segunda-feira, 6 de julho de 2009

RIBEIRA - 328

CLAUDIA CARDINALE
Claudia Cardinale nasceu a 15 de abril de 1938, na Tunísia. Mas sua estréia foi mesmo no cinema italiano. A maioria dos seus filmes é de origem italiana e francesa. Claudia Cardinale nasceu como Claude Joséphine Rose Cardinale. Sua mãe, Yolande Greco, nasceu na Tunísia vinda de imigrantes sicilianos de Trápani.. O seu pai era italiano, trabalhador ferroviário, nascido em Gela. Na Tunísia, a sua lingua nativa era o francês. Teve que aprender italiano para prosseguir em sua carreira. Ela não falava muito bem o italiano - somente a língua siciliana que aprendera com os seus pais - até a idade de 17 anos.
Em 1957, Cardinale venceu o concurso de "A MAIS BELA GAROTA DA TUNÍSIA", cujo prêmio foi uma viagem ao Festival do Filme de Veneza, o que acabou se constituindo num incentivo para que seguisse a carreira de atriz. Após frequentar uma escola de cinema em Roma, fez sua estréia em 1958, num papel de pouca importância. Devido à educação francesa que recebera na Tunísia, Claudia quase não falava italiano, e suas falas foram dubladas quando das primeiras atuações. Na película "Oito e Meio", de Federico Fellini, pela primeira vez não houve necessidade de dublagens: já falava bem o italiano. Claudia Cardinale fez vários filmes de produção francesa, idioma que dominava muito bem.
Claudia ficou conhecida mundialmente quando jornais e revistas iniciaram a publicação em massa de fotos que mostravam uma jovem de rara beleza, tímida, sóbria e discreta em sua vida pessoal. Muito diferente, segundo os críticos, das famosas Ann-Margret, Jane Russel, Mylene Demongeot e outras. Mesmo assim, comparações foram inevitáveis: as iniciais de seu nome C.C., inspiravam a imprensa a chamá-la de"sucessora de B.B. (Brigitte Bardot).
Uma curiosidade: consta que Cardinale assinou um contrato que a proibia de cortar os cabelos, de casar-se e de engordar. Na década de 1960, Claudia relotou em fazer filmes nos Estados Unidos, preferindo voltar seu trabalho para o cinema europeu, mesmo assim a contracenar com famosos astros americanos como Peter Fonda e Rock Hudson. Conta-se que, quando mais jovem, apresentava como irmão mais novo, o seu filho nascido de um relacionamento amoroso que tivera em Londres, atitude esta, talvez ainda em decorrencia do contrato que lhe impunha algumas restrições. Claudia Cardinale, que presentemente mora em Paris, mas considera a Itália sua pátria, ainda participa ativamente de atividades artísticas e políticas. É Embaixadora da UNICEF, além de fazer as apresentações de DVD,s que reproduzem seus filmes mais antigos.
Claudia Cardinale trabalhou em mais de 90 filmes, tendo sido o primeiro "I soliti ignoti", de 1958 e o último "Asterix nos Jogos Olímpicos". Ela apareceu, na década de 1960, em filmes como "O Leopardo", de Visconti, "Rocco e seus Irmãos", de Philippe de Broca, "Oito e Meio", de Federico Fellini.
Claudia foi casada com o produtor de cinema Franco Cristaldi entre 1966 e 1975 e agora vive com Pasquale Squitieri, cineasta italiano que é seu companheiro desde 1975. Ela tem dois filhos, Patrizio, nascido fora do casamento, com um francês quando ela estava com 17 anos, e Claudia, cujo pai biológico é Pasquale Squitieri. Cardinale escreveu dois livros, sendo o pimeiro uma autobiografia. O segundo livro é sobre seu relacionamento pessoal e profissional com muitos de seus diretores e co-estrelas com seus 50 anos de carreira. Já foi distinguida com três prêmios, sendo um no Festival de Berlim e ou outro, no Festival de Veneza. Em 2009, Claudia Cardinale foi agraciada com o prémio "Women's World Awards".
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domingo, 5 de julho de 2009

RIBEIRA - 327

ANOUK AIMÉE
Anouk Aimée é uma atriz francesa nascida com o nome de Françoise Sorya Dreyfus. Anouk Aimée nasceu a 27 de abril de 1932, em Paris e adotou o seu nome artístico que a imortalizou. Dotada de uma beleza misteriosa e fascinante, a atriz brilha no grande ecrã (tela) desde os seus 16 anos quando foi introduzida pelo realizador francês Jacques Prévert, no filme "Os Amantes de Verona" (1949). No ano seguinte participou na produção inglesa "A Salamandra de Ouro" (1950), tendo passado três anos na Inglaterra de onde retornou em 1953 para as filmagens de "O Homem que via os Comboios Passar". No seu tempo, Anouk Aimée participou de várias produções francesas e alemãs, porém foi com o realizador italiano Federico Fellini que a sua carreira despontou para o sucesso: em 1960 se pode ver Anouk fascinante em "A Doce Vida", ao lado de nomes como Marcello Mastroianni e Anita Ekberg. Um ano mais tarde, ela é uma bailarina de cabaret no filme "Lola" (1961), de Jacques Demy, realizador que soube tirar partido do seu ar misterioso e a tornou inesquecível. No ano seguite Anouk Aimée participou do filme "Os Últimos Dias de Sodoma e Gomorra" (1962), de Robert Aldrich. Em 1963, Aimée voltou a trabalhar com Fellini, desta vez no filme "Fellini Oito e Meio", de 1963 e, em 1966, é a protagonista do filme de Claude Lelouch "Um Homem e uma Mulher", pelo qual foi nomeada para o Óscar de Melhor Atriz. Anouk Aimée continuou a protagonizar filmes de grandes realizadores como George Cukor, o "realizador das grandes atrizes", no filme "Justine" (1961), Sidney Lumet, no filme "The Appointment", onde contracena com Omar Sharif, e o realizador Bernardo Bertolucci, "A Tragédia de um Homem Ridículo" (1981). Em 1979 recebeu o Prêmio de Melhor Interpretação Feminina no Festival de Cannes, pelo seu desempenho no filme de Marco Bellocchio, "Salto Nel Vuoto" (1979). Nas duas décadas seguintes, Anouk Aimée participou em cerca de 12 longas metragens, sendo de destacar o reencontro com Lelouch no "seguimento" do filme anterior "Um Homem e Uma Mulher, Vinte Anos Depois", (1986) e "Prêt-a-Porter" (1994), de Robert Altman. Ao longo de cinco décadas de carreira, a atriz participou em cerca de 70 filmes e uma dezena de séries televisivas, entre as quais "Napoleão",(2002), integrando um elenco de luxo que incluia nomes como Christian Clavier, Gérard Depardieu e John Malkovich.

sábado, 4 de julho de 2009

RIBEIRA - 326

PAULETTE GODDARD
Paulette Goddard nasceu em 3 de junho de 1910. Seu verdadeiro nome era Marion Pauline Levy. Nasceu em Whitesione Landing, Queens, Long Island. Seu pai, Joseph Russell Levy, era judeu, e sua mãe, Alta Mae Goddard, foi Episcopaliana (Igreja Episcopal). Seus pais se divorciaram enquanto ela era jovem e, desse modo, foi criada por sua mãe, vez que seu pai desapareceu de casa. Joseph Levy somente reapareceu nos fins dos anos de 1930 quando Paulette Goddard já era famosa, uma consagrada estrela do cinema e da Broadway. No início da reaproximação, a relação entre os dois foi genial, vez que aproveitavam para assistir filmes, os dois, juntos. No entanto, Joseph Levy processou uma revista que o acusava de abandono do lar quando Paulette Goddard era jovem. Desse dia em diante voltou a separação e Levy deixou, em testamento, em nome de sua filha, quando estava para morrer, a quantia tão somente de apenas UM dólar. Paulette Goddard viveu sempre ao lado de sua mãe. Do seu tio, Charles Goddard, encontrou apoio em busca de trabalho como modelo de moda. Foi com Ziegfeld Follies que Paulette veio a conseguir um bom trabalho como estrela da moda.
Sua estreia foi em 1926 e, no ano seguinte atuou em O Homem Invencivel. Nesse mesmo ano Paulette Goddard casou com um proeminente homem de negócio, Edgar James. e se transferiu para Carolina do Norte passando a ser uma socialate. Porém, Paulette se divorciou em 1930, retornando à Hoolywood em companhia de sua mãe, onde assinou um contrato com Hal Roach Studios, aparecendo em pequenas partes de vários filmes ao longo dos próximos anos. Com o tempo, Paulette Goddard assinou contrato com a MGM juntando-se ao lado de grandes astros, como Betty Grable, Lucille Ball, Jane Wyman.
Em 1932, conheceu Charlie Chaplin, e começou um período de oito anos de relacionamento pessoal e cinematografico. Chaplin comprou o contrato e se lançaram em filmes - falados - como "Tempos Modernos", fazendo de Paulette Goddard sua primeira estrela. Durante este tempo os dois viveram juntos em Beverly Hills. No seu atual estado civil, Paulette Goddard viveu uma fonte de controvérsia e especulação.. Durante a maior parte do tempo, vivendo juntos, ambos se recusaram a comentar tais assuntos. Na estréia de "O Grande Ditador", em 1940, Chaplin pela primeira vez Paulette Goddard como sua esposa.. Após esse filme, Paulette Goddard resolveu divorciar de Chaplin de forma amigavel, em 1942, com o marido concordando em dar um generoso acordo.
Goddard começou a ganhar estato de estrela após aparecer "Um Jovem Coração" (1938), "Escola Dramática" (1938), e um papel de apoio em "A Mulher" (1939) onde outras estrelas de fama estavam a atuar, como Norma Shearer, Joan Crawford e Rosalind Russell. Durante a filmagem de "A Mulher", Goddard era considerada como uma finalista para o papel de Scarllet O'Hara em 1939 no filme ..."E o Vento Levou" que, ao final de vários testes em tecnicolor perdeu para Vivien Leigh. Não fora o caso que envolveu Paulette Goddard e Charlie Chaplin, ela teria ficado com o papel principal em "...E o Vento Levou".
A partir de 1939, Paulette Goddard atou ao lado de Bob Hope, Fred Astaire e Dorothy Lamour. Ela recebeu seu único Oscar para Melhor Atriz de Apõio em 1944, quando atuou na película "Então Nós Orgulhosamente Salve!". Mesmo assim, seu filme melhor sucedido foi "Kitty" (1945), onde desempenhou o papel título. Seu último papel foi em "As Irmãs" (1972) para a televisão.
Paulette Goddard foi casada com Burgess Meredith e com o autor Erich Maria Remarque, com quem esteve até o dia da morte deste romancista, em 1970. Ela morreu de um enfisema, em 23 de abril de 1990, poucos meses antes de completar 80 anos.
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sexta-feira, 3 de julho de 2009

RIBEIRA - 325

MURO DE BERLIM
Enquanto havia o muro, a zona entre Berlim Oriental e Ocidental era um lugar potencialmente mortal. Contudo, desde o fim da Guerra Fria, em geral está desértico. Agora, uma arquiteta paisagista holandesa quer transformar a antiga terra de ninguém em uma série de jardins secretos e áreas de recreação. Há vinte anos, aquelas faixas inocentes de areia e cascalho na antiga fronteira entre a Alemanha Oriental e Ocidental tinham um propósito bem mais sinistro. Elas eram arrumadas que era fácil para os guardas de fronteira verem as pegadas dos cidadãos que tentassem fugir do Leste para o Oeste. Agora, uma paisagista holandesa quer ver essas areias mudando novamente - mas por razões totalmente diferente.
Joyce Van den Berg é curadora de uma mostra, "Nova Luz sobre a Terra de Ninguém", a ser inaugurada no Centro Alemão de Arquitetura (DZA) em Berlim no início de julho, que estuda o que pode ser feito com o que resta da antiga faixa de fronteira cercando Berlim Ocidental. A "faixa mortal" ou terra de ninguém era um território entre as duas Alemanhas. A fronteira consistia de um muro de concreto, mais conhecido como Muro de Berlim, cercado principalmente por cercas, torres de vigias e uma faixa vazia de "terra de ninguém". Há cerca de 155 km da antiga faixa de fronteira com cerca de 20 metros e 2.5 km de diametro. Van den Berg pesquisou exatamente onde costumava ser e seu tamanho. Grande parte dessa extensão não está utilizada, não está cuidada e, como escreve o DAZ em seu site na Web, é um "cenário único com enorme potencial". Van den Berg, que começou a se interessar pelas antigas fronteiras quando estudou Berlim há 10 anos, gostaria de ver as faixas de morte - que ela chama de "cenários de trauma" - transformadas em áreas de recreação. A paisagista trabalhou em projetos urbanos similares em Utrecth e Amsterdã, em lugares como o antigo aeroporto militar. Ela considera uma vantagem ter uma perspectiva de estrangeira durante o projeto e diz que seu objetivo é respeitar a história das áreas e preservar quaisquer restos da antiga área de fronteira enquanto embeleza a terra, replantando e dando tratamento paisagístico, assim como permitindo passatempos como ciclismo, caminhadas e outros esportes.
Van den Berg, que estudou cuidadosamente onde costumava ser a fronteira, também tem algumas idéias para o resto da antiga fronteira. Em certo ponto, houve 302 torres de vigilância na fronteira; hoje, existem apenas cinco. Van den Berg quer manter as cinco restantes e quaisquer outras que possam ser reconstruidas e montar ali jardins secretos pequenos. Plantas incomuns podem ser criadas ali dentro, protegidas do vento e dos elementos, e os transeuntes nem veriam as torres de vigilância se não se aproximassem delas. Van den Berg também tem um esquema interessante para marcar os túneis de fuga escondidos que levavam do Leste para o Oeste. Esses são considerados restos importantes da antiga fronteira porque, se os túneis, construidos com grande risco, fossem descobertos, frequentemente levariam a uma mudança no fronteira do lado da Alemanha Oriental, algumas vezes até a demilição de prédios ou blocos. Para marcar onde estavam os túneis, Van den Berg sugere feixes de luz do oeste para o leste, comemorando tanto os túneis quanto as pessoas que tentaram usá-los.
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quinta-feira, 2 de julho de 2009

RIBEIRA - 323

RÁDIO VALVULADO
Naquela tarde eu e Deca fomos em um radio-técnico que trabalhava na torre da Radio Poty, comandando o sinal que recebia dos estúdios da emissora, em Petrópolis, Natal, Rn. Os transmissores ficavam em um terreno baldio, todo cheio de mato, no bairro do Tirol, onde é, hoje, a Escola Doméstica. Eu levava o rádio porque Deca não podia levar, vez que o seu braço direito era defeituoso. O equipamento era igual ou semelhante ao que está na foto acima. Menos porque esse rádio tem a forma de que é feito de madeira. O de Deca era diferente, pois era feito de baquelite. Os instrunentais eram todos pregados no gabinete. Dava ver o que o técnico levava para consertar um equipamento daquele. Pois bem! Deca me chamou para ir até a "oficina" do rapaz - seu nome é Ailson Bonifácio, hoje técnico da Radio Cabugi ou mesmo como se chama: Radio Globo de Natal - para que ele pudesse fazer o reparo. Não era nada demais. Apenas o cordão ficou solto e o ponteiro na corria nem para um lado nem para o outro. Para mim, era um defeito e tanto. Para Deca, não sei ao certo. Porém, se não fosse um conserto desses que se muda válvulas e outras coisas mais, era capaz de Deca consertar o defeito. Contudo, era preciso que ele tivesse as duas mãos. Mas, isso era impossivel. Deca só tinha uma. Pois bem! Isso não me incomodava. Afinal, o rádio estava sendo levado para um "tecnico", e eu pensei que um homem que tinha estudo para consertar um rádio, era um "grande homem". Pois sim! O rapaz estava sentado em uma cadeira que havia por lá, pernas estiradas, roupa branca - camisa e calça, além de meias e sapatos - cara enfurrascada, olhos vigilantes e quando nós chegamos, ele nem sequer deu importância. Era assim! Então, eu coloquei o equipamento em uma bancada e Deca esplicou o que era preciso fazer. O técnico, olhou o rádio por dentro e por fora e mandou que deixasse alí, pois ele faria o conserto. Se Deca pensava em assistir o capítulo do dia de "Tarzan - O Rei das Selvas" perdeu o tempo O rádio só ficava pronto no dia seguinte ou um pouco mais além. Eu não tinha rádio em casa. Portanto, aquilo não me dizia nada. Um dia ou dois, para mim tanto fazia. Aliás, na rua em que eu morava, no quarteirão, para ser mais completo, somente havia um rádio em uma casa perto da que eu morava. No restante do quarteirão só se ouvia silêncio. Nada de rádio. Tinha casa que nem luz elétrica havia instalado. Era gás, mesmo. Gás era querosene que o povo comprava na bodega de "seu" Geraldo ou nao outra, de Chico Porfiro, um homem razinza que ninguem queria comprar a ele. Certa vez, um ladrão arrombou a porta imensa da bodega de "seu" Chico para roubar seu dinheiro. No dia seguinte, quando ele foi abrir a bodega, só viu o estrago. Esbafejou o dia todo!. Eu, heim? Pois sim! Terminada a missão - de entregar o rádio para o técnico consertar - nós voltamos para casa, com Deca meio "ariado" pois naquele dia não mais ouvia as aventuras de Tarzan. Mesmo assim, ele lembrou que podia assistir em casa de sua mãe, onde havia um rádio novo marca "PYE" que era capaz de sintonizar o mundo inteiro. Desse rádio, Deca fazia os maiores comentários ao dizer que o equipamento tinha válvulas "duplas" apesar de serem pequenas, bem menores que de um rádio comum. Nesse tempo, 1951, era um colosso se ter o equipamento de tal engenho. E eu fiquei a pensar que, um dia teria um Radio "PYE", se Deus quiser. Quando eu comecei a trabalhar no escritório do meu tio, passando na calçada de uma loja, eu fui despertado por minha curiosidade: lá estava um rádio "PYE", do mesmo jeito do que havia na casa da mãe de Deca. Eu fiquei extasiado e fui logo perguntando o valor do equipamento. Não sei se foi verdade ou mentira, mas o homem me disse, então: "Seis mil cruzeiros". Eu perdir a esperança em adquirir tal monstro sagrado, pois fazia, como aprendiz, apenas cento e cinquenta cruzeiros. Olhei o rádio por mais uma vez, e partir em busca do meu emprego onde o homem nem sequer sabia que tinha um sonho: o de adquirir um Radio "PYE".

quarta-feira, 1 de julho de 2009

RIBEIRA - 324

DIA D
O dia 6 de junho é uma das mais importantes datas da História do mundo como o conhecemos.
Comemora-se os 65 anos do "DIA D", o desembarque na Normandia, quando os Aliados iniciaram a ofensiva contra as tropas alemãs.
Era o inicio do fim da Segunda Guerra Mundial, conflito que durou seis longos anos, entre 1939 e 1945, e que matou cerca de 50 milhões de pessoas.
E o mais assustador: não foi uma guerra entre povos primitivos. Fou uma guerra entre as nações mais civilizadas e desenvolvidas do mundo.
O Dia D é reconhecido até hoje como a maior e mais complexa operação militar jamais empreendida.
No sul da Inglaterra, reuniram-se três milhões de soldados. Milhares de aviões davam cobertura aérea aos comboios marítimos e vigiavam submarinos alemães, além de bombardear alvos estratégicos.
Toneladas e toneladas de armamento e munições, comida, roupas, remédios, comunicações e toda a parafernália foram reunidos, transportados e distribuidos para estar do lugar certo, na hora certa, na quantidade e natureza certas.
Prodígios de logística como o mundo jamais havia conhecido.
Para isso, inventaram-se portos artificiais de concreto para serem rebocados, afundados e montados.
Foi também projetado um oleoduto submarino para abastecimento de máquinas e veículos, além de geração de energia elétrica, na fase inicial dos combates.
Da Inglaterra partiram , na madrugada de 6 de junho de 1944, dez mil aviões, 1.200 navios de guerra, 4.126 lanchas de desembarque, 804 navios de transporte, centenas de tanques e veículos anfíbios.
Três milhões de homens. Americanos, ingleses, canadenses, australianos, neozelandeses, poloneses, holandeses, os franceses de De Gaulle, noruegueses, dinamarqueses, uma imensa Babel de línguas e povos reunida para cruzaro Canal da Mancha e libertar a Europa da tirania nazista.
A Europa que surgiu ao final da Guerra, e cuja conformação foi decididamente marcada pelo Dia D, poderia ter sido diferente, e o mundo também.
Como sempre, aqueles homens e mulheres fizeram o melhor que puderam.
E por que este dia 6 de junho continua tão importante até hoje? Primeiro, porque foi a última guerra em que todo mundo sabia direitinho quem eram os mocinhos e quem eram os bandidos.
Mas também porque ensinou ao mundo o valor da democracia. A partir da Segunda Guerra Mundial, muitos povos e países caíram sob a tirania de ditaduras de esquerda e de direita.
Infelizmente, a derrota do nazismo não significou a derrota da estupidez humana.
Por isso, lembrar o Dia D é lembrar que a luta diária pelos valores demócraticos sempre valerá a pena.
A democracia é o único regime político pelo qual sempre vai valer a pena entregar a própria vida.

RIBEIRA - 322

BRINCADEIRA DE RODA
À noite, logo cedo, nós estávamos reunidos da casa de Deca, uma residência de calçada alta, meio metro do nivel do chão.. Eram por volta das 7 horas ou um pouco mais. Os garotos ficavam de um lado e as garotas ficavam mais afastadas bricando de roda, um divertimento inocente que só as meninas gostavam. De quando em vez, elas aceitavam um menino, com certeza, de menor idade. Os grandes, esses que ficassem para lá com os seus amigos fazendo outras coisas que não interessavam às meninas. Nós, os garotos, ficávamos observando os carros que vinham por uma rua transversal, longe ainda. Nós apostávamos em identificar a marca do veículo apenas pelo soar do seu motor. Ford, Austin, Bel-Air, Cadillac, Chevrolet, Sedam, Maveric, Mercury, Buick e tantos outros. Os caminhões, tinham os Carros Tanque ou caminhões de carga, caminhonetes e além de outros, pequenos e grandes. A cada acertada, os garotos faziam o maior alarido mostrando que conheciam o veículo somente pelo zoar do seu motor. Tais veículos, vinham ha uma boa distancia, negócio de uns 500 metros e só tinham validade quando passassem em frente à rua que nós estavamos. Ninguém podia sair do local para ver a marca do carro. Isso era supresa. Quando o veículo surgia, então era aquele alvoroço. O mais delirante era aquele que, pela primeira vez, dizia a marca do veículo.
As meninas, maiores e menores, bricavam ao seu modo como se nada acontesse de parte dos garotos. Elas cantavam melodias próprias de sua brincadeira com: "Senhora, dona Cândida, descubra o seu rosto. O seu rosto é de prata, quero ver a sua prata". Ou cantavam outras melodias que se encaixavam muito bem no repertório da brincadeira: "Na mão direita tenho uma roseira que bota rosa em mês de maio". Essas e outras. Para os garotos, tais cantigas não fazia a menor diferença. Estavam a brincar as "velhas" amigas da redondeza, como Marilú, Marta, Racilva, Mabel, Noélia, Socorro, Elizabeth, Elza e algumas outras mais. Não raro tinha um menino menor que não se adaptava as adivinhações dos garotos grandes, pois, para estes meninos, carro era carro. Às vezes nem sabiam do nome que eles tinham. Apenas era carro. Dos maiores, podia se contar Ney, Deca, Carlos, Intriga, Niel, Flauberto, Fleudes, Goioba e outros que sempre chegavam "atrazados" para a conta dos que já estavam na "luta" de advinhar as marcas dos carros. Quase toda noite era aquela reunião do alto da calçada. As meninas, essas somente brincavam na rua onde não passava carro. Quando não tinha mais brincadeira de roda, ela inventavam ou outro tipo de divertimento, como "Aliança", onde as meninas passavam a mão fechada nas mãos das outras meninas, deixando cair em uma delas a aliança. Quem advinhasse em qual mão estava, era a contemplada na distração, passando a vez de colocar o anel na mão destendida de sua companheira. Como se podia ver, essa era distração de quase sempre fazia a garotada que às noites tinham o seu ponto de lazer e de encanto. Era assim que as meninas tagarelavam naquela ocasião sob os olhares reprimentes dos seus pais, admosestando para qualquer falta que algumas das suas filhas estavam a praticar. Não raro, vinha uma delas chorando porque a aliança não foi posta em suas mãos. Sempre era a menor de todas que se agasalhava por entre as pernas de sua mãe. A mulher, com tranquilidade, lhe fazia carinhos de modo a o chorro passar. Não raro, a criança estava com sono e dormia alí entre afagos e beijos. As demais garotas continuavam a brincar de "Cai-e-Fica", um divertimento que as mocinhas quase sempre faziam. Era puxar uma menina qualquer de um ponto alto da calçada e quem fosse arrastada teria que ficar como caíse. Tais brincadeiras, hoje não se faz.