sábado, 27 de fevereiro de 2010

LUZ DO SOL - 40

- ENCONTROS -
- CONTOS -

Às 10 horas da manhã, Otto entrou no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, para trato de assuntos particulares de sua empresa de aero-taxi quando se deparou com a figura por demais admirável da mulher que nunca mais a encontrara: Emma. A jovem de 28 anos estava ali, parada, olhando para Otto, com um sorriso amplo na face no seu modo de sorrir. Emma acabara de desembarcar do avião procedente da Europa, onde fora a negócios de exposição de quadros de sua empresa. Ela estava feliz por encontrar Otto sem ao menos ter que avisá-lo que estava para chegar. Aliás, na verdade, Emma não teria nenhum sentido em avisar a Otto, apesar da amizade nutrida entre ambos. Num ocaso da vida, eles se enamoraram em um virtuoso amor sentimental que ambos somente queriam desfrutar desse pelo afeto como se nada mais os importasse. Com o passar do tempo, eles romperam a angustia de tal bem querer e seguiram cada um para o seu lado. Otto era uma importante figura de negócios, já um tanto velho para Emma, pois, nessa altura dos acontecimentos, ele já estava com seus 47 anos. Casara e descasara com uma jovem mais nova que ele, depois do affair que teve com Emma durante algum tempo. De modo que Emma era ainda muito jovem e aquele amor não passara de uma chuva de verão para bem se dizer. Um amor de simples colegial com seu mestre. Porém, ao passar dos anos, com ambos mais experientes a jovem mulher já estava no esplendor da vida onde os negócios, as exposições teriam mais amplo lugar no seu ambiente. Com uma firma bem solidificada, a custeio de seu próprio pai, um alemão que residia em Berlim, sua terra natal ela viveria a seu bel prazer, conseguindo obras de certo modo clássicas para expor na Europa e, assim, viver a vida.
Ao desembarcar em Congonhas, Emma deveria seguir a seu atelier, onde haveria, por certo, outro volume de material para fazer mais de uma exposição. Contudo, a imagem de Otto, neto de alemão nascido no Brasil, imobilizou a jovem, pois não esperava encontrar tão cedo aquele mestre que, um dia, fora o grande amor de sua vida.
--- Tu estás perdido? – perguntou Emma de sobressalto.
--- Olá você! Que agradável surpresa. Nem pensava em encontrá-la – sorriu Otto ao responder tal questão.
--- É verdade. Cheguei agora, no avião. Ave. Quanto atraso! Duas horas e meia. – respondeu Emma.
--- Deixa-me comprar um desses que você não vai mais atrasar. E nem precisa dizer a hora. É entrar, e pronto. – respondeu sorrido, o homem.
A jovem sorriu e desfez-se da incomoda mala que puxava, passando para Otto que naquele instante de tensa ansiedade procurou ser gentil, Emma sempre alegre e exultante demorou-se a conversar sobre tratos e negócios. Em questão de minutos, Otto lhe perguntou um tanto apreensivo, onde Emma ficaria em São Paulo.
--- Não sei ainda. Em um Hotel, provavelmente. Depois sigo para a minha estância. Antes, porém, vou até o meu atelier, no centro. É isso. O retrato de uma dama! – e sorriu pra valer.
--- Ora. Não se apresse muito. Você pode ficar em meu apartamento. Sem custos. – sorriu Otto.
--- Ótimo. Agora: não tem cães por lá? – perguntou um tanto alarmada a jovem.
--- Não. Não tem. E sim, tem um gatinho. Mas é de porcelana. – sorriu Otto.
--- Ah bom. Isso não tem acuidade. – sorrio Emma.
E ambos saíram do aeroporto, pegando o carro de Otto, que o dirigiu com cuidado e ali mesmo, ficaram ambos a conversar. Onde Emma tinha ido, o que aproveitara então, passeios, Louvre, museu Schwules da Alemanha, Museu de Belas Artes, de Moscou, praças, recantos turísticos e coisas belas de se ver. Emma, em simples palavras contou de tudo o que vira e o que deixara de ver por pura falta de tempo. Além disso. Emma sorriu ao contar das cervejarias de Moscou, de um excelente requinte que dava gosto de se ver. Vinhos, as mais elegantes marcas e as cervejas, em copo até parecia um presente, acontecimento igual que a Alemanha.
No apartamento de Otto, todo mobiliado com acuidade e apreço, a jovem mulher deitou num amplo sofá de veludo, admirando os quadros expostos no ambiente e retratos mostrando o Velho Mundo que Otto guardava com o mais amplo carinho, recordações de seus avôs paternos. Nesse momento, o homem estava cuidado de afazeres na cozinha e, com pouco tempo voltou com uma xícara de café para Emma.
--- Obrigada! – respondeu a mulher.
--- Quando quiser, é só dizer. Eu faço o seu almoço. Acabaram-se os dias de sacrifícios que você enfrentou em Paris, Berlim, Moscou. – sorriu o homem
--- Deixa que eu mesma faço. Comida caseira. Isso que é vida. Comer e dormir. – sorriu Emma com orgulho e prazer.
--- O seu quarto já está pronto. – respondeu o homem.
--- Já? – perguntou a mulher de forma surpresa.
--- Se preferir. – arrematou Otto.
--- Bem, Nesse caso. ...Posso escolher? – sorriu a moça de forma deslumbrante.
--- Como quiser! – respondeu Otto um tanto alegre.
--- Vou dormir no seu quarto. Aconchegada a você. – rebateu Emma.
--- Ora vejam só. Depois de tantos anos. – contrapôs Otto, de forma alegre.
Nesse instante, Otto e Emma seguiram para o quarto de casal, esquecendo até as fotos perdida que Emma trazia em sua bolsa. Uma delas sugestiva expondo a mulher com o turbante na cabeça, enrolada em vestimentas alegres e sem altivez, mostrada suas coxas pequenas e macias ao final do robe, pernas enlutadas por uma espécie de perneiras que findava aos pés onde um sapato descansava ao seu dobrar. Aquela era uma foto tirada em Moscou por um rapaz homossexual. Seu rosto sério era encoberto quase no total, enrolado apenas por um turbante de peles de castor. As mãos, somente apareciam, pois a coberta de penhor lhe encobria por completo. Era uma imagem exuberante aquela da mulher meiga e lasciva como uma deusa do arcanjo. No claro-escuro do quarto Otto e Emma se abraçaram em torno de si e sem dizer se amaram frenéticos como dois anjos de imensa adolescência.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

LUZ DO SOL - 39

- VERÔNICA -
- CONTO -

Já passavam das 7 horas da manhã e Verônica estava com pressa para chegar ao trabalho, visto que o expediente começava a partir das 8 horas. Ela era filha de um casal separado que, a despeito de tudo, habitava a mesma casa em companhia de outras três filhas e um neto, filho de Eunice, a mais velha de todas, e que vivia separa do seu marido. Quando o relógio marcava pouco mais as 7 horas, Verônica se apressou em tomar banho em uma lata cheia de água, pois a condição de morada da família era de precária extrema. Na parede de fora tinha uma janela que vivia sempre fechada. Um varal de roupas era visto da janela pata outra parte do cômodo. Um fogão queimando a carvão também era visto no lugar, que se improvisava como cozinha. Duas cadeiras velhas era o resto da mobília da casa. E no compartimento tinha um guarda-louça de uma forma aparente, pois era feito todo de mosaico pregado na parede do cômodo. Em cima do guarda-louça, umas quinquilharias e uma toalha ao lado. Verônica enxugava seus pés com outro pano de passar no chão, quando era preciso. Ela calçava um tamanco e vestia naquela ocasião uma modesta camisola que cobria parte do seu corpo. Essa era a vida doméstica de Verônica.
Em questão de minutos, a moça estava pronta para sair, aos gritos da irmã mais velha com seu filho no colo pedindo que desocupasse a lata, pois precisava fazer café da manhã e preparar o mingau do filho:
--- Deixa-me entrar! – gritou Eunice.
--- Já vai!! – respondeu Verônica como pode com voz de quase louca.
Em instantes, a moça saiu da cozinha e passou pela irmã, empurrando para cima, ela e o seu filho, cruzou com outra das três irmãs, em verdadeiro desespero, mesmo ouvindo um xingamento a irmã mais nova:
--- Tá louca, megera?! – gritou com certa brutalidade a sua irmã mais nova.
A moça não deu resposta e procurou de imediato de arrumar às pressas, passando o pente no cabelo solto e bem composto, vestiu uma roupa surrada de tanto usar, não observando a sua mãe que entrou e saiu do novo velho recinto, tocou o batom de todos os dias e saiu às pressas como não se importasse em ter que tomar café. Na frente do casebre, o velho pai estava de costas a arrumar as roseiras. Outra irmã, ainda dormia, pois chegara tarde do comércio do sexo.
Logo depois do casebre de tijolo, ela deu chamada a um ônibus que se aproximava para que fizesse para no local. Independente disso, o ônibus teria que parar, pois era obrigatório fazer uma parada no local, onde cinco outras pessoas procuravam entrar a todo custo no seu interior. Verônica procurou forçar a sua entrada no meio das outras pessoas, uma das quais fez finca-pé para que ela não transpusesse o lugar. Enfim, o transporte deu partida, dirigido por um homem soberbamente gordo e um cobrador soberbamente magro. Na rua, os carros a passar, frenéticos num vai e vem de loucos, buzinando como se com aqueles buzinassos os loucos desvairados fizessem com que os carros da frente andassem mais depressa. A jovem se segurou onde pode ficar no meio de tanta gente que já enchia o ônibus, pondo-se bem perto de um jovem que estava sentado no banco e se aproveitava para cheirar aquele suave e doce encanto desejoso da moça. Ela olhou de cima para baixo e viu a intenção do jovem em querer sentir o cheiro do seu sexo. E permitiu ao jovem fazer o que lhe aprovava acercando-se mais do rapaz quase colando seu sexo com o rosto do moço. Vendo como lhe agradava o tal ensejo, Verônica sorriu e disse com leve empolgação:
--- Ai meu Deus. Como tem besta neste mundo. – sorriu a moça ao dizer tal caso.
E aí pensou em outro jovem que trabalha com ela. Todos os dias ou quase todos, eles estavam a fornicar quando o relógio batia o meio dia. Com todos saindo para o almoço, Verônica e Cícero ficavam a sós e, então, ambos aproveitavam para se esconder na sala onde tinha umas máquinas de revelação de filmes de jornal e lá, aproveitam as horas de ternura e enlevo. Cícero levantava o seu vestido e ela delirava de encantos com aquela delicadeza do amor. Era minutos de prazer e sedução que os dois amantes se deixavam extasiar. Em certas ocasiões, a moça se acercava do rapaz com total idealidade para ter um frêmito orgasmo enlouquecedor. Era o momento final daquela atração inevitável nos seus dias de real prazer. Ao terminar a passagem de eterna loucura. Ela se abraçava ainda mais com Cícero até o êxtase fervoroso de inesquecível brilho. Após àquela hora de delírio extremo, Cícero e Verônica deixavam o encantador recinto, onde o cheiro predominante era o de sais, nitrato e demais produtos de revelação, então procuravam o banheiro da redação onde se limpavam do odor esquisito do sêmen de uma cópula.
Ao parar o ônibus a moça desceu sem deixar de olhar o rapaz que estava inquieto em seu assento, com o agasalho sobre suas pernas, suando como um louco, incapaz de se refazer de sua insanidade delirante, olhando em virtual companheirismo da mulher sempre amada e se despediu de Verônica, sem mesmo o nome de ela ele saber. O carro prosseguiu viagem com o rapaz tresloucado em seu interior, olhando para qual lado a jovem caminhava. Ele notou apenas um olhar sorridente da jovem e de imediato a moça dobrou em uma esquina ao lado e seguiu sua viagem pensando então apenas no seu amado do meio dia. Aquele era o furor imortal que Verônica estava a pregar na juventude do belo Cícero, homem que ela tanto o amava. Desse instante em diante, ela somente teria o gozo para o seu companheiro de redação. O resto, era interminável passado.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

LUZ DO SOL - 38

- DALVA -
- CONTO -
A cidade estava repleta de gente, em um vai-e-vem tumultuoso, onde carros, taxis, ônibus buzinavam e roncavam por entre o meio a multidão desvairada em plena 10 horas da manhã. Os edifícios tão elevados contrastavam com algumas casas de morada que ali ainda resistiam em existir a qualquer preço. O homem de meia idade, todo sujo, esmolambado, pedia uma ajuda qualquer a quem passasse. Do outro lado, um homem com placas nas costas e na frente oferecia empréstimos a quem quisesse sem precisar falar. E eram muitos desses tais pobres viventes a anunciar em suas placas os nomes dos escritórios de empréstimo que abundavam em toda a metrópole. No meio de tanta algazarra, havia um edifício muito alto, um espigão de 80 andares a enfrentar com sua sisudez os demais edifícios, alguns maiores que ele. No penúltimo andar do ROCHEDO, que era o nome do gigante prédio, estava a galgaz figura de um jovem homem de negócios. Cabelos brancos, porém de apenas 46 anos, olhos semicerrados, mãos valentes, rosto suave, de média altura, viril como ele era. O seu nome era Humberto. Para o seu conforto, a sala em que despachava, era de espaço médio, pois além do escritório, havia outra sala onde quatro funcionários trabalhavam o dia todo, com uma hora de descanso para o almoço. Logo após a ante-sala, havia um estacionamento de dois elevadores por onde os funcionários entravam e saiam. Outro elevador existia na sala nobre do empresário, aonde ele chegava e saia, sempre depois do expediente. Altivo, trajando terno escuro, camisa branca, gravata mesclada, sapatos pretos, esse era o estilo do empresário. Quando havia reunião de gabinete, havia outro salão que ocupava o andar inteiro, onde quatro portas, duas de um lado e duas do outro, asseguravam o entrar e sair dos participantes. Nas paredes laterais, havia dois janelões sempre fechados, pois o ar condicionado permitia a iluminação a todo o aposento. Esse era o ROCHEDO, onde todos os funcionários trabalhavam.
Certa vez, Humberto saiu logo cedo da tarde, pois tinha outro compromisso a fazer marcado para as 3 horas da tarde. Ele desceu pelo elevador próprio, avisando logo de saída a uma secretária que voltaria logo após a reunião. E a funcionária apenas ouviu e calou. Quando Humberto desceu do elevador e se aproximou do seu carro, onde estava o motorista, ele viu passar pela calçada uma jovem bem trajada, vestido composto, colar no pescoço, relógio pequenino no punho, cabelos loiros que assim de passagem lhe chamou logo a atenção. E ele caminhou até a calçada para ver de quem se tratava. A moça entrou no edifico ROCHEDO e se perdeu por entre outras pessoas, talvez tendo ido ao salão de refeitório do monumento histórico ou mesmo a outro departamento. Humberto ainda viu a jovem ao entrar depressa. Porém não quis mais se preocupar com nada naquela hora. O homem se casou uma só vez, perdendo a mulher em um acidente de veículo. As suas duas filhas eram já formadas: uma era bioquímica e a segunda era ginecologista trabalhando no mesmo prédio que o seu pai, desempenhando as suas funções. Aldora era a mais jovem e Aldenora, a mais velha. A mais velha tinha um noivo. A outra, Aldora, ainda não namorava.
Quando o homem saiu em seu veículo Peugeot viu novamente saindo do edifício a jovem moça saindo pela calçada, andando devagar, olhando os seus amados objetos na polchete e aproveitando para ajeitar o cabelo até. Ela estava com uma manta no ombro, medindo cerca de 30 centímetros e com um comprimento de um metro. O homem ordenou que o motorista parasse e por sua vez, novamente saltou, chegando até a jovem e perguntou-lhe:
--- Nós já nos conhecemos? – perguntou Humberto.
A moça, assustada, olhou o cavalheiro dos pés a cabeça para depois responder.
--- Na verdade, não posso afirmar. Sei apenas que o conheço, por certo. – falou a jovem se aquietando do seu temor.
--- Ah bom. Com certeza de alguma festa que houve? – perguntou Humberto.
--- Talvez isso. Humberto é o seu nome? – perguntou a moça.
--- Ah. Sim. É o meu nome, senhorita. .... – e ele parou no meio da questão.
--- Dalva. É o meu nome. – e assim, sorriu.
--- Ah. Dalva. Pode ser que nós nos conheçamos. Dalva. Belo nome para dignifica dama. – recitou Humberto uma forma antiga de conquista.
--- Sempre os que me conhecem acham engraçado meu nome. Aliás, é uma estrela! – disse isso e sorriu a mulher.
--- Na verdade, sim. Estrela Dalva. Pois a vejo do meu sítio quando estou lá. – sorriu Humberto.
--- Pois é. Dalva foi inspiradora do meu pai que ele achava tão linda. Eu mesma já me acostumei. - declamou a jovem.
--- Bem. Foi um prazer. Eis o meu celular. Quando quiser, é só ligar. – disse Humberto.
E assim, os dois se despediram. Cada um para o seu destino. Na cabeça de Humberto, o nome de Dalva não saía. Desde que perdera a sua mulher, não houve mais alguma outra que pudesse acolhê-lo. Tudo era serviço após seu pai se aposentar e viver da colheita de produtos que cultivava junto a sua mãe que passaram a viver no sito ou granja como se quisesse avocar.
Com o passar dos dias, o celular tocou. Ele viu e não reconheceu a chamada. De qualquer forma, atendeu. Era Dalva que estava na outra ponta. Conversaram coisas simples por algum tempo e, logo depois, ela se despediu prometendo voltar à ligação ainda naquela tarde. Os afazeres do dia fizeram com tudo fosse adiado, pois Humberto estava ansioso em esperar aquela senhorita. Até mesmo a filha mais chegada a ele, Aldora, ficou surpresa com tanta alegria que o seu pai estampava em certo momento da hora. Ao sair da sala do seu pai, Aldora disse:
--- Cuidado. Hoje, esta muito feliz! – e sorriu Aldora ao sair e trancar a porta do escritório do pai.
Em contrapartida, o pai apenas sorriu, com os olhos baixos como quem enxergava por cima dos óculos, mesmo sem ter óculos. No íntimo, ele dizia:
--- Menina esperta! – e sorriu.
Às 4 da tarde, o celular bateu. Ele pegou o aparelho, conferiu o número e com vexame logo respondeu:
--- Oi. Onde estás? – perguntou Humberto.
A voz respondeu algo que ele logo se apressou em tirar o terno, gravata, de camisa aberta no colarinho e chamando a secretaria e lhe dizendo:
--- Vem uma senhorita aí. Deixa entrar. Hoje não estou para mais ninguém. – falou Humberto um tanto sério.
--- Sim, senhor. – respondeu a secretária.
Como poucos instantes, Dalva surgiu à entrada de seu escritório. Foi uma alegria completa. Humberto jamais esqueceria aquele dia. Foram duas palavras, apenas, para corromper aquele amor ao distante longo tempo. Os dois saíram pelo elevador interno, exclusivo de Humberto. Ao chegar ao térreo, ele dispensou o motorista e pegou um taxi. Dali, ambos rumaram para algum local de elevados prazeres. A jovem, com seu vestido negro, era algo que estonteava Humberto. Quando a noite chegou, estavam Dalva e Humberto envoltos em cobertas como nunca d’antes acontecera.


quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

LUZ DO SOL - 37

- JOANA -
- CONTO -

Seu nome era Joana e ela sabia que os seus ancestrais foram Reis e Rainhas ao Comando do Sacro Império que governou Portugal por longos séculos. Quando Joana chegou ao Brasil, nos idos de 1940, foi recebida por grande festa por parte dos seus amigos que aqui já viviam há algum tempo. No ano em que chegou ao Brasil, já estava havendo guerra entre o país e as outras nações contra o líder nazista Adolf Hitler e seus aliados como o Japão e a Itália. Por conta de tal fato, as homenagens prestadas a Joana foram de certo modo bastante simples, pois o seu país não estava em guerra contra as nações envolvidas. De modo que, o Brasil se juntou aos Estados Unidos, a Inglaterra, França e outras nações. Nessa altura da história, Joana já estava fora dos requisitos que podiam usufruir uma personalidade, pois acabara também o poder do Santo Império sobre as outras nações desde quase 200 anos. Com isso, ser Alteza para Joana valia muito pouco até porque, no Brasil, a questão de Sua Alteza Real já acabara desde 1890, mais ou menos, quando se deu a proclamação da Republica ocorrida no ano de 1889 quando o Monarca Imperador Dom Pedro II foi deposto. Por tal motivo, ser Sua Alteza ou não valia bem pouco na história do Brasil.
Desta forma, Joana se valeu das amizades dos seus concidadãos e aqui plantou a sua casa, mesmo sabendo que em nada valia ter sangue real. Assim sendo, Joana passou a residir na capital do país, lugar onde podia conversar com seus irmãos de pátria e freqüentar os salões de baile da cidade do Rio de Janeiro, já então uma metrópole rica e abundante em seu patrimônio para a honra do seu “Ditador”, o doutor Getulio Dorneles Vargas chamado também “o pai dos pobres”. A idade de Joana era de apenas 25 anos. Moça de porte elegante, cor alva, olhos brilhantes, tez aveludada, sobrancelhas arqueadas, mãos de veludo, boca de carmim. Era tudo que nutria a bela moça vinda direto de Lisboa. A sua fidalguia vinha de tempos remotos quando os soberanos tencionavam dar a alguém um título de “filho-de-algo” que constituía a monarquia portuguesa. Quase todos os Reis de Portugal criaram as categorias formais de fidalgo, inscritos nos livros Reais. E por esses séculos, então, eram consagradas tais nobrezas aos ricos que habitavam aquela pátria.
No tempo em que Joana chegou ao Brasil já não havia tanto porte que a configurasse em uma senhora ou senhorita como sendo mulher da alta nobreza portuguesa. Mesmo assim, todos os concidadãos a respeitavam como tal. O certo é que Joana fez de sua vida uma festa onde todos os portugueses podiam considerá-la digna para o seu bel prazer. Solteira, de muitos pretendentes, Joana não se decidia qual o caminho a ser tomado para a sua solidez do matrimonio. Certa vez, em uma festa, ela observou um rapaz de quase sua idade e lhe fez festas com sua simpatia. O seu nome era Fernando, português de Évora, moço de um bom falar, simpático até e que estava no Brasil a trato de negócios. Os dois entabularam conversa e, de um passo, eles estavam a namorar. Após um mês, Fernando voltou para Portugal com a promessa de que retornaria ao Brasil tão logo as suas funções o permitissem. E assim, o fez. Antes do verão brasileiro, Joana e Fernando selaram compromisso na Igreja da Gloria diante de grande parte de portugueses que no Brasil residiam. Os pais de ambos estavam presentes para dar o seu apoio oficial ao casamento. O assento de casamento foi lavrado por inscrição do Consulado de Portugal, com o sacerdote, parentes e autoridades do registro civil do Brasil e de Portugal.
Logo após os acontecimentos civis e religiosos, comemorou-se a festa de núpcias com um lauto banquete ao som de uma orquestra e acordes de instrumentos regionais de Portugal. Ambos os noivos celebraram essa união ao som de valsa e de musica lusitanas até altas horas da madrugada. Logo em seguida, Joana e Fernando alugaram um carro e logo após partiram para a cidade de São Paulo onde festejaram a sua união. A cidade era magnífica para o casal. Jardins acolhedores cheios de labirintos formados por árvores ao redor, museus onde figuras imperiais denotavam o seu poder, cartas da Rainha Elisabete, quadros do primeiro Imperador do Brasil, Dom Pedro, cadernos de livros com a coleção de selos, praças onde nobres ostentavam suas figuras de escol. Museus de artes sacras era o domínio da cidade paulista. O passado remoto do Brasil imperial, teares expostos para quem quisesse olhar, quadros de pintores célebres eram a mostra cativante dos olhares de Joana e Fernando, Quanta beleza para se olhar e sentir que a lembrança voltava aos mais longínquos recantos da Europa de tempos antigos. Isso tudo o casal pode ver. Na volta, uma semana depois, um desastre. O carro em que os dois voltavam colidiu de frente contra outro veículo, pela manhã cedinho, quando trovejava bastante em toda a região com chuva torrencial caindo sem cessar. Ainda, apesar do claro do dia, os dois veículos trafegavam com seus faróis acessos, porém, como o transito pesado da estrada, não houve possibilidade de sair fora. No acidente, morreram quatro ocupantes, dois em cada um dos veículos, escapando apenas duas crianças que viajavam no banco traseiro do carro que foi colidido. Joana e Fernando morreram.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

LUZ DO SOL - 36

- CANTANDO NA CHUVA -

- CONTO -

Era o ano de 1965 quando Rinaldo viu exposto em cartaz o "HOJE" de "Cantando na Chuva", filme rodado em 1952. Era aquele um ré-lançamento, pois o filme fôra o máximo no seu tempo de estreia. Para todos que os viram , Rinaldo ainda se lembrava dos comentários alusivos à película, fato que o impressionou bastante. Na época, Rinaldo ainda era pequeno e, assistir a um filme sozinho, não era recomendável para um garoto. Desde criança era ele o rapaz que tinha a sua simpatia por cinema. E, algumas vezes, chegou a ir, aos domingos, assistir com o seu pai filmes onde ele pudesse entrar, pois a censura proibia entrada de crianças e garotos em certos espetáculos, o que o deixava bastante constrangido. Então, Rinaldo se acostumou em assistir filmes de categoria inferior, pois era assim que a censura permitia. E ele costumava dizer, ao ver o anúncio de uma fita onde era censurado até 18 anos:

--- Bosta! Eu queria ver tanto este filme! É uma merda total! - comentava o menino.

Sendou ou não "uma merda total", o fato é que Rinaldo se contentava em assistir filmes de classe bastante inferior e nesses filmes ele vibrava com a ação do "moçinho" para acudir a"mocinha" que estava em perigo. Esses eram os filmes da Norte- América, pois não passavam outros de países como França, Itália, Alemanha, Inglaterra e bem mais. Até mesmo os filmes nacionais tinham censura, a não ser as comédias de última categoria. Quando passava um filme mais sensato, mesno sendo brasileiro, a platéia aplaudia com entusiasmo os últimos instantes daquela história. Porém, para Rinaldo, de pouco importava saber de uma película vibrante e até sensual onde a ação se passava com tal envergadura que, não raro, a platéia deslumbrava por enredos onde apenas diziam coisas que eram escondidas até do grande público, como cacheiras, rios e lagos para se opor até mesmo às grandes necessidades dos enlaçados amantes, até porque, cena alguma deixava ver a moça se agarrando ao rapaz para ter um orgasmo fatal. Com o passar do tempo, tais fenômenos se tornaram menos púdicos, pelo menos no cinema francês e italiano. Contudo, no tempo de Rinaldo, tais aventuras eram consideradas "feias" para quem assistisse o cinema americano. Havia cortes até mesmo na hora da projeção, no Brasil, onde cada filme merecia a sua censura.
Quando Rinaldo fez 18 anos, um peso se desfez do seu corpo. Nessa idade, ele poderia assistir a filmes até então proibitivos para alguém de idade inferior. Foi aí que ele assistiu a todos os filmes poibidos até 18 anos que chegavam a passar no cinema da cidade. E, no caso do filme desejado que o cinema anunciava para aquele dia, ele não olhara nem mais a censura, pois a todos os filmes Rinaldo tinha acesso. E foi assim que ele se empolgou em ver a atriz mostrando suas sensuais coxas em "Cantando na Chuva". Na verdade, o filme não tinha nada demais, a não ser a presença da atriz, Cyd Charisse que era um irradiante explendor, muito bela e meiga, por sinal. A estrela foi de todo enigmática no filme que encantou a platéia naqueles idos anos que Rinaldo assistiu ao espetáculo por ñ vezes que passava nos cinemas do Brasil.. Ao fim do espetáculo, o rapaz comentou severamente:
--- Ô bosta! Não teve nada demais para censurar! - comentou Rinaldo.
E foi assim. por longos anos que ele se acostumou em assistir tais filmes de categoria então alemãs, irlandesas, suécas, japonesas e até mesmo chinesas onde também se tem censura para o desagrado de outros tantos Rinaldos da vida como foi, igualmente, para o jovem que não se contentava em saber de tais recomendações impostas pelo governo do seu país. Afinal, tais censuras nem precisavam ser recomendada, pois, no caso dos garotos, estes sabiam bem mais do que um filme onde tudo se passava às escondidas, mas se vendo por alguém que tinha mais saber do que os censores.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

LUZ DO SOL - 35

- PRIMAVERA -
- CONTO -
Quando Jací passou pela sala de visitas olhou para o relógio imenso que estava pregado à parede, de um tamanho médio de 2,50 metros. Em cima de tudo, estava o relógio. Logo a baixo, em uma espécie de estante, estava um carrilhão medindo cerca de 1,00 metro que se balançava lentamente, para um lado e para o outro. Não fazia qualquer barulho. Apenas um carrilhao estava ao compaso das horas. O relógio era um Kuko, luxuoso de um carrilhão da marca alemã tendo uma melodia bela ao marcar das horas. À altura do carrilhão tinha duas esferas de bronze tão niqueladas que mais pareciam ouro. O Kuko fôra do seu bisavô que passou para o seu avô e, por fim, para o pai de Jaci. A corda era dada a cada semana e até parecia que era um relógio que nunca parou e nem quebrou jamais. Seu móvel era em madeira resistente, uma espécie de jacarandá bem lustrada, com pés também de igual madeira, fazendo firme o relógio no chão atapetado de veludo. No meio do movel havia uma tranca que se abria para poder dar corda. Ao seu lado esquerdo, um pêndulo que indicava que era para dar corda. O Kuko em si era todo cromado em ouro. Na parte de cima do móvel havia também um resalto como protetor de algo que lhe pudesse derrubar. Havia igualmente dobradiças, todas cromadas, ao longo do móvel. Aquela era uma joia rara dos tempos antigos. Na hora que Jací passou à sua frente, o Kuko começou a tocar a velha melodia para, depois, soar às 8 horas da manhã. Para ela já era tarde demais para se chegar à Universidade onde a moça estudava. As suas irmãs Jânia e Jacira já saíram ao longo do tempo, estando frequentando os cursos da Universidade. E Jaci somente depois das duas irmãs é que podia sair, por causa do banho e do café da manhã, tendo que se arrumar logo após sem deixar de dizer:
--- Droga! - com a cara abusada por conta do horário.
Em frente à sua casa, ampla por todos os lados, um jardim na frente com um plantio de rosas que enfeitavam o seu ambiente, estava o carro estacionado esperando pela moça. Ao embarcar no carro ela, novamente, disse:
--- Droga! - com a cara trancada como que o mundo estivesse a desabar.
O motorista deu partida e rumou para a Universidade sem pensar nos problemas que estavam a afetar a moça. Na porta da casa, estava a governanta olhando Jaci partindo, para ver se tudo estava certo, ainda. Em seguida, a governanta entrou enquanto o jardineiro chegava para aguar o roseiral da casa.
Quando Jací era pequena, de cerca de 8 anos de idade, ela se surpreendeu com um caso que muito lhe fez muito estremecer. Ela estava sentada no colo do seu pai quando sentiu um leve volume a roçar o seu corpo. Preocupada com aquilo, ela tentou pegar naquele volume duro como pedra. Ao fazer tal ação, o seu pai, que estava sentado também, a ouvir o noticiário do rádio, resmungou um desaforo para Jaci. Durante esse tempo, a menina ficou preocupada com aquele volume duro e, certa vez, quando seu pai entrou no banheiro, Jaci ficou a olhar por uma fresta da porta o homem totalmente nú, pois era o horario do seu banho matinal. Ela, com vagar, pode ver o pai e o volume que estava duro naquela vez. Era o penis do homem que então estava mole. De certa, a menina achou graça e saiu para um lado da casa, sorrindo à vontade.
Nessa hora, apareceu a mucama que logo lhe perguntou sem maiores preocupações.:
--- Que tais fazendo ai? - perguntou a mucama.
--- Nada não. - respondeu Jací, sorrindo.
--- Ora já se viu? Sorrir para uma formiga? - indagou a mucama.
E a garota sorrindo correu para o seu quarto de dormir onde as duas irmãs estavam a conversar. Ela escutou a conversa das duas e depois foi se deitar, morrendo de achar graça. As irmãs de nada entenderam e uma, disse.
--- Doooida! - falou uma das suas irmães.
Com o passar do tempo, vieram os seus 12 anos. Então, certa vez, Jaci se olhando no espelho da penteadeira, notou algo que lhe pôs em terrível susto. Dois calombos estavam surgindo em seu corpo. Eram os mamilhos crescendo. Ela, então, se enfurnou na cama. Alí pegou uma toalha e vez a vez de um corpete, arrochando bastante para não ver os seus mamilos crescer. A ação durou até sua mucama chegar e, vendo todo aquele alvoroço da mocinha, foi logo perguntando:
--- O que é isso? Deixa eu ver! - falou a mucama.
--- Não. Tão "espirando".! - respondeu a mocinha.
--- Que tá espirrando? Deixa eu ver! - brabou a mucama.
--- Não! Tão enrolados! - choramingou a mocinha.
E a mucama levou as mãos ao cobertor e despiu a mocinha, caindo na gargalhada para assombro de Jaci que já não entendia de coisa alguma. E a mucama, disse.
--- Os peitos dela estão se formando!! Deixa de besteira! Isso é normal. São teus peitos! - disse a mucama embravecida e fazendo um thunco.
A menina não saiu mais da cama pelo resto do dia, toda encolhida, se escondendo da mãe e das irmãs que morriam de achar graça.
Com o passar do tempo, vieram os 14 anos. Certa vez, ao acordar, a mocinha notou que o seu cobertor estava sujo:
--- Sangue? - disse Jaci, baichinho e assustada.
Olhou por mais uma vez o lençol manchado de sangue, menarca, por sinal que ela tivera durante a madrugada. Com um medo terrivel, a moçinha pegou o lençol, fez um embrulho e jogou no saco de ropas sujas do seu quarto, bem ao fundo para ninguém notar. E voltou para a cama onde se encolheu toda, como um caracol, com as pernas puxadas até aos peitos. E ficou assim por vários minutos até a chegada da mucama ao seu quarto e de suas outras duas irmãs. A mucama perguntou a Jací:
--- Não vai se levantar? - e deu um truco com a boca.
--- Daqui a pouco. - respondeu Jaci.
--- Olha a hora! Tem escola! E por que estás toda amuquecada aí? - perguntou a mucama.
--- Descançando. - respondeu Jaci.
--- Descançando? E passou a noite correndo? Levanta! - reclamou a mucama com um thuco da voz. Quando descobriu a moçinha, notou presença de sangue em seu chambre. Então clamou aos céus, bradando:
--- Virgem Maria!!! Ela é moça!!! Até que enfim "chegou" as "regras". - gritou a mucama.
De imediato, as outras irmães e a sua mãe chegaram ao quarto onde a moçinha estava toda encolhida como um imbuá que se fecha todo quando alguém o apanha. Só punha cabeça do lado de fora, uma parte até. Com os seus cabelos longos e louros, pele alva e macia , mais parecia uma assombração com aquela posição encurvada.
--- Ela é moça! Ela é moça! Ela é moça! Rompeu a bandeira! Rompeu a bandeira! Ela é moça! Chegou a primavera! - gritavam as mocinhas, dançando em roda no meio do quarto, entre as camas e puxando a mãe para a roda, obrigando a dançar com elas. E a mucuma também, até que enfim a mucama fez questão em dizer.
--- Vai tomar chá de cidreira e café...mais tarde. Se enrola e fica quieta. Só se levanta para tomar banho. - vociferou a mucama, fazendo o seu tradicional thunco com a sua voz.
--- Não saiu mais nunca. - chramingou a jovem.
--- Ah Vai! Num tô dizendo mesmo! Ora! - vociferou a mucama.
--- Ela é moça! Rompeu a bandeira!. Chegou a primavera! - continuam a gritar as duas irmãs de Jaci, intermitentemente.
Foi uma confusão e tanto naquele dia com Jaci toda acanhada na ponta da cama, encolhida, enrolada, contorcida com medo do sangue vemelho cor de ocre que sacudira no saco de roupas.
E o tempo se passou, Jací já formada em seu corpo, pouco se lembrava do que aconteceu com ela naqueles dias de glória para todos os de casa. Ainda deu adeus com a mão para a governanta, sem saber se ela notara o seu aceno. O carrou tomou a pista e se dirigiu com certa pressa para a Universidade, onde Jaci frequentava o curso de Matemática.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

LUZ DO SOL - 34

- CONDESSA -
- CONTO -
Elizabethe de Astúrias surgiu no Brasil pelos anos de 1950, quando o país se desenvolvia graças ao governo de Getúlio Vargas, com a descoberta de petróleo que fez da nação um apogeu de encantos. A Condessa Elizabethe foi recebida com amplas pompas por parte dos moradores da Espanha que chegaram ao Brasil muito antes da II Guerra Mundial. Desse modo, Espanha e Brasil guardavam celeiros de amizades onde todos os espanhois eram tratados com estima e lealdade. E dentre todos estava a Condessa de Astúrias, nome que herdou de sua família que habitava o Estado de Andaluzia bem antes da guerra dos mouros. A Condessa tinha o dom de uma mulher atraente por sua cor do corpo e do cabelo, quase sempre curto, de sua altura jovial, rosto belo e infinitamente triangular, olhos de um tom esverdeado e quase azul, boca pequena e sempre com batons, sobrancelas arqueadas, seios amplos e pele do seu corpo bem tratada que lhe dava o tom de uma mulher eterna e fatal.
Ao chegar ao Brasil, com seus 25 anos, a Condessa Elizabethe logo se comportou como alguém que nascera no seu novo país. Conversas longas com os seus parceiros, alguns descendentes de Príncipes e Princesas, outros de Duques, Condes e Barões, todos esses com títulos de nobreza que pertenciam com relação ao monarca de seu país, a Espanha. Embora, Elizabethe tenha adotado Astúrias, ela não era propriamente uma descendente de tal lugar. Pelo menos assim pensava, pois seu pai era também espanhol e outros entes passados eram da França, Reino Unido e Portugal entre muitos ascendentes. Já estando no Brasil, Elizabethe quis conhecer toda a historia do pais conforme o tratado de Tordesilhas até o instante de sua chegada.
Sabia-se que os espanhois migraram para o novo continente desde a sua descoberta. Porém, foi apenas no século XIX que houve a maior chegada de espanhois para as terras brasileiras onde a principal atividade dos imigrantes era o plantio do café. Disso, a Condessa já sabia. Mas, havia a cultura entre os dois paises, a miscigenação dos povos que mais atraía àquela alta nobreza. E foi por esse caminho que a Condessa seguiu. Nas conversas com os seus amigos, ela procurou saber mais sobre a nação brasileira e como eram aceitos os que vinham de fora. A Condessa percorreu vasta parte do Brasil, como São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande e estados do centro e do norte. Na sua idade, a Condessa não casara ainda. Foi em uma viagem de cruzeiro para o norte do pais que ela ficou encantada por um nativo da região. Era nativo porque nascera no Brasil e, não por ser silvicola. O seu nome era Adriano, descendente de genovês, província da Italia. Ele tivera como parentes próximos os Papas ou prelados da Igreja Romana. Foi uma conversa amena a bordo de um navio Ita, de passageiros. Aliás, todos os Ita eram navios de passageiros ficando o Lloyd como os navios cargueiros. Com tais conversas sempre à noite entre os dois viajantes, foi um pulo para o namoro e, por conseguinte, o noivado. Com um espaço de um ano, ambos se casaram na Igreja de Nossa Senhora do Monte do Carmo, no Rio de Janeiro, sede Episcopal da Diocese. A cerimônia foi um verdadeiro esplendor com as mais ilustres e tradicionais personalidades da Espanha e do Brasil, além da Itália e de outros países que foram convidados. O anel de casamento da Condessa Elizabethe de Astúrias lhe foi presenteado pelo noivo Adriano, empresário da marinha mercante brasileira. Era um anel feito em ouro com diamante e rubí. Da união, nasceram dois filhos. Por seu casamento com o empresario Adriano, a Condessa se tornou bastante popular no Brasil e aqui desenvolveu um trabalho de ação popular. Elizabethe falava fluentemente o português, o que a aproximou ainda mais do povo brasileiro. Durante a sua união casamentar, a Condessa envolveu-se em várias atividades de filantropia, como tratamento para cegos. Tal união durou por por mais de 30 anos de incessante luta quando uma morte súbita levou a Condessa Elizabethe de Astúrias. O marido ainda viveu por mais algum tempo tendo morrido em um naufrágiu de um yate de sua propriedade em costas brasileiras. A Sua Alteza Real ainda hoje é lembrada por tudo o que fez no país.