quarta-feira, 30 de setembro de 2009

RIBEIRA - 421

MAUSOLÉU DE MAO TSÉ-TUNG
Desde 1977, ou seja, um ano após a morte do Grande Timoneiro, dois Mao se encaram na praça Tiananmen: um retrato, pendurado no portão da Praça da Paz Celestial, parece contemplar seu duplo simbólico, o corpo embalsamado que repousa, em seu caixão de vidro, no mausoléu erguido para lhe garantir uma eternidade imperial.
Na manhã de terça feira, 29 de setembro, dois dias antes da festa nacional que verá o regime chinês comemorar seu 60ª aniversário em uma abundância de desfiles militares e delírios pirotécnicos, a multidão ainda era pequena. É preciso dizer que o tempo não está muito favorável: o outono em Pequim oferece um céu de um cinza infinito sobre a maior praça do mundo, aquela que Mao Tsé-Tung mandou ampliar após a vitória comunista. Mas há grupos de turistas chineses tirando fotos diante do mausoléu ou do grande monumento "aos heróis do povo", erguido no centro da praça. Hoje, com a aproximação do 1º de outubro, outro retrato vem perturbar o habitual face-a-face dos dois Mao: é Sun Yat-Sen, pai da República de 1911, que consagrou o colapso do império; o regime comunista o incluiu em seu panteão. De bigode e olhar severo, apertado em um uniforme cinza azulado - que os ocidentais chamam erroneamente de "terno Mao", mas que os chineses chamam de "terno Sun Yat-Sen" - o primeiro revolucionário da China examina o Mao do retrato apoiando-se no Mao do mausoléu.
Estranho face-a-face na bruma de setembro. Por toda a praça, cada um dos "postes cerimoniais" mostra uma figura dançante, representando as 56 etnias da China. É parte da preparação para a grande missa de quinta-feira, onde todo um povo deve comungar na unidade nacional. Se houve um "santo dos santos" entre os locais sagrados do maoísmo, certamente foi na praça de Tiananmen, coração do império. Alí, por vezes o governo foi celebrado (discurso de Mao em 1º de outubro de 1949; histeria coletiva quando os guardas vermelhos agitaram seu Livro Vermelho durante a "revolução cultural" de meados dos anos 1960), por vezes desafiado (movimento de contestação dos estudantes em 1989). Situado no sul da praça, esse mausoléu simbolicamente construído com materiais vindos de toda a China - granito de Sichuan, porcelana da província de Cantão - contém segredos mal guardados. Em um livro que foi um grande marco, "A vida privada do presidente Mao" (1994), o Dr. Li Zhisui, antigo médico do número um chinês, contou as dificuldades encontradas depois que o comitê executivo decidiu que o corpo do presidente seria embalsamado - e não incinerado, como ele mesmo havia desejado. O Dr Li conta que, na companhia de seus assistentes, ele examinou "as antigas técnicas chinesas de conservação". "Arqueólogos haviam desenterrado recentemente corpos velhos com centenas de anos, em um estado de conservação extraordinário. Nós rapidamente concluímos que, no caso de Mao, essas técnicas seriam inutilizaveis: enterrados a uma grande profundidade, o corpos nunca haviam sido expostos ao oxigêneo e se desentegraram imediatamente ao entrar em contato com o ar", ele explica.
O médico e seus auxiliares em seguida se depararam com outro tipo de problema: era fora de questão pedir conselhos aos soviéticos, que haviam embalsamado Lênin; as relações entre Pequim e Moscou estavam muito degradadas na época. Depois foi decidido que iriam buscar ajuda dos vietnamitas, que haviam sacralizado o corpo do Tio Ho, morto em 1969, e o expuseram em seu mausoléu em Hanoi. Mas essa tentativa também resultou em fracasso; os vietnamitas, com ciúmes de seus segredos de mumificação, se recusaram a ajudar os camaradas chineses. Entretanto, alguns fofoqueiros contaram para dois enviados de Pequim que, ainda segundo Li Zhisui, "o nariz de Ho Chi Minh havia apodrecido e sua barba havia se desintegrado". Então nada disso previa algo de bom para a sequencia dos acontecimentos.
O episódio que se seguiu imediatamente à morte de Mao Tsé-Tung, às Oh 10 de 9 de setembro de 1976, ultrapassou os limites do grotesco: depois de receber 22 litros de uma solução de formol, o cadáver inchou tanto que foi preciso massagear o corpo para fazer baixar parte do líquido. E um dos participantes da operação pressionou tão forte que a pele da bochecha direita rasgou. Mas o mais importante não está nesse relato macabro: o bom Dr. Li conta que os dois especialistas chineses foram enviados para examinar as estátuas do Madame Tussaud, o meseu de cera de Londres, Inglaterra. Na volta, um manequim de cera muito parecido foi moldado por artistas pequineses. Uma vez construído o mausoléu, desceram os dois Mao, o embalsamado e seu duplo, na cripta perfurada sob o monumento. Um elevador foi instalado, permitindo a subida até a sala onde o corpo está exposto. E então é feita a pergunta crucial: o que realmente se vê no mausoléu de Mao? O verdadeiro Mao, com rosto de cera, ou o manequim de cera com o rosto de Mao?.
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terça-feira, 29 de setembro de 2009

RIBEIRA - 420

- CHINA -
Em Pequim, policiais abrem uma enorme bandeira nacional
para celebrar os 60 anos da República Popular da China.
É uma cidade encaixada em um estreito vale que não teria nada de notável, não fosse por uma velha ponte sobre o rio Dadu. Antigamente ela marcava a fronteira entre o mundo chinês Han e o território tibetano. A oeste, um templo budista deu origem a um pagode de vários andares na encosta de uma colina, a leste uma cidade moderna nasceu no pé de uma montanha. A ponte foi construida sob a dinastia da Manchúria. É uma obra modesta e suspensa, feita de correntes e de tábuas, como não se faz mais. Mas não foi sua estética que a tornou famosa na China: o local foi palco de um dos episódios mais gloriosos da Grande Marcha dos soldados maoístas (Mao Tsé- tung) forçados a recuar para o norte, pelas alturas tibetanas, depois de terem sido expulsos do sul da China pelas tropas nacionalistas de Chiang Kai-shek.
Gloriosos? Pelo menos é o que repete sem parar a propaganda do regime pequinês: uma heroica batalha teve lugar aqui, em 29 de maio de 1935, com os "vermelhos" tomando a ponte, o lugar estratégico em seu itinerário. A história é certamente muito diferente da versão repetida pelos textos oficiais e exaltada no Museu de Luding, onde o público, com a ajuda de afrescos, pode admirar o heroismo dos comandos do exército popular: 74 anos mais tarde, ainda não se sabe toda a verdade sobre os mistérios da ponte de Luding.
Se acreditarmos na propaganda, nesse dia de primavera de 1935 um grupo de 22 homens atravessou a construção sob uma saraivada de balas disparadas pelos soldados nacionalistas. Em certo momento, esses últimos tentaram colocar fogo das tábuas. Mas, levados por uma indomável coragem, os soldados de Mao Tsé-tung - que havia permanecido à beira do rio - conseguiram se agarrar às correntes e lançar granadas no campo adversário. Milagrosamente, nenhum inimigo foi atingido. No Museu de Luding, 22 lápides, algumas sem nome, marcam a lembrança de seu valoroso avanço, sem o qual a Grande Marcha teria sido mais curta.
Essa não é a opinião de todos os historiadores; alguns acreditam que a batalha não se deu dessa forma, que ela teve grande intensidade, e que do outro lado da ponte, tropas nacionalistas eram, na verdade, somente soldados perdidos de um senhor de guerra local, que os "vermelhos' engoliram. Tem historiadores que dizem que a batalha da ponte não aconteceu. Na semana passada, no vilarejo pobre que se estende ao longo do rio na margem oeste se encontra uma testemunha ocular da batalha. Com o olho esquerdo atingido por glaucoma, a dicção um pouco cansada e o sotaque forte de Sichuan, a velha senhora Li Guoxiu, de 91 anos, parecia, apesar de tudo, ter guardado uma lembrança viva dos acontecimentos: "Eu tinha 17 anos naquele dia", ela começou a contar, mordiscando nozes frescas no sofá de seu barraco. "Eu me lembro de todos esses soldados que passavam, eram jovens, armados com fuzis, mas também paus e sabres." E ouvi uma batalha que durou sete dias e sete noites", finalizou Li Guoxiu. A mulher guarda ordens das autoridades centrais de nunca dizer o que viu ou ouviu. O que a mulher declara é absoluto segredo. A propaganda diz justamente o contrario do que Li Guoxiu afirmou.
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segunda-feira, 28 de setembro de 2009

RIBEIRA - 419

- GOVERNO FECHA A GLOBO -
O governo golpista de Honduras fechou, nesta segunda-feira, 28, a emissora de rádio Globo de Tegucigalpa, que seria um dos últimos meios de oposição ao regime que funcionava no país, segundo a AFP, e a emissora de TV "36". No domingo, por decreto, o governo suspendeu durante 45 dias as garantias constitucionais. A medida restringe as liberdades de circulação e expressão, e proíbe as reuniões públicas, entre outras medidas. Cerca de 20 pessoas das forças de segurança tomaram o edíficio da emissora por volta das 5h30 e tiraram o sinal do ar. Eles não encontraram resistência, disse à AFP o jornalista Carlos Paz, que trabalha na emissora. Paz disse que ainda não conseguiu localizar o diretor da rádio, o também jornalista David Romero. A rádio Globo já tinha sido fechada pelo regime nos primeiros dias após o golpe de Estado que derrubou o presidente constitucional Manuel Zelaya, em 28 de junho. A emissora de televisão "36", que também se colocou em oposiçao a Micheletti, se encontrava desde a manhã de sexta feira cercada por militares e o sinal estava fora do ar. A Organização dos Estados Americanos (OEA) fez uma convocação urgente hoje ao Conselho Extraordinário para analisar a situação em Honduras depois de o governo golpista negar a entrada de uma missão do organismo ao país no domingo. A OEA entende que a situação se agravou a partir do retorno do presidente deposto Manuel Zelaya a Tegucigalpa, na semana passada, desde então refugiado na Embaixada do Brasil. Roberto Micheletti impediu a entrada no país de tres funcionários da OEA e mais dois da Embaixada da Espanha. Micheletti justificou a medida afirmando que este não era o momento oportuno. Ao mesmo tempo, o governo golpista sustentou que a Embaixada do Brasil perderá o status diplomático em 10 dias se não definir a situação do presidente deposto, Miguel Zelaya, que na segunda-feira passada retornou ao país se estabeleceu na embaixada brasileira. No início da noite do domingo, o secretário geral da OEA, José Miguel Insulza, condenou a decisão das autoridades hondurenhas de impedir a entrada da comitiva da OEA, cula missão era preparar a visita de vários chanceleres e do próprio Insulza ao país.

domingo, 27 de setembro de 2009

RIBEIRA - 418

- JEANNE MOREAU -
Mais de duzentas pessoas trocaram uma manhã de sol com todas as possibilidades de praia para assistir a uma conversa com Jeanne Moreau no Cine Odeon, centro do Rio. A renomada atriz de "Os Amantes" e "Jules e Jim", de 81 anos, chegou pontualmente às 11h, de braços dados com Cacá Diegues, diretor do único filme brasileiro de Jeanne, "Joanna Francesa", (1973). Aplaudida de pé, Moreau ouviu dezenas de elogios, de Cacá e de outros presentes, entre eles, Odete Lara - que protagonizou um dos momentos mais emocionantes do encontro. A atriz brasileira, de 80 anos, intérprete de filmes emblemáticos do cinema brasileiro - como "O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro", de Glauber Rocha -, depois de declarar igualmente sua admiração pela colega, perguntou-lhe quais as diferenças que encontrou entre o Brasil que viu há 36 anos atrás e agora. Jeanne fez questão de agradecer a Odete: "Estou muito tocada que a senhora tenha vindo aquí. A energia que reencontrei, de pessoas como a senhora e Cacá e tantos outros com quem falei, é uma das melhores coisas de estar aquí". Em seguida, respondeu: "Cheguei à noite, mas pude notar que não existe mais uma estradinha que havia à beira-mar. Há muitos prédios altos escondendo a paisagem". Mas acrescentou: "Não sou nostálgica".
Ela comprovou a afirmação quando um dos espectadores lhe perguntou qual o filme preferido, entre o tantos que fez. "O filme preferido é sempre o próximo. A gente tem que olhar para a frente". Da mesma forma, quando outro espectador, falando da Nouvelle Vague e do Cinema Novo, lhe perguntou o que faltava para que ocorresse uma mesma onda de renovação no cinema atual, ela cortou; "Mas você está muito bem situado para ver onde está a criatividade, aqui no Brasil, onde foi feito "Cidade de Deus" e Cacá Diegues está refazendo "Cinco Vezes Favela". Jeanne, inclusive, vai visitar o grupo Nós do Morro, no Vidigal, envolvido neste projeto de Cacá, o que foi um de seus pedidos expressos nesta viagem. A pergunta de outro espectador, sobre se ela ainda cantava - como fez nos filmes "Jules e Jim", de François Truffaut, e também em "Joanna Francesa", interpretando canção de Chico Buarque de Holanda - deu oportunidade a que a atriz revelasse um novo projeto. Ao lado do cantor pop francês Étienne Daho, ela contou que se prepara para cantar composições inspiradas em Jean Genet. A previsão do lançamento é em meados de 2010.
A 11ª edição do Festival do Rio começou, oficialmente, debaixo de uma garoa irritante, na noite de quinta-feira. Parte da demora foi causada pela grande homenageada, a atriz Jeanne Moreau. Com um ollhar firme e um discurso terno e direto, ela subiu ao palco e relembrou seu trabalho com Diegues em "Joanna Francesa", rodado em 1973.
Jeanne Moreau passou um pouco de sua experiência ao público em debate na manhã deste sábado (26/09) no Festival do Rio. Aos 81 anos, manteve-se disposta por cerca de uma hora e meia. Sempre com um olhar firme e agitando os braços ao falar. Determinação que mostrou ao responder que sabia, ao fazer "Ascensor Para o Cadafalso" (1957), que estava no epicentro de um furacão que desembocaria na Nouvelle Vague, o movimento rebelde que rompeu com a caretice de cinema francês entre o pós-Segunda Guerra e o final dos anos 50. Alguns anos após, tendo conhecido François Truffaut nesse período, no Festival de Cannes, foi a vez de em 1962 lançar "Jules e Jim - Uma Mulher Para Dois", que se tornou um símbolo do movimento da nova onda. Em "A Noite", feito em 1961, dirigido por Michelangelo Antonioni. ele setiu um novo impulso para o cinema. Para ela, interpretar possibilita entender personalidades além da sua. E mostra quão vil são as pessoas. Ela não é nostálgica e não coloca a Nouvelle Vague em um pedestal inalcançavel. Privilegia os novos talentos e diretores e não deixa de repetir que o teatro clássico é sua formação. Disse ela, que, no seu começo como atriz, em 1938, os diretores procuravam um rosto bonito. Ela era esse "rosto". Então foi fundo para extrair o que eles se impressiovam. Duas vezes aplaudida, na entrada e na saída do Cine Odeon, Jeanno Moreau repetiu simpáticos "obrigado" aos seus admiradores.
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sábado, 26 de setembro de 2009

RIBEIRA - 417

- QUARTEL DE SONHOS -
Este foi um sonho que se tornou realidade. Natal ganhou no ano de 1910 a sua primeira Escola de Aprendizes Artífices por ato do Presidente da República, Nilo Penha, assinado no dia 23 de setembro de 1909 construindo, então, 19 Escolas de Artífices em todo o país.. Não levou tanto tempo para se estabelecer, em Natal a sua primeira Escola. No mês de janeiro de 1910 a unidade começou os seus cursos profissionalizades, instalada no antigo Hospital da Caridade onde hoje funciona a Casa do Estudade de Natal. A Escola de Aprendizes Artífices oferecia curso primário, de desenho e oficinas de trabalhos manuais. Era o sonho para os que entravam naquela unidade de ensino em se tornar um verdadeiro artífice. Ao todo, eram 90 escolares que começavam a cursar e aprender aquilo que mais vantagem lhes trazia. Ali viveu a instituição até o ano de 1914 quando então se transferio para o novo e moderno prédio da Avenida Rio Branco, ocupando, durante 53 anos, o edifício nº 743, construído no início do século XX. anterior ocupado pelo Quartel da Polícia Militar.
A mudança da denominação para Liceu Industrial de Natal integrou a reforma instituida por Lei do Ministério de Educação e Saúde, a 13 de janeiro de 1937, a quem as Escolas de Aprendizes Artífices estavam subordinadas desde 1930. Nessas mesmas instalações da Avenida Rio Branco, em 1942. o Liceu recebe a denominação de Escola Industrial de Natal, passando a atuar, vinte anos depois, na oferta de cursos técnicos de nível médio, e transformando-se, em 1965, em Escola Industrial Federal.
Com a inauguração de sua nova sede, na Avenida Senador Salgado Filho, no bairro do Tirol, a escola transfere-se em 1967 para as instalações onde hoje funciona o Campus Natal-Central do IFRN, recebendo no ano seguinte, em 1968, a denominação de Escola Técnica Federal do Rio Grande do Norte. Com o passar dos anos, a ETFRN extingue os cursos industriais básicos e passa a concentrar-se no ensino profissionalizante de 2º grau. Em 1975, é registrada pela primeira vez a presença feminina entre os alunos dos cursos regulares da instituição.
Em 1994, inicia-se o processo de "cefetização" da ETFRN, culminando, em 1999, com sua transformação em Centro Federal de Educação Tecnológica (CEFET), cujos desafios incluiriam a oferta de educação profissional nos níveis básico, técnico e tecnológico, além do ensino médio. Sua atuação no ensino de 3º Grau começou com a oferta de cursos de graduação tecnológica, ampliando-se, posteriormente, para os cursos de formação de professores, as licenciaturas. Mais recentemente, a instituição passou a atuar também na educação profissional vinculada ao ensino médio na modalidade de educação e jovens e adultos e no ensino a distância.
Essa é a história desse quartel de sonhos que, um dia, alunos carentes da cidade do Natal tiveram para ver concretizados nesse primeiro século do que é e foi a Escola de Aprendizes Artífices. Quem encontrasse um grupo de farda caqui pelas ruas da cidade, saberia dizer, com certeza, que esse grupo pertencia à Escola de Artífices, que um dia começou de forma em uma casa modesta, à margem do rio Potengí.
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sexta-feira, 25 de setembro de 2009

RIBEIRA - 416

- CAMBOJA -
Na estrada sulcada pelas águas, cartazes ainda assinalam a presença de minas. Ela só pode ser percorrida a pé ou de moto. E ao seu término finalmente aparece Khla Khnom, literalmente o "Vilarejo dos Ursos": casas modestas de madeira em palafita, espalhadas no coração da montanha mais sagrada do Camboja, Phnom Kuln, a três horas de estrada ao norte dos templos de Angkor. Objetos de uma disputa incessante, de 1979 a 1998, entre os Khmers Vermelhos refugiados no norte e soldados do governo de Phnom Penh, os vilarejos desse agrupamento de montanhas são um reflexo do país: as vítimas vivem ao lado de seus antigos torturadores. O Camboja, envolvido desde 1998 em um processo de reconciliação e, desde março de 2009, no julgamento dos antigos dirigentes do Khmer Vermelho responsáveis pela morte de no mínimo 1,7 milhão de pessoas - um quarto da população do país - entre 1975 e 1979, nunca teve uma fase de expurgo. Então a vida continua apesar de tudo, em Khla Khnom e em outros lugares. Os camponeses se levantam cedo para trabalhar nos arrozais, e só voltam para casa à noite. Aqueles que ficam perto do barraco de madeira que serve de mercearia cheiram a álcool de arroz. No último dia 21 de setembro - (quatro dias passados) - , último dia da Festa dos Mortos, Pov Chum se permitiu um pouco de repouso em família em sua casa de tábuas soltas, preenchidas com palha. Esse ex-Khmer Vermelho que voltou a ser camponês, de pele escura e jeans gasto, tem 53 anos. Ele foi soldado, é o que afirma. E não responde se participou de massacres, preferindo insistir que "por um tempo fui cozinheiro de Ta Mok", um dos dirigentes mais sangüinários do regime comunista. Ele também teria trabalhado como emissário entre os comandantes do Khmer Vermelho. Após a perda de Phnom Penh em 1979 por Pol Pot - nome verdadeiro Saloth Sar, morreu em 1998 e nunca foi julgado - sob a pressão vietnamita, Pov Chum entrou para o exército do novo governo. Disse ele que estava em um vilarejo, os soldados do governo pró-vietnamita davam dinheiro, comida e combustivel. Como ele não tinha nada, então foi para o Exército vietnamês. Ele passou a lutar contra seus antigos camaradas, pois precisava comer bem. Ferido, Pov Chum voltou para casa e reencontrou os Khmers Vermelhos, com os quais só rompeu em 1998, com o processo de reconciliação que reintegra os Khmers Vermelhos à sociedade cambojana em troca de sua rendição. Com a paz restabelecida, Pov Chum permaneceu nessa zona onde moram tanto Khmers Vermelhos quanto vítimas de seu terror. Em seu vilarejo eles chegam a ser várias dezenas. Os moradores sabem quem eles são, porém não fazem ameaças ou insultos.. "Queremos viver tranquilamente. Quero reatar laços com minha família; parte dela não estava do mesmo lado que eu. Ainda há resistências até hoje", disse Pov Chum. No mercado, nos arrozais, nos templos, ele cruza com famílias de vítimas. "Não dizemos nada, só nos olhamos. Quando eles me veem, ainda não têm muita coragem de se expressar. Depois de 1998, eles ainda tinham medo, mas agora isso começa a se dissipar", enfatiza Pov Chum.
O julgamento de seus antigos chefes não lhe interessa, ele diz. "A guerra acabou, queremos a vida. Por que falar em vingança? O governo quer que nos reconciliemos, fomos doutrinados, a maioria de nós não sabe ler ou escrever", enfatiza Pov Chum.
Perto dalí, à beira da estrada, fica a mercearia mantida por Kong Phally. Todos os camponeses da região passam na frente, para ir até o vale. Aos 46 anos, Kong Phally é mãe de cinco filhos. Essa mulher de firmeza foi submetida como tantas outras a trabalho forçado, na época dos Khmers Vermelhos. "Eles destruiram nossa casa sem motivo; meus pais, meus cinco irmãos e duas irmãs foram todos separados", ela conta. "Eles nos fazem comer a mesma coisa que os porcos", ela se revolta, antes de dizer: "Eles mataram meu tio". Ela diz que desde a queda dos Khmers Vermelhos, trinta anos atrás, a família "tem ódio" deles. Vizinha de seus antigos torturadores, todo dia ela os vê circulando por sua mercearia. "No fundo, eles tem inveja, acham que sou mais rica que eles", diz a mulher pelo fato de possuir uma mercearia. Em seguida, ela se recompõe: "Hoje, são eles que deviam ter medo, nós não".
No campo, a ausência da televisão impediu parte da população de acompanhar as audiências do julgamento de " Douch" - nome verdadeiro: Kaing Guek Eav - chefe da prisão S-21 - Escritorio de Segurança 21 - em Phnom Penh. A S-21 era o símbolo do terror do Khmer Vermelho. Cerca de 16 mil pessoas morreram nela. Somente o rádio foi capaz de fornecer informações às regiões mais afastadas. Mas esses fragmentos de notícias são preciosos para os camponeses. "O julgamento dos líderes do Khmer Vermelho é a verdadeira vingança", comemora Kong Phally. Perto dela, duas senhoras escutaram em silêncio o relato da comerciante. Uma delas, Tom Roeum, de boca vermelha e dentes pretos por mascar folhas de bétele (especie de palmeira), conta: "Um dia, levaram meu marido para reeducá-lo, e ele nunca mais voltou".
Ao seu lado, com uma criancinha sobre os joelhos e o rosto gracioso emoldurado por belos cabelos negros, Théng Kun não segura suas palavras: "Se eu fosse homem, teria me vingado pelo que eles fizeram, não suporto vê-los qui, tenho raiva". Um dia, sob o regime Khmer Vermelho, durante uma reunião pública no vilarejo, seu marido e dois de seus filhos foram declarados "traidores". Levados à floresta, eles foram mortos sem mais explicações. Restam-lhe duas filhas e um filho. "Trinta anos depois, ainda não consigo ficar sozinha à noite. Durmo sempre na casa dos meus filhos". -
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quinta-feira, 24 de setembro de 2009

RIBEIRA - 415

- FARDA CAQUI -
- LEMBRANÇAS -
O Céu ensolarado deste dia - 23 de setembro - remete-me àquela manhã de 1966, quando fui à Escola Industrial de Natal prestar exames a fim de ingressar no Ginásio Industrial. Era um dia tranqüilo e alí encontrei amigos de outros colégios onde estudei: Escola Rural Doutor Manoel Dantas, Grupo Escolar Áurea Barros, Grupo Escolar Calazans Pinheiro e Externato Saturnino.
Lembro daquela porta azul que fechava a escada depois que eram iniciadas as atividades, das histórias tão fascinantes que meu irmão, Wellington contava, do tempo em que ele estudou na EIN e fez o Curso Técnico de Mineração, concluído em 1963. E aquele pátio, onde conviviam aqueles estudantes disciplinados sob o olhar vigilante e paternal do inspetor Aécio.
Meu ingresso ocorreu em 1967, inaugurando a escola nova, que logo passou a chamar-se Escola Industrial Federal do Rio Grande do Norte. Aquele prédio moderno, com belas rampas e obras de arte era povoado por uma animada geração que fazia a transição para novos campos da técnica e ampliava os horizontes daquela instituição hoje, exatamente hoje, secular.
Durante os quatro anos de ginásio viví momentos inesquecíveis na escola: o som de La dernière valse, com Michelle Mantieu que saía da pequena radiola portátil da professora Expedita Medeiros, com G. Mauger na mão; o professor Eulício Farias de Lacerda ensinando a conjugar verbos; o professor Arthur Medeiros mostrando a eloqüência da época; o professor Xavier mostrando textos de Rubem Braga - Amor e outros males; o professor René explicando os conjuntos finitos e infinitos; enquanto Perigoso completava as explicações dos livrosde Ari Quintella.
O professor Cláudio, lembro-o explicando o corpo humano, a professora Mitsi completando nossos conhecimentos; professor Severino e professora Vilma Leiros Cunha falando sobre geografia com as obras de Manoel Correia de Andrade e o fino da bossa, Natanael, historicamente impecável, contando as histórias dos Açores e da Madeira nos livros de Victor Mussumeci; e a professora Fátima ensinando tantas músicas belas, como "Amo-te Muito", "Montaria" e "O Trem de Ferro".
Nas oficinas, aprendemos artes gráficas com tipos manuais; assistimos fazerem jarros com argila; aprendemos eletricidade para instalações elétricas residenciais e fizemos uma porcana oficina de mecânica. Aprendemos, por fim, com os professores Walter e Názaro o que era picofarady e montamos um rádio a partir de uma chapa de zinco, que funcionou perfeitamente. Era algo empolgante, que em certo momento sonhávamos em ser montador na fábrica de rádios ABC canarinho de ouro, em Recife.
Belos tempos, em que se ouvia canções da Jovem Guarda, jogava-se biloca debaixo dos cajueiros, fazia educação física nas quadras ao ar livre, com as instruções dos professores Serrano, Ferdinando, José Maria Pinto e Sebastião Cunha e a simpatia de Rosemiro, que encontrei semana passada fazendo compras num supermercado. Marchava-se pelas ruas com a farda da escola, cheios de orgulho, para depois assistir aos jogos e as jogadas inesquecíveis de Cezar fazendo cestas do meio da quadra.
O plano de ser montador de rádio não deu certo, apesar de ter feito o curso de Rádio, TV, Transistores e Eletrônica do Instituto Universal Brasileiro, que me conferiu diploma profissional. Fui para o Padre Miguelinho fazer científico de engenharia e de lá o curso de Direito na UFRN. Depois obtive o registro de jornalista profissional.
Em 1979 voltei para a escola - então já Escola Técnica Federal do Rio Grande do Norte - ETFRN. Em 1980 fui o responsável pela implantação do Boletim Informativo. o qual resgatou importantes momentos da história da instituição, bem como registrou aquele novo momento que vivia. Dalí em diante contemplei a cena de transformação em CEFET e agora IFRN. Mas a essênciaé a mesma do velho Liceu Industrial. E a saudade é sempre grande, quando se lembra da velha EIN, daquela roda dentada que seguiu tempo afora nos nossos bolsos e da farda caqui com friso verde.
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* Walter Medeiros - jornalista, advogado e ex-aluno da Escola Insdustrial de Natal.


quarta-feira, 23 de setembro de 2009

RIBEIRA - 414

- GRIPE SUÍNA -
A nova vacina da gripe A pode provocar uma doença neurológica grave, a síndrome Guillain-Barré, que causa paralisia, insuficiência respiratória e pode levar à morte. O alerta parte do Governo britânico que, através da Agência de Proteção da Saúde, entidade que supervisiona a saúde pública, enviou uma carta confidencial aos neurologistas a exigir saber por que razão não foi tornada pública a informação sobre as possíveis consequências da vacina antes do início da vacinação de milhões de pessoas, incluíndo crianças.
A missiva dá conta de que os neurologistas devem estar alerta para o aumento do número de casos de distúrbios cerebrais com a síndrome Guillain-Barré, que podem ser desencadeados pela vacina. Aquela síndrome ataca o sistema nervoso, causando paralisia e incapacidade respiratória, o que pode ser fatal. O documento confidencial foi enviado a 600 neurologistas britânicos a 29 de Julho e é o primeiro sinal de que há preocupação ao mais alto nível sobre as possíveis complicações muito graves decorrentes da vacina. A carta refere ainda o uso de uma vacina semelhante nos Estados Unidos, em 1976, quando morreram mais pessoas devido à vacinação do que devido à gripe. Além disso, 500 casos da síndrome foram detectados e concluiu-se que a vacina pode ter aumentado o risco da doença em oito vezes. A vacina foi retirada ao fim de dez semanas, quando foi estabelecida uma ligação clara com a síndrome. Por fim, o governo americano foi obrigado a pagar milhões de dólares de indenização às pessoas afectadas. Questionado pelo CM sobre os efeitos adversos da vacina, o presidente da Associação Portuguesa dos Médicos de Saúde Pública, Mário Jorge Rêgo, admitiu as consequencias: "Essa situação é muito bem conhecida da classe médica". Adiantou, porém, que quase todas as vacinas e as infecções podem causar essa síndrome, mas o aparecimento destes casos são raros. Contudo, disse "as vacinas não estão isentas de riscos".
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terça-feira, 22 de setembro de 2009

RIBEIRA - 413

- É PRIMAVERA -
Hoje começa a estação da Primavera, com precisão, às 18h18 no horário de Brasília. No centro-sul do Brasil houve até registro de tornado no oeste de Santa Catarina. Este ano estamos sob a influência do fenômeno El Ninõ , que é o aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico. Nestes anos, a primavera apresenta muita chuva no Sul e seca nos estados do Nordeste. Para este ano a expectativa é de chuva acima do normal no Sul, mas não se espera por seca no Nordeste. Na região Nordeste a época ainda não é de chuva na maior parte das áreas e o El Ninõ não vai ter grande influência este ano. A umidade aumenta ao longo da estação apenas no oeste da Bahia e no oeste e no sul do Maranhão. Este ano vamos observar um atraso de um mês neste aumento da umidade. A chuva chega significativa apenas em dezembro e não em novembro, como é normal. Nas outras áreas, a chuva cai de acordo com a média climatológica, sem grandes surpresas. A temperatura fica um pouco acima da média em toda a região.
No Norte o El Ninõ normalmente deixa a chuva abaixo da média na primavera. Em outubro e em novembro esta tendência se confirma no centro-sul da região, com pancadas muito irregulares. Já em dezembro, a umidade aumenta bastante em todas as áeras e a chuva cai abundante. A temperatura fica acima da média até novembro e fca perto do normal em dezembro.
No Sul não se pode descartar a ocorrencia de novos temporais ao longo da primavera, o que não é incomum, já que estamos entrando na transição do inverno seco e frio para o verão quente e úmido. Nesta época do ano ainda temos períodos relativamente frios e outros períodos bem quentes. Quando uma frente fria encontra o ar muito quente, os temporais são inevitáveis, e podem acontecer em toda a região. Em ano de El Ninõ, as frentes frias tendem a ficar paradas sobre o Sul do Brasil por mais tempo do que o normal e são esperadas também mais frentes frias do que a média. Assim, especialmente o Rio Grande do Sul e Santa Catarina vão continuar sofrendo com muita chuva. Os rios podem não suportar tanta água e transbordar, especialmente em dezembro. No Paraná, a chuva também fica acima da média, com temporais que despejam muita água em um curto intervalo de tempo. Com relação à temperatura, é esperada que seja uma estação com calor perto do normal na maior parte das áreas, exceto no norte do Paraná, onde a temperatura fica acima da média.
No Sudeste a primavera é normalmente um período de aumento da umidade, mas este ano, o inverno não foi muito seco e por isso essa transição não deve ser muito sentida. No Centro-Oeste a influência do El Ninõ está na chuva, que cai de forma irregular na maior parte da primavera e fica abaixo da média na região entre outubro e dezembro.
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segunda-feira, 21 de setembro de 2009

RIBEIRA - 412

- LEIGHTON MEESTER
Leighton Marissa Claire Meester nasceu no dia 9 de abril de 1986 em Marco Island, Flórida. Desde cedo se tornou uma cantora e atriz norte-americana se tornando mais conhecida por interpretar Blair Waldorf em um seriado americano baseado na série de livros Gossip Girl de Cecily von Ziegesar. Leighton estreou na televisão aos 13 anos de idade, na série Law & Order e saltou para a fama com o papel do cantor Justine Chapin na série Entourage. Participou de muitas séries importantes, incluindo Numb3rs, House, CSI Miami, 24 Horas, Veronica Mars, entre outras. Também trabalhou no cinema em filmes como Hangman's Curse, Flourish e Inside.
Cresceu em Marco Island, na Flórida, e se interessou pela atuação quando participou de uma produção local de O Mágico de Oz. Mudou-se para Nova York aos 11 anos de idade, onde deu início à sua carreira como modelo, trabalhando, inclusive, em uma campanha para a Ralph Lauren, sendo fotografada por Bruce Weber e Sofia Coppola. Mas a atriz só ganhou reconhecimento após interpretar Blair Waldorf na série Gossip Girl.
Quando não está atuando, Meester se dedica à musica, escrevendo letras para o seu novo álbum. Meester até já gravou uma canção para a trilha sonora de seu filme Drive-Thru e uma nova versão da música Bette Davis Eyes que deve ser lançado junto com seu álbum. Altualmente a atriz reside em Nova York e namora o ator Sebastian Stan, que também já participou da série Gossip Girl. Em 2009, Leighton Meester participou do single Good Girl Go Bad da banda Cobra Starship. O single está no álbum Hot Mess, lançado no mesmo ano.
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domingo, 20 de setembro de 2009

RIBEIRA - 411

- FREUD -
No dia 23 de setembro completam 70 anos que Sigmund Freud morreu. Ele é o pai da psicanálise. Sua morte ocorreu em Londres, Inglaterra. Ainda hoje, o estudo da psicanalise se baseia em suas descobertas. Freud nasceu em Pribor, no dia 6 de maio de 1856. Foi médico e neurologista. Quando nasceu, a cidade se chamava Freiberg, na Morávia, quando esta pertencia ao Império Austriaco. Seu nome completo era Sigmund Schlomo Freud. Seu interesse inicial foi pela histeria e, tendo como método a hipnose, estudou pessoas que apresentavam esse quadro. Mais tarde, com interesses pelo inconsciente e pulsões, entre outros, foi influenciado por Charcot e Leibniz, abandonando a hipnose em favor da associação livre e da interpretação dos sonhos. Estes elementos tornaram-se as bases da psicanálise. Freud, além de ter sido um grande cientista e escritor (Prêmio Goethe, 1930), possui o título, assim como Darwin e Copérnico, de ter realizado uma revolução no âmbito humano: a idéia de que somos movidos pelo inconsciente. Freud, suas teorias e seu tratamento com seus pacientes foram controversos na Viena do século XIX e continuam a ser muito debatidos hoje. Suas idéias são frequentemente discutidas e analisadas como obras de literatura e cultura geral em adição ao contínuo debate ao redor delas no uso como tratamento científico e médico.
Nascido Sigismund Schlomo Freud (mas em 1877 abreviou seu nome para Sigmund Freud), aos quatro anos de idade sua família transferiu-se para Viena por problemas financeiros. Morou em Viena até 1938, quando, com a vinda do nazismo (Freud era judeu), foge para a Inglaterra. Era um excelente aluno, porém por ser judeu, só poderia escolher entre os cursos de Direito ou Medicina, optando por este último. Sigmund Freud é filho de Jacob Freud e de sua terceira mulher Amalie Nathanson. Jacob, um judeu proveniente da Galiza e comerciante de lã. muda-se a Viena em 1860. Os primeiros anos de Freud são pouco conhecidos, ja que ele destruíra seus escritos pessoais em duas ocasiões: a primeira em 1885 e novamente em 1907. Além disso, seus escritos posteriores foram protegidos cuidadosamente nos Arquivos de Sigmund Freud, aos quais só tinham acesso Ernest Jones (seu biógrafo oficial) e uns poucos membros do círculo da psicanálise. O trabalho de Jeffrey Moussaieff Masson pôs alguma luz sobre a natureza do material oculto. Em 14 de setembro de 1886 em Hamburgo, Freud casou-se com Martha Bernays. Freud e Martha tiveram seis filhos: Mathilde, nascida em 1887, Jean-Martin, nascido em 1889, Olivier, nascido em 1891, Ernst, nascido em 1892, Sophie, nascida em 1893 e Anna, nascida em 1895. Um deles, Martin Freud, escreveu uma memória intitulada: Freud: Homem e Pai, na qual descreve o pai como um homem reservado, porém, amável, que trabalhava extremamente, por longas horas, mas que adorava ficar com suas crianças durante as férias de verão. Anna Freud, filha de Freud, foi também uma psicanalista destacada, particularmente no campo do tratamento de crianças e do desenvolvimento psicológico. Sigmund Freud foi avô do pintor Lucian Freud e do ator e escritor Clement Freud, e bisavô da jornalista Emma Freud, da desenhista de moda Bella Freud e do relacionador público Matthew Freud.
Por sua vida inteira Freud teve problemas financeiros. Nos tempos do nazismo, Fraud perdeu quatro irmãs (Rosa, Dolfi, Paula e Marie Freud). Elas morreram nos campos de concentração de Auschwitz e de Theresienstadt.
O primeiro caso clínico tratado por Freud foi de uma paciente de nome Bertha Pappenheim, chamada de Anna O que demonstrava vários sintomas clássicos de histeria. O método de tratamento consistia na chamada "cura pela fala" na qual a paciente discute sobre as suas associações com cada sintoma e, com isso, os faz desaparecer. Esta técnica tornou-se o centro das técnicas de Freud, que também acreditava que as memórias ocultas ou "reprimidas" nas quais baseavam-se os sintomas de histeria eram sempre de natureza sexual. Em 1896, Freud dedica-se a anotar e analisar seus próprios sonhos, remetendo-os à sua própria infância e, no processo, determinando as raíses de suas próprias neuroses. Tais anotações tornam-se fote para a obra "A Interpretação dos Sonhos". Durante o curso dessa auto-análise, Freud chega a conclusão de que seus próprios problemas eram devidos a uma atração por sua mãe e a uma hostilidade ao seu pai. É o famoso compléxo de Édipo, que se torna o coração da teoria de Freud sobre a origem da neurose em todos os seus pacientes.
Sigmund Freud morre de câncer na mandíbula, aos 83 anos de idade, em Londres, a 23 de setembro de 1939. Supõe-se que tenha morrido de uma overdose de morfina. Freud sentia muita dor e, segundo a história contada, ele teria dito ao médico que lhe aplicasse uma dose excessiva de morfina para terminar com o sofrimento, o que seria a eutanásia.

sábado, 19 de setembro de 2009

RIBEIRA - 410

- MENINA CIGANA -
Certo dia, eu caminhava apressado ao longo da rua Frei Miguelinho, no bairro da Ribeira, em Natal, Rn, para chegar à Agência dos Correios, onde eu buscaria velhas e novas cartas vindas de outras partes do Brasil, para o meu tio, pois assim ele mandara. Na rua havia um vasto comércio que, para mim, já não importava tanto, pois era o meu costume de passar naquela artéria. Contudo, mesmo assim tendo visto, olhei com precisão as Casas de Créditos que lá existima, lojas onde se podia comprar fogos de artificio e outras coisas, também e uma tipografia, onde trabalhava um meu amigo, o então novo Palocha, cujo nome, na verdade, era Paulo. Paulo Rocha. A tipografia onde Palocha trabalhava ficava quase que vizinho ao Beco da Quarentena - de saudosa memoria. Hoje, o beco existe. Porém, nessa altura, ninguém mora mais em seus cubículos que serviam para dar moradia as "velhas" ex-damas da noite. No beco também havia um ou dois bares. Talvez mais.
Eram 9 horas da manhã. Eu passei correndo de rua a fora, buscando chegar o mais rápido possivel da Agencia dos Correios, pegar as cartas, e voltar. Na esquina da rua Frei Miguelinho com a Esplanada Silva Jardim, eis que vinham umas ciganas. Um grupo de cinco mulheres, dentre as quais, uma menina dos seus 7 anos de idade. As ciganas - mulheres - me abordaram para que eu mostrase a mão onde elas - ou ela - leriam os segredos e fortunas do meu incerto futuro. Sem saber o que fazer diante de tantas mulheres vestindo roupas coloridas de cima até em baixo, ao arrastar no chão, mangas igualmente compridas, colares, pulseiras, miçangas e diferentes adornos eu pus a minha mão para que uma das mulheres pudesse ler um meu destino. Certamente aquilo resultaria em uma doação - em dinheiro - à velha-jovem mulher cigana.
Das mulheres presentes, aquela era a mais velha. Talvez tivesse uns 55 anos. Outras, tinham bem menos idade. Havia uma moça dos seus 20 anos e a menina cigana, a mais nova de todas. Eu olhava em torno, a observar as mulheres-ciganas, temendo um incerto acontecimento que porventura viesse a suceder de imediato. Todas elas me olhavam, inclusive a menina, com uma expressão altiva, olhos negros, mãos suaves, dedos delicados, boca miúda, nariz afilado, cabelos longos que lhe baixavam os ombros, um véu de seda brilhande de cor vermelha, comprido até chegar ao meio de suas perninhas grossas, para tal quem era uma menina.
A cigana me olhava com seu agreste sugestivo olhar de mulher viajada por esse rincão brasileiro enquanto que as demais ciganas ficavam apenas como se propusessem uma ajuda para elas que tanto caminhavam por essas terras de ninguém desse enorme continente. Eu meu lugar, a ouvir toda a preleção da mulher-cigana, certa feita eu olhei para a figura de menina que se conservava junto a mim, quase rente a minha perna, a olhar meu rosto ou meus olhos com seu inefável cúmplice olhar de menina que um dia seria uma indulgente mulher. Eu a olhei e então, sorri, buscando apenas alguma resposta para aquele tão mágico inquietante momento de indiscritível e encantador instante. Porém, não senti afeição de parte da criança que concebia apenas o desejo sereno de olhar. Notei em seus tenros braços, uma porção de adornos feitos de metais como algemas, cujo labor de deixou impressionado. A menina tinha vestes de cor púrpura, combinando com o véu que lhe cobria a cabeça. Porém a veste que ela trajava era de uma cor mais forte, cor de sangue quase morto. Um flor de tom amarelo lhe enfeitava o cabelo acima da testa, mais para a cabeça onde seus ternos cabelos desciam em auricolor ondulação mais abaixo dos ombros. Com certeza, alí estava uma cigana que o tempo jamais me faria esquecer. O seu modo ingênuo de olhar era tudo que inebriava o meu instinto de garoto rebelde. Confesso que, ao perceber aquela ingênua imagem de mulher em formação me deu força interior de largar tudo e me juntar ao grupo de alegres e divinas ciganas que vivem a perambular por esse território onde o certo é o incerto, onde o ensejo é largar o problemático, onde o presente é saber viver o futuro. Livres mulheres da India onde viver é aproveitar a vida no que ela tem de melhor. Ciganos são povos livres, vindos da exotica India e hoje vivem espalhados pelo mundo.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

RIBEIRA - 409

- A VERDADE NUA E CRUA -
Comédias romanticas parecem existir desde quando o mundo é mundo, por isso andam tão desgastadas e previsiveis. "A Verdade Nua e Crua", que estreia em todo o Brasil, nesta sexta-feira, dia 18 de setembro de 2009, pode não ser o fundo do poço, mas é mais um prego colocado no caixão do gênero que parece dar seus últimos suspiros.
Estão longe os tempos em que a comédia romântica combinava charme com sagacidade. As décadas de 1930 e 1940, com filmes como "Levada da Breca" e "Jejum de Amor", apontavam um futuro feliz para o gênero que, nos anos de 1980 e 1990, ainda parecia saudável. Hollywood fazia filmes como "Harry e Sally - Feitos um para o Outro". A primeira década do século 21 se aproxima do fim e o que o cinema tem a oferecer, combinando humor e romance, atende por nomes como "A Proposta", "Vestida para Casar" e "Verdade Nua e Crua". Todos são uma espécie de plágio requentado da fórmula de sempre. Os personagens sao Ela e Ele. Muito diferentes, brigam feito cão e gato no primeiro ato do filme. Depois de uma trégua, percebem que podem ficar bem juntos. No final, um dos dois acaba voltando para o (a) ex, mas percebe que o grande amor de sua vida é aquela pessoa cujo nome vem junto do dela nos créditos do filme.
Em "A Verdade Nua e Crua", Ela é interpretada por Katherine Heigl - forte candidata ao posto da atual rainha da comédias românticas - a atende pelo nome da Abby. Produtora de televisão, trabalha demais e não tem nem tempo para encontrar um novo namorado. Essa função cabe à sua assistente que não apenas arma os encontros como dá dicas de como ela deve se comportar. Ele é interpretado pelo escocês Gerard Butler, um sujeito boca suja e misógino que ganha a vida dando conselhos num programa de televisão de madrugada. Claro que vida dos dois personágens vai se cruzar e eles vão brigar muito para depois perceberem que o filme será muito previsível. Ele é contratado para trabalhar no programa que ela produz - um talkshow apresentado por um casal cinquentão, que dá conselhos sentimentais, culinários ou o que mais for preciso para subir a audiência.
Mike - o nome do rapaz - bate de frente com Abby e logo é capaz de desvendá-la: solteira, sexualmente frustrada e a espera de umm príncipe encantado, que existe e mora na casa ao lado. O acordo entre os dois inimigos é simples: Mike ajuda Abby a conquistar o rapaz e ela, em troca, o ajuda no programa de televisão, porque juntos podem elevar a audiência à estratosfera. Curioso como, para Hollywood, uma mulher jamais é considerada bem sucedida se não tiver um homem ao seu lado. A satisfação profissional de nada vale se não existir um príncipe em sua cama para chamar de seu, mesmo que para isso ela precise adotar um comportamento grosseiro, vulgar e machista - afinal, quem tem o poder é o homem. E é assim que Abby começa a agir par conquistar seu vizinho: fazendo tudo igual a Mike, desde o vocabulário até nas atitudes.
"A Verdade Nua e Crua" não chega a ser ofensivo. É apenas um filme que tenta fazer humor de fórmulas batidas combinadas com uma visão de mundo bastante machista.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

RIBEIRA - 408

- O VELHO -
Luis Carlos Prestes nasceu em Porto Alegre, no dia 3 de janeiro de 1898, tendo sido militar e político comunista brasileiro. Foi Secretário Geral do PCB e companheiro de Olga Benário, morta na Alemanha, na câmara de gás, pelos nazistas.
Carlos Prestes formou-se pela Escola Militar do Realengo no Rio de Janeiro, em 1919, atual Academia Militar das Agulhas Negras, na Arma de Engenharia. Foi engenheiro ferroviário na Companhia Ferroviária de Deodoro, como tenente, até ser transferido para o Rio Grande do Sul. Em outubro de 1924, já capitão, Luís Carlos Prestes liderou um grupo de rebeldes na região missioneira Rio Grande do Sul, saiu de Santo Ângelo, e se dirigiu para São Luiz Gonzaga onde permaneceu por dois meses aguardando munições do Paraná, que não vieram. Aos poucos foi formando o seu grupo de comandados que vieram de várias partes da região. Rompendo o famoso "Anel de Ferro" propagado pelos governistas, rumou com sua recem formada coluna para o norte até Foz do Iguaçu. Na região sudoeste do Estado do Paraná, o grupo se encontrou e juntou-se aos paulistas, formando o contingente rebelde chamado de Coluna Miguel Costa-Prestes, com 1500 homens, que percorreu por dois anos e cinco meses 25.000 km. Em toda esta volta, as baixas foram em torno de 750 homens devido à cólera, à impossibilidade de prosseguir por causa do cansaço e dos poucos cavalos que tinham, e ainda poucos homens que morreram em combate.
Carlos Prestes, apelidado de "Cavaleiro da Esperança", passa a estudar maxismo na Bolívia, para onde havia se transferido no final de 1928, quando a maioria da Coluna Miguel Costa-Prestes haviam se exilados. Lá travava contato com os comunistas argentinos Rodolfo Ghioldi e Abraham Guralski, este último dirigente da Internacional Comunista (IC). Em 1930 retorna clandestinamente a Porto Alegre onde chega a ter dois encontros com Getúlio Vargas. Convidado a comandar militarmente a Revolução de 30, recusa-se a apoiar ao movimento, colocando-se contra a aliança entre os tenentistas e as oligarquias dissidentes. A convite da União Soviética, em 1931, passa a morar naquele país, trabalhando como engenheiro e dedicando-se aos estudos marxistas-leninistas. Por pressão do Partido Comunista da União Soviética é - em agosto de 1934 - finalmente aceito pelo PCB em seus quadros. Sendo eleito membro da comissão executiva da Internacional Comunista, volta como clandestino ao Brasil em dezembro de 1934, acompanhado pela alemã Olga Benário, também membro da IC. Seu objetivo era liderar uma revolução armada no Brasil, decidido em Moscou.
No Brasil, Prestes encontra o recem constituido movimento Aliança Nacional Libertadora (ANL), de cunho antifascista e antiimperialista, que congregava tenentes, socialistas e comunistas descontentes com o Governo Vargas. Mesmo clandestino, o Cavaleiro da Esperança é calorosamente aclamado presidente de honra da ANL em sua sessão inaugural no Rio de Janeiro.
Carlos Prestes procura então aliar o enorme crescimento da ANL, com retomada de antigos contatos no meio militar para criar as bases que julgava capazes de deflagrar a tomada do poder no Brasil. Em julho de 1935 divulga um manifesto exigindo "todo o poder" à ANL e a derrubada do governo Vargas. Nesse momento, Getúlio Vargas aproveita a oportunidade e declara a ANL ilegal, o que não impede Prestes a continuar a organizar o que acabou por ficar conhecido como a Intentona Comunista. Em novembro eclode a insurreição nas guarnições do Exercito de Natal, Recife e Rio de Janeiro (então Distrito Federal), mas é debelada por Getulio Vargas, que desencadeia um violento processo de repressão e prisões. Suspeitou-se que uma moça chamada Elvira Cupelo Colônio, mais conhecida como "Elza Fernandes", a jovem que namorava o então Secretário Geral do Partido Comunista do Brasil (PCB), Antônio Maciel Bonfim, o "Miranda", estaria delatando o companheiros à polícia. Considerada uma ameaça naquela circunstância, uma vez que, sob tortura, poderia entregar diversos companheiros à prisão e à tortura, a jovem foi condenada à morte pelo "tribunal vermelho". Alguns dias depois Elvira Colônio foi estrangulada com uma corda, em uma casa da Rua Mauá Bastos, na Estrada do Camboatá.. O corpo foi enterrado no quintal da casa. Em março de 1936, Carlos Prestes é preso, perde a patente de capitão e inicia uma pena de prisão que durará nove anos. Sua companheira Olga Benário, grávida, é deportada e morre na câmara de gás no campo de concentração nazista Ravensbruick. A criança, Anita Leocádia Prestes, nasceu em uma prisão na Alemanha, mas foi resgatada pela mãe de Carlos Prestes, após intensa campanha internacional. Com o fim do Estado Novo, Pretes foi anistiado, elegendo-se Senador. Luis Carlos Prestes morreu no Rio de Janeiro no dia 7 de março de 1990. Em 1951, conheceu a sua segunda companheira, a pernambucana Maria Prestes com quem viveu até a sua morte, após 40 anos de união. Carlos Prestes deixou como herdeiros os filhos João, Rosa, Ermelinda, Luis Carlos, Zoia, Mariana e Yure, além de Anita Prestes.
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quarta-feira, 16 de setembro de 2009

RIBEIRA - 407

- ZUNE -
Microsoft lança novo Zune para enfrentar o iPod. - Novidade da empresa de Bill Gates dificilmente causará impácto sobre vendas do iPod, que detém 70% do segmento. A Microsoft lançou uma versão mais fina e reformulada de seu player de mídia Zune nesta terça-feira, 15, no mais recente esforço da gigante do software para concorrer com o iPod, da Apple. O Zune HD, com tela sensível a toques, receptor de rádio e WiFi, tem preço pouco inferior ao do iPod Touch, o produto comparável da empresa Apple, e a expectativa da empresa é capturar mercado diante da aproximação da temporada de festas de fim de ano nos Estados Unidos. A Microsoft afirma que o aparelho é superior tecnicamente em relação ao iPod, com uma tela OLED e capacidade de transmitir vídeo de alta definição a um televisor. Mas será difícil causar impacto sobre as vendas do iPod, lançado em 2001 e hoje com participação de mais de 70% nesse segmento. O primeiro Zune só chegou ao mercado em 2006. A empresa Bill Gates anunciou o preço dos novos modelos no mês passado, com a versão preta de 16 GB oferecida por US$ 219,99 e a versão platina, de GB, a US$ 289,99. Versões personalizadas em vermelho, azul e verde também estão disponíveis. Na época, o preço era bem inferior aos US$ 399 que a Apple cobrava pelo iPod Touch de 32 GB, mas uma versão atualizada do modelo foi lançada posteriormente por preço de US$ 299. A Apple também oferece agora um iPod Touch de 64 GB, e uma câmera de vídeo no modelo iPod Nano. Não existem planos para oferecer um Zune com câmera, disse Brian Setz, gerente de marketing da Microsoft. Ele também afirmou que a empresa não tem planos de criar um celular Zune para enfrentar o iPhone, apesar dos rumores recorrentes. . Mas afirmou que as capacidades do Zune poderiam ser acrescentadas a outras plataformas, entre as quais o Windows Mobile, o que sugere que um celular inteligente com funções semelhantes às do Zune pode ainda surgir. O aparelho conta com o Zune Marketplace, concorrente da loja iTunes, da Apple, que permite que os usuários ouçam ou baixem músicas, vídeos e filmes. O aparelhos só tem alguns aplicativos, como MSN Weather, e vídeogames, mas a intenção da Microsoft é adicionar programas para as redes sociais, como o Twitter e Facebook, em novembro. Ao contrário da Apple, a Microsoft não tem mercado aberto para desenvolvimento de aplicativos, e não cobra por eles.
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terça-feira, 15 de setembro de 2009

RIBEIRA - 406

- PATRICK SWAYZE -
No começo do ano, Patrick Swayze deu uma entrevista à imprensa dos EUA em que dizia que ainda teria, porvavelmente, dois anos de vida. Diagnosticado com câncer de pâncreas no começo de 2008, o ator rapidamente cedeu espaço à doença. Na semana passada, os tabloides americanos anunciavam: "Sua agonia chaga ao fim: Patrick Swayze, cansado de lutar, volta para casa para morrer". Nem foi preciso esperar muito. Ontem, aos 57 anos, ele morreu pacificamente Estava tão debilitado - fisicamente devastado - que nem de longe lembrava o dançarino de Dirty Dancing - "Ritmo Quente", nem o galã de "Ghost, Do Outro Lado da Vida". Foram dois grandes êxitos de Hollywood, especialmente o segundo, que por muito tempo integrou a lista das dez maiores bilheterias de todos os tempos.
Patrick Swayze foi um ícone dos dançantes anos 80. Na trilha do John Travolta que inaugurou a era das discotecas com Embalos de Sábado à Noite, ele fez dançar toda uma geração ao som de Ritmo Quente, mas o filme envelheceu mal. Hoje em dia, revisto na Sessão da Tarde, "Ritmo Quente" exibe seu lado mais brega. Os figurinos são vulgares, o cabelo longo do astro é meio ridículo ao balançar quando ele dança. Ghost resiste melhor e a cena famosa em que Swayze e Demi Moore, encaixados, enfiam as mãos no barro, modelando uma peça, não perdeu em nada sua voltagem erótica como representação do sexo.
Patrick Swayze nasceu em Houston, no Texas, em agosto de 1952. Sua mãe era uma coreógrafa e professora de dança que direcionou o filho para o balé clássico, que ele abandonou por causa de problemas decorrentes de sequelas que os embates no futebol americano lhe provocaram. Já que não ia mais poder dançar O Lago dos Cisnes, Swayze resolveu investir numa carreira de ator. O físico atlético e o perfil romântico modelaram um tipo de personagem necessário numa época em que Hollywood voltava a dançar. Ele não foi certamente um grande intérprete, mas, dançou coreografias modernas, conquistou espaço. Virou mito.
Para os fãs, foi triste acompanhar a via crúcis da doença. Ele emagreceu muito, ficou com o rosto encovado e tão debilitado que nem conseguia mais andar. Há tempos que suas raras aparições o mostravam em cadeira de rodas, de óculos escuros e chapéu - para disfarçar a queda de cabelo consequente da quimioterapia. Ele estreou no cinema em 1979, mas o primeiro filme que merece ser lembrado é "Vidas sem Rumo", de Francis Ford Coppola, em 1983, Dirty Dancing é de 1987; Ghost, de 1990. Patrick Swayze tentou outros papéis, em filmes como ""O Tigre de Vasóvia" e "Matador de Aluguel", que não deram certo. Mas "Caçadores de Emoções",de Kathryn Bigelow, no qual contracenou com Keanu Reeves, é considerado o filme de surfe. O próprio Patrick, que tinha um irmão ator - Don Swayze -, dizia que a escola de sua mãe foi como um amuleto em sua vida. Além de definir uma carreira, ela o apresentou a uma colega de dança, Lisa Niemi, com quem se casou em 1975. Atravessaram juntos os anos de sucesso e a agonia da doença. Nunca tiveram filhos, mas Lisa permaneceu a seu lado até o fim, exatamente como se esperava que ocorresse com o galã de Ghost.
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segunda-feira, 14 de setembro de 2009

RIBEIRA - 405

- MEU FUSCA FALA -
O jornalista e escritor holandês Paul Schilperoord defende, em seu novo livro - A Verdadeira História do Fusca -, uma teoria bastante polêmica: o verdadeiro inventor do Fusca não foi Ferdinand Porsche (pai de Ferry, o criador da Porsche), mas um judeu húngaro chamado Josef Ganz. Ele, que era engenheiro e jornalista, chamava seu invento de "Meu Besouro", segundo o livro. E teve até um protótipo do carrinho fabricado por uma empresa alemã, a Ardie-Ganz. Mas não conseguiu financiamento para o projeto. Acabou sendo preso pela Gestapo, a polícia secreta nazista. Solto, foi para a Suiça, mas se deu mal novamente: teve o projeto roubado.
Após o episódio suíço, as idéias de Ganz teriam ido parar nas mãos de Adolf Hitler, que gostou do que viu. Entusiasmado, Hitler contratou Ferdinand Porsche para, a partir das idéias de Ganz, elaborar "o carro do povo": o volkswagen. E assim nasceu o Fusca. Ganz faleceu em 1967, sem conseguir provar a fraude. Um pedaço da história de como Hitler confiscou a ideia do carro popular pode ser lido em - www.ganz-volkswagen.org. O livro de Schilperoord será apresentado - com vários outros projetos de Ganz - no circuito de Zandvoort, na Holanda, dia 27 de setembro. Estará presente o protótipo original criado por Josef Ganz.
Na apresentação de diversos carros extremamente raros e exclusivos criados por Josef Ganz vao estar em exibição - incluindo a versão original de 1931 Maikafer protótipo que também será conduzido na pista de corrida. Esta é a primeira publicação e vai se tornar a primeira disponível no idioma holandês. Neste livro, Paul Schilperoord conta a história da vida pessoal e profissional do engenheiro e do proeminente jornalista Josef Ganz (1898-1967) que foi o fundador do imensamente popular Fusca. O livro é baseado em uma vasta quantidade de fontes históricas até então desconhecidas e fotografias - resultado de cinco anos de extensas pesquisas.
Embora este livro não é uma obra de ficção, é escrito num estilo narrativo com a vida de Josef Ganz como a orientação através de um período dramático e fascinante da história do século 20. O livro dá uma descrição pormenorizada das mudanças radicais na vida pessoal e profissional de um membro proeminente da sociedade judaico-alemão da época de Adolf Hitler quando subiu ao poder e à intruige, calúnia, espionagem e tentativas de assassinatos em torno do carro mais popular jamais construido. Embora esta história vá recorrer a qualquer pessoa com um grande interesse histórico, o livro lança nova luz sobre as origens do Fusca com muitos detalhes em pontos de discussões entre Beetle (besouro) entusiastas, como o tipo Zundapp, 12 protótipos por Ferdinand Porsche, a influência de Hans Ledwinka de Tatra sobre o besouro-design e do processo judicial famoso entre Tatra e Volkswagen.
Na realidade, o governo alemão fez uma concorrência para comprar de um fornecedor um carro popular, com especificações bem definidas, de conduzir uma familia de 5 pessoas e atingir uma certa velocidade sem gastar muito. Varios fabricantes apresentaram protótipos como a NSU, Mercedes e principalmente a Zundapp. Essa companhia contratou Ferdinand Porsche em 1931 e na carta de contrato, que se conserva até hoje, datada de 1931, já colocava o nome de Volkswagen, carro popular, como nome genérico do projeto. Todos os carros europeus de época tinham motor refrigerado a ar. Por um simples motivo: as casas não tinham garagem e quem podia possuir um, deixava-o todo o inverno do lado de fora da casa. Isso levava o combustível a congelar.
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domingo, 13 de setembro de 2009

RIBEIRA - 404

- FUSCA -
O Volkswagen Fusca foi o primeiro modelo fabricado pela companhia alemã Volkswagen. Foi o carro mais vendido no mundo, ultrapassando em 1972 o recorde do Ford. O último modelo do Fusca foi produzido no México, em 2003.
A história do Fusca é uma das mais complexas e longas da história do automóvel. Diferente da maioria dos outros carros, o projeto do Fusca envolveu várias empresas e até mesmo o governo de seu país, e levaria à fundação de uma fábrica inteira de automóveis no processo. Alguns pontos são obscuros ou mal documentados, já que o projeto inicialmente não teria tal importância histórica, e certos detalhes perderam-se com a devastação causada pela Segunda Guerra Mundial. Grande parte dessa história pode ser condensada. No início da década de 1930 a Alemanha era assolada por uma dura recessão, e tinha um dos piores índices de motorização da Europa. A maioria de suas fábricas eram especializadas em carros de luxo, montados à mão, e ainda muito caros. Por isso, a idéia de um carro pequeno, econômico e fácil de produzir começou a ganhar popularidade. Era o conceito do Volkswagen, expressão alemã que traduz a idéia de "carro popular". Desde 1925 um conceito básico muito semelhante já existia. Porém, na década de 1930 Adolf Hitler havia ascendido ao poder na Alemanha, estando comprometido com a modernização do país e a recuperação da economia, principalmente do emprego. Entusiasta por carros desde a juventude, Hitler via com bons olhos a idéia de um carro popular. Para ele, a idéia de um "carro do povo" feito por trabalhadores alemães e viajando por todo o país era a exata realização da plataforma política de seu partido. Decidido a financiar uma empresa estatal para produzir os automóveis que trafegariam por suas recém-inauguradas autoestradas, Hitler deu sinal verde para o projeto. Após alguns discursos sobre o projeto, Hitler finalmente colocaria a Associação de Fabricantes de Automóveis Alemães (RDA) encarregada a execução do projeto. Assim, em 22 de junho de 1934 o contrato foi assinado, e os equipamentos foram instalados na Fabrica Porsche em Stuttgart, Alemanha. Alí foi desenvolvido o motos final e a logomarca VW. Uma idéia genial, adotada no Fusca, foi inclinar o motor levemente para dentro, o que economizava preciosos entímetros do capô. Em 26 de maio de 1938 foi colocada a pedra basilar da fábrica, com a presença do próprio Hitler. Mais de setenta mil pessoas participaram da solenidade.
O Fusca não foi sempre o mais barato dos carros, como pode-se pensar a princípio, e de fato vendeu pouco nos primeiros anos de importação na maioria dos diversos países onde a Volkswagen se instalou. Mas logo que as dificuldades econômicas foram superadas, rapidamente a fama de "indestrutível" do carro começou a se disseminar, ajudada pela mecânica simples e pela oferta e esquema de distribuição de peças sobressalentes. Logo o Fusca dominou a sua fatia de mercado na maioria dos lugares onde foi lançado. A Wolkswagen aproveitou para expandir a linha de veículos, como a Kombi e o Karmann Ghia. Além disso a facilidade da mecânica permitia alterações personalizadas, abrindo caminho para adaptações feitas por empresas independentes. Tal versatilidade de projeto permitia a Volkswagen diversificar sua linha aproveitando os componentes do Fusca. A Kombi foi a primeira derivação de porte, já em 1950. Já no final da década de 1950 o Fusca se mostrava uma aposta certeira para a Volkswagen, que se expandia rapidamente para além mar, chegando ao Brasil em 1957. O sucesso do Fusca evidentemente colocou a Volkswagen em posição privilegiada. Outros protótipos visando substituir o carro foram criados, como o caso da Brasilia brasileira, por exemplo. Porém nenhum conseguiu suplantar as vendas do Fusca. A popularidade do Fusca só aumentava, e em 1973 ocorreu o auge da popularidade, com 1 milhão 250 mil unidades produzidas por ano.
Entretanto, o fim da linha já estava a caminho desde os anos 1960. A linha "à ar" não duraria para sempre. A solução seria comprar a tecnologia necessária para novos carros, ao invés de investir em pesquisa. Assim, utilizado o pico de vendas de seus modelos "a ar", a Volkswagen comprou as alemãs DKW, a Audi, a Horch e a Wanderer. O extenso conhecimento em motores refrigerados à água dessas empresas permitiria a renovação total da linha VW, garantindo o futuro da empresa após o fim das vendas dos modelos "à ar". A nova linha começou a se estabelecer em 1973. com o lançamento do Passat. Logo após veio o Santana. O Fusca chegara ao fim em todo o mundo - menos no México, que aguentou até 2003.
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sábado, 12 de setembro de 2009

RIBEIRA - 403

- O VÔO DA MORTE -
Desde os atentados de 11 de setembro de 2001, os países ocidentais tentam se previnir de novos ataques terroristas. A Europa acirrou sua política de segurança, algo que não deixou de render protestos. - As investigações sobre os pilotos respomsáveis pelos atentados às torres gêmeas em Nova York e ao Pentágono conduziram a pistas na Europa, sobretudo em Hamburgo. Com os ataques terroristas em Madri, no ano de 2004, e em Londres, um ano mais tarde, a Europa passou a ser ela própria cenário do terrorismo. Em 2004, o então ministro alemão das Relações Exteriores, Joschka Fischer, afirmou: "Temos que fazer o possível para agirmos preventivamente e para além das fronteiras nacionais. Nãp podemos nos deixar coagir pelo terrorismo".
Dentro da União Europeia, a segurança interna é, a princípio, tarefa de cada Estado isoladamente, algo que se tornou um problema frente à ameaça do terrorismo internacional. Em reação a isso, os governos dos países da UE nomearam, em 2004, um coordenador antiterrorismo para o bloco: o holandês Gijs de Vries. "O intercambio de informações é muito importante. As forças policiais dos países-membros da UE podem trocar informações através da Europol e nossos promotores podem fazer o mesmo numa cooperação judiciária dentro do bloco. Aprovamos leis que dificultam o financiamento do terrorismo. Os terroristas necessitam de capital e nós precisamos nos assegurar de que eles não terão acesso ao dinheiro. Isso também demanda uma cooperação internacional", disse o holandês De Vries na época, ao descrever suas tarefas a serviço da UE.
A maioria dos europeus apoiava maior rigor no controle de segurança dos aeroportos. No entanto, quando as autoridades norte-americanas reinvindicaram o acesso aos dados de passageiros europeus que chegassem aos EUA por via aérea, surgiram as primeiras resistencias. O então comissário de Justiça da UE, Franco Frattini, tentou relativizar esse acesso. "Aceitamos que os dados sejam repassados a outras autoridades, contanto que essas respeitem padrôes semelhantes de proteção de dados", disse o comissário na época. Em consequencia de leis de segurança mais rígidas, todo cliente de banco e todo usuário de telefonia movel ou internet têm que contar com o fato de que seus dados serão arquivados pelas autoridades. Ativistas de defesa dos direitos humanos criticam acima de tudo que os serviços secretos europeus tenham listado suspeitos de terrorismo. Afinal, não se sabe a partir de que dados os indícios foram colhidos, quais nomes constam da lista e como um acusado pode se defender.
Segundo Dick Marty, investigador a serviço do Conselho da Europa. esses suspeitos "não podem, no fundo, fazer nada para eliminar seus nomes da lista. Nem sabem direito do que estão sendo acusados e não têm praticamente nenhuma possibilidade de fazer com que seus nomes sejam eliminados da lista". Por meio de suas investigações, Dick Marty comprovou que a CIA havia mantido prisões secretas em vários Estados europeus. No entanto, os EUA nunca divulgaram onde se situavam exatamente essas prisões. Não se pode, contudo, falar dos efeitos jurídicos do 11 de Setembro sem mencionar Guantánamo, pois - no presídio para suspeitos de terrorismo mantido nessa base militar norte-americana em Cuba - o governo dos EUA chegou a extremos na forma de tratar os prisioneiros. Extrema também foi a indignação manifestada pelos opositores da conduta norte-americana. Elmar Brok, deputado no Parlamento Europeu, atribuiu o comportamento do governo norte americano sob a presidência de George W. Bush ao choque ocasionado pelo 11 de Setembro. "Impressionados com os atentados terroristas, os americanos ficaram tão temerosos que correram até mesmo o risco de suprimir a órdem dos valores. É importante deixar claro que o êxito no combate ao terrorismo só é possivel se não colocarmos em risco nossos próprios valores", observou Brok. Essa crítica, originalmente dirigida aos EUA sob a presidência de Bush, também passou a ser aplicada à União Européia. Alguns críticos afirmam que a UE, em nome da segurança, passou a desrespeitar direitos que deveriam ser a marca registrada do bloco.
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sexta-feira, 11 de setembro de 2009

RIBEIRA - 402

= WORLD TRADE CENTER =
Os ataques terroristas de 11 de setembro, chamados também de atentados de 11 de setembro, foram uma série de ataques suicidas, coordenados pela Al-Qaeda contra alvos civis nos Estados Unidos da América em 11 de Setembro de 2001. Na manhã deste dia, quatro aviões comerciais foram sequestrados, sendo que dois deles colidiram contra as torres do World Trade Center em Manhattan, Nova York. Um terceiro avião, o American Airlines Flight 77, foi direcionado pelos sequestradores para uma colisão contra o Pentágono, no Condado de Arlington, Virgínia. Os destroços do quarto avião, que atingiria o Capitólio, o United Airlines Flight 93, foram encontrados espalhados num campo próximo de Shanksville, Pensilvânia. A versão oficial apresentada pelo governo norte-americano reporta que os passageiros enfrentaram os supostos sequestradores e que, durante este ataque, o avião caiu. Os atentados causaram a morte de 3234 pessoas e o desaparecimento de 24.
Desde a guerra de 1812, esse foi o primeiro ataque de efeitos psicológicos e altamente corretivo imposto por forças inimigas em território americano. Causado por uma célula terrorista ligada à rede Al Qaeda esse inimigo invisivel deixou um saldo de mortes superior a 3 mil. Para se ter uma idéia quantitativa de seu resultado arrasador, só o ataque em sí excedeu o saldo de aproximadamente 2400 militares norte-americanos mortos no ataque sem aviso prévio dos japoneses à base naval de Pearl Harbor em 1941; além disso, essa terrivel demonstração de impunidade foi caprichosamente planejada e direcionada aos ícones americanos, praticada impunemente, e tendo como armas aviões comerciais. O ato agravou-se muito mais por ter sido transmitido ao vivo pelas cadeias de TV do mundo inteiro, com a própria tecnologia americana. Tal ataque, ainda sem precedentes em toda a história da humanidade, feriu profundamente o orgulho americano e superou, em muito, o efeito moral imposto às tropas americanas pela força aérea japonesa.
A Fundação do Museu Nacional de 11 de Setembro lançou nesta quinta-feira, 10 de setembro de 2009, um site com todos os vídeos e fotos da tragédia feitos pela população nova-iorquina e está apelando por mais histórias e documentos do atentado de pessoas de todo o mundo. O Museu e o Memorial devem ser instalados onde ficavam as torres do World Trade Center, local dos ataques que passa por uma reconstrução. O Memorial, que consistirá de uma praça e piscina refletoras marcando a localização das Torres Gêmeas, e está programado para abrir no décimo aniversário do atentado, em 2011. O Museu subterrâneo deve ser inaugurado em 2013.
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quinta-feira, 10 de setembro de 2009

RIBEIRA - 401

- NAZISMO NO BRASIL -
Antes da Segunda Guerra Mundial, o Partido Nazista alemão fez propaganda política para atrair militantes entre comunidade alemã no Brasil. Embora a maioria dos teuto-brasileiros não se tenha aderido ou simpatizado com a propaganda hitlerista, o Brasil contou com a maior seção do Partido Nazista fora da Alemanha. - A foto mostra crianças em Presidente Bernardes, São Paulo, fazendo a saudação nazista.
Em 1928, foi fundado em Timbó o Partido Nazista Brasileiro. Na década de 1930, viviam no Brasil cerca de 100 alemães natos e cerca de um milhão de descendentes. A maior parte vivia em comunidades isoladas no sul do Brasil que preservavam a língua e a cultura alemã. Com a ascensão de Adolf Hitler na Alemanha, os teuto-brasileiros passaram a ser seduzidos pela propaganda que o nazismo fazia para atrair seguidores no exterior. Embora nunca tenha havido um partido nazista organizado, legal ou clandestinamente, no Brasil, vários membros da comunidade teuto-brasileira foram membros da seção brasileira do Partido Nazista da Alemanha. Esta seção chegou a ter 2.822 membros e foi a maior seção do Partido Nazista alemão no exterior.. Como era uma organização estrangeira, somente alemães natos podiam ser filiados e os brasileiros descendentes de alemães atuavam somente como simpatizantes. Calcula-se que cerca de 5% dos imigrantes alemães então residentes no Brasil foram, em alguma época, filiados ao Partido Nazista alemão. Estes nazistas residiam em 17 Estados brasileiros, a maior parte no Estado de São Paulo. Entretanto, a esmagadora maioria dos teuto-brasileiros não se deixou seduzir pela propaganda e nunca se filiou ao nazismo.
O governo da Alemanha nazista elaborou planos para uma ocupação do sul do Brasil. Adolf Hitler declarou em 1933: "Criaremos no Brasil uma nova Alemanha. Encontraremos lá tudo de que necessitamos". Alguns nazistas planejaram utilizar as colônias alemãs do sul do Brasil como ponto de partida de criação de um lar para alemães, o que seria feito com o extermínio de índios, negros e mestiços.
Várias pessoas importantes do governo de Getúlio Vargas de 1930 a 1945 nutriam admiração pelo governo da Alemanha Nazista. Entre estas, estavam comandantes militares que apoiaram Getúlio Vargas na implantação da ditadura do Estado Novo como o general Eurico Gaspar Dutra (ministro da guerra de 1936 a 1945, e futuro presidente da República), o general Góis Monteiro (ministro da guerra em 1934) e Filinto Muller (chefe de polícia do Distrito Federal, futuro senador e líder do partido ARENA). Por outro lado, o governo de Getúlio Vargas foi extremamente nacionalista. Com a decretação da ditadura do Estado Novo em 1938, todos partidos políticos brasileiros tornaram-se ilegais. Além disto, foi proibida "a prática de qualquer atividade de natureza política dos estrangeiros residentes no país". A partir de então, as atividades do Partido Nazista alemão no Brasil foram duramente reprimidas, assim como a todos os outros partidos políticos brasileiros ou não.
O governo do Estado Novo promoveu a integração forçada dos alemães e seus descendentes que viviam em colônias isoladas no sul do Brasil. Em muitas ocasiões agiu com brutalidade contra imigrantes que não tinham nenhuma relação com a Alemanha nazista. O governo do Estado Novo preferiu manter uma política de apoio aos Estados Unidos em troca de beneficios econômicos. Quando navios mercantes brasileiros foram afundados por submarinos alemães, o Brasil declarou guerra às potencias do Eixo. Após a derrota, muitos nazistas criminosos de guerra fugiram para o Brasil e se esconderam entre aq comunidade teuto-brasileira. O caso mais famoso foi de Josef Mengele, médico que ficou conhecido como "anjo da morte" no campo de concentração de Auschwitz. Mengele realizava experiências médicas com seres humanos vivos, , sempre sem anestesia, com o propósito de pesquisar o aperfeiçoamento da raça ariana. Viveu escondido no interior de São Paulo de 1970 a 1979, quando morreu afogado em Bertioga, no litoral paulista, sem nunca ter sido reconhecido.
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