sexta-feira, 4 de setembro de 2009

RIBEIRA - 395

- ESCOLA DE BERLIM -
Grupo de cineastas rotulado de "Escola de Berlim" e diretores de orígem estrangeira se destacaram na produção de filmes de ficção a partir da última década do século 20.
Entre os temas preferidos pelos diretores da "República de Berlim" (inaugurada em 2000, com a mudança de governo para a cidade) estavam, entre outros, as desventuras de uma geração pós-feminista, muitas vezes emolduradas por dramas pessoais. Assuntos de ordem política perderam, na década de 1990, espaço para o cinema do país. A comédias de costumes se mostraram como uma das formas prediletas dos diretores, nitidamente tendentes a road movies entrados em protagonistas que relutam em se tornar adultos. O sucesso de público, nesse momento, passou a depender muito mais dos atores do que dos diretores, o que significou um adeus definitivo à "era do cinema de autor".
O passado histórico, entretanto, continuou sendo uma das temáticas presentes a partir dos anos de 1990. O regime nazista foi retomado em alguns filmes, embora maquiado por efeitos especiais: a história embalada com entretenimento para o grande público. O ápice dessa tendência veio em 2004 com "A Queda", de Oliver Hirschbiegel, uma superprodução baseada nos últimos dias da vida de Hitler e voltada para o grande público. Outra corrente passou a limpo o passado da República Democrática Alemã (RDA), de regime comunista, destacando-se aqui os populáres "Alameda do Sol" (1999), de Leander Haussmann, e "Adeus, Lenin!" (2002), de Wolfgang Becker. Anos mais tarde, em 2006, "A Vida dos Outros", de Florian Henckel viria a tratar mais uma vez do assunto, tendo se transformado em sucesso absoluto de público dentro e fora do país além de ter levado o Oscar na categoria de melhor filme estrangeiro.
A construção de uma nova identidade coletiva e o conceito de nação são também alguns dos temas delineados pela cinematografia alemã nos anos 1990. Seja no delírio de um submundo urbano em "Sombras da Noite" (1998), de Andreas Dresen, através das gruas de Berlim - que simbolizam a reconstrução do país em "A Vida é Tudo que Temos", (1996) - até o mosaico de citações pop em tom de videoclip do grande sucesso de público da década: "Corra, Lola, Corra" (1999), de Tom Tykwer.
No festival de cinema de Berlim de 2004, o alemão de ascendencia turca Fatih Akin, recebeu, aos 30 anos, o Urso de Ouro por Contra a Parede, consolidando um segmento do cinema alemão nitidamente impulsionado por uma geração de filhos de imigrantes no país. A temática que nos anos 1980 havia sido tateada pelo cinema do país torna-se mais presente que nunca.
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Um comentário:

Manoel de Oliveira Cavalcanti Neto disse...

O Urso de Ouro é a consolidação de uma Escola que revolucionou o cinema. Os temas por você escolhidos são oportunos e grandiosos.