terça-feira, 30 de junho de 2009

RIBEIRA - 321

VIVIEN LEIGH
Vivien Leigh, Lady Oliver, nasceu como Vivian Mary Hartley, em Darjeeling, no dia 5 de novembro de 1913. Foi uma famosa atriz e lady inglesa nascida na Índia, quando este país ainda pertencia o Império Britânico. Considerada uma das mais belas e importantes personalidades do século XX, presente na lista feita pelo AFI, Vivien Leigh é das 50 maiores lendas do cinema.
Apesar de suas aparições no cinema terem sido relativamente poucas, Viv venceu o Oscar de Melhor Atriz duas vezes. A primeira vez foi interpretando Scarlett O'Hara em ...E o Vento Levou (1939), e a segunda foi interpretando Blanche DuBois em Uma Rua Chamada Pecado (1951), a mesma personágem que ela interpretara nos palcos da West End, em Londres.
Viv frequentemente fazia colaborações com seu marido, Laurence Olivier, que dirigiu-a em vários de seus filmes. Durante mais de trinta anos como atriz de teatro, ela se mostrou bastante versátil, interpretando desde heroínas das comédias de Noel Coward e George Bernard Shaw às personagens dos dramas clássicos de Shakespeare. Aclamada por sua beleza, ela sentia que isso às vezes atrapalhava o público de vê-la como uma atriz séria. Afetada por um disturbio bipolar durante a maior parte de sua vida adulta, o humor de Viv era quase sempre não-entendido pelos diretores, e ela ganhou a reputação de ser atriz dificil.
Diagnosticada com tuberculose crônica na metade da década de 1940, Viven se tornou uma pessoa enfraquecida a partir de então. Ela e Laurence Olivier se divorciaram em 1960; a partir daí, Vivien Leigh continuou a trabalhar esporadicamente no cinema e no teatro até sua morte súbita por tuberculose, em Londres, Inglaterra, no dia 7 de julho de 1967.
Vinda de uma família burguesa inglesa, seu pai, Ernest Hartley, era agente de câmbio e, paralelamente, atuava no teatro amador. No fim da Primeira Guerra Mundial, ele levou a família de volta à Inglaterra. Aos 6 anos de idade, sua mãe, Gertrude, decidiu interná-la no Convento do Sagrado Coração, ainda que ela - Vivien - fosse dois anos mais nova que qualquer outra aluna. O único conforto para a criança solitária era um gato que vagava pelo pátio do convento, e que as freiras a deixaram levar para o dormitório. Sua primeira e melhor amiga na escola era uma menina de 8 anos, que mais tarde também se tornaria estrela: Maureen O'Sullivan, que viera da Irlanda. Na quietude do convento, as duas brincavam de recriar os lugares que haviam deixado, e imaginavam como seriam os que desejavam visitar. Lá, ela se destacou na dança, np violoncelo e nas peças de final de ano.
De 1927 a 1932, ela se juntou aos pais na Europa. Os Hartley haviam deixado definivamente a Índia, onde Vivian nascera. Ela aprendeu a falar fluentemente o francês e o alemão, além de fazer um curso de dicção. Em 1932, aos 18 anos, entrou na Academia Real de Artes Dramáticas do Londres; surpreendentemente, no entanto, ela saiu no outono do mesmo ano, quando decidiu se casar. Vivian conhecera e se apaixonara pelo jovem advogado Hebert Leigh Holman, de 31 anos, e os dois se casaram em 20 de dezembro de 1932. Logo em seguida, em 1933, nasceu Suzanne Holman, a filha do casal. Depois, retornou à Academia Real de Artes Dramáticas se Londres para concluir os seus estudos e se tornar uma atriz.
Em 1938, Laurence Olivier, - já então marido de Viv, após o divórcio de Hebert -, foi contratado para interpretar o personagem principal do filme O Morro dos Ventos Uivantes (1939), da MGM. Com isso, Viv decidiu partir também para os Estados Unidos, rumando a bordo do Queen Mary. Durante a viagem ela tirou o tempo para ler o novo best-seller, "E o Vento Levou", ficando recolhida em sua cabine. O livro era de autoria de Margaret Mitchell e Viv planejava conquistar o papel de Scarlett O'Hara, a protagonista do filme "...E o Vento Levou", de 1939. Vivian Leigh era uma total desconhecida nos Estados Unidos. A escolha de sua interprete fascinou o mundo. Vivien Leigh, com êxito, foi escolhida para interpretar Scarlett O"Hara por ser um rosto desconhecido e poder viver um personagem de uma obra que se tornaria um clássico do cinema americano, ganhador de 10 Oscar, inclusive o de Melhor Atriz para Vivien Leigh. Depois desse esplendoroso sucesso, vieram outros. Mas foi em 1951 que Viv ganhou o seu segundo Oscar a interpretar Blanche DuBois, em "Uma Rua Chamada Pecado", baseado na peça de Tennessee Williams, " Um Bonde Chamado Desejo", vencedor de quatro Oscar. Por seu desempenho nesse filme, Viv recebeu cem mil dólares, tornando-se a atriz inglesa mais bem paga na época.
Vivien Leigh ensaiava "A Delicate Balance", em Londres, quando teve uma recaida causada pela tuberculose e morreu a 7 de julho de 1967, aos 53 anos de idade.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

RIBEIRA - 320

CASARÃO
Hoje, o casarão está completamente deteriorado. Já não se sente o viço de sua juventude quando, ali, podiá-se brincar horas a fio, sem medo e sem receio. Naquele casarão, ainda me lembro das crianças que lá brincavam tempos e mais tempos como brincavam todas as crianças na sua tenra idade de 7 anos, um, e 6 anos, o outro. Eram irmãos. Dois irmãos. No seu tempo não havia coisas e mais coisas que pudessem fazer com que os dois meninos temessem de ficarem só. Certa vez, um dos meninos, o mais novo, quebrou um dente de leite quando rumava em seu carro de madeira, indo bater de encontro a um pilar do casarão que ficava no extremo de um trajeto que ele costumava fazer. Empurrando com um dos pés, o menino perdeu a direção de seu carro de madeira e bateu com a sua boca no pilar. Foi choro muito. Naquela gritaria penetrante, a mãe da criança correu em seu socorro, a clamar por todos os santos, anjos e querubins. Foi o alarido de morte o clamor da criança. Sem nada o que fazer, a mulher lavou a boca da criança com água e sal, e depressa, foram os três - o maior, também -em busca de um enfermeiro que era o médico que a mulher encontrava mais próximo da sua casa. O homem pegou a criança, ainda inconsolável, e o medicou, pois, alí não havia nada a fazer. O homem receitou um medicamento e sossegou a criança de modo que o garoto deixasse tanto de chorar daquele modo. A mulher ainda não tinha sossego pois a tranquilidade só chegava horas bem depois quando a criança parasse de chorar como então lacrimava como se sentisse a morte.
Aquele acidente, a mãe do garoto nunca esqueceu, mesmo depois de velha, já bem carcomida pelos anos. Do acontecimento casual, a mulher procurava a dizer a todos que moravam na redondeza e até mesmo às pessoas que residiam bem mais longe de seu casarão mal dividido e sem um mínimo de aposentos. O garoto, com os dias a passar, não sentiu mais coisa alguma, pois seu dente sequer caiu. Houve somente o choque contra o pilar da casa. Com o tempo, já estavam os dois irmãos a brincar do mesmo jeito que antes, com o carro de madeira pelo meio do casarão sem temer qualquer acontecimento infeliz como o que fizera o menino menor. De outras vezes, daixando o carro de lado, lá estavam os dois irmão a brincar de sacerdotes. A sua mãe, lá dentro de casa, apenas perguntava os que os dois estavam a fazer. Diante da resposta de que não era coisa de grande importância, a mulher continuava a fazer as suas obrigações de casa.
De uma certa vez, ouviu-se um grito e o berro a seguir. A mulher, desesperada, correu para ver o que tinha contecido. Ao notar o que o irmão mais velho fizera - coisa de só menos importância - a mulher deu de garra de uma vassoura e partiu para pegar o filho mais velho, pois, apesar de dizer que nada fizera, a sua mãe não contava conversa: com a vassoura em punho, tacava na cabeça do garoto, um correndo e a mulher correndo apressada, dizendo os descabidos desaforos atrás do menino. Uma certa tacada a mulher acertou no dedo maior da mão direita do filho, que se torceu de dor, naquele vexame treslocado. Uma vez castigado o filho maior, a sua mãe voltou para o interior do casarão, sem calar a boca, enunciando tudo aquilo que ela achava por falar.
Esse foi o momento mais crucial da vida dos dois irmãos, sem contar que em instantes seguintes estavam eles a acudir novamente os seus desaforados instantes de sua meninice. Os dias passaram e os dois irmãos já estavam em outro sítio, para onde foram morar. Da casa grande, só resta agora o escombro que o tempo vem sendo implacavel em consumir. Uma vez ou outra, alguém passa por meio daqueles escombros e nota tão somente a fachada da frente de uma casa velha, quase caindo, com sua pintura desaparecendo, coberta de mata ao redor cheia de musgos de cima a baixo. Ninguém se lembra que, naquela casa velha, um dia, viveram felizes os dois irmãos, salvo pelos contratempos que acudiam a todo menino travesso e disposto em plena idade do seu imberbe ser.

domingo, 28 de junho de 2009

RIBEIRA - 319

HOTEL DO NORTE
Marcel Carnê, realizador de Hotel do Norte (foto), nasceu em 18 de agosto de 1906, em Paris, França. Ele começou sua carreira na época do cinema mudo como um estagiário com o diretor cinematográfico Jacques Feyder. Com menos de 25 anos, Carnê já tinha dirigido o seu primeiro filme, um que marcou sua carreira bem sucedida. Nesse filme, Carnê teve a colaboração do surrealista, poéta e roteirista Jacques Prévert. Esta relação de colaboração durou mais de uma dúzia de anos, durante os quais eles criaram filmes que definiram o cinema francês dos dias em que fizeram. Juntos, Carnê e Prévert, foram responsáveis pelo desenvolvimento do realismo poético.
Sob a ocupação alemã da França durante a II Guerra Mundial, ele trabalhou na Carnê Vichy Zone onde subvertia as tentativas do regime nazista para controlar a arte e filmando sua obra "Crianças do Paraíso". No final dos anos 1990, o filme foi votado "Melhor Filme Francês do Século", em uma sondagem entre 600 profissionais e críticos franceses. Tão logo chegou o pós-guerra, ele e Prévert seguiu este triunfo pelo que naquela altura dos tempos era a mais cara produção já realizada na história do cinema francês.
Pelos anos de 1950, a guerra exauriu o público francês e então queria sentir a efervecência de uma boa comédia além de filmes de romance, deixando de lado a realidade crua de Marcel Carnê que, apesar de tudo, continuava a oferecer. Até o final da década, com a Nova Onda então em curso, com exceção do seu hit de 1958, "As Trincheiras", Marcel Carnê reuniu com sucesso desigual a sua obra, além daqueles que foram julgados por quase toda uma implacavel crítica negativa de boa parte da imprensa e dos membros da indústria cinematográfica. Carnê fez seu último filme em 1976: "A Bíblia"
Vários dos filmes de Carnê contém referencias ao sexo masculino: homossexualidade ou bissexualidade.. Ele era gay e fez segredo sobre isto. O seu parceiro de uma vez Roland Lesaffre apareceu em muitos dos seus filmes. Em 1989 foi publicado um livro por Edward Baron que contava a sua história com o título: "Da Criança Paradise: Marcel Carnê e a Idade de Ouro do Cinema Francês". Marcel Carnê morreu em 1996 em Clamart e foi sepultado no Cemitério de São Vicente, em Montmartre, na França. Seu primeiro filme foi "Jenny". "Hotel do Norte", feito em 1938, foi o seu quarto filme.


sábado, 27 de junho de 2009

RIBEIRA - 318

MARJORIE ESTIANO
Marjorie Estiano se considera uma pessoa de sorte. Também pudera. Com apenas cinco anos de televisão, a curitibana, de 27 anos, é dona de uma trajetória surpreendente, de causar inveja a muito ator experiente. Após estrelar como a vilã Natasha, na fase em que "Malhação" registrou sua maior audiência - 42 pontos de média -, a atriz engatou uma novela das oito atrás da outra. Primeiro viveu a sensível Marina, de "Páginas da Vida", e, em seguida, já encarnou sua primeira protagonista em horário nobre: a conflituosa mocinha Maria Paula, de "Duas Caras". Hoje, Marjorie vive outro papel de destaque como a desengonçada Tônia de "Caminho das Índias". "Tive sorte de entrar em novelas com personagens que desenvolveram assuntos interessantes e que me deram margem para mostrar meu trabalho", minimiza a humilde atriz.
Assuntos interessantes não faltam mesmo na carreira televisiva de Marjorie. Depois de levantar a questão do alcoolismo em "Páginas da Vida", onde deva vida à filha do alcoolatra Bira, ela está tendo a chance de trazer à tona o debate sobre a esquizofrenia. Na trama de Glória Perez, Tônia namora o esquizofrênico Tarso. "Desconhecia a doença absolutamente. Aliás, minha visão era leiga, como acho que é a da grande massa", entrega.
Por ignorar completamente o distúrbio mental, Marjorie conta que participou de diversas reuniões com psiquiatras, esquizofrênicos e seus familiares.. Além disso, procurou ler livros e entrevistas e assistir a documentários sobre o assunto. Para a atriz, antes de estudar a respeito da doença, o esquizofrenico era um individuo agressivo, capaz de qualquer coisa. "E como tudo o que não se conhece, que é esquisito, a gente repele. Por isso, acho brilhante o trabalho de Glória de mostrar e reinserir o doente na sociedade", elogia ela, que ainda não teve uma resposta do público sobre o seu desempenho como "a namorada do doente mental". "Tenho tido pouca exposição. Como tenho gravado muito, minha rotina tem sido ir de casa para o Projac e do Projac para casa", exagera, referindo-se ao complexo de estúdios da Globo, localizado na Zona Oeste do Rio. Independentemente de estar tendo ou não um "feedback" dos telespectadores, Marjorie admite que o mais dificil é lidar com ela mesma, ou seja, com sua autocritica. Isso porque, muitas vezes, ela diz se cobrar além da conta. "Outro dia saí arrasada de uma cena porque não consegui atingir o que tinha imaginado para ela.. Mas, cada vez mais, até mesmo pela experiencia que estou ganhando, estou sofrendo um pouco menos", garante.
Além de cobrar muito como atriz, Marjorie também se cobra demais como cantora. Até porque, mesmo estando afastada dos shows por conta das gravações da novela, ela ainda continua extremamente ligada à sua banda. Mesmo ciente de que possui um significativo curriculo como atriz e cantora, Marjorie sabe que ainda tem muito a aprender nas duas profissões. E garante aínda esperar muito do futuro. A atriz está sendo cotada para viver a personagem Sueli no longa "Malu de Bicicleta", que é uma adaptação do livro homônimo de Marcelo Rubens Paiva. O filme será dirigido por Flávio Tambellini.

RIBEIRA - 317

RIBEIRA
Eu, aqui aprendi a trabalhar - se é que eu sei, na verdade. Aqui, se pode notar a Avenida Tavares de Lyra, na Ribeira, em Natal, Rn. Claro que a artéria não é mais assim. Algo mudou. As calçadas são mais altas - e destruidas -, os predios estão ao abandono e bonde não tem mais. Quem vê a foto - esta que está exposta - por certo verá uma rua, quase no inicio - da foto. Essa rua é a Chile. Antes, era rua do Comércio, pois ali havia toda sorte de comércio da qual a cidade precisava.Do lado direito de quem olha, tem um negócio feio em cima de uma casa. Aquilo era a estação de telefones. Mais pra cá eram casas de comércio e de uma agência - a Agencia Pernambucana -que vendia jornais do sul do pais, revistas, livros e mantinha um serviço e altofalantes para divulgar mensagens de seus patrocinadores, musicas, serestas, carnaval e também o boletim da BBC de Londres com notícias da Segunda Guerra. A Agencia pertencia a Luis Romão que morava da rua Sul, onde tem, hoje em dia, a Caern - Companhia de Águas da capital que o governo já quer privatizar.
Na rua Tavares de Lyra, do lado direito de quem olha - a foto - além das casas comerciais, tinha também o escritóriode representação. Bem perto da Agencia Pernambucana. Naquele escritório trabalhava um rapaz por nome de Afrânio. O escritório pertencia a seu pai. Quando eu conheci Afranio, ele, ainda, não trabalhava lá. Eu comecei a trabalhar em um outro escritório de José Leandro que ficava na rua Dr. Barata, 210, no alto do Jornal A ORDEM. Quando eu passava pela av. Tavares de Lyra, visitava o meu amigo Afranio. Conversa vai, conversa vem e eu partia para outras paragens do meu destino. Ás vezes, eu encontrava Afranio na Agencia Pernambucana vasculhando as revistas que haviam chegado. E. alí, nós teciamos longos "papos" - conversas -até o tempo de nós nos despedirmos. Meu destino era o Correio para ver as correspondencias que haviam chegado para o meu tio - José Leandro - ou para ir ao Banco, fazer compras e coisas mais. E foi assim, nos anos de 1952 até 1956, quando meu tio abriu um armazem de madeiras na avenida Rio Branco, 241, por tras do teatro Alberto Maranhão. - Não sei porque trocaram o nome da casa de espetaculos, pois, quando cheguei ao armazem, ainda era chamado de Teatro Carlos Gomes. Mas, deixa pra lá.
Do armazem eu ainda tinha contato com Afranio, quando tinha que ir fazer mandados. Ele ainda estava no mesmo prédio do escritório do seu pai. Um dia, muito tempo depois, por volta de 1959, Afranio me chamou - quando eu passava em frente ao prédio - e me disse:
--- Sabe quem morreu? - falou o rapaz.
E eu respondí.
--- Não!!
--- Deca!
Aquela noticia me gelou o corpo. Deca era Francisco Canindé que nós o conheciamos muito bem. Tempos passados, eu fui, muitas vezes, com Deca na casa de Afrânio que morava em um sobrado na rua Prudente de Morais, perto da praça Pedro Velho, em Petrópolis, bairro de Natal. Afrânio disse ainda que ele estava internado, pois piorara da doença que o acometera, tendo ataques epilépticos constantes. E em um desses ataques, ele não resistiu. Então, morreu.
Eu fiquei abismado com a notícia. Deca, nunca mais eu vira. Fazia tempo que eu acompanhado com Deca - ele era cego - ia até a casa de Afrânio para jogar conversa fora. Agora, a noticia de sua morte. Eu fiquei a pensar nos tempos que tinha ído com Deca até as Rocas - bairro de Natal - para sessões "espiritas" na casa de "Taperuá', um homem que fazia sessões espíritas naquele bairro, às terças-feiras. E de outras vezes que eu ia ao Centro Espirita da rua Camboim, onde comparecia muita gente às quartas-feiras. Nesse tempo, Deca já sofria ataques epilepticos mais de uma vez por dia. Uma senhora aconselhou à sua mãe, Cecí, mandar o rapaz ao Centro Espírita pois acreditava que aquilo fosse um "encosto". Dona Ceci deu fé no que a mulher dissera e me pediu que acompanhasse Deca até aos Centros que ela conhecia. Nós - eu e Deca - batemos essa cidade por város cantos, como Tirol, Cidade, Alecrim, Rocas e onde tivesse um Centro. Sempre iamos a pé, pois temiamos bondes, pois um ataque em um bonde era por muito dificil da acudi-lo. Agora - naquela hora - me veio a noticia de que Deca falecera. Eu não sei de chorei para desabafar ou o que fiz. Só sei que, de Deca nunca esqueci. Mesmo estando morto, eu não o esquecia.
Ainda hoje, ataques epilépticos são tratados e tem medicamentos para tal mal. Naquele tempo, eu não sei se havia tratamento. Eu conheci Deca quando ele já era adulto, coisa de 18 anos. Soube, por dona Cecí, que o primeiro ataque que o acometera, ele estava a bordo de um navio, em companhia de sua mãe, rumo Natal-Rio. Deca era pequeno, coisa de três anos - ou menos - de idade. Foi assistido pelo médico de bordo e dona Cecí - Cecília era o seu nome - foi aconselhada a procurar um especialista quando chegasse ao seu destino. Por conta desse ataque - penso eu - ele ficou com um braço - o direito - defeituoso que cuidava do o manter sempre erguido, por volta aa cintura, um pouco encolhido.. Quando eu conheci Deca , ele já estava cego, pois essa deficiencia visual acolheu quando ele estava com os seus 16 anos. É tanto, que o rapaz nunca queria que o tratasse como se ele fosso um "cego" e sempre me pedia para que, quando saísse com ele, o deixa-se amparado no meu ombro e de uma forma que ninguém soubesse que ele era um deficiente visual. E foi assim que nós faziamos as nossas caminhadas pelos bairros dessa Natal escura, pois à noite, para Francisco Canindé era mais facil de andar, uma vez que havia pouca gente na rua. Aquele fato, Afranio não sabia. Apenas notava que Deca era um deficiente visual.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

RIBEIRA - 316

NORMA SHEARER
Edith Norma Shearer nasceu em Montreal, Canadá, no dia 10 de agosto de 1902. Na infância, Shearer teve lições de piano e dança, e aos 14 anos ganhou um concurso de beleza. Filha de um rico arquiteto de Montreal, ela mudou-se com a mãe e a irmã para Nova Iorque após a falência do pai. Com olhos azuis, esbelta, ela já prometia ser uma estrela aos dezesseis anos de idade, e sua atuação começou ainda no cinema mudo, dividindo as atenções e o estrelato com Mary Pickford. Irving Thalberg se interessou por ela, contratou-a e, em 1925, Norma fazia já papéis principais, atingindo, porém, o estrelato em 1928, ao se casar com Thalberg, com quem teve dois filhos.
Shearer foi uma das poucas atrizes do cinema mudo a se tornar estrela também no sonoro. e a Metro a promovia como "A Primeira Dama das Telas". Ficou viúva em 1936 e abandonou o cinema por dois anos, voltando em 1938 para filmar "Maria Antonieta.".
Voltou a se casar em 1942 com o instrutor de esqui Martin Arrouge, 20 anos mais jovem do que ela, abandonando definitivamente o cinema. Viveu com Martin até a morte, aos 81 anos, depois de sofrer três derrames.Conquistou o Oscar de Atriz em 1929 por "A Divorciada". e recebeu mais cinco indicação ao Oscar. Seu primeiro filme foi "The Stealers", em 1920 e o último, "Idilio a Muque", em 1942. Norma Shearer morreu em Los Angeles, California, EUA, em 12 de junho de 1983.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

RIBEIRA - 315

GLORIA SWANSON
Gloria May Josephine Swanson nasceu em Chicago, a 27 de março de 1899. Estreou no cinema, como figurante, no filme "The Song of Soul", em 1914, quando completava 15 anos de idade. Atuou em diversas comédias de Mack Sennett e, nos anos 20, já era uma estrela do cinema mudo. Em 1922, atuou no filme mudo "Beyond the Rocks", com Rodolfo Valentino, filme que esteve perdido durante muito tempo e só foi reencontrado em 2004, numa coleção privada na Holanda.
Personificou mulheres extravagantes e seguras, que agiam segundo os seus sentimentos e a sua lógica. Como estrela importante de Hollywood, conseguiu manter a popularidade com o advento do cinema sonoro, com filmes como The Trespasser, (1929) e What a Widow, (1930).Em 1950, atuou em "Crepúsculo dos Deuses", dirigida por Billy Wilder, onde interpretou uma atriz do cinema mudo incapaz de aceitar o esquecimento. Após alguns projetos no teatro e no rádio, Gloria Swanson interpretou a si mesma em seu último filme, "Aeroporto 75", de 1975.
A atriz deixou o cinema em 1932 e tornou-se uma mulher de negócios, mas voltou a filmar posteriormente, quando a convidavam para um papel que lhe agradasse. Na vida privada, ficou famosa por seus sete casamentos, que despertaram sempre o interesse da mídia. Tem duas estrelas na Calçada da Fama, uma em Hollywood Boulevard, por causa da carreira no cinema, e outra em Hollywood Boulevard, por causa da atuação na televisão. Foi indicada três vezes ao pêmio Oscar, na categoria de Melhor Atriz, pelos filmes "Sadie Thompson" (1929), "The Trespasser", (1930) e "Sunset Boulevard" (1951). O seu primeiro filme foi "The Misjudged Mr. Hartley", de 1915. Fez 72 filmes, sendo o último "Aeroporto 75". Gloria Swanson morreu no dia 4 de abril de 1983, em Nova York.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

RIBEIRA - 314

LILIAN GISH
Uma das estórias mais impiedosas e mesquinhas do "star-system" de Hollywood foi o processo contínuo e caríssimo com o qual da MGM aniquilou propositalmente a grande carreira de Lilian Gish para colocar uma outra estrela em ascenção como a deusa do estúdio: Garbo, o MITO. Lilian, a atriz e eterna inesquecível heroína de Griffith no período de auge do cinema mudo (Nascimento de uma Nação)desde de 1912. Foi chamada para a Metro em 1925. Lá ela fez filmes de "prestígio" na mesma época em que Garbo, a "temptress destruidora de lares", "abria a boca" para beijar seu galã (pela primeira vez na estória do cinema) em "The flesh and the devil". As sedutoras vamps que Greta Garbo interpretava e que quase sempre eram castigadas no final do filme e morriam, encontravam mais empatia e simpatia com o público.
A MGM queria somente UMA estrela no firmamento do cinema e estava conseguindo alcançar seu objetivo. Trazendo Lilian Gish para esse estúdio o management da Metro ficou com sua carreira nas mãos, para aniquilar com a única carreira que poderia ter sido capaz de ameaçar o "fenomeno" Garbo.
Se Greta Garbo seduziu John Gilbert em "The flesh and the devil", no qual ela além do "beijo na pecador", até transforma um cálice de comunhão na igreja num instrumento profano, e as cenas de amor deixaram o público suando. A dupla Gish/Gilbert em "La Boheme" não deixou o público nem tépido.
Os filmes de prestígio de Lilian Gish, entre eles o maravilhoso "The scarlett letter" foram fracassos totais de bilheteria. Mas este foi um investimento da Metro que foi totalmente calculado: a grande perda de dinheiro que os filmes de Lilian Gish causou, porque foram produções de prestígio, seria ínfima comparada às futuras cifras que Greta Garbo traria como lucro para este estúdio. Um investimento carissimo e extremamente cruel.
A última aventura cinematográfica desta atriz, antes do filme falado, foi o belíssimo e ao mesmo tempo assustante "The Wind", de Victor Seastrom. Um filme mudo no qual a sensação de se ouvir um ensurdecedor e ameaçador barulho de vento é impressionante - levando a heroína à loucura - uma linguagem cinematografica de muita classe! À partir desta época, e junto com o advento do cinema falado, Lilian Gish passou a simbolizar para o público de cinema uma representante de um tempo passado, como, entre outras, também Glória Swanson. A hierarquia do estúdio mudou e Greta Garbo passaria uma década reinando mas não realmente mais com o público dos Estados Unidos. O público europeu era o público de Greta Garbo e seus filmes faziam sucesso e ganhavam dinheiro na Europa, não nos Estados Unidos. Quando a guerra começou e, de certa forma, uma grande parte do mercado europeu ficou fechado para a indústria cinematográfica americana, a MGM desesperadamente ainda tentou mudar a imágem de Greta Garbo, transformando-a numa americana de cabelos no permanente que até dançava rumba em "Two faced Woman" de George Cukor. O resultado não poderia ter sido mais forçado e vexaminoso, e Greta Garbo despediu-se das telas.
Lilian Gish continuou no teatro, trabalhou durante os anos 30, 40, 50 e 60 continuamente no cinema. Em 1947 sob a direção de King Vidor, ela seria nominada para um "Oscar" de melhor atriz coadjuvante por "Um Duelo ao Sol". Em 1978 ela fez uma aparição fantástica no faladissimo "Um Casamento", de Robert Altman, ao lado de Mia Farrow, Geraldine Chaplin e Carol Burnett. Em 1971 recebeu um "Oscar" especial por sua contribuição ao cinema. Seu canto de cisne no cinema aconteceu no sensibilissimo "The Whales of August". Lilian Gish morreu em 1993, aos 99 anos de idade. O seu rosto foi considerado um dos mais bonitos e fotogênicos do cinema.
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terça-feira, 23 de junho de 2009

RIBEIRA - 313

LOUISE BROOKS

Mary Louise Brooks nasceu a 14 de novembro de 1906. Foi uma americana dançarina, modelo, figurante e atriz do cinema mudo, famosa pelos seus pioneiros cortes de cabelo. Brooks é mais conhecida por sua caracteristica em três papeis, incluindo dois filmes de GW. Pabst: A Caixa de Pandora, (1929), Diário de uma Garota Perdida,(1929) e Prémio de Beauté (Miss Europa) (1930). Ela estrelou em dezessete filmes mudos e, mais tarde na vida ativa, escreveu um livro de memórias, Lulu em Hollywood.
Nascida em Cherryvale, Kansas, Louise Brooks era a filhade Leonard Porter Brooks, um advogado, normalmente muito bem sucedido com suas práticas para a disciplina de seus filhos, e uma mãe que artisticamente determinou que qualquer "squalling Brats" por ela produzido podia cuidarde si mesma.Myra Rude, mãe de Louise Brooks, era uma talentosa pianista que jogou as últimas obras de Debussy e Ravel para os seus filhos, inspirando-lhes o amor de livros e músicas. A sua filha Louise, sofreu abusos sexuais no bairro onde morava. Este fato teve grande influência na vida da carreira dos Brooks, causando na pequena Louise a incapacidade de um verdadeiro amor. Ela deposito no homem que lhe feriu uma chaga que "deve ter tido muito a ver com a sua atitude para poder desenvolver o prazer sexual"..."Para mim, bonito, macio, fácil os homens nunca foram o suficienteb- não tinha de ser um elemento de dominação". Quando Louise disse a mãe o incidente, muitos anos mais tarde, sua mãe sugeriu que o tal homem devia ser julgado pelo crime.
Louise começou sua carreira como bailarina moderna numa empresa onde tinham outras artistas, como Martha Graham, Ruth St Denis e Ted Shawn, em 1922, tendo ela 16 anos de idade. Em 1925 assinou contrato com Walter Wanger, na Paramount Pictures. Foi um contrato de cinco anos. Por esse tempo, Louise conheceu Charlie Chaplin com quem manteve um breve romance. Louise fez sua estreia no cinema mudo na fita "A Rua dos Homens Esquecidos", no ano de 1926. Logo. porém, ela estava jugando duro em uma série de comédias, estrelando com artistas famosos na sua época, como Adolphe Menjou, WC Fields entre outros. Por seus desempenhos, Louise Brooks foi notada na Europa e Howard Hawks a convidou para estrelar no seu novo filme "Uma Garota em Cada Porto", em 1928, em um filme mudo. Nesse mesmo ano, nos Estados Unidos era lançado o Filme "O Cantor de Jazz", com som.
O seu melhor papel no cinema americano surgiu em um dos primeiros filmes sonoros, o drama "Mendigos da Vida", de 1928, como uma menina abusada, com Richard Arlen e Wallace Beery. Grande parte deste filme foi filmado no local e o microfone teve que ser soerguido pelo diretor William Wellman, que precisava de uma das primeiras cenas experimentais faladas do filme.
Neste filme ela usou um bob que se tornou famoso e ainda é conhecido ainda hoje, já que muitas mulheres do mundo ocidental passaram a usar o mesmo modelo de cabelo. Após "Mendigos da Vida", Louise Brooks recusou a permanecer na Paramount após ter sido negado um aumento de seus vencimentos. Nessa época, ela partiu para a Europa para fazer filmes de GW Pabst, o grande diretor do expressionismo alemão. A Paramount tentou usar a vinda de filmes sonoros para a atriz, mas ela chamou o estudio de "blefe'.
Uma vez na Alemanha en 1929 ela estrelou filmes como "A Caixa de Pandora", dirigido por Georg Wilhelm Pabst. O filme é baseado em duas histórias e Louise reproduz a figura central Lulu. Este filme é notório por sua franqueza sexual moderna com um tratamento de costumes, incluindo a primeira tela de retratar uma lésbica.. Em seguida, Louise Brooks estrelou nos controversos dramas sociais "Diário de uma Garota Perdida" (1929), também dirigido por Parbst, e "Prémio de Beauté" (1930), este último sendo filmado na França, e com uma famosa surpresa final. Todos estes filmes foram fortemente censurados, pois eles eram muito "adultos" e foi considerado no seu tempo por expor retratos de sua sexualidade, bem como a sua integração de sátira social.
Quando Louise Brooks retornou para Hollywood, em 1931, estrelou em dois filmes: "Dom de Deus" (1931) e "Advertise" (1931). Seus desempenhos nestes filmes, no entanto, foram amplamente ignorados e algumas outras ofertas de emprego foram próximas do informal, devido a sua "lista negra". Apesar disso, William Wellman, seu diretor em "Mendigos da Vida" ofereceu uma nova imágem femenina em "O Inimigo Público", estrelado por James Cagney. Mas Louise Brooks recusou o papel. Ela declarou a Wellman que detestava fazer fotos porque simplesmente odiava Hollywood. Para muitos estudiosos da carreira de Brooks, era o fim de sua carreira.
No dia 8 de agosto de 1985 Louise Brooks foi encontrada morta vítima de um ataque cardíacoEla foi enterrada no cemitério Santo Sepulcro, em Rochester, Nova York.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

RIBEIRA - 312

VIRGINIA CHERRILL
Luzes da Cidade foi um filme que, Charles Chaplin, torceu o nariz porque, naquele ano de produção, já começava a surgir o cinema sonoro, depois do lançamento de "O Cantor de Jazz", primeiro filme falado que surgiu em 1928. Tudo era início, e na França, o cinema sonoro ainda estava em pleno começo. E, por isso, Chaplin desacreditava que o cinema pudesse falar. Nesse canto e desencanto, foi assim que se começou a filmagem de "Luzes da Cidade". Para a atriz principal do drama-comédia, Chaplin convidou uma desconhecida atriz, de pouco sucesso, para atuar como uma florista - vendedora de flores -. E demorou um ano para concluir as filmagens só por conta de uma cena em que "Carlitos" chegava até a florista - Virginia Cherrill -. Acontece que Chaplin não tinha idéia de como fazer para chegar até a florista, sem despertar a intenção de que "Carlitos" era um eterno vagabundo. Por isso, em não saber como fazer esta cena, ele demorou um ano. Chegou até mesmo dispensar Virginia Cherrill e refilmar toda a trama. Porém, já estava muito adiantada a filmagem e Chaplin teve que reconsiderar.Ficou mesmo em cena Virginia Cherrill, a florista do início do filme.
Luzes da Cidade foi uma das maiores obras-primas de Chaplin, um de seus filmes mais queridos e amados e com um final celebrado por muitos como um dos grandes momentos do cinema. Talvez em nenhum outro ele tenha explorado de forma tão contundente a solidão e a tristeza do vagabundo, e a relação deste com o milionário e o final aberto só ajudam a refletir sobre isso. Foi um de seus filmes que mais tempo ficou em produção devido a seu perfeccionismo (só a sequência em que o vagabundo encontra a florista e descobre que ela é cega Chaplin rodou mais de 300 vezes até achar o modo correto). Ele teve problemas com a novata Virginia Cherrill e chegou a pensar em trocá-la por sua co-estrela de "Em Busca do Ouro", Georgia Hale, já que tinha filmado material demais e teve que manter a atriz. Esse foi o primeiro filme da era do cinema falado, mas ele sabiamente resistiu às pressões e manteve o personagem silencioso, utilizando apenas música e efeitos sonoros. O tema musical é o clássico "La Violetera". Um clássico eterno para ver e rever.
Desta vez, Carlitos se apaixona por uma bela florista cega, que acredita que ele é um milionário, e se envolve nas maiores trapalhadas para conseguir dinheiro necessário para a cirurgia que irá restaurar a visão da moça. Para tanto ele se transforma num lixeiro, garí, num boxeador, num falso rico, e no salvador de um milionário com tendências suicidas. A cena final, em que a florista descobre a verdadeira identidade de seu benfeitor é um dos momentos mais memoráveis da historia do cinema. Tocante e poético, como sempre foi Chaplin!
A cena antológica mostra a moça já curada de sua cegueira e, certa vez, Carlitos passa pelo local onde ela sempre vendia flores, e percebe que a florista está em uma mesa, conversando com uma amiga, dizendo do que tinha passado no tempo que não tinha visão. Carlitos se aproximou da moça e lhe ofereceu uma rosa. Maltrapilho, a moça nem fez questão em olha-lo. Foi então, que ao segurar a rosa de presente, que ela tanto admirava pelo cheiro que botava, ela pegou na mão de Carlitos, e olhou com surpresa e perguntou se ele era o cavalheiro que lhe pagara a cirurgia da vista. Carlitos respondeu que sim e a moça, então, relembrando que Carlitos não era nenhum milionário, o abraçou comovida e cheia de encanto. Assim, ela vê que, na verdade, seu benfeitor era apenas um maltrapilho vagabundo.

domingo, 21 de junho de 2009

RIBEIRA - 312

O BONDE
Quem vê, nos dias de hoje, a rua Frei Miguelino, olha e nada comenta. Essa rua por onde passou o Bonde nos anos remotos - até 1956 - tem história. Era por aquele recanto que os homens que se agasalhavam no Forte dos Reis - hoje, conhecido por Forte dos Reis Magos - faziam a ligação até a Cidade. Alí não havia nada. Só mangue, pois o rio - Potengi - tomava todo o canto, uma vez que a sua margem era bem mais ampla. O rio expandia-se pela chamada Ribeira - antigamente não era assim conhecida -correndo por todos os locais, da Avenida Silva Jardim até a Praça Augusto Severo, nomes dados no século XX. Quem viesse pela rua Frei Miguelinho, andejava por um lugar estreito, cheio de lama. Um vesdadeiro lamaçal. Foi por aquele local que um grupo de soldados portugueses trouxeram o corpo de André de Albuquerque que havia morrido durante a noite, para sepultá-lo na Igreja da Cidade, conhecida depois como Catedral de Natal. Ao passar por uma casa alí existente, onde morada uma mulher que vendia escravos a quem comprasse, os soldados foram parados, pois a mulher - Ritinha Coelho - se compadeceu do estado do cadáver, despido, e lhe arranjou uma manta para cobri-lo. A rua Frei Miguelinho ganhou esse nome porque ali, em uma casa, cujo número era 52, nascera a criança Miguel e que passou a ser chamado de Miguelinho. Ele viveu na casa que fica em uma esquina da rua, no seu inicio, até a juventude, rumando depois para o Recife, Pe, onde se ordenou frade e, posteriormente, fez votos para ser padre.Por isso, a rua, hoje em dia, é chamada de Frei Miguelinho.
No curso da história, aquela mesma rua, onde o bonde está a passar, tinha uma casa de comércio, chamada M.Martins & Cia. Do lado esquerdo do bonde, já na esquina da rua, tinha a Loja 4 e 400 - que se chamava Loja quatro e quatrocentos -, Era uma casa de artigos para presentes, próprios para as crianças. A senhoras gran-finas podiam comprar artigos de miudezas. Um incendio destruiu a casa da noite para o dia, consumindo tudo. Natal, nesse tempo, não tinha unidades do Corpo de Bombeiros, tendo que chamar os carros que estavam em Parnamirim, na unidade da FAB - Força Aérea Brasileira -.Uma outra unidade, só para conduzir água, estava na Base Naval. A Loja 4.400 foi tomada pelo fogo, incendio de tamanha proporção que até um barco da Marinha que se encontrava ancorado ao largo do Cais Tavares de Lyra, teve que ajudar, fornecendo água retirada do rio Potengi, e encaminhada por dois guinchos, com a intenção de apagar o incendio. Com a chegada dos Caminhoes Tanques da Aeronáutica, as chamas foram debeladas já no dia seguinte. Nesse tempo, o bonde que fazia trajeto pelo local, ficou interditado, voltando, então, pelo caminho que fazia como ida, pela rua Duque de Caxias. Tudo foi consumado pelo incêndio e a casa, ficou apenas o escombro por vários anos. Esse acidente ocorreu por volta de 1948, um dia em que o proprietário da Loja estava aqui, em Natal. O homem tinha chegado do Rio de Janeiro e só teve que presenciar as chamas que consumiam a sua Loja. Esse foi um fim melancólico para a casa comercial. O bonde voltou a circular pelo seu antigo trajeto, dias depois, quando tudo havia terminado, com o rescaldo todo pronto. Os próprios funcionários da casas próximas tiveram um dia de folga dado o fogo que consumiu a grande - por assim dizer - loja de artigos para crianças e adultos.

RIBEIRA - 311

MARY PICKFORD
Gladys Marie Smith, mais conhecida pelo nome artístico de Mary Pickford, nasceu em Toronto, Canada, no dia 8 de abril de 1892. Ela foi uma atriz canadense radicada nos Estados Unidos. Co-fundadora do estúdio United Artists, ficou sendo conhecida para o público como a "Queridinha dos EUA" ou a "Namoradinha da América". Uma das primeiras canadenses em Hollywood, ao longo dos anos se tornou uma famosa feminista. Foi a segunda atriz a ganhar o Oscar de Melhor Atriz Principal, em 1930, mostrando que continuaria famosa apesar da sonorização dos filmes.
A atriz foi lançada no cinema americano por David Griffith, em 1909 depois de ter feito sucesso no teatro pelas mãos do diretor David Belasco. Se tornou em 1918 a atriz mais bem paga no cinema americano. Fez mais de 200 filmes, a maior parte deles ainda no cinema mudo. Foi casada três vezes. Primeiro com o ator Owen Moore, um alcoólatra inveterado de quem se separou em 1918. No mesmo ano se casou com o ator Douglas Fairbanks e com ele formou um dos casais mais famosos do cinema. O casamento durou 18 anos e o casal junto com Charlie Chaplin e Griffith fundou a United Artists. Em 1937 realizou seu terceiro casamento, com o músico e ator Buddy Rogers com quem viveu até morrer em 29 de maio de 1979, de uma hemorragia cerebral em Santa Mônica, Califórnia. Mary Pickford viveu 87 anos. Seu primeiro Oscar foi pela Melhor Atriz Principal, em "Coquette". O segundo Oscar foi em 1976 pelo Prêmio Oscar Honorário, em reconhecimento de suas contribuições à industria e ao desenvolvimento artístico dos filmes.
Nos Estados Unidos existe o Instituto Mary Pickford, uma organização sem fins lucrativos, em Los Angeles, dedicado ao cultivo de sensibilização do filme pioneiro Mary Pickford em vida, persendo o seu trabalho, promovendo o seu legado filantropico e honrando a sua criatividade. Fundada em 2003 pela Fundação Mary Pickford, o Instistuto atua ativamente no comunidade através das bibliotecas públicas de investigação, bem como iniciativas educacionais usando filme, vídeo e mídia digital para capacitar os estudantes, ajudando-os a perceber que têm uma voz que é digna de ser ouvida.
A Fundação Mary Pickford aprovou a compra de muitos ítens interessantes a partir da "Pickfair Estate Leilão", que teve lugar em 22-23 de novembro de 2008 em Berverly Hills. O prêmio especial da coleção foi Mary Pickford pessoais autografrados no livro, que vendeu $ 19 mil dólares. Tal volume foi conduzido pelo mundo por Mary em várias de suas viagens ao estrangeiro. A primeira vez que viajou com o seu diário foi em 1926, colhendo assinaturas dos mais famosos personagens como Charles Chaplin, Maurice Chevalier, Amélia Earhart, Thomas Edison, Dwight D. Eisenhower, Henry Ford, Glenn Martin entre outros famosos. Outros ítens adquiridos para o Instituto Mary Pickford incluem uma coleção de scrapbooks dedicado à carreira de Mary Pickford.

sábado, 20 de junho de 2009

RIBEIRA - 310

POLA NEGRI
Pola Negri nasceu em Yanova, Polônia, a 31 de dezembro de 1894. Seu nome verdadeiro era Barbara Appolonia Chalupec. Ela foi a primeira atriz européia a ser levada para a América e a fazer sucesso. Após conquistar a atenção pelos seus trabalhos em "Carmen", em 1918 e em "Madame Dubary"em 1919, ambos realizados na Alemanha, Pola Negri foi para Hollywood em 1921 com o diretor Ernest Lubitsch, que a tinha dirigido nos dois filmes.
Contratada pela Paramount, trabalhou nas películas "A Bela Diana" e em "Beijos que se Vendem", dirigidos por George Fitzmaurice, ambos na época do cinema mudo. Seu primeiro trabalho, na Alemanha, foi Studenci, em 1916. Pola Negri estava com 22 anos. Logo depois filmou "Jego Ostatni Cyzn", em 1916. E continuou a filmar no mesmo ano e nos anos seguintes até despontar com o seu filme "Carmen", em 1918. Com oito filmes feitos apenas, ela já despontava como uma atriz que ganharia horizontes mais amplos. E foi assim que chegou à América do Norte. Ela foi uma das heroínas do cinema mudo e nas telas era considerada uma vamp - mulher sedutora - , que levava os homens que se aproximavam dela ao perigo e ao pecado.
Na década de 30, Pola Negri voltou à Europa, onde interpretou Mazurka (1935), na faze do cinema sonoro, na Alemanha, de Willi Forst. Às vésperas da queda da França, em 1940, na Segunda Guerra Mundial, voltou aos Estados Unidos. No cinema mudo, Pola Negri fez 34 filmes e 11 no cinama sonoro. Seu último filme foi em 1964 - The Moon-Spinners - quando já estava com 64 anos. Logo ao começar o cinema sonoro, Pola Negri foi recusada por seu sotaque polonês muito forte. O cinama daquela época não tinha formas de melhorar os sotaques dos seus artistas e muita gente de talento foi dispensada por isso. Porém, a atriz não se subestimou e em 1932 ja estava filmando na película "A Woman Commands" de relativo êxito.
Na vida sentimental, nunca negou que teve romances com Rodolfo Valentino e Charles Chaplin. Passou os últimos vinte e cinco anos de sua vida totalmente distante do mundo artistico em sua residência no Texas e faleceu aos 92 anos vítima de uma pneumonia.
Pola Negri nasceu na Polônia e se mudou para uma favela de Varsóvia quando ainda era uma criança pequena. Viveu em situação de pobreza com sua mãe solteira, Como uma adolescente, não se importando com sua pobreza, ela foi fazer os seus estudos no Ballet Imperial. Porém, devido a um surto de tuberculose interrompeu a sua carreira de dançarina. Em Varsóvia entrou para a Academia de Artes Dramáticas onde se tornou atrizEm 1917, ela era uma estrela no estádio de Varsóvia. Porém , a Primeira Guerra Mundial alterou sua breve carreira. Sem teatro, Pola se voltou para o cinema. Tomou rumo de Berlim e então começou a carreira. Foi então que conseguiu aparecer nas telas de outros paises e, então, rumou para os Estados Unidos. Pola Negri escreveu sua autobiografia; "Pola Negri: Memórias de uma Estrela" quando em vida.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

RIBEIRA - 309

CINEMA MUDO
O cinema mudo nasceu como toda "arte" nascia, de conformidade com o seu tempo. Chamar-se de sétima arte foi um sonho, porque o cinema era somente documentários e reportágens. Por volta de 1915, já havia nos Estados Unidos - e nas outras partes do mundo, como França, Inglaterra, Alemanhã, Italia, Brasil e outros mais - uma industria incipiente de um cinema que, apesar de ser divertido para quem assistia, era mudo. Não tinha som. Um homem ao piano acompanhava as peripécias dos atores, dando vez a um certo movimento e que ficava sendo, também, engraçado. E, por aí, surgiram vários atores que demostravam suas piruetas, pois não precisavam falar. O que eles diziam, aparecia num quadro negro entre uma cena e outra. E, assim, estava explicado o que tinha a se dizer. Foram muitos os atores que apareceram durante o período do cinema mudo. Alguns chegaram a ser introduzidos no cinema falado, em 1928. Outros, não se adaptaram, pois a fala era um tanto rouca ou fina..
Sabe-se, porém, que a carência de tecnologia não impedia que, nos locais de exibição das películas, em teatro, óperas ou feiras, as cenas cinematográficas fossem acompanhadas por compassos tocados ao piano. Estas músicas variavam conforme o espaço no qual os filmes eram transmitidos, pois a escolha sonora dependia do ponto de vista do pianista sobre a obra exibida.
Os primeiros momentos da evolução do cinema foram conhecidos como 'período mudo' entre os pesquisadores desse campo. Como os sons não podiam vir em auxilio do público, a compreensão dos filmes era realizada através da inserção de lengendas, com o objetivo de tornar os acontecimentos mais claros para os que assistiam a película. Ao longo de trinta anos o que se conhecia se resumia a esta modalidade, que jà transmitia à plateia a magia que seria sua marca nos séculos posteriores, mesmo sem o apoio sonoro.
Enquanto isso, vários ensáios se sucediam nesta área, na Europa e nos Estado Unidos. Apesar da ausência do som, as altas classes eram atraídas para esta esfera cultural, renovações eram introduzidas na produção de filmes, todo o potencial desta nova arte era explorado, mas a projeção cinematográfica criada pelos irmãos August e Louis Lumiére, na França, em dezembro de 1896, ainda não era utilizada em todas as suas inúmeras possibilidades. Na América o cinema já revelava sua vocação para a diversão, ao contrário da tendência mais elitista e conceitual da Europa. Os primeiros filmes eram exibidos em feiras, com o objetivo de entreter a platéia. Em 1912 tem fim o monopólio da Motion Picture Association, dando assim início à indústria cinematográfica de Hollywood. Os norte-americanos vêem nascer um autor do gabarito de D.W.Grififfh, e produções como Intolerance (ou O Nascimento de uma Nação) tranformarem-se em clássicos do cinema mudo dos Estados Unidos. Emergem atores como Charlie Chaplin, Buster Keaton e Harold Lloyd, o genial trio de comediantes da era dos filmes mudos na América do Norte. Nem mesmo o advento do som apagou da história este período inesquecível da trajetoria do Cinema. E como Alfred Hitchcock disse um dia: "Os filmes mudos eram perfeitos. Só lhes faltava o som sair pela boca das personagens". E o som tinha de fato o seu papel no cinema mudo!.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

RIBEIRA - 308

RELÓGIO DO ALECRIM
Quando nem se pensava em habitar o chamado bairro do Alecrim, em Natal, Rn, o que existia por alí era somente mato. E com os matos, os pés de alecrim que uma velhina costumava a rezar e cobrir um caixão que levasse algum "anjo" para o seu sepultamento no cemitério existente naquela lonjura que Deus me deu. O "anjo" era o corpinho de uma criança que morrera no dia passado. E quem não quisesse enterrar no seu quintal, lavava mesmo para o novo cemitério que não tinha nome. O nome veio muito tempo depois. E, alecrim, era um mato que existia na redondeza, perto do cemitério. A velhina morava numa tapera - casa de taipa coberta de palha - que ficava quase em frente a Igreja de São Pedro - que já existia? Não me lembro -. Toda vez que aparecia um cortejo, vindo da Cidade (Alta), a bemdita mulher parava aquele séquito para poder benzer a alma da criança com galhos de alecrim. Em seguida, o acompanhamento seguia para o seu destino final: - o cemitério.
O tempo foi passando e o local foi tomando jeito, o recinto ganhou o nome de Cemitério do Alecrim, uma referencia ao alecrim que abundava por todo aquele lugar e casas foram surgindo cada vez mais. Houve um tempo que um homem fincou uma bandeira bem alta, no lugar onde, um dia, se erguia a praça que teve o nome de "Gentil Ferreira". A bandeira era para orientar aos homens que eram chamados para fazer uma estrada que se prolongava até o interior do Estado. Então, o bairro nasceu. Foi o terceiro bairro da capital - (Natal) -. E então o tempo foi passando. Em 1950, alí não existia relógio algum. Somente havia a praça "Gentil Ferreira" onde se começou uma feira com a gente do interior que trazia carne-seca, farinha, feijão, açucar e outros gêneros alímenticio para vendera um preço bem razoavel.
Depois disso, o Rotary Clube, ha cerca de 30 anos ou mais inventou de erguer no meio da rua - alí é a Rua Amaro Barreto - um ícone e, na ponta de cima, um relógio de quatro faces para quem quisesse se orientar que horas eram dadas. O Rotary se comprometeu em fazer o conserta das horas quanto o relógio necessitasse. O tempo foi passando e, um dia, o relógio parou. Parou, e pronto! Talvez precisasse de alguma revisão. Sabedor de suas obrigações, o Rotary, depois de certo tempo, retirou do seu local o relógio de quatro faces e mandou - com certeza - para ser consertado. Não se sabe o que aconteceu, pois o relógio não mais voltou. E não se sabe quem tomou conta daquela engenharia. O Big-Ben, de Londres, é muito mais velho que o relógio do Alecrim, e nem por isso desapareceu e nem atrasou ou adiantou. Agora, o relógio - novo - do velho Alecrim, desse nunca mais se teve noticia. Alí, hoje em dia, só existe a caveira de onde o maquinismo, um dia, foi posto. Logo atrás do obelisco tem a praça "Gentil Ferreira", como foi projetada, agora sem ter mais o Mercado Público, pois a Prefeitura desmanchou o próprio estabelecimento e em seu lugar plantou árvores e construiu um Café. O tal dolmen do ex-relógio agora serve como gancho para segurar os semáforos que orientam o povo e os motoristas. E o marcador das horas, esse nem se fala mais.
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quarta-feira, 17 de junho de 2009

RIBEIRA - 307

SELTON MELLO
O polêmico caso da morte do brasileiro Jean Charles de Menezes virou um filme. Dirigido por Henrique Goldman e estrelado por Selton Mello, "Jean Charles" foi apresentado à imprensa nessa terça-feira (16) em São Paulo.
Em entrevista coletíva, Mello ressaltou que o objetivo do longa é lembrar a vida do imigrante brasileiro. "Quando cheguei a Londres para as filmagens queria ir à estação Stockwell, onde ele foi assassinado para ver o local e o santuário que foi feito para ele lá. O Henrique não quis que eu fosse e me disse que não queria que eu ficasse impregnado pela tragédia. No fim acho que foi a opção certa. Queriamos contar a história da vida dele, não da morte".
De fato, "Jean Charles", que estreia nos cinemas brasileiros em 26 de junho, se propôe a mostrar o cotidiano do eletricista mineiro na capital inglesa -- seus "rolos", trabalhos para juntar dinheiro e a vida na comunidade brasileira local até o momento em que ele é morto no metrô por policiais que o confundem com um terrorista.
"Espero que o filme ajude para que os policiais envolvidos sejam responsabilizados pelo que ocorreu", afirma o diretor.
Para interpretar Jean Charles, Mello contou com fotos e histórias relatadas por amigos e parentes. "Não tive acesso a imagens dele em movimento. Só pude ver fotos e ouvir histórias, mas para mim foi como um retorno. Nasci em Passos, Minas Gerais, cresci em São Paulo. E a maneira como ele se admira com Londres me é familiar. Tem algum caipirismo em comum entre intérprete e personagem."
A família do brasileiro, aliás, teve relação próxima com a equipe durante as filmagens, se dispondo a dar informações para o roteiro e também conversar com os atores. Foi de um dos primos de Jean Charles, que vivia com ele em Londres, o pedido para que a cena do assassinato fosse alterada. Segundo o diretor, a princípio, a sequencia mostraria o eletricista questionando os policiais antes de ser baleado."A polícia fez de tudo para responsabilizá-lo pela própria morte".
O diretor e o roteirista, Marcelo Starobinas decidiram então mudar a cena, que agora mostra apenas uma gritaria, barulhos de tiros e o corpo do brasileiro estendido no chão do vagão. "A gente mostrar que ele reagia daria força à versão da polícia, e as pessoas presentes no trem afirmaram que eles não deram voz de prisão e que ele não reagiu", diz o roteirista.
Amigos e familiares de Jean Charles também participaram do longa, atuando como sí próprios. E elenco conta ainda com Vanessa Giácomo e Luís Miranda.
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RIBEIRA - 306

A VIDA DOS OUTROS
A revista norte-americana "Paste" produziu uma lista com aqueles que ela considera ser os 25 filmes estrangeiros mais importantes da década. Segundo a publicação, a idéia surgiu da necessidade de mostrar ao mundo que há muito cinema de qualidade além de Hollywood. Tanto que a revista chega a afirmar o seguinte: "diga o que quiser a respeito do atual estado do cinema nos Estados Unidos, mas existe uma verdade que os cinéfilos consideram ser quase incontestável ano após ano, muitos dos melhores filmes são importados de países ao redor do mundo"
O brasileiro "Cidade de Deus", de Fernando Meirelles, ficou em 4º lugar na lista, que está muito bem representada, com obras europeias, asiáticas e maxicanas. Na América Latina, além do filme do Brasil, há também um colombiano
Veja os 10 melhores estrangeiros da última década: são dramas, épicos, animações, comédias, cinebiografias, etc.
O Labirinto do Fauno (México, 2006)
O Tigre e o Dragão (China, 2001)
O Escafandro e a Borboleta (França, 2007)
Cidade de Deus (Brasil. 2003)
Fale com Ela (Espanha, 2002)
A Viagem de Chihiro (Japão, 2001)
Amor à Flor da Pele (China, 2001)
A Vida dos Outros (Alemanha, 2006)
Amores Brutos (México, 2000)
10 º Caché (França, 2005)
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terça-feira, 16 de junho de 2009

RIBEIRA - 305

CADEADO
Por mais poderoso que seja, um PC sem programas não é nada. Aqui, está separdo um "kit básico" com tudo o que você precisa para deixar seu micro pronto para o trabalho. Depois de comparar sua máquina nova, vem aquela estranha sensação de que falta alguma coisa. E falta mesmo.: novos programas a serem instalados que complementam a experiência e tornam seu desktop ou notebook realmente prontos para o trabalho. Confira a lista a seguir, e veja o que não pode faltar.
Pacote de segurança:
É a primeira coisa com a qual você deve se preocupar. Por mais que o Windows já venha com recursos de proteção, o sistema da Microsoft não conta com um antiviruse outras ferramentas necessárias para garantir que vírus e programas maliciosos fiquem longe do seu novo computador. E não dá para relaxar: uma máquina vulnerável pode ser a porta de entrada para uma "praga" virtual que pode derrubar sua empresa inteira.
A soluçao, aqui, é usar um pacote de segurança que ofereça proteção completa sem complicação: tem que vir com antivirus, firewall, anti-span e ainda protejer sua rede. O produto "ideal" vai depender muito de quantas máquinas você tem, o perfil de uso, quais medidas de segurança já estão em uso na sua empresa e outros fatores.
Recomenda-se pacotes de segurança de fabricantes conhecidos, como Symantec, McAfee, F-Secure e Kaspersky. Em vez de comprar uma licença de uso por máquina em sua loja favorita, contate um distribuidor e invista em "pacotes" com várias licenças de uso, onde você economiza no volume. Usar um programa de proteção contra software espião (Adware/Spyware) também é aconselhável; Boas opções são o SpyBot e o Ad-Aware.
Mas se sua empresa é realmente pequena, você só tem uma ou duas máquinas e prefere mesmo não gastar, é possivel montar uma defesa usando programas gratuitos. Infelizmente é difícil encontrar um pacote tudo-em-gratuito, então será ne nescessário "criar" seu próprio usando aplicativos distintos.
Além dos programas anti-spyware de que foi abordado, você vai precisar de pelo menos um anti-virus e um firewall. Para proteger o PC contra virus, apresentam-se três sugestões: AVG Free, Avira Free Antivirus e o Avast. Todos oferecem ao menos a proteção básica nescessária. O Windows, seja XP o Vista, vem com um Firewall mas ele não é muito eficiente. Como alternativas, sugere-se o Comodo e Zone Alarm.
Pacote de escritório:
O pacote de produtividade mais popular no mundo Windows é o Microsoft Office, atualmente na versão 2007.. Ele vem em sete versões distintas, uma para cada perfil de usuário, desde o usuário doméstico que precisa apenas de editor de texto, planilhas e cliente de e-mail (Office Basic) até grandes empresas (Office Enterprise), que oferece mais ferramentas de colaboração dentro da companhia. Os preços variam,de acordo com a versão e os recursos disponíveis.
Para pequenas empresas o Office Basic, que inclui Word, Excel e Outlook, pode ser o suficiente. Uma alternativa, ainda da Microsoft, que costuma vir instalada em novos computadores é o Works, que vem com editor de textos, planilhas, banco de dados e é compatível com arquivos do Office.
Outra alternativa é usar um dos muitos pacotes gratuitos, que oferecem os mesmo recursos do Microsoft Oficce - edição de textos, planilhas, apresentações, entre outros, com um fator importantíssimo: compatibilidade com os produtos da Microsoft. Recomenda-se dois deles: o BrOffice.org. que até já vem com correção de textos adaptada às novas normas gramaticais da língua portuguesa, e o Lotus Symphony, pacote desenvolvido pela IBM, também disponível em português.
Navegadores de Internet:
Sim, você precisa de um novo browser, mais seguro e eficiente, seja atualizando o Internet Explorer já existente para a recém-lançada versão 8 ou instalando um novo navegador, com mais recursos e proteção para suas andanças na Internet.
Recomenda-se o Mozilla Firefox 3, que conta com diversos módulos adicionais (os "complementos"), que ampliam seus recursos e facilitam o uso, e o Google Chrome, rápido e equipado com um modo de navegação anônima na web que protege informações sensíveis como seus hábitos de navegação contra sites "bisbilhoteiros".
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segunda-feira, 15 de junho de 2009

RIBEIRA - 304

A MULHER INVISIVEL
O género comédia costuma ser um terreno movediço. "A Mulher Invisivel" é uma prova disso. O diretor e roteirista Claudio Torres deve achar seu filme engraçado. mas "A Mulher Invisível", protagonizado por Selton Mello e Maria Manoella, com Luana Piovanni e Vladmir Brichta nos papéis de coadjuvantes, mais parece um piloto para sitcom, como boa parte da produção cômica nacional que chega aos cinemas.
Claudio Torres estreou na direção de longas em 2004 com a comédia de humor negro "Redentor". O filme, uma sátira ao Brasil do vale-tudo, tinha um humor ácido, um visual apurado e uma boa pegada crítica. No ano passado, (2008), ele lançou "A Mulher do Meu Amigo", uma comédia de erros, cujo maior equívoco foi existir.
Partindo de um roteiro assinado por ele mesmo, Claudio Torres tenta fazer comédia a partir da fantasia. Pedro leva um fora de sua mulher e inventa uma "mulher ideal", Amanda, que só existe em sua imaginação.
O primeiro ato do filme é o relacionamento de sonho entre Pedro e Amanda. Seu melhor amigo começa a desconfiar que ela não existe, o que, mais tarde, leva Pedro a também questionar a existência da moça. Mas, na verdade, o filme não é sobre ele, nem sobre ela. A verdadeira mulher invisível do título é Vitória. Vizinha apaixonada por Pedro, Vitória, que ficou viúva recentemente, há tempos ouve as conversas dele através da parede. Mas Pedro nunca a notou, seja no elevador ou no corredor do prédio. É como se ela não existisse.
Se "A Mulher Invisível" se assumisse como um filme sobre Vitória, talvez tivesse mais a oferecer e explorar, até porque ela é a personagem mais interessante e Maria Manoella, a atriz mais talentosa em cena.
Numa das primeiras cenas, a música "A Woman Left Lonely", na voz de Janis Joplin, ilustra bem o estado emocional de Vitória, mas sua exaustiva repetição é sinal de que as idéias já se esgotaram. Vitória é aquela mulher solitária e tímida que tenta conquistar o vizinho, mas, quando finalmente toma coragem, ele já enlouqueceu, tentando se livrar da figura de Amanda, mesmo que ela só existia em sua cabeça.
Selton Mello parece atuar no piloto automático, sem o carísma que mostrou em produções como "O Auto da Compadecida", desempenhando um tipo que poderia ser engraçado, ou minimamente simpático, mas que acaba sendo irritante com tantas neuroses. Luana, que confunde comédia com histeria, se acomoda na sua persona de mulher sensual e acredita que isto basta para compor um personágem. O filme ganha quando ela sai de cena e a personagem Vitória cresce..
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domingo, 14 de junho de 2009

RIBEIRA - 303

"DIVÃ"
O filme "DIVÃ", de José Alvarenga Jr., foi o grande vencedor da 13ª edição do Festival de Cinema Brasileiro de Miami, que se encerrou na noite deste sábado, na Florida (Estados Unidos). Das 11 premiações de longa metragem de ficção, a comédia levou o troféu "Lente de Cristal" em sete, entre eles, o de melhor filme do júri oficial e o de melhor filme do júri popular.
João Alvarenga Jr. ganhou ainda o prêmio de melhor diretor e Lilia Cabral (foto), a protagonista do filme, o de melhor atriz.
O filme ainda venceu nas categorias de direção de arte, montágem e roteiro. "Loki - Arnaldo Baptista", de Paulo Henrique Fontenelle, foi o melhor longa-metrágem documentário. Entre os curtas, o grande vencedor foi "Sildenafil", de Clóvis Mello, que levou quatro das seis categorias.
Durante oito dias, foram exibidos 34 filmes para um público formado por americanos, brasileiros e latino-americanos residentes nos Estados Unidos. Na mostra competitiva foram 19 filmes, entre os longas e curtas-metragens, todos inéditos no mercado norte-americano e alguns deles, também no Brasil.
As exibições no Colony Theatre foram de casa cheia todos os dias, com um público ávido por diversão e de riso fácil. Gênero não muito familiar aos festivais e prejudicado pela tradução para o inglês, as comédias foram o destaque deste Festival de Miami.
Além de "Divã", os filmes "Embarque Imediato", de Allan Fiterman, e "Casa de Mãe Joana", de Hugo Carvana, foram alguns dos que caíram no gosto do público, ainda que não tenham sido premiados pelo júri.
Inspirado na peça "Divã" -- uma adaptação do romance homônimo da escritora gaúcha Martha Medeiros -- o longa tem direção de José Alvarenga Junior.
Coprodução da Globo Filmes, "Divã" conta a história de uma mulher de 40 anos que resolve procurar um psicanalista, e passa a questionar o casamento, a carreira e seu poder de sedução. O elenco tem ainda os galãs José Mayer, Reynaldo Gianecchini e Cauã Reymond (foto), que também passou pelo festival e dividiu o "Lente de Cristal" de melhor ator com João Miguel, ambos de "Se Nada Mais Der Certo", de José Eduardo Belmonte.
A atriz Lilia Cabral, que esteve na sessão de exibição do filme, mas não esteve presente na premiação deste sábado, disse que a boa receptividade do filme pelo público de Miami se deve ao fato de ser uma história simples. "Falamos o que se entende, falamos com o coração. O que aconteceu aquí em Miami abre espaço para voar um pouco mais alto, ir para outros festivais", disse Lilia.

sábado, 13 de junho de 2009

RIBEIRA - 302

"APENAS O FIM"

Um jovem casal em crise e a um passo da separação tem muito o que conversar na comédia dramatica "Apenas o Fim" que estreia em São Paulo e no Rio, depois de uma bem-sucedida passagem pelos Festivais do Rio e a mostra de São Paulo em 2008 - em ambos, vencendo o prêmio do público.
"Apenas o Fim" é um filme feito por estudantes de cinema de uma universidade carioca. O baixo orçamento, no entanto, não é obstáculo. Pelo contrário, é o que dá energia para o roteirista e diretor Matheus Souza encontrar soluções criativas. O grande trunfo do longa é saber exatamente onde estão as suas limitações e ir para o lado oposto, investindo em diálogos bem-sacados, humor e no elenco.
Em cena, basicamente, estão apenas Érika Mader e Gregório Duvivier - que já haviam trabalhado juntos em "Podecrer!" (2007). Eles formam um casal de universitários em crise. Na verdade, ela diz que vai abandoná-lo e sair em busca de algo que a complete, embora ele insista para que ela fique. Antes dessa despedida, o rapaz tem uma hora para tentar a última conversa.
"Apenas o Fim" é isso, a última conversa desse casalzinho a um passo de deixar de existir. Os dois andam pelo campus da faculdade onde estudam e relembram a relação que tanto os transformou. Entre um diálogo e outro, surgem na tela, em preto e branco, conversas passadas do casal.
Se as comédias de Woody Allen e Domingos de Oliveira são uma referencia para "Apenas o Fim", os primos de primeiro grau do longa, na verdade, são "Antes do Amanhecer" (1995) "Antes do Por-do-Sol" (2005), ambos de Richard Linklater - nos quais um casal conversa sobre o seu relacionamento e o mundo que os cerca, pelas ruas de Viena e Paris, respectivamente.
"Apenas o Fim" comunica-se mais facilmente com o público jovem, que terá, em princípio, mais referencias para entender uma discussão envolvendo Pokémons, Vovó Mafalda e Super Mario Bros. Mas, ao falar das dores e alegrias e amar e perder, o enredo acaba extrapolando a barreira da idade e dialogando com todos os públicos. Frases de efeito abundam ao longo de "Apenas o Fim", mas nenhuma delas soa forçada.
A camera solta acompanhando os personagens e a luz natural dão uma leveza ao filme, cujo humor serve como disfarce para a profunda melancolia da história - afinal, essa é a crônica de um fim de caso. O único porém está nas trucagens da imagem - como uma TV fora do ar - para anunciar que o passado entra em cena. São artificios desnecessários que destoam do restante do filme. As cenas podiam muito bem acontecer sem esses recurso.
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sexta-feira, 12 de junho de 2009

RIBEIRA - 301

A FESTA DA MENINA MORTA
"A Festa da Menina Morta" chegou aos cinemas nesta quinta-feira (11) com a marca de ser o primeiro longa-metragem dirigido pelo ator Matheus Nachtergaele. Consagrado nos palcos e nas telas. Nachtergaele, o traficante Cenoura de "Cidade de Deus", assina a direção e o roteiro do filme, este último feito em parceria com Hilton Lacerda. O resultado não é de fácil digestão. "A Festa" transita em temas abstratos que devem provocar inquietações no espectador.
O filme acompanha os preparativos e a realização da Festa da Menina Morta, que lembra os 20 anos de desaparecimento de uma criança em uma cidade do interior do Amazonas. Ao longo dos anos, o irmão da criança desaparecida, Santinho, passa a ser visto como um "milagreiro" capaz de curar pessoas e fazer previsões do futuro.
O tema do misticismo transita na superfície do filme. Os personagens de "A Festa" realizam suas ações em decorrencia da "menina morta". De fato, quem parece protagonizar o filme é um fantasma que assombra a vida de todos que vivem naquele povoado amazonense. Todos têm suas existências guiadas (ou paralisadas) em decorrência da "menina morta". Em uma comparação, "A Festa da Menina Morta" seria um "Esperando Godot" misturado ao misticismo brasileiro. Mas Nachtergaele não faz apenas o retrato de um povoado preso ao misticismo.. O ator nos faz notar o deslocamento dos valores que criam novos sentidos. É o que acontece com Santinho, um jovem que é alçado ao status de santo vivo.
Essa transformação causa estranhamento. Como nós, espectadores, poderemos ver essa figura? Como um mortal, ele não passaria de um personagem afeminado e com acessos de fúria. Mas se quisermos compreendê-lo como um santo, a sua feminilidade poderia ser estendida como uma maneira de neutralizar a sua condição masculina. Assim, Santinho se torna uma figura andrógina, de sexualidade indefinida. Como santo, ele não poderia ser visto nem como homem, nem como mulher.
A impressão de que os valores estão fora de seus lugares torna-se ainda mais intensa na cena em que Santinho é sodomizado pelo seu pai. A cena é chocante se vista sob um véu de nossos valores morais. Afinal, em um primeiro momento, trata-se de uma relação carnal explícita. Mas no mundo proposto por Nachtergaele, ele pode ser também a relação de uma figura terrena (o pai) buscando "humanizar' seu filho. Quando Santinho se depara com sua mãe, o processo se inverte.Ela busca "santificar" a figura do filho.
As frequentes cenas com personagens ao banho, de animais sacrificados e de expressôes de dor não física sugerem que há algo além daquilo que vemos. Elas nos apontam para interpretações simbólicas. Em um mundo em que impera o abstrato, o espectador pode se sentir um tanto deslocado e perdido, o que enfraquece a compreensão do filme.
Ser um filme de um estreante, sem trabalhos anteriores para termos uma referencia de apoio, pode deixar o espectador ainda mais desorientado. Aqui vale uma dica. Há algo de "O Rio" (1997), de Tsai Ming-liang, em "Festa da Menina Morta" no que se refere ao uso da água e de um sofrimento "espiritual". Pode ser uma pista para ser introduzido no universo desse novo cineasta.
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quinta-feira, 11 de junho de 2009

RIBEIRA - 300

ELLEN DE LIMA
Helenice Teresinha de Lima Pereira de Almeida, a Ellen de Lima, nasceu em Salvador, Ba, no dia 24 de março de 1938. É cantora e atriz brasileira que fez sucesso durante o período dourado so rádio, na década de 1950. Tornou-se conhecida do público por ser a intérprete da célebre "Canção das Misses", escrita por Lourival Faissal, para servir de tema do tradicional concurso de Miss Brasil.
Ellen nasceu na Bahia, mas já aos dois anos seguiu para o Rio de Janeiro. Começou sua carreira em 1950 no programa de calouros de César de Alencar, na Rádio Nacional, bem como no "Alvorada dos Novos", da Mayrink Veiga, pela qual foi contratada em 1954 para apresentar-se no Rio e em São Paulo.
Foi uma das primeiras contratadas da Colúmbia (depois CBS e atual Sony-BMG), no Brasil, lançando nesse mesmo ano o seu primeiro disco, a convite do maestro Renato de Oliveira, com o samba-canção "Até Você" (Armando Nunes) e o show-fox "Melancolia" (Allain Romans, versão de Capitão Furtado). Em 1957, fez sucesso com o bolero "Vicio" (Fernando César), gravando seu primeiro LP, "Ellen". Foi nessa década de 1960 que Ellen de Lima conquistou o público brasileiro com a "Canção das Misses", tema do concurso de Miss Brasil, à época promovido pelos Diários Associados. Atuou bastante em televisão (trabalhou como atriz-cantora na TV Globo, ao lado de Fernanda Montenegro e Sérgio Brito) e em diversas boates, como a Oásis paulistana e O Galo, no Rio de Janeiro, além de participar de espetáculos no Copacabana Palace, ao lado de Haroldo Costa e das Irmãs Marinho. A partir de 1988 passou a integrar o grupo As Eternas Cantoras do Rádio, ao lado de Carmélia Alves, Violeta Cavalcante, Carminha Mascarenhas entre outras, com o qual gravou três CDs. No volume 3, gravou "Estrela" (Gilberto Gil), em duo com seu autor, e "Besame" (Flavio Venturini e Murilo Antunes). Ellen de Lima já ganhou três titulos importantes, como o de Raínha dos Músicos e a medalha Oswaldo Cruz. No correr de sua carreira, Ellen de Lima apresentou-se em Portugal, no Cassino Estoril, por diversas vezes.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

RIBEIRA - 299

NARA LEÃO
A MUSA DA BOSSA NOVA
Nara Lofego Leão nasceu em Vitória, Es, a 19 de janeiro de 1942. Filha caçula do casal capixaba Jairo e Altina Leão, mudou-se para o Rio de Janeiro quando tinha apenas um ano de idade, com os pais e a irmã, a jornalista Danuza Leão. Durante a infancia, Nara teve aulas de violão com Solon Ayala e Patricio Teixeira, que integrou ao grupo "Batutas de Pixinguinha". Aos 14 anos, em 1956, resolveu estudar violão na academia de Carlos Lyra e Roberto Menescal, que funcionava em um quarto-e-sala na rua Sá Ferreira, sempre em Copacabana. Mais tarde, Nara tornou-se professora da academia.
A bossa nova nasceu em reuniões no apartamento dos pais da cantora, em Copacabana, durante reuniões das quais participavam nomes que seriam consagrados no gênero, como Roberto Menescal, Carlos Lyra, Sérgio Mendes e Ronaldo Bôscoli, com quem teve um relacionamento, em 1957. Ele tinha 28 anos e ela 15. No fim dos anos 1950, Nara foi repórter do jornal "Última Hora", onde Bôscoli também trabalhava, e que pertencia a Samuel Wainer, casado com a irmã de Nara, a jornalista Danuza. O namoro com Bôscoli terminou quando este iniciou um caso com a cantora Maysa, durante uma turnê em Buenos Ayres em 1961.
Daí em diante, Nara se aproxima de Carlos Lyra e de suas idéias mais à esquerda. Inicia o namoro com o cineasta Ruy Guerra e passa a se interessar pela música produzida nos morros cariocas.
A estreia profissional se deu quando da participação, ao lado de Vinicios de Moraes e Carlos Lyra, na comédia "Pobre Menina Rica" (1963). O título de Musa da Bossa Nova foi a ela creditado pelo cronista Sérgio Porto. Mas a consagração efetiva ocorre após o movimento militar de 1964, com a apresentação do espetáculo "Opinião", ao lado de João do Vale e Zé Keti, um espetáculo de crítica social á dura repressão imposta pelo regime militar. Maria Bethânia, por sua vez, a substituiria no ano seguinte, interpretando Carcará, pois Nara precisara se afastar por problemas de saúde.
Dentre as suas interpretações mais conhecidas, destacam-se O Barquinho, A Banda e Com Açucar e Com Afeto - feita a seu pedido, por Chico Buarque, cantor e compositor a quem homenagearia nesse disco homônimo, lançado em 1980.
Nota-se que Nara Leão vai mudando suas preferências musicais ao longo dos anos 1960. De musa da Bossa Nova, passa a ser a cantora de protesto, simpatizante das atividades dos Centros Populares de Cultura da UNE. Embora os CPCs já tivessem sido extintos pela ditadura, em 1964, o espetáculo Opinião tem forte influencia do espírito cepecista.
Em 1966, interpretou a canção A Banda, de Chico Buarque no Festival de Música Popular Brasileira (TV Record), que ganhou o festival e o público brasileiro. Nara também aderiu ao movimento tropicalista, tendo participado do disco-manifesto do movimento - Tropicália ou Panis et Circensis, lançado pela Philips em 1968 e disponível hoje em CD. Casa-se com o cineasta Cacá Diegues, com quem terá dois filhos - Isabel e Francisco e, no fim dos anos 1960, tranfere-se para a Europa, permanecendo por três anos, entre a França, onde nasceu a filha Isabel, e a Itália. No começo dos anos 1970, decide estudar psicologia na PUC-RJ. De fato, Nara planejava abandonar a musica mas não chegou a deixar a profissão de cantora, apenas diminuindo o rítmo de trabalho e modificando o estilo dos espetaculos. Morreu na manhã de 7 de junho de 1989 vítima de um tumor inoperável aos 47 anos de idade. Seu último disco foi My Foolish Heart, lançado naquele mesmo ano, interpretando versões de clássicos americanos.
Em 2002, seus discos lançados anteriormente em LPs foram relançados em duas caixas separadas - uma com o período 1964-1975 e a outra 1977-1989 - trazendo também faixas-bônus e um livreto sobre a biografia.

terça-feira, 9 de junho de 2009

RIBEIRA - 298

AVENIDA RIO BRANCO
Quem vê, nos dias atuais aspectos da avenida Rio Branco, em Natal, Rn, nem imagina que aquela artéria tem uma história que remonta o tempo antigo da cidade, quando nem era chamada de avenida Rio Branco e o seu tamanho terminada no cruzamento com a rua Jovino Barreto que nem exista naquele local onde está, sendo uma cerca de pau e quem seguisse por ali, teria que dobrar à esquerda ou à direita para pegar o seu rumo.
Na Avenida Rio Branco daquela época posterior, mostrada na foto, tem algo singular para quem olhar. Ali, já no cantinho abaixo, perto de um cercado onde esteve o Quartel do Exercito, o retrato do Mercado Público da Cidade, uma bela estrutura por assim dizer, com portôes de ferro que abriam para cima, feitos pelo ferreiro e professor do Liceu Industrial, mais tarde chamada de Escola Industrial, sr. Luís de França. Naquele mercado se encontrava de quase tudo que havia na época; do café com cuscuz, bolo de fubá e tapioca, até mesmo aos sapatos e tecidos para as pessoas menos dotadas de poder aquisitivo. O Mercado da Cidade, como era chamado, vinha de tempos mais remotos, no século 19. Era um verdadeiro quarteirão o canto ocupado pelo local público e, em tempos remotos, à tarde, quando o movimento era menor, as verdadeiras ruas que separavam as lojas existentes no seu interior, era um divino prazer para se passear sem nada falar ou dizer. As bancas de carne verde (carne de gado morto na hora) se abasteciam de lotes para serem vendidas no dia seguinte aos seus consumidores.
Do lado de fora do Mercado, pelo lado direito de quem olhava da Avenida Rio Branco, podia-se ver os carros, caminhões que traziam frutas e verduras para os comerciantes da época instalados no interior do velho Mercado. No chão da rua se podia notar os montes de palhas de bananeiras ressecadas pelo tempo misturadas às cargas de magas, laranjas, limas, melancias, melôes e até mesmo bananas que efeitavam o ar impuro do local com seus perfumosos encantos de frutas maduras.
Do lado da frente, os quitandeiros arrumavam seus locais de vendas, com frutas, verduras e mesmo negócios bem diferentes, como fumo e tabaco, para os seus consumidores habituais.
O Mercado da Cidade era um ponto de comércio de repleta atividade, onde balaeiros buscavam caminho por entre o povo repleto que se espremia na passagem daqueles homens robustos. As crianças amedrontadas por diverso alvorosso se encolhiam por entre as pernas de suas mães, temendo serem agarradas pelos homens sujos, com um pano na cabeça e outros, com um saco de farinha que lhe protegiam no descarrego das camadas de carne verde suspensas em ganchos para depois arriar os colchões das pernas das vacas, ficando alí, em repouso, até o dia seguinte.
Medo fazia à criançada, as cabeças de bode, sem pele, cor vermelha, olhos esbugalhados, olhando para o sem fim, que os homens traziam também e depositavam nas pedras de lousa e alí ficavam a espera de quem as comprasse. Eram cabeças de bodes, cabras ou carneiros, com os dentes serrados como que sorrindo para as crianças, ameaçando-lhes pegar de jeito, a qualquer instante para o seu festím diabólico que se arrumavam durante as madrugadas escuras nos quintais das suas casas, entre rezas, fumaças e fogueiras, tendo a presença dos homens encapuzados com suas cabeças cobertas por um pano melado de sangue. Ah! Isso fazia muito medo! E como fazia!
O Mercado era assim. De manhã, cedinho, coisa de cinco horas, o dia bem não despontava, as mulheres dos quiosques já preparavam o café para atender aos seus frequeses. E como já enfatizei: café, bolo de milho, tapioca, cuscuz e pão. E o consumidor, se quisesse mais, até que tinha. Os bules com seus gargalos estreitos, eram cobertos por uma almofada que não os deixavam esfriar por um longo tempo, serviam aos consumidores as xicaras que eles ingeriam. O café era de graça. O fregues pagava somente o que consumia por fora, como pães, tapiocas e coisas mais.
Os locais, ainda cedo, estavam fechados, somente postos a funcionar para a venda de seus artigos, como sapatos e tecidos, por volta das sete horas do dia. Antes disso, só quem vendia as verduras, legumes e mesmo os quiosques de venda de objetos velhos.
Em sua cobertura, podia-se notar que o prédio tinha cinco revestimentos, se estendendo de leste a oeste. Assim, os seus ocupantes ficavam tranquilos com a sua segurança. Na parte leste, tinham lojas de comércio de produtos variados, como faijão, farinha, açucar, arroz e tudo o que se consumia de forma enlatada, como o leite, por exemplo. Logo atrás, mais chegando ao fim do prédio, havia as bancas de peixes, dos grandes aos pequenos, ostras, camarões e até mesmo lagostas. Alí, o cheiro era quase insuportavel, pois se confundia com o arroma fétido que brotava dos miquitórios que ficavam logo a baixo. Quem quisesse sair pelas portas dos fundos, encontraria rumas de estercos humanos misturados com urina dos ébrios que frequentavam o local. Era assim o velho espaço de vendas da cidade. Na parte de trás, havia três escadarias para descer e subir, em dois vãos de ascessos, o que não acontecia com a parte da frente, que era plana como o chão. O terreno inda hoje tem seu declive como sempre foi. Mesmo assim, o Mercado da Cidade, destruido por um incêndio na década de 1960, era um belo local de se viver e ser feliz. Quando houve o incendio que destruiu todo o espaço, a Prefeitura de Natal prometeu construir novos espaços para abrigar os comerciantes. Assim, surgiu, entre outros, o Mercado de Petrópolis, que os locatarios nunca aceitaram, vez que era distante dos seus comercios e consumidores. Não foram poucos os que morreram ou ficaram inválidos por doenças mentais, ao perderem tudo o que tinha naquele pavoroso incendio que consumiu em pouco espaço de tempo os seus bens e negócios por fazer, visto de vários pontos da Capital. Era um sábado à noite quando tudo isso ocorreu. Enfim, uma coisa era certa: já não havia mais locais para se andar sozinho, olhando as coisas que nos entretiam deveras nas tardes sabatinas de alegres devaneios. O Mercado Público da Cidade tinha o seu fim desastroso imposto pelo fogo.