quarta-feira, 10 de junho de 2009

RIBEIRA - 299

NARA LEÃO
A MUSA DA BOSSA NOVA
Nara Lofego Leão nasceu em Vitória, Es, a 19 de janeiro de 1942. Filha caçula do casal capixaba Jairo e Altina Leão, mudou-se para o Rio de Janeiro quando tinha apenas um ano de idade, com os pais e a irmã, a jornalista Danuza Leão. Durante a infancia, Nara teve aulas de violão com Solon Ayala e Patricio Teixeira, que integrou ao grupo "Batutas de Pixinguinha". Aos 14 anos, em 1956, resolveu estudar violão na academia de Carlos Lyra e Roberto Menescal, que funcionava em um quarto-e-sala na rua Sá Ferreira, sempre em Copacabana. Mais tarde, Nara tornou-se professora da academia.
A bossa nova nasceu em reuniões no apartamento dos pais da cantora, em Copacabana, durante reuniões das quais participavam nomes que seriam consagrados no gênero, como Roberto Menescal, Carlos Lyra, Sérgio Mendes e Ronaldo Bôscoli, com quem teve um relacionamento, em 1957. Ele tinha 28 anos e ela 15. No fim dos anos 1950, Nara foi repórter do jornal "Última Hora", onde Bôscoli também trabalhava, e que pertencia a Samuel Wainer, casado com a irmã de Nara, a jornalista Danuza. O namoro com Bôscoli terminou quando este iniciou um caso com a cantora Maysa, durante uma turnê em Buenos Ayres em 1961.
Daí em diante, Nara se aproxima de Carlos Lyra e de suas idéias mais à esquerda. Inicia o namoro com o cineasta Ruy Guerra e passa a se interessar pela música produzida nos morros cariocas.
A estreia profissional se deu quando da participação, ao lado de Vinicios de Moraes e Carlos Lyra, na comédia "Pobre Menina Rica" (1963). O título de Musa da Bossa Nova foi a ela creditado pelo cronista Sérgio Porto. Mas a consagração efetiva ocorre após o movimento militar de 1964, com a apresentação do espetáculo "Opinião", ao lado de João do Vale e Zé Keti, um espetáculo de crítica social á dura repressão imposta pelo regime militar. Maria Bethânia, por sua vez, a substituiria no ano seguinte, interpretando Carcará, pois Nara precisara se afastar por problemas de saúde.
Dentre as suas interpretações mais conhecidas, destacam-se O Barquinho, A Banda e Com Açucar e Com Afeto - feita a seu pedido, por Chico Buarque, cantor e compositor a quem homenagearia nesse disco homônimo, lançado em 1980.
Nota-se que Nara Leão vai mudando suas preferências musicais ao longo dos anos 1960. De musa da Bossa Nova, passa a ser a cantora de protesto, simpatizante das atividades dos Centros Populares de Cultura da UNE. Embora os CPCs já tivessem sido extintos pela ditadura, em 1964, o espetáculo Opinião tem forte influencia do espírito cepecista.
Em 1966, interpretou a canção A Banda, de Chico Buarque no Festival de Música Popular Brasileira (TV Record), que ganhou o festival e o público brasileiro. Nara também aderiu ao movimento tropicalista, tendo participado do disco-manifesto do movimento - Tropicália ou Panis et Circensis, lançado pela Philips em 1968 e disponível hoje em CD. Casa-se com o cineasta Cacá Diegues, com quem terá dois filhos - Isabel e Francisco e, no fim dos anos 1960, tranfere-se para a Europa, permanecendo por três anos, entre a França, onde nasceu a filha Isabel, e a Itália. No começo dos anos 1970, decide estudar psicologia na PUC-RJ. De fato, Nara planejava abandonar a musica mas não chegou a deixar a profissão de cantora, apenas diminuindo o rítmo de trabalho e modificando o estilo dos espetaculos. Morreu na manhã de 7 de junho de 1989 vítima de um tumor inoperável aos 47 anos de idade. Seu último disco foi My Foolish Heart, lançado naquele mesmo ano, interpretando versões de clássicos americanos.
Em 2002, seus discos lançados anteriormente em LPs foram relançados em duas caixas separadas - uma com o período 1964-1975 e a outra 1977-1989 - trazendo também faixas-bônus e um livreto sobre a biografia.

terça-feira, 9 de junho de 2009

RIBEIRA - 298

AVENIDA RIO BRANCO
Quem vê, nos dias atuais aspectos da avenida Rio Branco, em Natal, Rn, nem imagina que aquela artéria tem uma história que remonta o tempo antigo da cidade, quando nem era chamada de avenida Rio Branco e o seu tamanho terminada no cruzamento com a rua Jovino Barreto que nem exista naquele local onde está, sendo uma cerca de pau e quem seguisse por ali, teria que dobrar à esquerda ou à direita para pegar o seu rumo.
Na Avenida Rio Branco daquela época posterior, mostrada na foto, tem algo singular para quem olhar. Ali, já no cantinho abaixo, perto de um cercado onde esteve o Quartel do Exercito, o retrato do Mercado Público da Cidade, uma bela estrutura por assim dizer, com portôes de ferro que abriam para cima, feitos pelo ferreiro e professor do Liceu Industrial, mais tarde chamada de Escola Industrial, sr. Luís de França. Naquele mercado se encontrava de quase tudo que havia na época; do café com cuscuz, bolo de fubá e tapioca, até mesmo aos sapatos e tecidos para as pessoas menos dotadas de poder aquisitivo. O Mercado da Cidade, como era chamado, vinha de tempos mais remotos, no século 19. Era um verdadeiro quarteirão o canto ocupado pelo local público e, em tempos remotos, à tarde, quando o movimento era menor, as verdadeiras ruas que separavam as lojas existentes no seu interior, era um divino prazer para se passear sem nada falar ou dizer. As bancas de carne verde (carne de gado morto na hora) se abasteciam de lotes para serem vendidas no dia seguinte aos seus consumidores.
Do lado de fora do Mercado, pelo lado direito de quem olhava da Avenida Rio Branco, podia-se ver os carros, caminhões que traziam frutas e verduras para os comerciantes da época instalados no interior do velho Mercado. No chão da rua se podia notar os montes de palhas de bananeiras ressecadas pelo tempo misturadas às cargas de magas, laranjas, limas, melancias, melôes e até mesmo bananas que efeitavam o ar impuro do local com seus perfumosos encantos de frutas maduras.
Do lado da frente, os quitandeiros arrumavam seus locais de vendas, com frutas, verduras e mesmo negócios bem diferentes, como fumo e tabaco, para os seus consumidores habituais.
O Mercado da Cidade era um ponto de comércio de repleta atividade, onde balaeiros buscavam caminho por entre o povo repleto que se espremia na passagem daqueles homens robustos. As crianças amedrontadas por diverso alvorosso se encolhiam por entre as pernas de suas mães, temendo serem agarradas pelos homens sujos, com um pano na cabeça e outros, com um saco de farinha que lhe protegiam no descarrego das camadas de carne verde suspensas em ganchos para depois arriar os colchões das pernas das vacas, ficando alí, em repouso, até o dia seguinte.
Medo fazia à criançada, as cabeças de bode, sem pele, cor vermelha, olhos esbugalhados, olhando para o sem fim, que os homens traziam também e depositavam nas pedras de lousa e alí ficavam a espera de quem as comprasse. Eram cabeças de bodes, cabras ou carneiros, com os dentes serrados como que sorrindo para as crianças, ameaçando-lhes pegar de jeito, a qualquer instante para o seu festím diabólico que se arrumavam durante as madrugadas escuras nos quintais das suas casas, entre rezas, fumaças e fogueiras, tendo a presença dos homens encapuzados com suas cabeças cobertas por um pano melado de sangue. Ah! Isso fazia muito medo! E como fazia!
O Mercado era assim. De manhã, cedinho, coisa de cinco horas, o dia bem não despontava, as mulheres dos quiosques já preparavam o café para atender aos seus frequeses. E como já enfatizei: café, bolo de milho, tapioca, cuscuz e pão. E o consumidor, se quisesse mais, até que tinha. Os bules com seus gargalos estreitos, eram cobertos por uma almofada que não os deixavam esfriar por um longo tempo, serviam aos consumidores as xicaras que eles ingeriam. O café era de graça. O fregues pagava somente o que consumia por fora, como pães, tapiocas e coisas mais.
Os locais, ainda cedo, estavam fechados, somente postos a funcionar para a venda de seus artigos, como sapatos e tecidos, por volta das sete horas do dia. Antes disso, só quem vendia as verduras, legumes e mesmo os quiosques de venda de objetos velhos.
Em sua cobertura, podia-se notar que o prédio tinha cinco revestimentos, se estendendo de leste a oeste. Assim, os seus ocupantes ficavam tranquilos com a sua segurança. Na parte leste, tinham lojas de comércio de produtos variados, como faijão, farinha, açucar, arroz e tudo o que se consumia de forma enlatada, como o leite, por exemplo. Logo atrás, mais chegando ao fim do prédio, havia as bancas de peixes, dos grandes aos pequenos, ostras, camarões e até mesmo lagostas. Alí, o cheiro era quase insuportavel, pois se confundia com o arroma fétido que brotava dos miquitórios que ficavam logo a baixo. Quem quisesse sair pelas portas dos fundos, encontraria rumas de estercos humanos misturados com urina dos ébrios que frequentavam o local. Era assim o velho espaço de vendas da cidade. Na parte de trás, havia três escadarias para descer e subir, em dois vãos de ascessos, o que não acontecia com a parte da frente, que era plana como o chão. O terreno inda hoje tem seu declive como sempre foi. Mesmo assim, o Mercado da Cidade, destruido por um incêndio na década de 1960, era um belo local de se viver e ser feliz. Quando houve o incendio que destruiu todo o espaço, a Prefeitura de Natal prometeu construir novos espaços para abrigar os comerciantes. Assim, surgiu, entre outros, o Mercado de Petrópolis, que os locatarios nunca aceitaram, vez que era distante dos seus comercios e consumidores. Não foram poucos os que morreram ou ficaram inválidos por doenças mentais, ao perderem tudo o que tinha naquele pavoroso incendio que consumiu em pouco espaço de tempo os seus bens e negócios por fazer, visto de vários pontos da Capital. Era um sábado à noite quando tudo isso ocorreu. Enfim, uma coisa era certa: já não havia mais locais para se andar sozinho, olhando as coisas que nos entretiam deveras nas tardes sabatinas de alegres devaneios. O Mercado Público da Cidade tinha o seu fim desastroso imposto pelo fogo.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

RIBEIRA - 297 -

AÇUDE GARGALHEIRAS
RITO DA PASSAGEM
O segundo maior acontecimento da história indígena do Rio Grande, depois da Guerra dos Índios, foi o Rito da Passagem realizado às margens da lagoa Macaguá, atual açude Gargalheiras, município do Acarí, Rn, de onde a noticia percorreu toda a Europa, passando a história da humanidade, sem a necessária atenção, a exemplo de outros fatos da terra potiguar. (AF)
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Rito da Passagem foi a grande festa realizada pelos índios Tarairiú, a 25 de junho de 1647, no mesmo local onde, atualmente está a Barragem Marechal Dutra ou Açude Gargalheiras, município do Acarí-Rn. Esse grande acontecimento foi levado ao conhecimento de toda a Europaem 1651, pelo historiador francês Pierre Moreau, através de seu livro publicado naquele ano, em Paris - baseado no relato do holandês Roulof Baro.. Naquele ano - 1647, a bacia do Açude Gargalheiras tinha o nome de lagoa Macaguá denominada pelos indigenas Tapuia, do povo Tarairiú, chefiado pelo rei ou cacique Janduí - dominador de todo o sertão no então Rio Grande. Depois de 360 anos - ainda sabemos muito pouco dessa ocorrencia, no Rio Grande do Norte porque vivemos esquecidos da importância histórica e cultural daquele acontecimento para a coletividade nordestina e brasileira. A festa do Rito da Passagem durou mais de uma semana com 3 a 5 mil índios, em torno da lagoa Macaguá, constituidos de mulheres e homens - crianças, jovens e velhos, vindos de outros locais do sertão. As mulheres grávidas alí tiveram seus filhos, sob as árvores, durante o dia ou à noite, como parte da festa, segundo os costumes indígenas, sob a proteção dos pajés ou tuxauas, a exemplo do que se repete, hoje em dia, nas tribos indígenas. O casamento de jovens - foi outra passagem significativa da festa, após muitas horas de preparação dos noivos, com suas tangas longas, feitas de grandes penas de emas e outras aves, expostas nas costas, desde a cabeça até a cintura, conforme os hábitos e as recomendações indígenas. Os adolescentes e jovens masculinos foram, naquele mesmo dia, segundo a tradição nativa, marcados pelos pajés, com pontas de pau ou de osso, transpassadas pelos tecidos laterais do rosto, enquanto o sangue escorria, sem choro de lágrimas, oferecidos ao deus Tauba. Para que servia essa marca? Era o símbolo do próprio povo Tarairiú, conforme o seu maioral - Janduí, também assim caracterizado desde criança, como descendente do povo Gê, ainda existente no Brasil. No final das tardes - início das noites, às margens da lagoa, as índias solteiras faziam as danças de roda, de mãos dadas, cantando e sorrindo, com gestos de alegria, esperando a hora do rito de união aos seus companheiros ou futuros maridos. O peixe, especialmente a Traíra pescada, fartamente na lagoa, era um dos principais alimentos naqueles dias, além do milho e mandioca produzidos na região, pelos habitantes de então, enquanto o algodão era exportado para a Europa por mercenários e piratas franceses.
No céu azul, o Sol banhava as montanhas e serras, enquanto as aves de rapina, inclusive a Macaguá ou Acauã - espécie de gavião, sobrevoava o espaço daquela lagoa, onde os indígenas jogavam os restos de comidas transformados em carniças para servir de alimentos aos animais. Após um longo ritual de cura sobre uma criança doente, um dos feiticeiros Tarairiú - foi expulso daquele ambiente, pelo fato de não haver salvo o menino, com suas manifestações de rezas e bafejos de fumaça - próprios dos curandeiros nativos. O cadáver daquela criança - foi motivo de culto com respeito e amor dos seus familiares, assim como de outros indígenas, ao ser cozido e comido, depois de ter sido oferecido aos participantes do ato canibal, sem ódio e vingança.
Nas semanas anteriores daquele encontro, os jovens índios fizeram , diante das moças tribais, as corridas do tronco em suas aldeias, como demonstração de força, coragem e masculinidade, visando conquistar as suas pretendentes para a união definitiva ou casamento dos homens brancos. Durante o Rito da Passagem em Macaguá, o rei Janduí no silêncio de sua tenda, em companhia das suas mulheres e mais de 60 filhos, mais os feiticeiros e guerreiros de canfiança - olhavam para o tempo, perdia a esperança no apoio manifestado pelo governo holandês para o combate aos portugueses que dominavam o litoral brasileiro. Desde 1639 - Janduí procurava obter o esperado reforço dos holandeses para as lutas contra os portugueses, quando, naquele ano de seca, foi realizada a expedição de 2 mil índios do sertão até as proximidades do Rio Grande, atual Natal - como demonstração de força e decisão para a guerra aos luso-brasileiros. A maior decepção de Janduí sobre o governo holandes no Brasil - foi quando houve a negação deste, em 1646 - para que o assassinato de Jacob Rabe, sob as ordens do coronel Joris Garstman, comandante do forte Ceulen, ex-Santos Reis, atual Reis Magos - fosse julgado e vingado pelos Tarairiú. Na chacina de Cunhaú-Uruaçú - 1645, no Rio Grande, Rabe tornou-se o centro das atenções indígenas do sertão, após muitos anos de convivencia com eles na qualidade de representante ou intérprete dos flamengos junto as aldeias do povo Tarairiú, de onde vieram os guerreiros para a tomada do engenho de Cunhaú e as colônias de Uruaçú, em companhia desse agente holandês. Para cessar o grito de guerra dos Tarairiú contra os portugueses, mediante o esperado reforço dos holandeses no Brasil - os diretores da WIC - Companhia das Indias Ocidentais, em Pernambuco - determinam ao seu agente, Rouloef ou Roldolfo Baro junto a Janduí, que fosse levar para este, os pacotes de presentes em machados, tecidos, espelhos, colares e pentes. Fazia mais de 20 anos que Baro vivia com os índios do sertão no Rio Grande, para onde fora levado, aos 7-8 anos de idade, como sobrevivente do navio holandês Mar Azul, atacado e destruido - 1617 pelos portugueses no litoral do Rio de Janeiro, quando ele e o comandante foram os únicos salvos, levados presos para Salvador - Bahia. Na sua terceira viagem a Macaguá, iniciada a 3 de abril - 1647, quando saiu de sua casa-fazenda Jacaré-Mirim, à margem do rio Potengí, atual municipio de São Gonçalo do Amarante - Rn, Baro cumpria a missão do governo holandês, para evitar que os índios Tarairiú prosseguissem destruindo as plantações e o gado dos colonos. No roteiro do Rio Grande - atual Natal, naquele periodo, havia somente matas, rios e serras, sem qualquer estrada, exceto o denominado Caminho de Garstman, até próximo de Santa Cruz, por onde Baro foi com quatro auxiliares, no percurso de 80 léguas - 480 km até Macaguá, no prazo de 80 dias, em virtude dos rios cheios e muita chuva.
A jornada não parecia ser da piores, considerando numerosas outras, feitas com Janduí e seus índios, não somente pelo sertão e litoral do Rio Grande, assim como pela Paraiba, Pernambuco e Alagoas onde ele esteve expulsando os colonizadores portugueses. No rio Picuí - foi localizado por Baro e comitiva na direção Sul de Macaguá, no dia 22 de maio, quando foram vistos, naquele local, quatro guerreiros índios, montados em seus cavalos, dispostos em orientar os visitantes até a aldêia de Janduí, situada na margem da imensa lagoa Acauã-Gargalheiras. O pai adotivo de Baro - Janduí recebeu o filho em sua tenda, com alegria e admiração, fazendo ao mesmo tempo, as reclamações sobre os holandeses pela falta de reconhecimento aos Tarairiú dispostos em expulsar os colonizadores. No "altar para os céus" das serras de Macaguá, atual Acarí, o prof. B.N. Teensma assinala que Baro passou mais de 30 dias ao lado dos indígenas, vendo e participando do Rito da Passagem, falando, pensando, rindo, cantando e chorando com eles, relembrando os dias de sua infância e juventude.
Sem haver mais as fortes chuvas de maio-junho, Baro iniciou o seu regresso ao Rio Grande, dia 7 de julho, seguindo o mesmo roteiro de antes, até o forte Ceulen, onde se apresentou à tarde de 14-7 ao comandante Cornélio Bayaert, como interino de Joris Garstman, este convocado para ir a Pernambuco fazer depoimento sobre a morte de Rabe. Antes da missão Macaguá, o alferes Baro havia adquirido em 1644, com o dinheiro do primeiro ano de serviços naquela Companhia, uma terra na aldeia Jacaré-Mirim, ao norte do rio Potengí, onde ele pretendia fazer agricultura e pecuária, nos anos seguintes, sem prejudicar suas atividades na organização holandesa. Outra decisão de Baro foi a sua viagem à Holanda em outubro daquele ano, para o casamento com Lobberich Wijbrants, em Amsterdam, tendo regressado ao Brasil nos dias posteriores com o fim de continuar na mesma função de antes.
Na expectativa do atendimento, a exemplo do que ocorria com outras pessoas comprometidas com o governo holandês em Pernambuco, inclusive o coronel Garstman, então comandante dos flamengos no Rio Grande, Baro apresentou requerimento aos diretores da WIC no sentido de que ele fosse autorizado à criação de gado em sua fazenda as margens do rio Potengí. A permissão esperada, foi negada no início de 1648, motivo pelo qual Baro preferiu afastar-se ou deixar a Companhia para cuidar exclusivamente de sua fazenda, ao lado da exposa, na terra em que ele cresceu ao lado dos índios com quem aprendeu a ser livre, o que jamais ocorreu.
Em decorrencia de tais questoes, Baro preferiu em agosto, quando completava cinco anos de função na Cia. das Índias Ocidentais, desligar-se da mesma, ou seja, demitir-se, pois os planos adotados anteriormente estavam sem indicadores positivos.
Os sonhos de Baro, assim como de Janduí, a partir do Rito da Passagem, ficaram no abandono e esquecimento, no mistério do tempo. ou seja, sem história, até mesmo na hora da morte, pois ambos não tem a definição das datas e locais dos finais de suas vidas. Apesar de quase 4 séculos desses acontecimentos, ainda podemos esperar que a cultura dos indígenas seja reconhecida, admirada e respeitada na linha infinita dos três tempos, a partir do Acarí, pelos grupos sócioculturais do Brasil e, necessariamente, da Holanda que preferiram soterrar os fatos históricos e culturais dos Tarairiú.
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Arlindo Freire -
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segunda-feira, 1 de junho de 2009

RIBEIRA - 296

VICENTE CELESTINO
Vicente Celestino (Antônio Vicente Filipe Celestino), cantor, compositor e ator, nasceu no Rio de Janeiro (RJ), em 12 de setembro de 1894 e faleceu em São Paulo, em 23 de agosto de 1968. Filho de um casal de imigrantes calabreses chegados ao Brasil dois anos antes de seu nascimento, teve dez irmãos, quatro também artistas: João, galã cômico; Pedro Celestino, tenor; Radamés, baritono; e Antonio, baixo. Vicente começou a cantar aos oito anos, num grupo chamado "Pastorinhas da Ladeira do Viana" e, ainda aluno de escola primária, iniciou-se no ofício de sapateiro com o pai, entrando para o Liceu de Artes e Oficios, para aprender desenho industrial, logo após terminar o primário.
Em 1903, participou do coro infantil da ópera "Carmen" (Georges Bizet), no Teatro Lírico e, notado pelo tenor italiano Enrico Caruso, recebeu convite para ir estudar canto na Itália, mas seu pai recusou-lhe autorização. Vicente Celestino trabalhou numa fábrica de guarda-chuvas, em 1905, foi servente de pedreiro no ano seguinte e, em 1910, voltou à sapataria do pai. Cantou solo em público, pela primeira vez, na peça "Vida de Artista", encenada em 1912 pelo Grupo dos Cartolas, formado por amigos do bairro da Saúde. Depois começou a cantar em festas, serenatas e casas de chope, abandonando o emprego em 1913 para dedicar-se somente à música. Numa dessas casas de chope, foi ouvido por Alvarenga Fonseca, que o levou para a Companhia Nacional de Revistas, do Teatro São José, da qual era diretor. No dia 10 de julho de 1914, estreou na revista Chuá-Chuá, de Eustórgio Wanderley e J. Ribas, participando do coro e solando a valsa Flor do Mal (Santos Coelho e Domingos Correia), com calorosos aplausos. Dois anos mais tarde, integrando a Companhia Leopoldo Fróis, foi cantar em São Paulo, sendo promovido a ator-cantor, apresentando-se depois em Porto Alegre e Pelotas, Rs, Pernambuco e Bahia. Em 1916 gravou seu primeiro disco - Flor do Mal e Os Que Sofrem - (Alfredo Gama e Armando Oliveira), na Casa Edison (Odeon), do Rio de Janeiro. Vicente Celestino deixou o Teatro São José em 1917, para se dedicar ao estudo de canto, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Em 1919, voltou aos palcos, como ator de várias peças, começando, em março, no papel principal em "Amor de Bandido" (Oduvaldo Viana e Adalberto de Carvalho), encenada pela Companhia de Pascoal Segreto, no Teatro São Pedro (hoje João Caetano). Seu maior sucesso nessa temporada foi a ópera Juriti, de Viriato Correia, com música de Chiquinha Gonzaga, apresentada no mesmo teatro.
Com a atriz e cantora Laís Areda, organizou sua própria companhia de operetas, em 1920, estreando com Loucuras de Amor (Adalberto de Carvalho), no Teatro Americano. No ano seguinte trabalhou nas óperas Tosca, de Giacomo Puccini e Aída, de Giuseppe Verdi, no Teatro Lírico, e em Carmen, no Teatro São Pedro. Vicente Celestino fundou nova companhia com a cantora Carmen Dora, em 1923, para excursionar pelo Brasil. Nos anos seguintes continuou a percorrer o país de ponta a ponta. Gravou também vários discos, que lhe deram grande popularidade, entre eles Urubu Subiu, em duo com Bahiano, para o Carnaval. Hino Nacional Brasileiro (Francisco Manoel da Silva e Osório Duque Estrada), e O Cigano (Marcelo Tupinambá e João do Sul, em 1924.
Na Odeon, já no processo elétrico, de abril de 1928 a outubro de 1930 lançou 19 discos com 35 músicas, alcançando sucesso com Santa (Freire Júnior), em 1928 e o tango-canção Nênias (Candido das Neves, apelidado por Indio), 1929, entre outras. Em 1932 passou para a Colúmbia, gravando no primeiro disco o tango-canção Noite Cheia de Estrelas (Cândido das Neves), que deu novo impulso a sua carreira discográfica. No ano seguinte, casou-se com a cantora e atriz Gilda de Abreu.
Em 1933 Vicente Celestino trabalhava com Gilda de Abreu no Teatro Recreio do Rio de Janeiro. Em 1935 começou a gravar na RCA Victor, obtendo dois êxitos já no primeiro disco: os tangos-canções Ouvindo-te (de sua autoria), em duo com Gilda, e Rasguei o Teu Retrato (Indio). A partir desse momento, começou a se projetar também como compositor de grandes sucessos, como, por exemplo, O Ébrio, 1936, Coração Materno, 1937, Patativa, 1937, Sangue e Areia (com Mario Rossi), 1941, Porta Aberta, 1946. Em 1937 transformou a canção O Ébrio em peça de teatro, com estreia no Teatro Carlos Gomes, em 1941, e sempre encenada em suas excursões; fez o memo com Coração Materno, opereta estreada em 1946 no Teatro João Caetano. Ambas foram filmadas por Gilda de Abreu, respectivamente em 1946 e 1951, com ele nos papeis principais, alcançando grande sucesso de público.
Preparando-se para gravar um programa de televisão em que seria homenageado pelos compositores do Movimento Trapicalista, sentiu-se mal no quarto do hotel Normandie, em São Paulo, morrendo minutos depois de um enfarte do coração. No total, Vicente Celestino lançou cerca de 137 discos em 78 rpm com 265 músicas, mais dez compactos e 31 Lps.

domingo, 31 de maio de 2009

RIBEIRA - 295

RÁDIO POTY
ESTÚDIO DE LOCUÇÃO
A Radio Poty nasceu em 1944, porém, bem antes, em 1941 foi fundada a REN - Rádio Educadora de Natal -. Quando Assis Cateaubriand procurou divulgar ainda mais as suas emissoras de rádio, soube que em Natal, Rn, tinha a REN de pouca qualidade de som e de dinheiro também. Foi então que ele propôs a compra da estação em lugar de implantar uma nova emissora. Em 1945 foi inaugurada a Radio Poti com largas inovações, sendo a maior emissora em estúdio de todo o pais. Inaugurou-se programas novos e teve a contratação dos melhores homens e mulheres do rádio que havia por aqui. Da antiga estação, se aproveitou os profissionais existentes na época, cabendo a direção artistica a Genar Wanderley que vinha desde a criação da estação de Natal, a Rádio Educadora de Natal.
Formou-se um cast de radio de elevada competencia que cobria os setores da radio-teatro, rádio-jornalismo, humor, atrações do dia e muitas outras novidades que sacudia a vida social de Natal. O programa do meio-dia era Gazeta Sonora, com meia hora de duração, escrito e apresentado por Genar Wanderley. Outros intelectuais da cidade passaram a colaborar com a nova estação que foi batizada com o nome de poty, em referencia ao lendário índio poty. Como colaboradores estavam Carlos Homem de Siqueira , Alcides Cicco, Didi Camara, Esmeraldo Siqueira, Farnando Cardoso, Ubaldo Brandão e Waldemar de Almeida.
No dia 1º de novembro de 1948, eram inaugurados os novos estúdios e o auditorio da Rádio Poty. Com isso, a ZYB-5 marca o reinicio de suas atividades artisticas diretamente de seus estúdios e auditório. No ano de 1950 começa a fase de novelas, com a apresentação de "O Direito de Nascer", original do mexicano Félix Cagnet, interpretado aqui pelo cast a Rádio Poty. Também foi a hora dos melhores espetáculos da taba, desde o Domingo Alegre, com Genar Wanderley, a Sabatina da Alegria, Vesperal dos Brotinhos, com Luis Cordeiro. Em meio de tudo isso, tenha o encanto da Estrela Canta, interpretado por Glorinha de Oliveira e o humor de Beco Sem Saida, que era sempre reprisado dado ao seu largo sucesso. Nesse programa destacavam-se os rádio atores Jorge Ivan Cascudo, Vanildo Nunes, Fernando Garcia, Sandra Maria, cujo nome real era Eunice Campos Freire, Lurdinha Lopes e vários outros nomes do cast da rádio. Pode-se notar que um locutor podia desempenhar mais de uma função, sendo rádio ator e rádio noticiarista ou mesmo apresentador do programas.
Em meio a tudo isso, os radio atores ou mesmo apresentadores de programas tinham por dever se apresentar vestindo roupas elegantes para o respeito do público que se apresentada. Homens, vestindo paletó e mulheres, de roupas largas e comprida, batendo até o meio da pernas. Os cantores amadores podiam se apresentar de roupas simples. Havia igualmente a apresentação de trios, como o Yrakitan, o Maraya e outros mais além de cantores de rádio, grupos regionais o conjuntos vocais.
Tinha um grupo, a Hora Estudantil que era apresentado por Fernando Cascudo. No rádio, ele formou muitos conjuntos, inclusive o Trio Yrakitan, formado por Gilvan Bezerril, João Costa Neto e Edson França (Edinho). Esse ultimo, antes pertenceu a um outro conjunto que não vingou. O Trio Yrakitan, nesse ano, saiu daqui, com instrumentos comprados na loja de Carlos Lamas, e não pagos, direto para o Recife e daí para o México passando por todos os paises da América Central. Sem dinheiro nem fama, os rapazes passaram fome no seu caminho, se alimentando até de farinha seca com um gosto de querosene. Quando eles retornaram a Natal, foram pagar o valor dos instrumentos a Carlos Lamas que recusou, dizendo. "Eu quero nada, moços. Vocês agora tem fama".
A Rádio Poty, além de incentivar a produção musical do estado, trazia para a cidade cantores reconhecidos e de sucesso, como Vicente Celestino, Carlos Galhardo, Orlando Silva, Francisco Carlos e tantos outros sem contar com as cantoras.. Com isso à sociedade natalense tinha o mérito de conhecer a produção musical que estava sendo desenvolvida no Brasil e no exterior.
No cast de novelas destacavam-se Zilma Rayol, Alba Azevedo, Marly Rayol, Clarice Palma, Lurdinha Lopes, Teixeira Neto, Luis Cordeiro, Glorinha Oliveira, Genar Wanderley, Sandra Maria, Roberto Ney, Iedo Wanderley. A Rádio Poty, com toda a variedade de programação veio a instaurar o inicio da era de ouro do rádio no Rio Grande do Norte, levando ao publico programas substanciais e de qualidade. Genar Wanderly, um dos ícones do rádio potiguar, morreu em 1958, em desastre automobilistico, na rua Apodi, cruzamento com a rua Rodrigues Alves, num dia de domingo. Ele e outros locutores fizeram os jornais-falados, Matutino Poty e Grande Jornal Falado B-5, além da Gazeta Sonora que saiu do ar em 1977.

sábado, 30 de maio de 2009

RIBEIRA 294

DALVA DE OLIVEIRA
O ROUXINOL DAS AMÉRICAS
Dalva de Oliveira (conhecida popularmente como O Rouxinol das Américas), cantora, nasceu em Rio Claro - SP - em 05 de maio de 1917, e faleceu no Rio de Janeiro, Rj, em 31 de agosto de 1972. Filha do carpinteiro, saxofonista e clarinetista Mário Oliveira, desde pequena acompanhava o conjunto amador do pai, Os Oito Batutas, nas serenatas e festas de clubes em que se apresentava. Aos oito anos, quando ele morreu, foi mandada com as três irmãs para um orfanato, o Colégio Tamandaré, onde aprendeu piano, órgão e canto coral.
Três anos depois, largou os estudos, por causa de uma doença nos olhos. Foi para São Paulo, onde a mãe já trabalhava como governanta, e empregou-se como babá, arrumadeira, ajudante de cozinheira e, mais tarde, cozinheira do Hotel Metrópole. Em seguida, passou a fazer limpeza numa escola de dança, em que, após o serviço, costumava cantar e improvisar músicas ao piano. Ouvida por um dos professores, foi convidada para participar de uma tornee com o grupo de Antônio Zovetti.
Em 1933, acompanhada da mãe, viajou por várias cidades do interior e chegou a Belo Horizonte, mas Zovetti adoeceu e o grupo se desfez. Sem dinheiro, fez um teste na Rádio Mineira e, aprovada, passou a cantar com o nome de Dalva de Oliveira. Seu verdadeiro nome era Vicentina de Paula Oliveira. No ano seguinte, foi para o Rio de Janeiro e empregou-se como costureira numa fábrica de chinelos, da qual Milton Guita (Milonguita) - um dos diretores da Rádio Ipanema (hoje Mauá) - era um dos proprietários. Milonguita levou-a para fazer um teste em sua rádio, sendo aprovada.
Mudou-se depois para a Rádio Sociedade e Rádio Cruzeiro do Sul (nesta cantando ao lado de Noel Rosa e, finalmente, para a Radio Philips - hoje Rádio Nacional. Entre o trabalho em uma e outra emissora, fez temporada popular na Casa de Caboclo, do Teatro Fênix, com Jararaca de Ratinho, Alvarenga e Ranchinho, Ema D'Ávila e Antônio Marzullo, atuando como atriz. Ainda no Teatro Fênix, apresentou-se como cantora e atriz de pequenas cenas cômicas entre os números.
Em 1936 conheceu Herivelto Martins, da Companhia Pascoal Segreto, que então atuava no Cine Pátria. Juntou-se a Dupla Preto e Branco, formada por Herivelto Martins e Nilo Chagas, formando um trio que foi batizado por César Ladeira como Trio de Ouro. Foram contratados pela Rádio Mayrink Veiga e gravaram em 1937, na Victor, as músicas Itaguarí e Ceci e Peri (ambas de Príncipe Pretinho). Casou-se com Herivelto, com quem teve dois filhos: o cantor Peri Ribeiro e Ubiratã.
Em 1938 foram para a Rádio Tupí e dois anos depois, para a Rádio Clube. Gravou com Francisco Alves, na Colúmbia, o samba Brasil (Benedito Lacerda e Aldo Cabral) e Valsa da Despedida (Robert Burns). A partir dessa data, exibiram-se no Cassino da Urca, ao lado de Grande Otelo e outros artistas, até o encerramento das atividades dessa casa sob o governo Dutra, em 1946.
Com o Trio de Ouro, Dalva gravou dois grandes sucessos, os sambas: Praça Onze (Herivelto Martins e Grande Otelo), na Colúmbia, em 1942, e Ave Maria do Morro, (Herivelto Martins), na Odeon, em 1943. No ano seguinte Dalva de Oliveira participou do filme Berlim na Batucada, dirigido por Luis de Barros e, dois anos depois, em Caídos do Céu, do mesmo diretor.
Dalva gravou na Continental em 1945, com Carlos Galhardo e os Trovadores, adaptação de João de Barro para a história infantil Branca de Neve e os Sete Anões, em dois discos, com músicas de Radamés Gnattali. Em 1947 conseguiu outro grande êxito com o samba-canção Segredo (Herivelto Martins e Marino Pinto), gravado na Odeon. Em 1949 Dalva deixou o Trio de Ouro, quando excursionavam pela Venezuela com a Companhia Derci Gonçalves.
Em 1951 Dalva de Oliveira retomou a carreira solo, lançando os sambas Tudo Acabado (J.Piedade e Osvaldo Martins) e Olhos Verdes (Vicente Paiva) e o samba-canção Ave Maria (Vicente Paiva e Jaime Redondo), sendo os dois últimos grandes sucessos da cantora. No ano seguinte foi eleita Rainha do Radio, e excursionou pela Argentina, apresentando-se na Rádio El Mundo, de Buenos Ayres, na qual conheceu Tito Clemente, que se tornou seu empresário e depois marido.
Em 1952 realizou temporada com Walter Pinto, no Teatro Santana, em São Paulo, e participou do filme Tudo Azul, dirigido por Moacir Fenelon. Viajou para a Europa, tendo-se apresentado em Portugal e Espanha e gravado vários discos com Roberto Inglês, em Londres (Inglaterra), destacando-se entre as faixas o baião Kalu (Humberto Teixeira).
Dalva fixou residência na Argentina, vindo o Rio de Janeiro e São Paulo para curtas temporadas, até 1963, quando então regressou ao Brasil. Separada de Tito Clemente, casou-se com Manuel Nuno Carpinteiro. Em 1965 sofreu um acidente automobilistico, e foi obrigada a abandonar a carreira por algum tempo. Em 1970, Dalva de Oliveira lançou a marcha-rancho Bandeira Branca (Max Nunes e Laércio Alves) que fez sucesso no carnaval. No ano seguinte, apresentou-se no Teatro Teresa Raquel, no Rio de Janeiro.. No fim da carreira, novamente em evidencia, apresentou-se em televisão, shows e casas noturnas.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

RIBEIRA - 293

FRANCISCO ALVES
O REI DA VOZ
Francisco de Morais Alves nasceu no Rio de Janeiro RJ em 19 de Agosto de 1898. Filho de portugueses, nasceu na rua Conselheiro Saraiva, no centro, sendo criado nos bairros da Saúde, Estácio e Vila Isabel. Seu pai tocava alguns instrumentos e era dono de botequim. Cursou apenas a escola primária e desde cedo interessou-se pela música. Da irmã Nair ganhou uma guitarra e as primeiras lições. Começou sua carreira de cantor em abril de 1918, na Companhia de João de Deus-Martins Chaves. Depois ingressou na Companhia de Teatro São José, do empresário José Sargento.
Em 1919, para o Carnaval de 1920, levado por Sinhô, gravou na etiqueta Popular (recém-fundada por Paulo Lacombe e João Batista Gonzaga, suposto filho de Chiquinha Gonzaga) dois discos com a marcha O Pé de Anjo e os sambas Fala Meu Louro e Alivia Estes Olhos. , todas de Sinhô. Ganhava a vida como motorista de praça, apresentando-se como cantor-ator secundário de revistas musicais. Casou-se em 1920 com Perpétua Guerra Tutóia, de quem logo se separou. No mesmo ano conheceu a atriz-cantora Célia Zenatti, sua companheira por 28 anos. Em 1924 gravou para o carnaval dois discos na Odeon, com o samba Miúdo (Sebastião Santos Neves) e as marchas Não me Passo pra Você e M.lle Cinema (ambas de Freire Junior). Voltou em 1927 a Odeon na qual rapidamente gravou 11 discos com 19 músicas ainda no sistema mecânico, com destaque para Cassino Maxixe (primeira versão de Gosto que me Enrosco) e Ora Vejam Só, sambas de Sinhô. Em julho de 1927, quando a Odeon inaugurou no Brasil o sistema elétrico de gravações, foi o intérprete da marcha Albertina e do samba Passarinho do (ambas de Duque), as duas faces do primeiro disco produzido eletricamente. Em 1928 passou a gravar concomitantemente na Parlophon, subsidiária da Odeon, utilizando o apelido de Chico Viola. Em fevereiro de 1929 fez sua estréia no rádio, apresentando-se na Rádio Sociedade. Seus discos começaram a sair em profusão e sem tardar alcançou o topo do qual jamais saiu até falecer. Só em 1928 e 1929 gravou quase 300 musicas de reconhecida qualidade. Interpretou todos os gêneros e foi quem mais gravou em toda a história dos discos de 78 rpm no Brasil: 526 discos com 983 músicas. Como compositor deixou cerca de 132 músicas, sendo o seu forte a melodia. Suas músicas foram sendo gravadas com grande êxito até 1952 quando gravou a marcha Confete (Jota Junior e Davi Nasser). Chico Alves faleceu em Pindamonhagaba SP em 27 de setembro de 1952, num desastre de automovel na Via Dutra, quando o Buick que dirigia recebeu o choque de um caminhão na contramão. O Rei da Voz, como era conhecido por suas apresentações no rádio, quando a locutora chamava: "Quando os Ponteiros do Relógio se Encontram na Metade do Dia, encontra-se também no programa de Luis Vassalo - Francisco Alves, o Rei da Voz", vinha de uma apresentação da Casa de Lázaro, para as crianças doentes de hanseniase.. Lá, ele gravou a música Criança Feliz, uma homenagem as crianças da Casa de Lazaro. Fica a lembrança do que ele gravou naquela ocasião: "Ó Meu Bom Jesus que a todos conduz olhai as crianças do nosso Brasil".