sábado, 20 de fevereiro de 2010

LUZ DO SOL - 33

- LARISSA -
- CONTO -
Larissa vem do grego e diz ser pessoa cheia de alegria. E era assim Larissa Orseide, nome pelo qual a identificava. Foi dessa forma que Hélio a conheceu, muito embora não a chamasse pelo seu sobrenome pois sentia certa dificuldade de pronunciar. Não se importando com o seu nome, a jovem procurava ter o mais alto respeito dos seus amigos. Rosto redondo, olhos quase mortos, nariz afilado, boca de eterna candura, seios repletos, era desta forma a jovem mulher dos seus 22 anos. Mas parecia uma deusa grega como o seu pai costumava dizer ao brincar, quando ainda era uma menina. Seus avós chegaram ao Brasil no século 19 e daí, tiveram filhos e, um deles era o pai da jovem e inquietante Larissa. Seus avós seguiram o plantio de uvas. Seu pai era funcionário publico e Larissa era apenas estudante procurando completar os seus conhecimentos no terceiro grau e se formando como professora de Linguas Mortas ou Desaparecidas, uma colocação sem par para uma deusa como a jovem dama. No meio disso tudo, encontrava-se Helio, rapaz jovial, elegante, terno completo, mãos sempre limpas, esguio e de certa altura, coisa em torno de 1,70 metros. Para Larissa, ele era um homem completo. Formaram conhecimento na Faculdade onde Hélio também cursava Letras e assim, veio aquele contentamento para ambos. Com passar dos dias, os dois amantes fugiam para algum lugar onde namoravam, passeavam de barco a remo, conduzido apenas por Helio, tendo no apoio a sua namorada, brincavam de se esconder, caíam cansados na margem do rio e passavam o domingo inteiro a fazer tais travessuras.
Certa vez, os dois acertaram o casamento, ao descontento do pai de Larissa. Mesmo assim, resolveram casar ao costume dos gregos, com danças folclóricas, ropas típicas, comidas e bebidas . O casamento grego pode ser considerado um tributo ao festejo e quem presencia jamais esquece. A recepção de um casamento grego é uma verdadeira festa onde a diversão e a dança são palavras de primeira ordem. Algumas tradições são originárias da antiga Grecia. Tal como em muitas outras culturas, no passado, o casamento grego era uma espécie de acordo entre a família do noivo e a familia da noiva. A família da noiva oferecia o dote, que poderia ser uma parcela de terreno, dinheiro, ou outros bens da família. Na cama de casados dos noivos, era colocado o dinheiro oferecido, e quem visitasse também a casa costumava contribuir com dinheiro para a nova vida dos noivos. E assim se fez no casamento de Larissa e Helio. O seu matrimônio ocorreu no mês de Janeiro, pois seria mais provável à proteção da mulher, pois neste mês se dedicava a celebrar a deusa Hera, mulher de Zeus e defensora das mulheres. Por outro lado, Janeiro é considerado pelos gregos o mês da fertilidade. Doces e flores faziam parte dos convites que eram entregues em mãos às famílias. Era prática comum a noiva levar consigo, grãos de cereais como um ritual de fertilidade. O bolo de casamento era tipicamente feito com mel, sementes de sésamos e marmelo, simbolizando o bom e o mau que poderiam aparecer pela vida fora. De uma forma ou de outra o casamento representa um Sacramento. A cerimônia de núpcias de Larissa teve início como todos os casamentos gregos. A cerimônia foi iniciada fora da Igreja. com o sacerdote dando a benção e em seguida os noivos dirigiram-se para o interior do Templo onde acenderam as velas e seguraram durante o restante da cerimônia. Logo depois seguiu a coroação, ritual que simboliza o reconhecimento do papel dos noivos no reino de Deus. Por fim, o sacerdote segurou os braços da noiva e do noivo e conduziu os dois à volta da plataforma da Igreja três vezes. Assim, terminou a cerimônia ficando os noivos unidos como marido e mulher. A recepção da festa foi até o amanhecer, repleta de comida e bebida além de música clássica e de dança. Na tradição da dança, Helio e Larissa seguiram o costume de dançar juntos e unidos por um lenço e cada um agarrado nas pontas. Na festa de Larissa não faltou o quebrar de pratos para dar sorte ao casal. Esse ritual foi uma demonstração de se quebrar os pratos na soleira da porta para espantar os maus espíritos. Enfim, Larissa casou de forma mais antiga da tradição grega, com seu vestido rodado, longo e de luvas brancas igual ao véu da noiva. Helio vestiu um fraque como mandava o figurino. Alto era o dia seguinte, quando ambos se recolheram a seu lar. E a festa continuou para além das horas.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

LUZ DO SOL - 32

- CRISTAL -
- CONTO -
O seu nome era Josephinne Cristal. Uma bela e atraente mulher de olhos claros, boca suave, cabelos estirados e ligeiramente ondulados, sombrancelas arqueadas, nariz afilado e de uma altura mediana. Todos os seus amigos a conheciam e chamavam-lhe por Cristal, nome que herdou dos seus pais. Movendo-se a passos largos, muito embora vagarosos, a dama nutria afeição por um velho amigo cujo nome era Albert Joffre, nome de um Conde ou Duque inglês de tempos remotos. Durante a Iº Guerra Mundial, Cristal, inda menina, veio com os seus pais para o Brasil, residindo em uma cidade do sul do pais. Muito embora, parte de sua família foi residir nos Estados Unidos, em um território ainda pouco conhecido, em um lugar que nem se falava em guerra. Desse longinquo parentesco, Cristal não teve mais notícias. Com relação a Albert, ela somente veio a conhece-lo depois de anos quando estudava em uma Colégio existente no lugar e onde também estudava Albert que alguns lhe chamavam de Conde. Conde Albert Joffre, caso que ele não levava em consideração. Ainda pequeno, Albert brincava na fazenda de seus pais como qualquer garoto. Já, por seu modo de decencia, Cristal procurava ler autores célebres e imortais, negócio que faziam as suas amigas de estudos. Quando Cristal atingiu sua puberdade, aos 15 anos, houve festa em seu lar com a presença de várias moças donzelas, estudantes também, que comemoravam aquela bela idade da virgem. Nesse ponto, Albert igualmente estava presente. Seus pais não cabiam de regozijo e contentamento junto a outros nobres cavalheiros que falavam no começo da IIº Grande Guerra, mesmo muito antes do seu início, onde se falava apenas na Alemanha que sofrera forte derrocada. Eram as conversas do homens enquando as senhoras damas trocavam olhares para com os seus filhos vendo se alguém arcaria vantagens sobre alguma senhorita, vez que, no caso, todas as moças de 15 anos eram então chamadas por esse derivado. Houve danças à moda francesa, onde Cristal tomou aos seus braços a figura de Albert, bailando ao som suave de uma orquestra de cordas com esmero e bom senso. Alguém chamou baixinho a atenção onde se ouvia ao som dos violinos o casal de jovens a dançar.
--- Parece noivos! - disse uma voz.
--- E não repare! - dizia outra de cara torcida,voz abafada, e olhares medrozos.
O baile durou até altas horas da noite, quando todos os convivas foram para as suas mansões e Cristal convidou, apenas algumas amigas para que fossem dormir com ela, em um quarto amplo e bem arejado. Nesse ponto, Albert e os seus pais foram igualmente para as suas manções. Nos albores da adolescencia, as amigas de Cristal conversaram por mais algum tempo, histórias de salão até que veio o sono e, então, todas as mocinhas adormeceram. A luz da lua penetrava pelas brechas das janelas que entreabriam ao quarto escuro de Cristal e ela ficou a cismar por um tempo enorme até que o sono também a apanhou. Foi um acaso notavel aquele do dia dos 15 anos. Tempos depois, quando a moça já completara seus 18 anos, ouviu com espanto, alguém a tossir na sala ao lado do Colégio Imperial onde a jovem continuava os estudos para um grau maior. Ela calou e ficou a ouvir tão somente. Com o passar dos minutos, Cristal notou a presença de Albert que voltava de algum lugar ainda a tossir. Nesse instante, um calafrio lhe tomou o ser. Embora não quisesse admitir, Albert era o tal que tussira antes, pois ao voltar à sala de aulas, ele ainda tossia vagamente. Logo que terminou a aula, Cristal procurou Albert, porém esse, com temor, saíra intempestivamente. Desse dia em diante, Cristal não mais notara a presença de Albert. Curiosa que ficou, ela procurou saber, em casa do jovem o que acontecera de modo que Albert não fora mais a aula. Na mansão, o mordomo disse apenas que ele estava viajando com os seus pais.
--- Estranho! Muito estranho! - comentou a moça, baixinho.
E dalí, seguiu para a sua mansão, sem nada dizer a ninguém, mesmo a seus pais. Com o passar dos dias e a ausencia de Albert, a moça resolveu a perguntar à direção do Colégio a razão de tanta falta que causava o jovem. E a resposta veio meio fraca, pois em nada lhe satisfazia:
--- Tomar ares no bosque! - foi o que lhe disse a preletora.
--- Ares? - comentou baixinho somente para sí a jovem Cristal.
Vindo o passar das semanas correu a notícia mais grave que ela poderia receber: Albert morrera. Estava com tuberculose. A moça, desmaiou. Em sua mansão, a criadagem correu para socorrê-la, esfregando-lhe os pulsos, passando cânfora no nariz até que Cristal tornou. O mordomo a levou nos braços para o seu quarto de dormir e lá deixou a jovem acomodada de modo no seu leito. Uma mucama veio até o quarto e por lá ficou. Dapois, uma outra criada, acercou-lhe com um chá de ervas para que ela tomasse. Apesar de relutar insistente, Cristal tragou um leve e pouco da beberragem enquanto a mucama a acudia enrolando o lençol de linho para que a moça não sofresse de frio tanto assim. Não era frio que Cristal sentia. Era apenas a dor de perder um ente tão amado e querido por causa de uma doença cruel. A jovem ficou recolhida por um bom tempo, com a presença de seus pais, de modo especial, de sua mãe que lhe fazia afagos sem cessar desde o dia que soube da notícia da morte do seu jovem amigo. Com o decorrer dos meses, Cristal, já refeita do que acontecera, foi até o cemitério da cidade com um ramalhete de rosas depositar no túmulo da família Joffre onde Albert também fora sepultado. Desse dia em diante, Cristal não mais se importava em querer saber de outra ligação com alguém. Foi Albert o seu único e derradeiro amor, apesar de nunca ter revelado a ninguém. Desde então, passou a lecionar no Colégio Imperial até o último dia de sua vida.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

LUZ DO SOL - 31

- LIMITE -
- CONTO -
Duas almas em desalinho. Quando Elisa atendeu ao telefone já sabia que era ele. Todos os dias, Joel fazia essa ligação. Às vezes, mais de uma vez. Chegou o momento de se desfazer tudo, por completo. Por mais que Joel insistisse, para Elisa já não era mais possível suportar. Seu modo ativo de resolver, não teria modos de guardar por mais tempo. Havia conflito de ambos os lados. Elisa tinha em nome um significado semelhante ao de Joel. Ambos eram os adorados de Deus. Mas isso nada de importancia levava. Na sua altiva posição de mulher, ela era mais que uma simples senhora dos desejos profundos e em nada os seus nomes se aglutinavam. E ela nem pensava nisso. Apenas queria ser Elisa. Quando os dois se conheceram, na verdade, era um mar de rosas. Jantares à luz de vela, passeios em parques privados, viagens de canoas à luz do sol. Com o passar do tempo, o mar secou como um rio em tempo de estiagem. A moça, então, pensou duas vezes. Para ela, conviver com um homem que não lhe dava prazer era o mesmo que possuir um candelabro que não mais iluminava. Esbelta, rosto redondo, mãos suaves, cabelos curtos, ela era uma deusa ao contrário de Joel que nada do que ela possuia ele haveria de ter. Magro, longo, mãos grossas como um trabalhador de pedras, ele viera do interior onde a sua familia tinha um rancho de criação de gado. Mesmo assim, apesar do franco poder econômico, Joel não era um verdadeiro homem ativo e consciente. Para ele, gostar de gado era o mesmo que não querer saber das coisas que, por certo, ele queria viver. Bebidas, mulheres e prazeres. Ao conhecer Elisa. na verdade, Joel mudou o seu proceder. Já não queria mais saber dos prazeres que se encontrava com facilidade nas avenidas da vida. Mesmo assim, Elisa não se conformou, pois sabia que o rapaz, um dia, teria que voltar a sua vida de sempre. A mudança era uma questão de horas. Tão logo a jovem moça se acostumasse com seu modo de viver, ele trairia tal confiança. A jovem já tivera outras experiências de tal modo. Por certo, o jovem homem não lhe seria o primeiro. Com a sua perspicácia de vida, Elisa não se deixaria levar por outras iguais. Talvez, mesmo sendo uma jovem prudente, ela não temia o futuro de ser uma mulher ativa e sem esposo. A sua imaginação era de que haveria um espaço para alguém ou não havia espaço algum. Esse era o seu modo de pensar e de viver. Moça de grandiosas posses que nem sabia o quanto, na verdade, pois seus pais não lhes dizia do qual precisava e nos seus lastros bancários a fortuna era imensa como nem podia imaginar. Mesmo assim, Elisa não parecia querer saber o verdadeiro valor da furtuna. Ela morava sozinha, em um apartamento luxuoso e amplo onde dividia os espaços com os seus empregados e um mordomo. Não recebia visitas, a não ser dos pais e irmãos além de alguém muito conhecido. Por isso, nem o próprio Joel aparecia por lá, a não ser em outro requintado apartamento que ela reservava para os encontros de amigos, em um outro edificio onde pouco habitava. O seu cômodo ambiente era dividido entre muitas poucas coisas, como um cama de casal coberta por uma cortina de ampla e iluminação parca como Elisa gostava. Naquele dia de outono, ao tomar o seu café da manhã, o telefone tocou antes na sala onde o seu mordomo o atendeu. De modo, que ela sabia quem era o incômodo visitante da manhã quando o mordomo lhe transferio a ligação. Foi então que a moça ouviu com presteza os argumentos dados por Joel e, ao final, disse-lhe que não queria mais continuar aquela amizade, de forma duradoura, pois seu limite chegara ao fim. O acaso da vida teve um final que nem ela saberia dizer por quanto tempo. Era o inverno que acercava entre os dois corações amargos e solitários. Tudo acabou como um verdadeiro sonho de amor.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

LUZ DO SOL - 30

- SELMA -
- CONTO -
Fazem anos que Marcos esteve com Selma, um arcanjo primaveril de sabor encantamento. O seu esguio perfil dava-lhe um puro esplendor de quem era uma mulher quase celta, por que não dizer tal forma assim. Seu olhar era terno como a luz difusa do luar, suas madeixas onduladas com um brilho tênue do claro louro, lhe davam um pecaminoso estontear de uma dama de alcova. Como era bela e enigmátiga aquela esfuziante jovem ninfa. Muito mais atraente que as adolescentes moças dos silenciosos recantos da preversão sensual. Sua boca era por demais meiga e perfeita como as musas dos milenares recantos orientais. As curvas de seus olhares encantavam aos que buscavam a flor púrpura da afetuosa adolescencia. Tudo enfim era ela, a celta que em uma núvem do céu apareceu a vagar no sol de seu amado ser. Quantas vezes ela se mostrou a preferência do seu puro otimismo ao resplandescente e luminoso amado. O acaso do pecar diante de seus encantos não lhe faria sentir o estontear da pura e inesplicável existencia. A ilusão da alcova lhe deixava perplexa em sentir o orgasmo vibrante diante do seu amado amante. Enfim, ela não exitava em desistir de qualquer deleite sexual. O seu amado, era uma experiencia impura para aquecer aquele meigo coração. Com isso, diante da vaga existencia do sentido, Selma procurava se cobrir do mais puro lampejo como todas as nifas, por seu tempo, adornavam. A paixão derradeira da musa púdica pelo arcanjo de alguma forma celestial não seria mais que alguma forma do amor antigo que, um dia, aprendera nos vislumbres do seu verdadeiro e eterno leito. Nada além de uma ilusão passageira acudiu seu coração. Para a jovem mocinha, tudo era inverdade daquele ilusório bem. O segredo e o sagrado com terno coração por fim lhe abriram os horizontes do limiar da fantasia. Na pura imaginação da cruel loucura levou a dozela a acreditar na pura telepatia do sempre eterno amor em se dedicar um só instante à luz da lua e cumprir o desejo mesmo que fosse por uma fulgaz melodia, a melodia do amor. Que os meros e quentes beijos envoltos no cetim do seu eterno passariam de vez quando o sonho acabasse. E, então, Selma, por mais que quisesse não teria forças para seguir em sua incerta vida vazia. Teria o coração feito em pedaços no cansaço da prisioneira existencia. Ainda além, se perguntaria quantos anos se passaram daquele algoz instante. Apenas o crepusculo se apara de vez para Selva lembrando de sua mágica juventude. E então veria que tão fragil como um cristal fora aquele amor. Um cristal de dois corações onde carinhos juvenis, juramento febris se efeitiçavam. E a mancha cruel do efêmero desejo se acabara em vão. Foi assim que Marcos acordou para a verdadeira imagem de um sonho de amor. Talvez, a esperança lhe desse força de esperar bem e muito mais além.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

LUZ DO SOL - 29

- RELICÁRIO -
- CONTO -
O relicário estava exposto na galeria da Loja dos Sonhos, onde todos podiam admirá-lo com ternura e devoção na sizudez do mágico tempo. E alí estava também Euclides pensando em poder adquirir aquela esplendorosa joia que de há muito vinha ele a meditar em poder dar o presente a meiga e doce Racílva, uma boneca de louça, mais parecia ser. A menina, certa vez, perguntou a Euclides para que servia o relicário. Em resposta, o rapaz lhe disse que aquele era um presente valioso e só poderia tê-lo quem tivesse relíquias para guardar em eternos instantes de sua vida. A garota, nesse instante, sorrio de prazer como era o seu hábito costume. Ao dizer tal alocubração, Euclides quis enfeitar o poder de um relicário, simples, talvez, mas de eterno real valor. Relíquias são prendas de se guardar perto do próprio coração para o eterno penhor da devoção. Naquele real instante, Euclides estava a admirar o adorno da Loja dos Sonhos, pensando em poder adquirir tal pendor para satisfazer aos sonhos e quimeras que Racilva por ele inquietante soluçava. Aquela era uma peça tão simples que a alguém com afeto se doava em dias festivos. Porém, podia ser um objeto sacro-santo que apenas os monumentais templos ostentariam tê-lo, guardado nos esconderijos mais íntimos das tendas dos encontros ou no tabernáculo do mistério. O seu valor, tão singelo significava o preço de uma jóia rara como um translúcido e maravilhoso rubi. O encanto da primaveril Racilva era a carência de algo tão esplendoroso como aquele mágico e frugaz relicário. Para o poder e a devoção de Euclides fez o adquirir o brilhante adorno que o faria chegar às mãos sublimes da encantadora e devotada menina cujos encantos eram tão requintados e magestosos como as musas dos sonhos de alcova do jovem rapaz. Do momento então ao conquistar o relicário, Euclides saiu garboso e feliz pois tinha em suas mãos o guardador das miragens tranquilas da imberbe musa do seu eterno santuario. Era a consagração plena de uma volúpia onde jamais alguem seria atraido para ver os sacros segredos de uma menina. A autêntica escolha de um relicário por parte da delicada e eterna Racilva era o exemplo de sublimes intenções de riqueza multiplice dos que buscam rezar peregrino diante do altar dos distintos gestos da real nobreza. E então, Euclides, refletindo sobre a devoção daquele adorno procurou caminhar adentro a rumo onde a garota estava a esperar e sem saber o que lhe teria os seus bonissimos pendores à luz de um sonho que dele nunca antevera descortinar. Aquela lembrança seria página sublime que a guardaria para sempre no eterno do seu ser. Sobre as margens do seu sentir, outras mãos não tocariam para o seu ousado final. E, então, movido por tanta ternura, Euclides com delicadeza chorou.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

LUZ DO SOL - 28

- SONHOS DE AMOR -
- CONTO -
Lindo era o sonho que Ivan nutria pela encantadora bailarina quando dançava ao som de uma famosa orquestra com o seu par, um jovem belo e extasiante para o deleite da platéia formada por rapazes e moças em sua cidade. Por horas, Ivan esperava começar o espetáculo mirabolante onde ele podia ver a dança aos pés da bailarina acompanhada pelo seu mestre do esplendoroso e virtual concerto. Com o seu chapeu de palha gomado e bordado que ele tirava e colocava às suas pernas, Ivan era delirante ao ver a deusa virtual a alucinar a plateia com as mocinhas rompendo em suspiros a cada passo que se via ao bailar da sensual artista. Era o êxtase aquela cena muda entre os dois bailarinos a voltear em torno de si e arremeter a dama para o alto amparando a queda quando ela tinha que voltar ao luxuoso tablado de moisaco límpido. Os rapazes faziam senões e as mocinha gritavam suaves diante de tal irreverência dos mestres da dança ao som de uma nobre e suave melodia acalentadora. Para Ivan, aquele sonho de amor tecia o mais brilhante e doce momento que ele tanto esperava. Com o salão do cinema às escuras, dava-se para notar apenas a tela ao fundo de tudo, a desvendar aquelas miríades de alucinações que só o cinema podia trazer. Damas e cavalheiros, noivos e noivas, namorados e suas meigas damas eram o euforismo de tudo o que se completava em todo o salão de brilho reluzente cambiando com as cores tênues que imaginavam o ser presente. Na entrada da casa de espetáculos havia cartazes do filme que projatava a tal alucinação dos que estariam a vê-lo na noite de um sábado. Era alucinante tudo que diziam os cartazes mostrando a musa delirante que só ao ver, se podia ter a certeza de que era, na verdade uma deusa do Olimpo. Donzela esfuziante e bela, era capaz de fazer sonhar os mais alheios seres que se fizeram presentes àquela sessão de cinema. E entre tantos, estava Ivan, cauteloso e comportado, sem dizer palavras algumas, esperando só então o inicio da sessão no augusto cinema da cidade. Onde o vislumbre de cada cena eternizante, podia-se notar que aquela era a melhor de todas ao se debruçar aos braços de um verdadeiro sonho da mulher virginal e amada tão distante, em outro mundo, na tela da perfeição tranquila e calma. A walquíria dançava volteando entre círculos monumentais a cada compaso que o seu mestre fazia para que os dois se completassem ao seu maestral fim. Aquele voltear de sonhos fazia Ivan enternecer de um verdadeiro amor pela virgem donzela cujas jovens belas presentes também suspirava de meigo encanto. Para Ivan, aquele sonho não se acabaria jamais.

domingo, 14 de fevereiro de 2010

LUZ DO SOL - 27

- RIVOLI -
- CONTO -
Era uma multidão imensa para assistir a estréia da Orquestra Sinfônica naquela noite no Teatro. Entre inúmeras pessoas, estava Esaú, jovem galante e soberbo, demonstrando o seu ar de aristocrata vindo mesmo do interior do país fazia algum tempo. No programa do dia, contava-se a apresentação da switch de George Gerswin - Rhapsody in Blue -obra magistral do autor norte-americano. Equela era uma verdadeira noite de gala para os admiradores da música erudita. As pessoas trajavam suas magnificas roupas cobertas com sobretudo por causa do frio que fazia com os ventos a soprar. Entre toda aquela gente, estava Esaú com sua dúvida comum de saber qual dos dois caminhos a seguir: se entrar no Rivoli ou se ir para um restaurante soberbo e mais distante, apesar de em suas mãos ter o ingresso para o espetáculo da noite. Aquela era uma dúvida cruel, pois sempre acontecia com ele em não saber qual caminho a seguir. Era um verdadeiro desastre o seu destino diante da multidão que se aglomerava em frente ao teatro. O barulho dos carros que chegavam e partiam deixava no rapaz na mais tremenda e simplesmente angústia. A harmonia lhe parecia mais distante de encontrar. Na entrada da casa de espetáculos, se estava abrindo os portões para dar ingresso aos que fizeram acertos antecipados, pois não havia lugar para os ingressos adquiridos na hora do espetáculo. A multidão se moveu em busca de seus assentos nos camarotes, nas frisas, nas poltronas e mesmo nas gerais. Com todo aquele movimentar de gente, entre trajes suntuosos, cintos, colares e capas, ficava Esaú de fora, pois não sabia a razão de não poder ter acesso ao espetáculo onde o concerto maior era, sem dúvidas, a Rapsódia de Gerswin, tendo mais as apresentações de composições de Liszt, Rossini, Ravel entre outros mais. No seu desalinho do caminhar, Esaú resolveu ir para um outro local, bem mais distante, um restaurante de requinte e prazer onde se podia consumir os mais soberbos pratos e as mais delicadas bebidas, algumas, estrangeiras. Em tal local, ele entrou. O seu modo elegante de vestir fez dos homens que atendiam as mesas, os garçons, e lhe oferecer o melhor do que podia existir àquela hora da noite. Todo o ambiente parecia repleto de gente, todos cavalheiros e senhoras damas, essas, com seus colares, brilhantes e adornos do mais requintado feitio. Então, Esaú atendeu ao garçon que lhe lhe trouxe o menu para que o rapaz pudesse escolher o que havia de melhor na culinária do local. Depois de eterno procurar, Esaú findou por escolher aquilo que ele achava de melhor. Do outro lado do imenso salão, uma virtuosa moça lhe lançou o olhar sem que ele notasse. Com o passar de instantes, um maitre se aproximou de Esaú, entregando-lhe um bilhete.Ele agradeceu e ficou a ler. O bilhete só dizia um nome: Sandra. Ele olhou em volta até verificar quem tinha enviado a mensagem. Por fim, Esaú identicou a jovem que lhe fazia acenos medrosos. O jovem retribuiu e fez a vez de ter sido convidado por Sandra. Com instantes, os dois estavam abraçados e descuidados como eternos namorados, daçando em volta do salão. Uma tenue nuvem de perfume sacudiu Esaú que esperimentava acolher a jovem em misteriosa dança. Já não importava ao jovem o aconchego que se fazia no Rivoli, pois alí o sossego era mais amplo. Com o tempo, outros casais faziam a roda do compasso a dançar virtuosos sem nem ao menos julgar por aparencias profanas.