas altas madrugadas quando não havia mais ninguém e o piano se tornava mudo. Na cidade, era mais cautelosa, apesar de sempre haver amigas a lhe rodear. Com seu porte juvenil de uma dama de 22 anos de idade, era o seu vestir um cetim plissado com bordados em paetês, feito sob medida. Plumas de castor encimava ao ombro, luvas brancas nas mãos e um pouchet a tiracolo. Era ela delirante naquela festa do Teatro, tendo ao lado o seu namorado Honório, jovem também muito bem vestido de smoking, gravata, colarinho, sapatos e cinto cheios de requinte de festa. O seu orgulho de estar ao lado de Gilda era menor do que a própria eloquente dama. Seguramente não olhava em derredor, causando até aborrecimento para com os partilhantes do evento. A moça se agasalhou em torno do ombro do namorado, deitando-lhe as madeixas ao vislumbre do jovem. Cheiro inalterado de phebo, marca de vida longa, ícone de perfumaria com o doce afeto de sândalus que se altercavam no ambiente perfumoso do salão do Teatro. Para o jovem Honório, de tradição comum, aquilo era o climax que ele podia auferir. Aos acordes de O Guaraní, de Carlos Gomes, estava sendo iniciada a festa, com a abertura lenta e enigmática da cortina do espetáculo. Tocaram-se peças, as mais suaves e belas ao executar dos inauterantes instrumentais eruditos até a chegada vez de O Bolero, do eterno Ravel, última do espetáculo, marcando o encerramento da tradicional noite de festa. Houve uma evolução de delirantes aplausos por dez minutos contínuos, fazendo com que a orquestra retomasse uma vez mais à cena e executasse mais vezes trechos do Bolero, atendendo a tantos apelos incontidos. Por fim, terminara a magistral comemoração. À saída, o pessoal, seguindo pelo entre-trecho do Teatro até alcançar as monumentais portas de ferro onde seguiam em direção aos seus automóveis. Entre os que saíam, vinha também, Gilda, entre sorrisos e graças conversando com suas amigas, tendo ao seu lado o namorado Honório. Era tudo contentamento, apesar do avançar da hora. Foi então, que por entre os jardins que alí havia, um jovem, armado com uma arma de fogo, fez um único disparo atingindo o peito da jovem Gilda. Ninguém percebeu quem dera o tiro, pois no meio da multidão, o homem se meteu e escapuliu para longe dalí. O aglomerado se formou em torno da jovem e um cavalheiro se pòs ao dispor de socorrer Gilda com toda a pressa para o pronto socorro. Assim foi feito. Ao chegar ao hospital, Gilda já estava morta.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

LUZ DO SOL - 22

- JULIA -
- CONTO -
Uma tristeza imensa acudiu o coração de Julia naquela tarde de outono. Era tudo como se fosse uma ilusão que lhe cobria a face com lágrimas sentidas de ver um amor partido em busca de um horizonte distante para todo o sempre. Uma música dolente e cheia de prantos chegava até Julia como para dizer algo que ela não podia nem saber. A única causa que a moça esperava era o amor que findara ser um temível desamor. Roberto partira sem destino para uma guerra no meio das selvas sem querer nem mesmo saber de quem era a razão. Parecia ser o seu destino de lutar, lutar, vencer ou perder. Da última vez que foi a luta, quando voltou, Roberto era todo um farrapo estranho. De tal vez, ele disse que não voltaria mais à luta de povos distantes, de línguas diferentes, costumes diversos, razão enigmática. Para Roberto, aquele era o fim. No entanto, chegara agora um novo convite para a luta. Apesar de pensar e pensar, ele não se conteve e, arrumando a mochila, partiu de vez. Não tinha apelo de Julia que o fizesse mudar de idéia. Era uma questão de sobrevivência para ele ou para os rebeldes, como se tudo aquilo lhe rendesse algum elogio e proveito. No entanto, era a fome de ir à luta que o levava as selvas distantes dos Andes. Ele pedira a Julia que o esperasse pois tão logo terminasse o seu empenho, ele estaria de volta. A mulher não acreditou. No silêncio profundo do seu ser, Julia apenas chorava lágrimas de dor. Que seria das promessas de amor que ele jurava ter por Julia se a dor de uma saudade não refleteria os casos melhores da vida!. Nada além de uma quimera a soluçar decaída pelas venturas de pleno evanecer nos desalinhados sonhos do eterno impossivel. Para Julia, todo aquele pendor de um notívago sonho perderia o seu sentido de vez para sempre. Ao partir, Roberto lhe dera uma rosa, com se fosse para lembrar do seu verdadeiro e único amor. Rosa que empalideceria de tristeza para lembrar tão somente o naufragar do seu amargo coração. Naquela nostagia profunda, a mulher somente lembrava de que, um dia, aos pés da imaculada santa cruz, ajoelhados, em nome de Deus ele jurara eterno e grande amor. Era tudo isso que lhe passava pela mente desprovida de meras ilusões. O seu coração tinha razões desconhecidas da memória. As promesas e juras de um tempo atrás seriam afogadas no primeito canto do esquecimento. Ao dizer que voltaria muito em breve era o mesmo que aludir o clarim ao longe o chamava. Sempre no seu coração Roberto teria um canto de afeto, que fosse perto ou distante, além do horizonte. Ela não podia jamais esquecê-lo, quer sofrendo quer na felicidade, quando juntos ou separados. Disso ela podia crer, nas puras emoções da vida. Mesmo que ele jamais voltasse, guardando o seu lindo nome apesar da solidão lembrada em suas preces ressentidas que ao rezer pedia a Deus para que o ajudasse a voltar para o seu aconchego e não guardar os pezares de um amor.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

LUZ DO SOL - 21

- IDA -
- CONTO -
- Seu nome era Ida, filha de um pai de média qualidade financeira. Ela estudava desde criança em um colégio de freiras, um dos mais respeitados de sua cidade. Quando jovem, ao completar seus 15 anos, o seu pai fez uma festa em plena residencia, comemorando o dia de debutante de sua filha mais velha. Além de Ida, os seus pais tinham mais duas filhas, todas mais moças. A festa de 15 anos de Ida foi um marco na história da cidade com os convivas sendo gerentes de Bancos, comerciantes, diretores de autarquias além de ter gente de casa. A festa durou até quase a manhã do dia seguinte. Houve bebidas do mais fino trato como vinhos, uisque, cervejas e guaranás, para as jovens amigas de Ida entre outros convidados e amparo, carnes de gado, leitão, caprinos sem se falar nos tradicionais doces e salgados. A mesa principal era ornada com o mais fino bolo de 15 anos. O tempo passou e veio a festa dos 18 anos. Nesse tempo, houve comeroção, mas Ida preferiu uma viagem a um local que ela sempre sonhara. Então, foram Ida, a sua mãe, uma irmã e uma tia por parte de sua mãe. Na verdade, foi uma verdadeira festa e ela se lembrava do marco dos seus 15 anos, quando trajava um vestido todo branco, mais para simbolizar a pureza e o encanto de uma virgem de sua idade.
Quando terminou a sua viagem de 18 anos, Ida e os seus acompanhantes voltaram para a sua cidade. De posse do seu certificado de conclusão do curso, Ida pensou em ingressar no ensino superior. E assim, fez. Já estando com os seus 19 anos, ela decidiu a estudar línguas, fazendo os cursos de inglês e francês, enquanto estudava na Faculdade. O tempo correu até que um dia apareceu em sua casa um jovem rapaz de nome Amadeus, procurando por Ida, pois tinha um convite que uma diretora lhe fizera para lecionar em um colégio de 1º Grau. Para a moça, foi um contentamento. Ela ingressou no Grupo Escolar, lecionando a petizada e tendo aulas na Faculdade além de ter ensino dos cursos de língua estrangeira. Entre um curso e outro, eis que apareceu em seu caminho o jovem Amadeus, que Ida já conhecera de datas passadas. Com o decorrer do tempo, a moça namorou o jovem e, daí para o casamento, foi um passo. Com festas ornamentais, Ida casou com Amadeus, indo morar em um bloco de apartamentos na mesma cidade em que sempre vivera. Dessa data em diante, Ida tinha seu compromisso de ir para a Faculdade, Grupo Escolar, cursos de líguas e, então, voltar para casa. O jovem Amadeus trabalhava no Grupo Escolar onde a esposa lecionava. Por isso, ele a acompanhava até a escola, isso, todos os dias que havia aulas. Passara-se dois anos de casamento. A Faculdade chegara ao fim bem como os cursos de inglês e francês. Nesse tempo, Amadeus reclamava a falta de um herdeiro. Por isso, Ida procurou um médico especialista para saber o que havia com ela. Nos exames feitos em Ida, tudo normal e em Amadeus também não acusara nada. O tempo passou e, nada de gravidez. Então, Ida resolveu mudar de médico. Novos exames e o diagnóstico foi o mesmo: tudo normal. Com isso, Amadeus não se contentava. E reclava todos os dia de que alguma coisa estava errada, pois, de sua parte, ele já não tinha mais o que saber ou indagar. O tempo correu e veio a bebida. Vez por outra, Amadeus chegava em casa embriagado. Aquilo gerava uma confusão até que um dia Ida resolveu ir morar na casa dos pais por não aguentar mais as beberrices do marido. Sempre que Amadeus bebia, era um tumulto em sua casa, com o homem a culpar a mulher por sua infertilidade. Certa vez, armou-se com uma faca e partiu contra a mulher que revidou com um cabo de vassoura, pondo o marido desacordado. Foi nesse ponto em que Ida procurou sair de casa e ir morar com os seus pais.
A semana se passava e a mulher resolveu pedir demissão da escola onde o marido também trabalhava, pois assim, não teria a oportunidade de cruzar com Amadeus nos corredores do estabelecimento de ensino. Fez isso e voltou para a casa dos pais. Foi nesse dia, à noite, que Amadeus apareceu onde a mulher estava morando, suplicando para que ela voltasse para o lar. Porém, não houve acordo e Ida estava decidida a não voltar, mesmo com ele prometendo nunca mais beber. Depois de uma longa conversa, Amadeus resolveu ir de encontro a sua esposa, tentando agarrá-la para fazer voltar, armado com um punhal. Nesse ponto, a moça se esquivou e, mesmo agarada pelo braço por parte do marido e a sua mãe interferindo contra os dois, Ida agarrou a mão que o merido estava com o punhal, tomou a arma e desferiu um golpe de morte em Amadeus, vendo em seguida o marido cair no chão atapetado de um carpete de veludo. Foi um caso complexo aquele. O marido morreu quase na mesma hora, pois o golpe foi em cima do coração. Chamou-se a polícia e um carro de defuntos para então levar o corpo dalí. Os agentes levaram a mulher para a delegacia onde ela poderia dar maiores detalhes sobre o ocorrido. Um anos depois, veio a sentença. Ida era culpada pela morte de Amadeus.


segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

LUZ DO SOL - 20

- LORENA -
CONTO
Naquela noite de verão Paulo estava a olhar os cartazes dos filmes no cinema da cidade quando, entre outras pessoas, se acercou uma jovem bela e exuberante, roçando-lhe os seus seios no braço do rapaz querendo ver, ao que parecia também, as fotos expostas do filme do dia. Um frio desceu pelo corpo de Paulo, rapaz de 22 anos, cabelos negros, peteados como se fosse a última moda, calças da época, camisa de um tecido da marca popeline. A jovem talvez tivese 20 anos. Ela era alta, bem mais que Paulo, vestia uma saia e blusa bem trajadas que deixou até o rapaz de modo sobremaneira encabulado. A jovem estava só, muito embora ao seu lado tivesse um casal que procurava olhar também os cartazes do filme do dia. A jovem esbelta de seios fartos nem sequer pediu desculpas a Paulo. Ela, somente queria ver os cartazes do cinema. Um cheiro delirante de resedá subiu dos seus cabelos, da blusa e do pescoço deixando o rapaz enervante e extasiado. A noite estava tranquila e calma para se ter um grande e mágico momento de amor como aquele que parecia querer acontecer. Os olhos verdes daquela jovem de cabelos loiros deixava em Paulo uma lembrança de um terno e meigo amor que perdera. Lorena, era o nome do amor derradeiro que Paulo jamais esquecera. Lembrava-lhe as manhãs de primavera onde o jovem aos beijos, tecia a sua eterna namorada à beira mar de uma praia tranquila e distante onde não havia mais ninguém, a não ser somente os dois amantes. No instante derradeiro, Lorena o beijou com eterna carícia num encantamento estranho o cultado de uma miragem de segredos que só os dois podiam ver. Sem querer nem pensar, Lorena roubava-lhe a calma que se ocultava no interior dos dois amantes. Naquelas manhãs de sol, Paulo não mais sabia dizer a intensidade mágica que podia ter o corpo daquela jovem enamorada. Nos instantes derradeiros daquele amor sem fim, ele apenas prometia ser capaz de todas as inquietantes loucuras que podia fazer um amado ser. Se fosse necessário, Paulo faria de tudo para não perder Lorena consumindo a taça de amargura se ela assim o desejasse. E quando não mais instante esperasse Lorena, ele seria capaz de ver transformada a face do seu próprio destino, deixando cair pérolas sagradas de luz da imensa escuridão em troca de um simples sorriso da amada e morrer feliz para eternizar aquele afeto. Aquela jovem seria tão capaz de se transformar na primavera em flor sobre um mar azul que naquela hora de prazer e de afago eles veriam ao estasiar do seu destino. A merencória luz do sol queimante não surtia o efeito de apagar aquele momento eterno de ternura. E, então, naquela noite de verão, quando tudo se traquilizava, a moça de seios fartos se moveu com se odor de doce amor para um outro lugar qualquer. Ainda sentindo do seu corpo o estremecer daqueles seios, Paulo procurou ver a mulher jovem para onde ela teria ido, sabendo que aquela deusa não seria capaz de acudir no seu destino aquele gemido de um canto que já adormecera em seu coração.