domingo, 4 de outubro de 2009

RIBEIRA - 426

- MERCEDES SOSA -
Habitualmente de costas para "nuestros hermanos" latino-americanos, na música, o Brasil começou a despertar para a riqueza da voz de Mercedes Sosa em 1976, após um dueto da cantora argentina com Milton Nascimento. A faixa "Volver a los 17" da compositora chilena Violeta Parra - de quem Mercedes foi uma das principais intérpretes -, virou um dos maiores destaques do hoje clássico álbum "Geraes". A partir daí, a barreira da língua não mais impediu que brasileiros se apaixonassem pelo marcante timbre de contralto de Mercedes Sosa e por seu repertório, entre canções folclóricas e de conteúdo político e social.
A cantora de 74 anos morreu neste domingo (4) em Buenos Ayres, segundo o hospital em que ela estava internada.Ela morreu em consequencia de uma doença hepática complicada por problemas respiratórios. Sosa foi uma das intérpretes mais conhecidas da música regional latino-americana, e a mais famosa artista argentina depois de Carlos Gardel e Astor Piazzolla. Ela havia sido internada em 18 de setembro, depois de ter sofrido uma complicação renal, mas seu estado piorou nos últimos dias por causa de uma falha cardiorrespiratória. Na sexta-feira (2), um sacerdote a visitou para ministrar o sacramento da extrema unção. O estado de saúde de Mercedes Sosa era acompanhado por numerosos artístas. incluindo alguns que a visitaram no hospital, e por fãs, que encheram de mensagens o site oficial da cantora.
Nascida na cidade de San Miguel de Tucumán em 1935, Mercedes Sosa teve uma atuação marcante durante a ditadura militar argentina, entre 1973 e 1983 e acabou exilada na Europa. Apelidada carinhosamente de "La Negra" por causa da cor de sua pele, ela ficou fora de cena por algum tempo anos atrás por um problema de saúde, mas retornou em 2005. Neste ano, ela lançou um disco em dois volumes denominado "Cantora", em que canta em parceria com atistas como Joan Manuel Serrat, Caetano Veloso e Shakira, razão pela qual estava indicada a três prêmios Grammy Latino.
Mercedes Sosa foi descoberta aos 15 anos, ao participar de um concurso de uma rádio em sua cidade. Seu primeiro album, "La voz de la zafra", foi lançado em 1962, com repertório calcado em canções folclóricas. Os dois seguintes, "Canciones con fundamento" (1965) e "Yo no canto por cantar" (1966), já em seus títulos deixavam claro o enganjamento político de La Negra, apelido que ganhou aos longos e lisos cabelos negros. Peronista na juventude, Mercedes alinhou-se à esquerda a partir dos anos 1960. Em 1979, perseguida pela ditadura militar argentina, ela se exilou na Europa, vivendo em Paris e Madri. Nos anos de 1990, foi opositora do presidente Carlos Menen e, depois, apoiou seu sucessor, Néstor Kirchner. Seu corpo será velado a partir do meio-dia deste domingo na sede do Congresso Nacional argentino, em Buenos Ayres.
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Um comentário:

Adailton Pedro disse...

Mercedes Sosa, um ícone da musicalidade latino americana que nos deixou.