sábado, 3 de outubro de 2009

RIBEIRA - 425

- CAÇAS -
Os futuros caças estrangeiros com bandeira brasileira são para cuidar dos nossos céus, mas a briga por eles se desenvolve no chão. Os três concorrentes que disputam a venda de 36 caças encaminharam oficialmente ao Comando da Aeronáutica as propostas finais que serão analisadas pela Força Aérea Brasileira para a escolha da empresa vencedora. Ontem mesmo, dia 2 de outubro, quando se encerrou o prazo da FAB para receber melhorias nas propostas das empresas da França, da Suécia e dos Estados Unidos, que desejam negociar os aviões com o Brasil, os fabricantes das aeronaves fizeram lobby junto ao governo, no Congresso e na imprensa, em Brasília. Enquanto a Boeing (EUA) distribuiu um texto insistindo na transferência de tecnologia com o F-18 Super Hornet, enviados dos governos e das empresas da França e da Suécia tinham reuniões em separado com os ministros da Defesa, Nelson Jobim, e participavam de debates no Congresso. O presidente mundial da empresa sueca SAAB, Ake Svensson, por exemplo, admitiu até possibilidade do governo da Suécia adquirir aviões brasileiros Super Tucano e KC-390, caso o país seja escolhido na concorrência. Mas não revelou quantas aeronaves brasileiras podem ser compradas no futuro. -"Queremos desenvolver parcerias de iguais com a industria brasileira. Oferecemos 175% (de compensação) em cima do valor do contrato. Oitenta por cento diretamente ligado à aeronave, 15% em outras áreas de tecnologia e 5% a critério, além dos 75% adcionais" - afirmou o presidente da SAAB. Svensson acrescentou ainda que o compromisso da SAAB é de revolucionar a Força Aérea Brasileira, "oferecendo independencia em vez de dependência", referindo-se, indiretamente, ao que considera que o Brasil passaria a ser se comprasse dos francesses ou dos americanos. Numa crítica à proposta da Suécia, já que o Gripen NG ainda é um projeto, Edouard Guillaud, chefe do gabinete militar da França, garantiu que a França oferece "aeronaves que voam em combate, não aeronaves que voarão daqui a oito ou dez anos, que eu qualifico de versão de papel". Em relação à proposta da Boeing, criticou: "- Os que participam (do programa anterior ao F-18, o F-16) acham que o retorno tecnológico é fraco". O Brasil deseja comprar 36 aviões de combate, em contrato estimado entre US$ 4 bilhões e US$ 7 bilhões. A francesa Dassault Aviation é considerada líder na disputa com seu modelo Rafale, em razão de sua oferta de transferencia tecnológica e das relações militares entre Brasil e França.O grupo enfrenta concorrencia da americana Boeing, com o modelo F/A-18 Super Hornet, e da sueca SAAB, que defende o Gripen NG. Enquanto o F-18 trabalha com sistemas americanos, e o RAFALE, com sistema francês, o Gripen NG é ainda um projeto, com 50% de componentes de diferentes fornecedores e países. O motor é dos EUA. O parecer da FAB irá para o Ministério da Defesa até o final do mês e depois será encaminhado ao Palácio do Planalto. A decisão, ainda sem data definida, será dividida entre o Conselho de Defesa Nacional e o presidente Luiz Inácio da Silva. O porta-voz da Presidencia, Marcelo Baumbach, por sua vez, disse que Lula não pretende discutir sobre a compra de caças com o governo suéco, na visita que fará terça-feira a Estocolmo. Em entrevista, Baumbach afirmou que o Brasil está disposto a discutir o aumento da cooperação na área de Defesa, mas não pretende falar sobre os caças.

Um comentário:

Manoel de Oliveira Cavalcanti Neto disse...

A polêmica dobre esse caças está atingindo patamares inimagináveis. O "lobbing" está disvirtuando a ralidade de um mundo completamente globalizado. Os nossos aviões da Embraer é um exemplo disso.
Defendo o francês da Rafale por questões de estética, pois recentemente nas ruas Paris vi centenas, milhares de "belos aviões" - louras, morenas, ruivas, ... - que me fizeram descer do muro - como dizia Vinicius: "BELEZA É FUNDAMENTAL!".