terça-feira, 13 de abril de 2010

LUZ DO SOL - 85

- A VOLTA -
- CONTO -
Tão logo Dino deixou a casa de Dalva voltou para a sua pulando depressa a janela que estava posta ao beco. Então, ele procurou ouvir se a sua mãe já havia acordado do sono do meio da tarde. Foi até o quarto em que Olindina dormia, e procurou ouvir através da porta. Então, pelo modo de respirar da mulher, ele concluiu que a sua mãe ainda estava a dormir. Dino então passou reto para a sala de visita quando ouviu alguém bater à porta. Era Francisca. Ela estava ali para perguntar se a mulher queria comprar pão da tarde:
--- Menino! Sua mãe vai querer comprar pão? O burro está ali! – falou Francisca de modo calmo.
--- Vou saber dela. Péra. – disse o garoto surpreso com a presença de Francisca àquela hora da tarde.
O garoto voltou ao quarto e perguntou através da porta a sua mãe se ela queria pão da tarde. Olindina disse que não queria. Ele voltou para dizer a Francisca o recado.
--- Mãe não quer. Ela disse. – falou Dino meio cabisbaixo.
Então Francisca agradeceu e falou para Dino que o dele estava guardado em sua casa. O garoto agradeceu e respondeu que depois ia comer o pão com doce ou queijo. Francisca sorriu para Dino e saiu depressa.
Mas o garoto estava tenso. Em lugar de sair para a casa de Francisca, ele voltou ao seu quintal onde alcançou Dalva então estendendo o cobertor em uma corda estirada no quintal de sua casa, de fora a fora. Ele, então constrangido com o feito, perguntou a Dalva.
--- O sangue saiu? – perguntou Dino.
A moça, embrulhada no seu afazer quase leva um susto.
--- Que susto, doido. Saiu. Não está vendo? – respondeu a mocinha com voz malcriada.
--- Desculpe. Estava só perguntando. – falou o garoto encabulado.
Em dado momento uma manga rosa do pé que nascera no quintal de Dalva, caiu do lado do de Dino causando um impacto com um som abafado. O menino se assustou. E logo pegou a manga. Ele cheirou a fruta e disse a Dalva.
--- Caiu do meu lado. Então eu levo para dentro. – falou Dino, alegre.
A moça sorriu e respondeu:
--- Leve. Aqui tem mais duas que caíram nesse instante. Tome. Leve essa. – falou Dalva sorridente e cheia de doçura.
O garoto recebeu as mangas e disse para Dalva.
--- Hoje eu já comi uma manga no almoço. A gente só tinha feijão e farinha. E também manga. – contou Dino.
--- Eu também chupei manga, hoje. E vocês não comeram carne? – perguntou Dalva assombrada com o que ouvira Dino dizer.
--- Não. De noite tem pirão de leite e só. Nem sei se tem café. – respondeu o garoto de uma forma triste.
--- Ave. Só isso? – falou espantada a mocinha.
--- Só. – respondeu Dino mais triste ainda.
--- Espera ai. Vou lá dentro e já volto. – respondeu a mocinha correndo para dentro de casa. Dino pegou as mangas e também saiu para a sua casa.
Com um tempo passado, dona Cora, avó de Dalva, chegou até a janela que dava para a sua casa e chamou por Olindina, mãe de Dino.
--- Mulher! Mas que é isso! Tome carne pra amanhã e depois. Meu Deus do céu. Tem piedade. Ave Maria. Santa Mãe de Deus. Como é que pode acontecer uma coisa dessas. Deus me acuda. – falou a velha senhora dos seus 75 ou 80 anos de idade.
Olindina chegara naquele momento. Ela estava a cochilar no primeiro quarto da casa. Ficou surpresa com tamanha ladainha da velha senhora. Olindina nem sabia o que estava se passando quando a velhinha entregou uma manta de carne para ela e os outros que moravam ali também. Quase assustada a mulher pegou o que a velha estava lhe estendendo como se nem pudesse pegar. Após uns minutos passados, a mulher agradeceu quase chorando e disse que aquilo era coisa de Dino. E foi mais além. Contar a verdade do que estava acontecendo dentro de sua casa. O marido, funcionário do Estado, não recebia pagamento fazia três meses. Quando era fim de mês ele comprava coisas na Cooperativa dos Funcionários. Porém naquela hora ele já nem podia comprar muito. E carne, a Cooperativa não estava vendendo. Não raro, tinha carne de charque. Porém nos últimos dias, nem isso tinha. Dessa vez Olindina chorou, coisa rara de fazer.
O garoto ouviu tudo escondido por trás de um pilar da casa. Dali saiu correndo, desembestado, desaparecendo porta a fora, ingressando no quintal, para chorar também, lá longe, no fundo de tudo, em cima de um forno que o seu pai fizera para ver se podia ali fazer pão. Chorou desregradamente. Em um só tempo apareceu Dalva para lhe acariciar com ternura e afeto. Do interior de sua casa sua mãe não vira Dino sair. Mesmo que tivesse vontade de castigar o menino, não mais era possível. O que o garoto fez foi contar uma história. Coisa de forma simples. No galpão onde estava armado o forno, tinha ao lado um quartinho onde Olindina guardava carvão. Isso foi num tempo mais para dentro quando o seu marido, Nestor, tinha seu pagamento em dia. Quando mudava o governo, também mudava a forma de pagamento. E com esse governador a coisa ia de mal a pior. Com isso, Dino não sabia dizer. E nem Dalva entenderia. Seu pai – de Dalva – era empregado no Mercado Publico. Por lá ele arranjava a carne verde e outros gêneros alimentícios que os donos dos açougues e locais de venda de produtos de comer lhe davam em troca de favores recebidos. Era uma forma de agradar seu Raimundo, pai de Dalva.
A tarde já passara e com pouco mais era noite. Os dois namoradinhos estavam ali, enroscado um no outro. Dino com a sua tristeza. Dalva com a sua ternura. Ela ficava só em retribuir os afagos recebidos durante a tarde por parte do seu namoradinho. E aproveitava para entoar uma canção dolente para assim cuidar do garoto cheio gana por tudo o que sucedera durante aquela tarde sombria. Para ele, a volta para se lamentar mais ainda estava bem distante. Coisas que o tempo não apagaria dele como era de se lembrar com o passar das horas, minutos e, talvez, séculos. Nesse momento alguém chamou pelo nome de Dalva.
--- Quem te chama? – perguntou Dino.
--- Minha avó. Papai chegou do mercado. – disse a mocinha um pouco assombrada.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

LUZ DO SOL - 84

- AMOR ANTIGO -
- CONTO -
Na tarde daquela quarta-feira, Dino estava sentado na cadeira de frente ao birô que o seu pai tinha naquela casa. Uma gaveta do birô era de Dino onde ele guardava seus livros, cadernos e lápis. As outras duas gavetas e a principal bem larga por sinal, eram do seu pai, onde o homem guardava documentos e velharias, no entender de Dino. Ali onde ele estava, fazia contas que a sua professora passara na aula da manhã. Eram os deveres de casa, afinal. Foi nesse tempo que Dino ouviu um chiado pelo lado de fora de sua casa, no oitão entre a casa vizinha. Um chiado fraco, mas era um chiado. Com as orelhas em pé, de repente o garoto correu para a janela do oitão para ver o que se passava ali. Era certo que o garoto pressentira o que podia ser. Porém, para ele era melhor ver com a vista que tinha de tão nobre. E viu. A mocinha Dalva tinha ido urinar no beco, dispensado o local próprio, uma casinha feita de cerca onde os mais velhos da casa podiam cumprir suas necessidades. A casa tinha no cercado de vara um aparelho sanitário. E esse aparelho despejava em uma fossa. Porém, a mocinha preferia fazer as suas necessidades costumeiras no beco, entre uma casa e outra.
Então, Dino, de repente viu por toda a janela aberta de fora a fora a mocinha cumprir suas necessidades mais simples. Ele, de longe olhava Dalva a fazer o que tinha ido fazer e olhar por baixo, entre as pernas, o que estava saindo e como saía, talvez. De vestido alongado, Dalva nem se importava com o tempo e ali mesmo urinou a seu bel prazer. Por seu lado, Dino apenas perscrutava o que a garota fazia. Quando Dalva terminou, voltou a casa, pelo oitão, para poder entrar pela porta de trás. Foi ai que ela teve a surpresa. Com a cara mais cínica do mundo, Dino lhe chamou a atenção.
--- Eu vi você! – disse o garoto a sorrir amplamente e de forma bem alegre.
--- Ai. Que susto! Viu o que? – inquiriu Dalva de forma arrebatadora e com muita raiva.
---Você urinando! – respondeu Dino de forma alegre.
--- Vá pra merda! E não pode não? – respondeu Dalva de forma mais malcriada ainda.
--- Quando urina, dói? – perguntou o garoto de forma maliciosa.
--- Pra que você quer saber, seu bosta? – respondeu Dalva já procurando a entrada da latada do final da casa onde ela morava.
--- Pra nada. Só perguntei. Vem cá. Espera um pouco! – articulou o garoto bem mais calmo dessa vez.
--- Que é que você quer bosta merda? – perguntou a mocinha ainda com muita raiva.
---O quarto? – perguntou o garoto feliz da vida.
A mocinha então se refez e dessa vez não estava com muita raiva. Disse apenas isso:
--- Tá lá! Por quê? – sorriu a mocinha com uma sensação estranha.
--- Vamos para lá? – indagou Dino maledicente.
--- Fazer o que? Minha vó ta na sala fumando cachimbo e esperando o homem do pão. Não tarda já ele passar. – respondeu Dalva de forma inquieta.
--- A gente fica lá dentro. Ela nem desconfia. – replicou cheio de ânsia o garoto.
--- Sei não. Vou olhar. Volto já e te digo. Você vai por onde? – indagou a mocinha.
--- Pulo a janela! – objetou o garoto.
--- Pera aí. Volto já. – falou Dalva sorrindo e cheia de encanto que podia exprimir.
De imediato, Dino pulou a janela e se meteu na casa, um tanto velha, com seu fogão a lenha, panelas carcomidas pela fumaça do fogão, tudo exposto de qualquer jeito. Na chamada sala de jantar havia uma única mesa, um armário, um guarda-louças, quatro cadeiras e outros objetos sem grande futuro. Era uma casa de gente pobre de fazer dó. O garoto viu aquilo e nem prestou atenção em vasculhar. De repente, a moça estava de volta. Ao se topar com Dino tomou aquele susto.
--- Que susto, miséria. Ave. Vamos! Vó esta na cadeira de balanço prestando atenção a rua. Cuidado. Devagar. – resmungou a moça de forma meio braba.
Os dois seguiram para o quarto onde Dino já esteve e lá fizeram sexo. Dino tirou o calção. Dalva tirou a calcinha e levantou o vestido. Cada um que começasse a fazer sexo de forma desprovida de algo virtuoso. Dalva às vezes estava por cima e às vezes por baixo de Dino. O garoto se sentia em êxtase e a mocinha não sabia muito que fazer. Ela deixava-se penetrar com muito cuidado com o garoto sem saber ao certo como se fazia aquilo. De um momento, Dino se lembrou de Francisca, a sua namorada mais velha. Calou. Mas, da forma que estava fazendo sexo não dava certo. Ele fez a mocinha ficar de peito pra cima, abriu-lhe as coxas e penetro como todo afinco o seu sexo na mocinha que ouviu quando Dalva gritou:
--- Ai. Tá doendo. Dói muito. Espera! – gritou baixinho a donzela.
O garoto se assombrou. Ele retirou o seu ínfimo e pequenino pênis de dentro da voluptuosa e delicada Dalva e viu o cobertor molhado de sangue. O assombro, então, era dos dois. Ela se encheu de medo o dizer;
--- Você me desvirginou, doido!!! – lacrimejou a moçinha cheia de espanto e desprazer.
--- Eu o que? – perguntou o garoto alarmado e louco de aperreios.
--- Nada. Nada não. Deixa-me pegar o cobertor pra lavar o sangue. – reclamou Dalva quase chorando e com a tensão por demais inquieta.
--- Eu fiz o que? – voltou a perguntar Dino com mais espanto ainda.
--- Nada seu merda. Deixa-me lavar a coberta. – reclamou a moça.
Com muita precaução, o garoto, seguindo Dalva saiu pela porta da cozinha para poder pular a janela e entrar em casa. A sua mãe, naquela hora ainda estava a dormir o sono da tarde e não vira nada do que acontecera entre os dois vizinhos. Antes de sair para a sua casa, ele ouviu Dalva dizer-lhe que daquele momento em diante eles, os dois, eram noivos e que Dino se preparasse para se casar com ela. O torpor invadiu todo o seu corpo, pois como diria tudo que acontecera naquela tarde a sua namorada? Tudo por demais era estranho para Dino. Ele estava atordoado com o que acabara de fazer com a bela morena de cores perfeitas, seios meigos, rosto de amiga. Enfim, Dino se desculpou de tudo o que fizera:
--- Desculpe. Eu não sabia que era assim. Desculpe. – falou Dino de forma lacrimejante.
Enfim Dalva respondeu com eterna meiguice e afetuoso carinho.
--- Doido. Nós somos noivos. Agora. Não se importe com isso. – declarou Dalva com agrado batendo o cobertor na pedra para retirar o sangue quase coalhado.
O garoto Dino ficou por mais uns instantes e saiu para também tomar banho. Enfim ele era homem, dessa vez em diante. Já contava com duas namoradas.

domingo, 11 de abril de 2010

LUZ DO SOL - 83

- NAMORADA -
- CONTO -

À noite, Francisca foi até a casa de Dino levar o calção do garoto que ela ficara para lavar, pois de manhã o garoto tomou banho de mar com ela e vestiu a roupa normal com que ele fora para voltar a sua casa. A moça fez questão de ficar com o calção de praia do garoto prometendo que o lavaria e depois trazia para entregar a sua mãe. Essa promessa foi feita a dona Olindina, mãe do garoto. No começo da historia de volta a casa, houve certa discussão com a mãe pedindo o calção para lavar. Francisca disse, naquela ocasião que a mulher não se incomodasse, pois Francisca faria a mesma coisa. Enfim, depois de muito debate, Francisca ficou com o calção do menino inda molhado da água do mar. À noite, já enxuto, a moça levou o calção de volta para entregar a dona Olindina. Sem mágoas. Quando Francisca chegou a casa de Dino topou-se com o pai do garoto. Esse estava a conversar com uma pessoa, talvez visita. Porem não perdeu a oportunidade de dar uma olhadela para a extasiante moça e que a tudo respondeu apenas com um:
--- Boa noite. – disse Francisca. E entrou de casa adentro.
O nome do pai de Dino era Nestor. E ela não deu muita ou nenhuma importância ao homem. O que provavelmente quisesse era ver o garoto novamente. Naquela altura das horas, o garoto já havia deitado. Após a chegada de Francisca, o garoto ouviu a sua voz e meteu o pé da cama onde dormia e se largou para o interior da sua casa onde estavam Francisca e sua mãe, Olindina. Na verdade, a casa de Dino, era modesta, bem diferente daquela em que a moça trabalhava como doméstica. Porém, tal fato não surpreendeu a Francisca, pois a moça vinha do interior onde as casas eram também modesta, bem mais modesta que aquele onde Dino morava. Na sua casa do interior, por exemplo, o chão era de barro batido e as paredes somente caiadas.
De momento, Dino chegou aos pés de Francisca e se pôs a ouvir a conversa entre as duas mulheres que se resumia a entrega do calção. Depois de algum tempo, Francisca voltou a conversa falando do divertimento da manhã onde o garoto tinha tomado banho de mar em uma parte onde não havia quase ninguém a não ser outros garotos e meninas acompanhados dos seus pais. Foi, na verdade, uma festa íntima, por assim dizer. O garoto temia que ela falasse no que houvera antes e, por isso, ficou pregado a sua saia para lembrar a Francisca de não falar nada daquilo que ele gostara de fazer com a moça. Em certa ocasião, enquanto as duas mulheres tagarelavam a valer, Dino se sentiu agraciado quando a mão de Francisca tocou a sua cabeça como se ela fizesse um afago meigo e gentil. Em seu corpo correu toda uma energia cujo sentido o garoto não sabia dizer o que estava a sentir. Apenas, de imediato, encolheu as pernas para resguardar o seu órgão genital de mais uma delinqüente ameaça.
Caso passado. Francisca lembrara que era hora do garoto dormir, pois na verdade a jovem estava com bastante sono, já aquela recente hora da noite e precisava dormir, pois acordara bem cedo do dia aquela manhã.
--- Fique mai um tempo. A conversa está tão boa. – falou Olindina com leve sorriso.
--- Não. Eu vou dormir, pois amanhã acordo muito cedo. Os “velhos” têm que tomar café e eu me levanto às cinco da manhã para ajeitar tudo na mesa. - respondeu de forma vexada a moça.
Enfim, as duas mulheres se despediram e Francisca seguiu para a sua casa. O garoto Dino ainda a acompanhou até a entrada do portão de ferro da casa de luxo para receber um beijo de afago de sua “namorada” que de qualquer modo ainda preveniu a Dino.
--- Cuidado. Não diga nada a sua mãe e a ninguém. – falou a moça de forma baixa.
No dia seguinte, à tarde, o garoto já estava na casa de Francisca. Eram três horas e o homem do pão já estava no portão da casa nobre fazendo a entrega de pães, bolachas e bolos que o padeiro trazia no lombo de um burro cuja cabeça era sempre baixa. Dino olhou o burro e caiu na risada.
--- O burro está com vergonha. – proferiu o garoto.
Nesse dado momento, Dino ouviu um chamado de sua mãe, com muita pressa. Ele disse a Francisca que atenderia o chamado de Olindina e depois estaria de volta. A moça compreende e respondeu;
--- Vá logo. Eu espero. O seu pão fica guardado. – respondeu a jovem.
De um pé e no outro, Dino foi atender o chamado de sua mãe. Ao chegar lá, ouviu a mulher que ele aguardasse o homem do pão. E o garoto respondeu:
--- Ele está aqui. Chamo? – inquiriu o garoto.
--- Chame. Hoje eu vou querer o pão que ele traz. – respondeu em contrapartida a mulher de forma simples e sem graça.
Com pouco tempo, o homem do pão estava a frente da casa pobre de Dino. Ali abriu as caçambas e o menino ficou a sentir o cheiro do pão. Uma mulher que morava vizinho a Dino também veio comprar enquanto a sua mocinha lhe pedia:
--- Vó compre bolo. – disse a garota com olhos grandes.
--- Vou lá comprar bolo. Vou comprar pão. – respondeu a mulher meio atrevida.
--- Ô vó. Pra nós! – replicou a mocinha com a cara de choro.
--- Tá bom. Que bolo quer? – perguntou a velha senhora meio a contragosto.
--- Esse! – respondeu a mocinha de forma com os seus olhos cintilando.
Nesse ponto, Dino nada dizia. Sua mãe comprou pães e brotes doce e levou para dentro de casa. O homem despachou a freguesa vizinha, ensacou as caçambas feitas de caixotes de madeira e seguiu em frente, dizendo:
--- Bu-rro. – falou o homem do pão tangendo o burro para frente.
A mocinha da vizinha já ia entrando em sua também mais pobre casa quando se voltou para Dino e perguntou ao garoto.
--- Quer? – perguntou a mocinha com o ar de quem queria mais alguma coisa.
--- Não! – disse o menino meio desconfiado.
--- Venha buscar, venha! – chamou a garota de forma terna.
--- Não quero. – respondeu Dino meio encabulado.
--- Eu te mostro uma coisa. – disse a mocinha.
--- O que mostra? – perguntou de forma curiosa o garoto.
--- Uma coisa. Vem! – chamou a mocinha.
--- Vou ai? – indagou Dino um tanto metediço.
--- Sim. Vem logo. Vó está lá dentro. – disse a mocinha.
E o menino foi de qualquer jeito. A moçinha ficou na porta do quarto e pediu para ele entrar. Dino obedeceu. Ela chamou Dino até a beira da pobre cama e o garoto com certo medo também cedeu.
--- Deite aqui. – conduziu a mocinha.
--- Que vai fazer? – perguntou Dino.
--- Deite. Você vai gostar. Deite. – falou a mocinha.
Com o elevado arrepio o garoto se deitou na cama de um velho quarto de dormir. A mocinha levantou a roupa, colocou o bolo no camiseiro, e deitou com o garoto. Os dois fizeram sexo como se nada houvesse ao redor. O garoto de sexo rígido abriu por mais compasso as coxas da garota e ambos tiveram êxtase por longo período de exultação e alegria naquela tarde de verão.




sábado, 10 de abril de 2010

LUZ DO SOL - 82

- AMADA -
- CONTO -
No domingo seguinte, Francisca esteve logo cedo na casa de Dino. Ela foi saber de sua mãe – de Dino – se seria possível deixar o menino ir com ela a missa na Matriz e depois eles irem até a praia onde tomariam banho de mar. A mulher ficou meio desconfiada pelo fato de ir à praia. Nos jornais da cidade era freqüente se noticiar que certo alguém morrera afogado. Isso era o que preocupava a mãe de Dino. Porém havia a Missa da manhã, o que a mulher estava de pleno acordo. Desse modo, a mãe de Dino perguntou ao marido e esse respondeu:
--- Deixa-o ir. Se não tomar banho em local profundo, não tem nada demais. Deixa. – reportou o homem que naquela hora estava lendo os jornais do dia.
Então, a mulher, mesmo cismada franqueou o garoto não se esquecendo de orientar a Francisca que todo cuidado era pouco.
--- Pode deixar. Eu tomo conta dele. Nem se vexe. – disse Francisca.
E assim, se deu. O menino, de calça comprida e cor branca, camisa também de mangas compridas e de cor branca para completar o traje, relíquia que teve de sua primeira comunhão, se compôs para sair com Francisca. Ele estava alegre e feliz por estar com a sua primeira “namorada”, apesar de ser bem mais velha que Dino. E assim com pleno entusiasmo do garoto os dois caminharam para a Igreja Matriz do bairro onde eles moravam. De mãos dadas, o garoto seguiu com Francisca que sempre lhe orientava para ter todo cuidado na hora da comunhão.
--- Eu não vou comungar. Já tomei café com pão. – falou Dino.
--- Ainda bem. Ainda bem. Esse negócio de comunhão é coisa muito seria. – falou a moça com os temores que lhe atormentavam o coração.
Após a Missa, ela se lembrou de voltar por casa de Dino, pois o menino não vestira o calção de banho de mar. E assim, fez. Ao voltar, foi dizendo a mãe do garoto.
--- O calção! O Calção! Esqueci da peste. – falou Francisca achando muita graça.
--- Sim mesmo. O calção. Entra! Vou buscar o calção de Dino. – respondeu sua mãe.
Ao entrar, Francisca cumprimentou o pai do garoto, homem ainda jovem, fazendo um sorriso sem muita graça. Com o terminar do apronto, então o garoto, vestindo o calção por baixo de outra calça, então curta, mostrou-se alegre e sorridente:
--- Estou pronto. – disse o garoto.
E assim, os dois saíram para a praia. Francisca nem deu importância aos comentários feitos pelo pai do garoto ao passar na sala.
--- É muito boa. – falou o homem.
Apenas sorriu para o que ouvira, pois o homem falara baixinho. A mãe do garoto de nada escutara.
Ao sair de casa, Francisca passou por outra rua onde tinha uma bodega e de lá ouviu outras pilhérias de lhes soltaram os beberrões que estavam àquela hora tomando umas caipirinhas na mercearia. Da bodega a mulher e o menino tomaram o caminho do morro. Para subir o morro, eles tinham que caminhar cerca de duzentos metros até o sopé. Dali em diante era só mato, árvores e arbustos. No local não havia casebre ou choupana. Era tudo mato fechado. A mulher e o garoto subiram o morro até topar em cima com um descampado. Ali não havia mato a não ser do lado esquerdo e direito. A moça estava exausta de tanta caminhada. E viu o garoto tossir, como alguém que estava com falta de ar.
--- Tai doente? – perguntou Francisca de forma assombrada.
--- Não. Só tossindo. Estou quase bom. – respondeu Dino ainda tossindo e piando no peito.
--- Tenha calma. Respire devagar. – recomendou a moça.
Com o passar do tempo, sol quente de lascar o tacho, o menino se recuperou do puxado e estava pronto para caminhar. Francisca reclamava do sol. Era uma quentura sem fim apesar do vento morno que soprava. De onde eles estavam podiam visualizar a bodega por onde passaram as pequenas e grandes casas que havia ao lado, a pista que fazia o roteiro para os carros que chegavam ou saiam para as cidades do interior. Mesmo com o sol quente, os dois ainda se juntaram para ver aquelas casas por onde há pouco passaram.
--- Longe, não é? – indagou Francisca com um leve sorriso na face.
--- Muito. E tem os navios lá longe. Estou vendo eles. – respondeu Dino.
--- É verdade. Mas deixa-os pra lá que eu vou fazer xixi – sorriu a moça.
Ali a moça se baixou para cumprir suas necessidades. Logo após, a mulher subiu as calcinhas diante do olhar inquieto e irreverente do menino que procurava ver direito por onde ela fazia o tal xixi.
--- Por onde é que sai? – perguntou o garoto.
--- O que, menino? – quis saber a moça com o seu ar alegre.
--- O xixi! – investigou o garoto de modo estranho.
--- Por aqui, olhe! – e a moça retirou a calcinha e mostrou com toda calma o local onde a mulher fazia xixi.
O menino ficou delirante com aquela visão que acabara de ter. O seu membro sexual então ficou inquieto por ele ter visto a genitália daquela encantadora e atraente dama, coisa que não pensara fosse assim de modo tão simples. E então de vez perguntou a sua namorada de infância.
--- E por onde a gente nasce? – indagou o garoto pleno de curiosidade.
--- Por aqui, também. A mulher engravida e com o tempo a criança nasce por aqui. Tá vendo como é a coisa? – inquiriu a dama de forma acalentadora e de modo insinuante mostrando a sua genitália.
Então, Dino fez força para não querer buscar mais informação por parte de Francisca, pois a mulher estava em forma fascinante com todo aquele narrar do que acontecia entre o homem e uma mulher. O garoto, enfim, perguntou a sua namorada do tempo.
--- Eu posso fazer você ficar buchada? – perguntou Dino extasiado com aquele perfume que jorrava das partes intimas da dama.
--- Agora? Vamos! Estou com uma bruta excitação. – respondeu Francisca ao garoto.
E ali, em plena terra de ninguém, os dois fizeram sexo sob o sol quente de verão onde se ouvia com insistência e pura delinqüência o mar bater nas pedras imersas da praia com um jeito de afago entre as sublimes ondas do oceano e os arrecifes sagrados do dilúculo e soberbo pélago. As sobras das arvores que estavam ao largo faziam a vez de olvidar os ternos lamentos daqueles dois amados.

LUZ DO SOL - 81

- EMOÇÕES -
- CONTO -
As emoções porque passaram Francisca e Dino não terminaram naquele ponto. Na noite da mesma sexta-feira, a moça foi até a casa de o menino conversar por breves momentos com a mulher, sua mãe – do menino -. Estavam em casa o pai de Dino e a sua mãe. O garoto veio ficar ao lado de sua mãe para ouvir a conversa de Francisca. O pai do menino estava lendo um livro sentado no sofá da sala e assim ficou. Eram sete horas da noite. O garoto tomara café alguns momentos passados. O seu pai, com um cachimbo na boca, pernas encruzadas como se fossem uma armação de quatro, estava apenas a olhar o livro, com certeza de muito saber. É tanto que ele nada falava do seu canto. A mãe de Dino estava na porta de casa a conversar com Francisca coisas que para o menino não interessava. Em certo tempo, a moça falou para a mãe de Dino:
--- A senhora deixa Dino ir comigo até a venda? – perguntou Francisca com voz suave e sorriso na face.
--- Você quer ir, Dino? – indagou a Dino a sua mãe.
--- Vou. – respondeu o garoto meio acanhado.
--- É perto. Na bodega do seu Chiquinho. – explicou a moça com um sorriso.
--- Quer ir? Pronto. Ele vai. Com você, ele vai. – disse a mãe do garoto.
De imediato os dois – Dino e Francisca – estavam se preparado para sair. Francisca ainda disse a mulher para, talvez, disfarçar.
--- A gente passa, primeiro, da casa de Maria. – falou a moça.
--- Mula Manca? – falou o homem do seu sofá de vime.
--- Senhor, seu. ... – a moça falou de onde estava estirando o pescoço para dentro da sala, pois Francisca estava na calçada da casa.
--- Nada não. Besteira dele. – respondeu a mãe de Dino.
A moça sorriu meio sem jeito e se voltou para Dino que acabara de sair do cois de sua mãe onde estava pregado. Em seguida, Francisca disse ao menino.
--- Vamos? – perguntou Francisca.
--- Vamos. – disse o menino.
Então os dois saíram alegres e satisfeitos se despedido da mãe do menino e a moça a dizer.
--- Nós voltamos já! – respondeu Francisca.
--- Cuidado. – respondeu a mãe do menino.
--- Pode deixar. - replicou a moça.
Da casa de Dino o caminho era fácil, pois era noite de lua cheia e tinha iluminação urbana nos postes do bairro. Francisca pegou na mão do menino e seguiu pela rua que estava sua esquerda e caminhou direto meio quarteirão para então até pegar um beco de dava acesso a um terreno baldio, cheio de mato, alguns crescidos nos quintais das pobres casas muradas. No meio do mato rasteiro tinha um campo que era só de areia. E no final do campo ficava o Mercado do bairro. Tudo ali era escuro, não fora a luz da lua cheia. Para se entrar no Mercado, àquela hora fechado, tinham uns cinco batentes por onde as pessoas subiam e entravam de vez no mercado. Quando era noite clara ou não, os casais de namorados subiam os degraus ou da porta da esquerda, ou da porta da direita da entrada do mercado. Ali era a parte de trás do ponto de comércio e ninguém estava a olhar para aquela parte que parecia um local bem ermo.
Quando Francisca e Dino chegaram aos batentes, a moça chamou o menino para que ali sentasse também e eles pudessem contemplar a lua cheia. O menino estava de pé olhando a moça com cara desconfiada.
--- Sente filho. – disse a moça.
E o menino sentou no batente ao lado da moça ficando a observar a saia da mulher que ela, aos poucos levantava como se não estivesse fazendo coisa alguma. No meio do que fazia, a moça dizia ao menino.
--- Olhe a lua. Bonita, não é? Se eu pudesse ia morar lá. – profetizou a jovem a sorrir.
O menino nada respondeu. Apenas olhou a lua. Nesse meio tempo Francisca deitou o menino em suas pernas mornas e macias. O menino sem fazer questão obedeceu àquela ordem dada pela mulher.
--- Deite aqui. – sugeriu a moça.
Em meio das pernas despidas, pois a moça levantara mais ainda a sua saia, o menino olhou de modo sublime o que então pudera ver tão de perto. Ele, assim como estava encostado as coxas da moça, via bem, quase pegando, as partes intimas da jovem. A moça abriu devagar as suas coxas para o menino poder ver melhor o que ela tinha em segredo.
--- Que lua divina. – dizia Francisca ao léu.
E o menino nem queria saber da lua ou de coisa alguma. Apenas estava a olhar a parte intima de Francisca ainda coberta pelas suas calcinhas. A jovem em êxtase pegou de modo muito vagaroso a mão do menino e fez então buscar a sua genitália para poder sentir o verdadeiro sentido do amor eterno. O garoto teve medo:
--- Pegue filho. – disse Francisca de forma meiga e enternecedora.
O menino então afastou a margem da calcinha da moça e penetrou com a sua mão na vagina da linda criatura que a fez então delirar de anseios incontidos. Francisca ansiava de desejos incomuns pedindo pelo amor de tudo que o menino fizesse bem mais ainda aquele momento deslumbrante de ambição.
--- Faz filhinho. Faz. Deixa bem dentro. Assim. – dizia a mulher em ânsias.
Algo morno já enchia a mão do menino. A cada momento ele estava mais dentro das coxas da embriagadora ninfa. Fazia o que tinha de fazer com a jovem já sem o menor medo de ambição. De imediato sentira o seu pênis a vibrar dentro do velho calção e a mão da mulher a lhe pegar devagar com ternura e afeição aquele frágil pedaço do seu animado corpo. Ele estremeceu ao sentir algo que jamais sentira em toda a sua vida. A mão da jovem enternecia o que ele não conhecera de forma ampla. A cada manejo que a jovem fazia mais vontade o menino sentia. Ao que parecia era como se fosse de urinar nas tenras mãos da jovem amada. Em um tempo derradeiro, ele sentiu como um vômito que lhe saia do seu pequenino pênis. Algo estranho por demais. Ele ouvia a mulher a gritar bem baixinho em ânsia de ternura.
--- Ai meu filhinho. Eu estou em ânsia. – disse Francisca.
Ao sabor do acaso, um casal de namorado chegou ao ambiente e procurou sentar na calçada do segundo portão que também era fechado. Enternecidos de alegria, esse casal parecia vir também para fazer algo semelhante àquilo que Dino de Francisca fez nas horas fecundas do anoitecer de lua cheia. Nesse instante, Francisca chamou o garoto para ir, pois já estava tarde demais e era tempo de chegar a sua casa.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

LUZ DO SOL - 80

- FRANCISCA -
- CONTO -
Eram três horas da tarde de uma sexta-feira e Francisca estava na cozinha da casa onde ela trabalhava como empregada doméstica. De longe se ouvia a moça a cantar uma suave canção cheia de ternura e encanto como se embalasse na rede uma criancinha, talvez sua filha, talvez sua sobrinha. Era uma canção profundamente triste como quando se houve à noite a mãe cantar para o seu filho dormir. A ouvir tal canção Dino que estava do outro lado da rua, uma via sem calçamento, com arbustos no seu meio, pé de mato como carrapateira e outros mais iguais a um plantio de capim. A voz languescida da mulher mais parecia um lamento triste de alguém partindo para bem distante. Ao ouvir aquela melodia, o menino Dino evocou as suas noites quando sua mãe o acalentava, a balançar na rede de malha onde os velhos punhos rangiam ao compasso das escapas cravadas nos cantos das paredes da pobre casa.
Em meio daquelas horas, a moça abriu a porta da casa em que morava, já sem mais cantar, e veio até o portão de ferro da morada. O muro da frente da casa tinha um gradeado para um lado e para o outro do portão de ferro. A habitação era separada da frente onde estava o portão de ferro, como ainda hoje se faz entre casas nobres dos aristocratas da cidade onde eles moram. Em passos ligeiros, Francisca abriu o portão e se pos a olhar de um lado para outro procurando ver alguma pessoa que ela talvez o conhecesse. Ao que parecia, tal pessoa não vinha ou já passara. Então a bela jovem olhou na direção de onde estava Dino. O menino dos seus dez anos estava a brincar com a sua baladeira, atirando carrapateiras nas lagartixas que apareciam no muro do lado de onde ele estava. Sentado como ele estava, continuou a fazer alvo nos tolos animais pequenos e gordos que continuavam a aparecer no enorme muro que fazia parte do cercado do terreno em que o garoto sempre estava nas tardes de sol. Ele aproveitava a sombra feita pelos cajueiros, mangueiras e pitombeiras para se divertir com os lagartos.
Não demorou tanto para Francisca o chamar, com certeza, para fazer mandados:
--- Dino! Vem cá! – ela chamou o menino de forma branda com um leve grito.
Dino seguiu atendendo o chamado da linda jovem. Ele a tinha em uma forma de deusa pelos encantos que brotava. Por tais motivos, ele não respondeu. Apenas seguiu em direção a encantadora mulher, bem jovem ainda. De cor de pele branca, com suas mãos macias, braços firmes, tamanho que Dino não sabia ao certo, porém que era alta, nem magra, nem gorda. Ao chegar ate onde Francisca estava essa lhe perguntou:
--- Viu o homem do pão? – falou a jovem.
--- Não. – o menino respondeu de forma calma.
A moça olhou firme o garoto e lhe perguntou afinal.
--- Tu vai comprar pão pra gente? – perguntou a jovem empregada.
E o menino respondeu simplesmente:
--- Vou. Onde é que eu compro? – indagou Dino desconfiado em olhar a moça.
--- Na bodega, trouxa. Compre quatro pães. Depressa. – falou a moça.
Ela tirou do bolso da saia uma nota e deu ao menino que a recebeu e guardou na mão.
--- Depressa. Tô te esperando. – voltou a dizer Francisca com voz alegre e sorridente.
O garoto saiu na carreira que nem bala pegava. Do seu canto, Francisca achou graça. Na casa onde a moça trabalhava tinham duas pessoas: o marido e sua mulher. Porém, de manhã e a tarde, ambos saiam para o trabalho. A mulher um tanto gorda trabalhava em uma repartição pública do Estado. O marido, um tanto velho, trabalhava em um Hospital mantido pelo Governo Federal. Enfim, os dois trabalhavam de segunda a sexta. No sábado, Francisca limpava a casa. E no domingo, trabalhava até o meio dia. Porém como empregada domestica, sempre estava ali para fazer o café da noite no domingo. Afinal, Francisca trabalhava de segunda a domingo para todos os efeitos.
Dino voltou na mesma carreira que fora. Ele entregou os pães e o troco a Francisca que no meio da conversa só fez chamar.
--- Entre pra cá. – chamou Francisca.
O garoto acompanhou Francisca, entrando pela casa cujos móveis eram luxuosos, coisas que ele nunca vira em sua vida de garoto mais ou menos pobre. Tudo enfim era requinte. Da sala de visitas até a cozinha. O garoto caminhou temendo tropeçar em algum móvel, olhando de cabo a rabo tudo por onde passava. O quarto de casal estava trancado e Dino não sabia por que. E ele nem perguntou o que havia lá dentro. Ele imaginou e foi só.
De cabeça baixa, chutando lata por assim dizer, Dino acompanhou Francisca até a cozinha da casa. Em sua moradia, que ficava ao lado, separado por um vasto quintal, Dino sabia o que estava acontecendo por lá. Em sua casa, a sua mãe estava cuidando da sopa para o jantar da noite. O seu pai ainda moço, homem dos seus quarenta anos estava trabalhado em uma repartição do Estado. Se por acaso sua mãe lhe chamasse, Francisca diria que ele estava naquela casa.
--- Ele está aqui, comendo pão. – diria Francisca.
Porém Francisca não disse isso. Ela, apenas fez o café, colocou nas duas xícaras, e comeu e bebeu em companhia de Dino.
--- Bom não é? – perguntou a moça se enchendo de graça.
O menino apenas sorriu. Logo depois do lanche do meio da tarde, ela chamou o garoto para ir até o seu quarto que ficava separado da casa. Era um quarto mesmo. De móveis quase nada. Apenas uma cômoda e um armário que estava fechado. Tal armário era de duas portas. Além desses móveis, havia uma cama de solteiro feita para dormir onde Francisca repousava nas horas vagas. Dino aproveitou a cama e se deitou. Francisca olhou para o garoto e sorriu.
--- Tais com sono? Dorme. – disse a moça.
O menino calou e ficou a olhar os movimentos da mulher em meio de tudo o que havia do quarto. Em determinado momento, Francisca teve que subir para alcançar a parte alta do armário e olhou para o garoto assim que subiu. Sorrio. Naquele instante a sua saia levantou mostrando as calcinhas da moça. O menino olhou sem dizer nada.
--- Que foi? – perguntou Francisca de modo faceiro e astuto.
--- Nada! – respondeu o garoto.
--- Minha calcinha? Foi? Quer ver mais? – indagou Francisca, sorridente.
--- Não. – respondeu Dino.
--- Você esta todo armado. Estou vendo daqui. – sorriu a moça.O garoto se encolheu todo. Não demorou nem tanto tempo e Francisca veio até onde estava Dino e começou a roçar o seu pequeno pênis na sua quente e firme mão, para depois puxar do garoto todo o seu sexo pela beira da calça e então começou a sugar aquilo que ele nunca fizera. Em êxtase e ansiando, o garoto então corou de toda a sua tenra face. A moça puxou o calção do rapazinho e fez amor como jamais tinha feito

quinta-feira, 8 de abril de 2010

LUZ DO SOL - 79

- VANUSA -
- CONTO -
Vanusa entrou no salão quando toda a gente grã-fina estava se enchendo de vodka, uísque, cerveja, Rum e outras bebidas bem ao gosto de cada um. Eram 8 horas da noite e as deusas-da-noite também estavam acompanhadas de seus pares, como sempre elas faziam. No seu aspecto de deusa, Vanusa trazia dentro de si o amargor dos instantes nostálgicos de uma tarde mal dormida, pois a noite do dia anterior foi terminar por volta das 11 horas da manhã do dia seguinte. A ressaca era imperdoável para as damas que faziam salão no randevu ao som de orquestras sempre em discos de vinil. E para Vanusa também não fora diferente. Apesar da sua cabeça não está mais girando, no entanto a deusa já havia vomitado o que pensava nunca ter comido ou bebido. Já estava no oitavo mês que Vanusa freqüentava a boate “Sândalo” onde as outras deusas ficavam apenas cinco meses, no mais tardar. A sua presença já se tornara um vicio para os mesmos freqüentadores de todas as semanas. Parceiro, ela jamais queria alguém, pois bem sabia que esse tipo de gente apenas prometia e não fazia coisa alguma. O dinheiro que Vanusa tinha guardado, ela usara em uma conta em um Banco da cidade, negocio mais seguro para a jovem dama. Ela usava um talão de cheque para as compras de maior valor. As despesas miúdas, ela mesmo comprava ou mandava comprar por uma servente do randevu. Vanusa vivia uma vida de louca com aqueles cavalheiros sempre ébrios. De quando em quando, Vanusa tecia um sorriso na boca para disfarçar a lágrima que estava a correr na face. Por vezes, a deusa fingia poder ser uma bailarina para satisfazer ao seu cliente ou amante, talvez mesmo amado
Bela e cheia de doçura, cabelos longos e escuros, face em forma redonda, olhos negros e tentadores, pois com eles seduzia aos seus amados com um meigo encanto, boca firme e nariz afilado, Vanusa tinha tudo de ser a mulher inevitável. Quando Vanusa sorria era um encanto de esplendor. Corpo todo alvo, pernas longas e sensuais. Peitos nem tão pequenos e nem tão grandes ela era a deusa do asfalto daquele lupanar a ocupar o terceiro andar do prédio, sendo o ultimo andar, na verdade daquele prédio que se mostrava decaído ao sabor do tempo. Por ali passavam todas as sortes de freqüentadores, desde ricos e opulentos empresários até mesmo os marujos de uma embarcação estrangeira quando aportava no cais bem próximo ao bordel.
Quando havia gente demais, as deusas eram chamadas para trazer mulheres de outros locais de modo a não faltar gente para atender aos freqüentadores. Algumas aceitavam, outras, não.
--- Está falido o palácio da perdição? – era comum se ouvir dizer às gargalhadas por parte das mulheres que já estiveram por poucos meses por lá.
--- Quem sabe. Quem sabe? – agouravam outras.
--- Procurando mulher aqui. – respondia alguém em eternas gargalhadas.
--- Deixa disso. São os marujos que estão lá. – adiantava-se com ímpeto um garçom.
E tudo voltava ao normal naquelas pocilgas de mulheres que antes foram sedutoras, pois no salão de baile do bordel apenas freqüentava mulheres formosas.
Seus trajes eram deslumbrantes, todos feitos de renda pura e importada do Japão ou do Oriente Médio. As vestes eram multicoloridas para bem ornar a deusa da noite. Com o passar dos meses, se alguma das belas mulheres não satisfizer aos fregueses, elas eram mandadas embora e toda sua veste ficasse para outra deusa que a gerencia tinha a missão de procurar de pronto por ambientes distantes e não conhecidos dos seus freqüentadores. Era um comercio ambulante esse que se faziam nos bordeis da cidade. As deusas não tinham permissão de sair com um cliente para fazer amor fora do recinto onde trabalhavam sem parar. No período de carnaval, a ordem era ainda mais pesada. Vigias o bordel tinha por todo o lado para conferir de uma deusa daquele local estava cumprindo as normas estabelecidas.
--- A gente não pode nem fazer xixi, pois o gerente não deixa. – falava uma deusa a outra deusa em voz baixa.
--- Eu vou embora daqui, que é muito melhor. – respondia a outra.
--- Pra onde? – perguntava a primeira dama.
--- Pra qualquer lugar. Longe daqui. Isso tá se acabando. Você sabe disso? - indagou a deusa sem alarmar.
--- É. Os motéis. Estão de ruma espalhados por aí. – respondia a outra deusa.
--- Mas lá, eles não empregam. Você dá o seu telefone e o gerente te chama. – concluiu a deusa.
--- Assim é pior. Ou não? – inquiriu a mais jovem.
No salão, a bailar sobe os acordes de instrumentos de corda as deusas faziam o seu rodopio em torno do seu amado que saltitava de alegria. Vanusa, já pouco alegre, pois a carraspana havia passado com umas doses de uísque, dançava ao léu para também seu amante de alcova cuja barriga imensa não lhe permitia dançar e só observar a sua parceira com seu corpo sensual estando à mostra. Com tais prazeres, o homem gordo, já um tanto ébrio gracejava com os seus companheiros de mesa para conter o afago que Vanusa fazia a ele.
--- Isso é que é mulher. Não a desgraça que tenho em casa. – gargalhava o gordo.
E a dança no salão sob acordes de anjos divinos, continuava com eterna maestria sem modos de terminar. Eram tão brilhantes e acalentastes aqueles acordes que nem os bardos trovadores saberiam dizer predizer quem fizera tal êxito. Os instrumentos de sopro, de madeira, de cordas e de metais acudiam por vezes os mais distantes e méritos instintos onde o acaso não podia acariciar. Em meio de tudo estava Vanusa para todo sempre com o seu amado delirante gracejando a cada instante as suaves contas do amor que o destino escreveu.