sábado, 31 de outubro de 2009

RIBEIRA - 355

- ASTERIX -
Eu era rapaz, nesse tempo. Foi bem depois do lançamento da história de Asterix quando um amigo me orientou a comprar as tais revistas. Se não me falha a memória, foi no ano de 1967. Esse foi um "buum" para as minhas coleções de história em quadrinhos. Antes, nos anos de 1952, eu já havia colecionado Xuxá, Capitão Kid, Super-X, Ninhoka, Superhomem, Batman, Tarzan e tantos outros heróis de minha infância. Eu tinha uma verdadeira sede para adquirir um novo exemplar de uma revista desse tipo. Certa vez, eu adquiri um almanaque das revistas em quadrinhos, de um tamanho grande, assim, como um jornal, capa cartonada, papel de jornal, daquele bem ruim. Um lançamento da Editora Brasil-América (EBAL). Em meio a tudo isso, tinham outras revistas que também eu as comprava, como Recruta Zero e tantos outros. Então, apareceram as revistas Tin-Tin, Salamino e Mortadelo, e Asterix além de outras bem ao gosto do público infanto-juvenil e de homens feitos.
Hoje, as aventuras dos anti-heróis gauleses têm fascinado gerações e ocupado até mesmo cientistas políticos. "Asterix e os godos" é uma importante contribuição para o estudo das relações franco-alemãs no início de 1960.
Em 1959, o milagre econômico dominava a Europa. Os heróis protagonizavam histórias de amor, salvavam moças e se apaixonavam. Ninguém se interessava por aventuras de romanos e gauleses. Mesmo assim, em 2009 Asterix celebra 50 anos.
Na realidade, Asterix, Obelix e companhia não eram para existir. O plano original era criar uma série de histórias em quadrinhos sobre o clássico Le roman de Renard para o lançamento da revista francesa Pilote. Os cartunistas encarregados de adaptar as aventuras da ladina raposa medieval eram René Goscinny e Albert Uderzo. Porém, após escrever e desenhar a primeira página, descobriram que outro autor de HQ já se ocupava do mesmo material. E, pressionados pelo tempo, criaram os anti-heróis Asterix e Obelix em uma noite.
Assim nascia um sucesso internacional e uma mina de ouro para seus criadores: 50 anos depois, os quadrinhos já venderam 300 milhões de exemplares, foram lançados 12 filmes baseados neles. As aventuras dos gauleses já foram traduzidas em 100 idiomas, na Alemanha também nos dialetos bávaro, saxônio e suábio.
As personagens de Goscinny e Uderzo são também a alegria de historiadores e filólogos. Docentes de grego antigo e latim usam os diálogos nos balões para explicar conjugações e declinações. Já se publicou literatura científica de acompanhamento sobre Asterix, e até mesmo cientistas políticos tem se ocupado de suas aventuras. Uma chave desse sucesso é o fato de a publicação apresentar uma imagem oposta ao mundo dos heróis dos filmes e quadrinhos estadunidenses, algo tipicamente francês, como explica Uderzo. E assim, os gauleses tomaram o lugar dos índios. "Eu queria um anti-herói, um baixinho", lembrou Goscinny certa vez, numa entrevista. "A idéia era Asterix ser um nanico, tão perceptivel quanto um sinal de pontuação. Para mim era importante que fosse uma figura engraçada por si". Além disso, os protagonistas têm humor e senso de observação, são rebeldes simpáticos e justos, cujas histórias já se tornaram parte do patrimônio educativo. Asterix é adorado tanto pelos escolares e crianças quanto por pais e professores: ele une as gerações.
O tema das relações franco-alemãs foi abordado no terceiro número da série clássica, Asterix e os godos, em 1963. Esse está longe dos simpáticos e levemente provocadores clichês humorísticos das outras aventuras. Os alemães são bárbaros, são líderes e carrascos com obsessão militar. E nesse número, Asterix não ajuda a ninguém. Isso reflete as esperiências pessoais dos autores. O politólogo Alfred Grosser, um dos mais destacados teóricos da reconciliação franco-alemã, chega a classificar esse número como uma importante obra política, por retratar o estado das relações binacionais no início da década de 1960.
A primeira fase do lançamento de Asterix na Alemanha tampouco foi fácil. Em 1965, Rolf Kauka, editor das histórias com os personágens Fix e Foxi, comprou os direitos de publicação. Porém, ao invés de deixar as figuras em sua ambientação original, ele as germanizou. Asterix virou Siggi, Obelix tornou-se Barbarras. Numa tentativa de refletir a situação política então atual, os gauleses foram transformados em germanos ocidentais, os romanos viraram norte-americanos mascadores de chicletes. A graça se perdeu, o lançamento estava fadada ao fracasso. Porém, Goscinny e Uderzo salvaram sua criação, retirando os direitos concedidos a Kauka. Nove anos após a primeira edição francesa, era lançada uma tradução adequada na Alemanha: Asterix der Gallier. Os alemães, que até então não eram grandes apreciadores da HQ, tornaram-se fãs ardorosos.
Em 1977, soou a hora mais triste na história de Asterix e Obelix. René Goscinny foi ao médico para exames de coração e circulação sanguínea. Durante o teste de esforço, ele morreu diante dos olhos dos médicos. Uderzo teve que continuar a obra sozinho. Desde então, os críticos apontam uma queda de qualidade nas histórias. Além disso, há as brigas entre o autor e sua filha, que originalmente deveria levar o trabalho adiante. Querelas com as editoras também afetam o rendimento de Albert Uderzo. As últimas duas edições acumulam poeira nas prateleiras das livrarias. Assim mesmo, 50 anos depois a popularidade de Asterix e Obelix é indiscutivel. O que o brutamontes Obelix não consegue, o nanico Asterix alcança pelos meios da esperteza. O segredo do sucesso é ser diferente.
---
Veja também;

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

RIBEIRA - 354

- QUARTEL DA RIBEIRA -
Conta-se histórias incompletas. No caso é a história do Quartel da Polícia do Rio Grande do Norte, o Quartel Militar. Aqui, (foto) onde está o prédio onde nasceu Frei Miguelinho, foi a sede da Polícia quando, então, era no bairro da Ribeira. Pode-se ver casas de morada ao longo do prédio onde era a Polícia. Casinhas pequenas parecendo um cachorro de cócoras, pois era assim que se chamavam as casas de antigamente, e de hoje também. Não sei por que puseram no meio esse tal cachorro. Contudo, por vias das dúvidas, era sim, esse nome mesmo, que tinham as casas de antigamente. Aqui se nota a iluminação urbana da cidade: lampião. O lampião era uma lanterna elétrica ou a combustivel, portátil ou fixa em uma esquina. Esse aí era fixo, parecendo ser a combustível. Essa placa que está na parede, quase na esquina do prédio, é a indicação de que, ali nasceu aquele que um dia se chamava Frei Miguelinho. Na verdade, ele era padre. O Frei acabou-se quando Miguelinho se tornou secular, ou padre. Ele foi morto de Salvador, Ba, por conta da teimosia que o padre emprestava em querer sentir o Brasil viver como uma República. Escapou da morte, uma irma do padre Miguelinho. Bem! Mas isso é outra história.
Quando o Quartel da Polícia veio para cá, - ihhh, faz muito tempo! - ele, ainda passaria pelo prédio da avenida Rio Branco, onde era, tempos depois, a Escola de Artífices ou Liceu Industrial e então pelo prédio da Salgadeira, aquele que em 1935 enfrentou e perdeu o combate para a tropa dos comunistas. Hoje, alí, é a Casa do Estudante. Só, depois, é que o Quartel se mudou, em definitivo, para a sua nova sede no bairro do Tirol. Salgadeira quer dizer, "salgado". O nome de Salgadeira provém de um matadouro que tinha perto do Quartel, onde de abatia o gado para vender no Mercado da Cidade Alta. Salgadeira era dado as mulheres que salgavam as tripas, os bofes e outras coisas a mais que se estraia do gado. Isso era o que se chamava de salgadeira: as mulheres que salgavam as partes do gado. Pois bem! Antes do Quartel se fixar na Salgadeira, ele montou sua sede no bairro da Ribeira, na que hoje se chama de Esplanada Silva Jardim. Era rua do Quartel da Polícia. Oito janelas na frente e uma porta de entrada (e de saída). Nada mais. Quantos praças? Não sei. Quando o Quartel era na Salgadeira, no combate havido com os comunistas, estavam 42 praças. Na verdade, esse número não queria dizer qual o seu efetivo, pois devia ter muito mais, só em Natal.
O que se consta é que a Polícia Militar foi criada com o nome de Corpo Policial da Província em 27 de junho de 1834. Era o governador do Estado o Presidente Basilio Quaresma. Tinha em seus quadros, quando foi criada, apenas 70 homens. É de se contar que o Estado era bem diferente em termos populacionais do que é hoje. Mesmo assim, a Policia Militar desempenhou importantes missões no cenário nacional de combate à Coluna Prestes, no Maranhão, e a Revolução Constitucionalista, no Estado de São Paulo. Aqui, no Estado, combateu, especialmente, o cangaceirismo. A data oficial da Polícia Militar é o dia 4 de novembro de 1936. Porém pesquisas feitas no Instituto Histórico aponta em definitivo a data de 27 de junho de 1834. Assim é a história da Polícia no Estado. Com o passar dos anos, a polícia incorporou em seus quadros o pelotão feminino, coisa que não havia no tempo da Ribeira. Este foi criado em 1986 com especialização em médica, psicóloga, e fisica além de soldados, cabos e sargentos mulheres. Nos tempos em que o Quartel só era para homens, a situação era um tanto incômoda, pois ao deter um contraventor. sendo mulher, o soldado não podia passar nem mesmo em revista, pois as mulheres podiam esconder um furto dentro de suas próprias partes íntimas. Hoje, tem mulheres-soldados que executam esse trabalho. Eu lembro de mulheres ligadas ao tráfico que escondem ou escondiam os furtos dentro de calcinhas, coisa que para um homem soldado não caberia resolver. O Quartel da Ribeira ficava próximo a Rua 15 de Novembro, das meretrizes, onde havia roubos e furtos por parte das mulheres da vida, as prostitutas. Ali, na rua 15 ou na Quarentena e em outras ruas próximas frequentadas por meretrizes, eram o foco dos furtos por parte dessas mulheres. Contudo, o baixo meretricio não existe mais, ali na Ribeira. Portanto, as mulheres-soldados já não tem mais esse cuidado. Mesmo assim, elas são chamadas para outros locais onde tem meretrizes ou não, fazendo tráficos ou roubos.
---
Veja também;

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

RIBEIRA - 353

- INTENTONA -
Nos idos de 1947, meu pai e eu seguiamos todas as tardes, do bairro do Tirol para o Quartel da Polícia Militar, perto do rio Potengi. Era alí que ele dava aulas aos soldados, cabos, sargentos e mesmo sub-tenentes. O prédio (foto) tinha sido o Hospital de Natal e, depois, o Liceu Industrial até que a Polícia Militar ocupou o lugar, por conta de que o Liceu tinha já o seu novo prédio, na Avenida Rio Branco e o Hospital, de há muito estava no prédio de Petrópolis como a denominação de Hospital Miguel Couto. Certa vez, um soldado ou sargento, não sei bem, me disse que ali - no prédio - já fora um local de muita "desgraça". Eu ouvi isso, e calei, até porque nem estava falando. E o soldado continuou a sua preleção: "Os comunistas quiseram tomar o poder e foi aqui que houve o enfrantamento. O prédio ficou todo marcado de balas disparadas pelos comunistas. Um "soldado" foi quem deu a proteção aos praças. Ele era municiador. E num derradeiro instante, ele foi morto pelos comunistas. Seu nome era Luis Gonzaga, morador no bairro das Rocas, alí onde tem a feira. Sabe onde fica?" perguntou-me o militar.
Eu era pequeno, nesse tempo, mas a narrativa não saiu de minha memória. O certo é que, com o passar do tempo eu li bastante sobre essa história: "Intentona Comunista". Foi iniciada na noite do dia 23 de novembro de 1935, há 74 anos. Nesse tempo, estava acontecendo uma solenidade no "Teatro Carlos Gomes" - hoje, Teatro Alberto Maranhão - da colação de grau dos alunos do Colégio Marista. O Governador Rafael Fernandes e o secretário geral do Estado, Aldo Fernandes, estavam presentes e tiveram que se abrigar na residência de Xavier Miranda, nas proximidades do teatro e, depois, foram para o Consulado da Itália, sob os cuidados do cônsul Guilherme Letieri. O Prefeito Gentil Ferreira de Souza, também presente à solenidade, foi para o Consulado do Chile, sob a proteção do cônsul Carlos Lamas.
No Quartel, os combates estenderam-se por várias horas, até acabar a munição, quando as forças legais se renderam. As comunicações telefônicas foram cortadas, resistindo apenas a estação telegráfica de Macaiba - municipio próximo a Natal - através da qual os legalistas pediram socorro à capital federal, no Rio de Janeiro. Durante os combates, o quartel da Polícia Militar resistiu, lutando contra um inimigo muitas vezes superior em número. No Quartel estavam apenas 42 soldados praças, cabos, sargentos, tenentes, capitães e mesmo os mais graduados. A resistencia terminou quando os policiais gastaram a última bala. Os legalistas fugiram, pulando o muro e tomando rumo do rio Potengi. Era um sufoco e tanto, cada um querendo escapar das balas dos comunistas de qualquer jeito.
Os rebeldes dominaram Natal e, no dia 25 de novembro de 1935, organizaram um comitê popular Revolucionário, composto por Lauro Cortês, ex-diretor da Casa de Detenção, como ministro de Abastecimento, e Quintino Barros, 3º Sargento, músico do 21º BC, como ministro da Defesa.. O comitê se instalou na Vila Cicinati, até então residência oficial do governador, na Praça Pedro Velho, em Petrópolis. Durante a vigencia do governo revolucionário, a população da Cidade do Natal atravessou momentos de grandes dificuldades, principalmente para aquisição de gêneros alimentícios, uma vez que os rebeldes saquearam muitos armazens e lojas de abastecimentos que atendiam à cidade. Entre os estabelecimentos saqueados figuram os seguintes: M.Martins & Cia, Viana & Cia, M.Alves Afonso, etc. O comércio de diversas cidades do interior também não escapou. Por onde os rebeldes passavam, implantavam o pânico.
No tempo em que os comunistas estiveram no poder, circulou um jornal intitulado "Liberdade". que publicou a seguintes palavras: "Enfim, pelo esforço invencível do povo, legitimamente representado por Soldados, Marinheiros, Operários e Camponeses, inaugura-se no Brasil a era da Liberdade, sonhada por tantos mártires, centralizados e corporificados na figura legendária de Luis Carlos Prestes, o "Cavaleiro da Esperança".
Intentona Comunista foi o nome dado à tentativa de golpe contra o governo Getúlio Vargas, realizada em novembro de 1935 pela Frente das Esquerdas da Aliança Nacional Libertadora (ANL). Planejada por oficiais e praças do Exército brasileiro, a ação militar, de natureza política, visava, sobretudo, a derrubada do presidente da nação, exigindo que em seu lugar fosse instalado om governo popular voltado para o fim das oligarquias, do imperialismo e do autoritarismo. O mentor do levante foi Luis Carlos Prestes, capitão do Exército e líder tenentista convertido ao comunismo. A maioria das versões sobre esse episódio considera que Prestes supunha ser o programa nacionalista da ANL bem atraente, e por isso mesmo capaz de atrair partidários não só entre operários e trabalhadores do campo, mais também em meio aos pertencentes à chamada burguesia "progresista" contrária ao imperialismo e facismo. O levante eclodiu primeiramente em Natal (Rn), no dia 23 de novembro; depois em Recife (25 do mesmo mês), e finalmente no Rio de Janeiro (dia 27). O episódio mais dramático do levante comunista foi a tentativa feita pelos rebelados para conquistar o Regimento de Aviação no Campo dos Afonsos, à época ainda integrada ao Exército, pretendendo com isso apossar-se das aeronaves lá estacionadas e com elas bombardear a cidade do Rio de Janeiro. No combate, morreram 28 militares. Para lembrá-los foi erguido na Praia Vermelha, um monumento em homenagem aos herois.
Em Natal, o movimento começou ao anoitecer de uma sábado, com dois sargentos, dois cabos e dois soldados do 21º Batalhão dos Caçadores. Aproveitaram-se do licenciamento do final de semana e invadiram a sala do oficial de dia, prenderam o oficial e dominaram o aquartelamento. A seguir, entraram na Unidade, bandos de civis. Apoderaram-se do armamento e das munições do Exército e distribuiram-se em grupos para diversos pontos da cidade. Esses bandos de "agitadores" engrossavam-se no caminho com inúmeros adesistas "aventureiros", a maioria dos quais nem sabiam exatamente do que se tratava, diz o depoimento do blog TERNUMA. Investiram, em seguida, contra o Quartel da Polícia, onde era comandante o Coronel José Otaviano Pinto Soares. Os comunistas conseguiram manter uma posição por 19 horas até os soldados se renderem por falta de munição. Segundo a Ternuma, casas comerciais e residencias particulares foram saqueadas e depredadas.. Navios no porto foram ocupados. O Comitê Popular Revolucionário foi integrado por o funcionário estadual Lauro Cortez Lago, Ministro do Interior; sargento músico Quintino Clemente de Barros, Ministro da Defesa; sapateiro José Praxedes de Andrade, Ministro do Abastecimento; funcionário postal José Macedo, Ministro das Finanças. estudante João Batista Galvão, Ministro da Viação; cabo Estevão, Comandente de 21º Batalhão de Caçadores e sargento Eliziel Diniz Henriques, Comandante Geral da Guarnição Federal. Bancos e repartições públicas foram arrombados. Diante do clamor da população, por atos de vandalismo, estupros e pilhagem, houve fuga da capital. As colunas rebeldes ocuparam as localidades de Ceará-Mirim, Baixa Verde, São José do Mipibú, Santa Cruz e Canguaretama. A primeira reação partiu de Dinarte Mariz, chefe político no interior que conseguiu surpreender e derrotar um grupo comunista. Hoje, após a Estação Rodoviaria de Santa Cruz, tem um marco do morticinio havido ali. Com a derrocada, após três dias no poder do Governo em Natal, os invasores bateram em retirada, dissolvendo-se o grupo, levando o que podiam, sem a menor resistencia. Era o fim do Governo Comunista. Após três dias de terror, Natal voltou à calma.
---
Veja também:

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

RIBEIRA - 352

- MITO PRESENTE -
A terceira dimensão nas linhas do Universo - constitui uma referência de fundamental importância para a vida, em todos os sentidos, de preferência no emocional e psicológico - para efeito do equilíbrio e bom-senso em qualquer ser humano de acordo com os recursos da natureza, visando ao bem-estar social.
+Como se explica esta questão?
As explicações, por sí só, têm uma terceira dimensão de forma simples e objetiva, sem complexidade, de modo claro e direto, apesar de não haver a compreensão generalizada sobre ela, sem o entendimento da causa e efeito de qualquer fato, inclusive este.
PPF - passado, presente e futuro, por exemplo, conforme a diversidade estabelecida no tempo, bem como na concepção de pessoas que seguem as orientações de outras, sem pensar e analisar sobre as informações recebidas. Temos observado em pessoas esclarecidas que o passado e o futuro nada representam para suas vidas, tampouco merecem a sua atenção, pois na opinião delas o importante e fundamental - é viver o presente, sem haver preocupações de qualquer espécie, com o ontem e amanhã.
+ O que seria de alguém que vive no presente, sob o abandono do passado e do futuro?
No fundo, não existe presente sem passado, ou seja, este é a causa do primeiro, até mesmo no campo científico em que as formas empíricas, depois de estudadas e analisadas são transformadas em fatos racionais que resultam da pesquisa científica.
Por aí - temos a indicação de que o empírico do passado faz o científico do presente, assim como a descoberta de substâncias vegetais, antes usadas pelo homem, de forma aleatória, tornaram-se o produto farmacêutico do laboratório aplicado em diferentes doenças.
PFES - Faz mais de 2 mil anos que os católicos, por exemplo, na sua grande maioria, vivem sob a concepção do tempo em terceira dimensão, isto é, procurando acreditar e viver conforme a doutrina do Pai, Filho e Espírito Santo de ramificações na trilogia temporal em que muitos - preferem não reconhecer.
+ No corpo humano existe algum sinal de valor para esta analogia?
Neste aspecto se verifica talvez o valor mais forte, decisivo, direto, objetivo e concreto porque ele tem profundas marcas na vida - constitui o elemento de importância fundamental para qualquer decisão humana.
ONO - Olhos, nariz e ouvidos - estes conhecem de imediato as reações silenciosas ou aparentes dos seres vivos e coisas que aparecem em torno desses órgãos.
As informações recebidas são levadas para o exterior através da boca - pela fala, depois de assimiladas são levadas para o espaço.
Esses três pequenos meios da comunicação humana e animal estão em permanente aderencia com o passado, presente e futuro, enquanto a boca serve de instrumento para revelação do acontecido, nas oportunidades mais adequadas ou fora delas, de modo inoportuno - sem bom-senso.
Os psicólogos dizem que os sábios, antes de qualquer pronunciamento, fazem questão de ver, cheirar e ouvir deixando para depois a fala para revelar as suas idéias e pensamento sobre determinado assunto.
Esta consideração foi lembrada, de repente - por um jovem trabalhador, de 27 anos, casado, pai de uma menina, sentado à sombra de uma mangueira - quando descansava um pouco e escrevia umas anotações do seu interesse - procurando afirmar, dessa maneira que, normalmente ele imagina o que dizer, depois de conhecer os três tempos.
Naquela manhã quente e ventilada no campus da UFRN - foram completados os argumentos para este trabalho.
+ Na organização social pode haver alguma coisa para justificar esta questão?
PMF - Na formação da família e sociedade também ACONTECE a trilogia constituida pela Mãe, Pai e Filho - base fundamental da sociedade, segundo a lei da criação humana, pela qual a humanidade sobrevive no tempo e espaço, fazendo a transformação do mundo em toda a dimensão da complexidade.
No seu principio fundamental os dois elementos da família - Mãe e Pai representam o passado que pela união e amor - fazem ou geram o Filho do presente e futuro ramificado no passado da interação homem-mulher, sob o limite espiritual, apesar de haver o fim ou morte biológica.
+ O que seria do ser humano, animal, mineral e vegetal - sem o globo terrestre, assim como do universo?
TMA - As condições indispensáveis à vida são fundamentalmente a Terra, Mar e Ar em que a humanidade tem a sua sustentação, apesar das grandes dificuldades criadas por ela ou pela falta de respeito, conservação e saber no aproveitamento dos recursos naturais.
Neste plano - nada de passado, presente e futuro como fatores decisivos para a sobrevivência humana, pois os três integrados e reunidos são o sine-qua-non para a realização da humanidade com toda a sua diversidade.
+ Pensar ou considerar somente o presente seria alienação?
Se não for alienação - pode ser, certamente uma profunda limitação de conhecimentos e raciocínio, mediante a prova de que falta a disposição para ver e analisar os fatos simples e objetivos resultantes da natureza que se espalha pelo universo, sobre a terra, mar e ar, além da condição humana e animal.
O tempo infinito, aí sim - está na dimensão do presente, futuro e passado, de modo integrado ou sem qualquer separação para que seja reconhecido e considerado com suas três fases no campo universal em que o ser humano poderia ser representado pelo grão de areia na imensidão do deserto, sem a vegetação, ao contrário do PDN = Parque das Dunas de Natal - coberto de plantas, arbustos e árvores sempre verdes.
---
Arlindo Freire.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

RIBEIRA - 351

- MARTINHO LUTERO -
Eu lembro, quando era criança, minha mãe costumava dizer que "aquele é capa-verde". Eu não sabia o sentido da palavra. Então, eu perguntava o que era "capa-verde". E ela me dizia: "Protestante". Eu ficava calado. Então, eu ficava sabendo que um capa-verde era um protestante. Se bem soubesse, eu não entendia o que era esse negócio de "protestante". Devia ser algo ruim. A minha mãe falou, então não restavam dúvidas. Eu fui criado em uma família católica. Meu avô era católico e minha mãe assim também era. O meu pai, com seus vai-e-vem, terminava também como católico. Era - o meu pai - Irmão dos Passos, igual ao meu avô, pai de minha mãe. A Irmandade dos Passos é uma órdem em que seus participantes assistem as Missas, comungam e participam das procissões. Quando um Irmão dos Passos adoece para morrer, a Irmandade ajuda a familia com o dinheiro necessário. Por isso é que eles são Irmãos. Na minha vida de adolescente, eu fiz muita presepada. Certa vez, estava havendo, em Natal (Rn) um culto com a presença de pastores norte-americanos. O culto se deu no Campo de Futebol do ABC, onde é hoje o CCAB-Norte. O campo era estenso, pegando da Av. Afonso Pena até o Ginásio Sílvio Pedrosa. E os protestantes se reuniam nesse local para fazer as suas pregações. Era um barulho e tanto com os amplificadores de som dando tudo o que podiam para a fala do pastor ser ouvida. Uma noite, por volta das 7 horas, eu ía com o meu amigo Aloísio perambulando pela calçada do campo que ficava na Rua Potengi. Um barulhão danado feito pelas músicas. Lá na frente, pela rua Potengí, tinha uma cigarreira vazia, pois não era alugada a ninguém, não sei por qual motivo. Só sei é que a Cigarreia ficava na calçada do Campo - no final do campo de futebol - e quem vinha - no caso, para o culto -tinha que passar entre a Cigarreira de o muro do campo, espaço bem estreito. Do lado de fora, tinha a pista, bem ao largo, e muita areia logo depois da cigarreira. Eu arquitetei com Aloísio, um plano. Nós entravamos na cigarreira e quando alguem passasse - e tinha que passar entre a cigarreira e o muro do campo - nós faziamos um barulho, algo como assim: blu-blu-blu, once-once-once -. Foi tiro e queda. Quando vinham as mocinhas em grupo de tres, ao passar pela cigarreira, ouviam aquele barulho. O diabo é quem pegava. Era carreirão. As moças, apavoradas saiam gritanto: "Aaaaaaaaii.. O Demônio! O Demônio! O Demônio!. E nós morrendo de achar graça dentro da cigarreira. Passou-se um bom tempo nesta algazarra até que uma delas, que correu também, disse: "Não é demonio, não. São dois sujeitos que estão alí dentro. Eu vou chamar o meu pai". Eu olhando, cheguei e disse: "Ela vai mesmo, Aloísio. É melhor a gente sair daqui, se não nós vamos levar bala". E para sair só tinha o beco. A porta da cigarreira estava trancada. E nós começamos a empurrar. Puxa pra cá, puxa pra lá, e nada. Eu olhava pela fresta de tábuas da cigarreirra se vinha gente, e Aloísio fazendo força para arrombar a porta: vuco-vuco, vuco-vuco, vuco-vuco. E nada, Depois de algum tempo, eu olhando pela fresta, vi que estava vindo um homem magro e de pouca estatura cheio de livro em baixo dos braços que teria que passar entre o muro e a cigarreira. Nesse momento, Aloísio conseguiu abir a porta. Ao sairmos, só vimos livros espalhados por todos os lados e o homem deitado de qualquer forma, por baixo da porta que, não suportando mais tanto sopapo, se abriu, caindo para cima do muro. E nós não contamos conversa; saimos na carreira, desembestados, até sumir da vista.
Na minha infância eu não sabia quantas Igrejas tinham em Natal do culto de protestante. Talvez umas très. Mas, protestantes tinham à beça. Nas noites de louvor do campo do ABC, juntou gente até demais. Então eu vi que as Igrejas eram de uma beleza suntuosa. Não havia altar, nem santo. Porém, havia pinturas maravilhosas, coisa que a Igreja católica não tinha. Rebuscando os alfarrábios, encontrei histórias do protestantismo. Tudo começa por Martinho Lutero. alemão, filho de um homem que vivia de dirigir várias minas de cobre. Lutero escapou de ser morto por um raio no ano de 1505, Foi então que resolveu a ser Frade, entrando para ordem dos Agostinianos. Lutero, dedicou-se por completo à vida do mosteiro. Horas de meditação, autoflagelação, orações, peregrinações e confissões. Com dois anos que estava no Mosteiro, Lutero foi ordenado sacerdote. Em 1512, ele graduou-se Doutor em Teologia. O desejo de obter títulos acadêmicos levaram Lutero a estudar as Escrituras em profundidade. Mergulhou nos estudos sobre a Igreja Primitiva. Mais tarde, Lutero reintroduziu o princípio da distinção entre Torá (Lei Mosaica) e os Evangelhos. Durante algum tempo o sacerdote se deu conta dos problemas que o oferecimento das indulgências aos fieis poderiam redimir os pecados.Nesse tempo a pessoa poderia comprar uma indulgência para sí ou para um parente morto que estivesse no Purgatório. Por essa razão, Lutero se rebelou e redigiu as 95 Teses rompendo com a Igreja Católica. Daí, nasceu o Protestantismo com Martinho Lutero se opondo à autoridade do Papa, que era, na ocasião, Leão X. O Sumo Pontífice o escomungou como apóstata.. A Igreja de Lutero foi crescendo e alcançou a França, Inglaterra e Itália. Hoje, as religiões evangélicas estão se diferenciando do que Martinho Lutero ensinou, cobrando dízimos no peito e na marra, chegando até tomar de um frequentador de um Igreja evangélica o que ele tiver de bem, pode ser até um simples relógio. Em contrapartida, vem se aproximando da Igreja Católica, por reconhecer no catolicismo a maior força entre seus adéptos. A Igreja católica, hoje, já tem pacto com todas as Igrejas do mundo, como anglicanas, ortodóxas e islamismo.
----

domingo, 25 de outubro de 2009

RIBEIRA - 350

Johanna entre a vocação e o amor por Gerold
- A PAPISA JOANA -

Uma mulher tem que viver disfarçada de homem para perseguir sua sede de saber. Parece puro Hollywood, mas não é: Johanna foi uma alemã do século 9º que chegou a Roma. Porém, historiadores ainda discutem sua existência.

Em 1996, o romance histórico A Papisa Joana, de Donna Woolfolk Cross, foi lançado, e logo se tornou best-seller mundial. Após várias tentativas frustradas de produtores norte-americanos, os direitos de filmagem foram adquiridos pelos alemães Martin Moskowicz e Oliver Berben, da Neue Constantin Film, que entregaram a direção de A Papisa a Sonke Wortmann (O Milagre de Berna). É verdade que o filme lançado neste final de outubro nas telas alemãs lembra bastante as grandes produções de Hollywood, e também foi concebido para o mercado internacional. Ao lado da alemã Johanna Wokalek (O Complexo Baader-Meinhof), que representa o papel-título, aparece um elenco internacional, como David Wenham (O Senhor dos Anéis), John Goodman e Anatole Taubman (Lutero). Johanna nasceu no ano de 814 num povoado da Saxônia. Seu pai, padre desalmado e déspota familiar, sonha que um dia os filhos do sexo masculino entrarão para o mosteiro, e ignora a menina altamente talentosa. Mas ela quer ler a Bíblia, e para tal pede ao irmão Matthias que lhe ensine a ler e escrever. Quando este adoece e morre, parece não haver mais perspectivas para ela. Somente a visita do erudito Aesculapius à aldeia traz um pouco de luz à sua vida. Admirado com os conhecimentos de latim e com a perspicácia da garota, ele passa a lhe dar aulas. Ao ser enviado para a Grécia, o estudioso recomenda à escola da catedral que recebe a jovem. Porém, em seu lugar, o pai envia o filho a Dorstadt, para onde Johanna também vai, fugindo do povoado. Na cidade, ela se dá plena conta de até que ponto a sociedade medieval encara as mulheres como inferiores e submissas ao homem.

"Como pode a mulher estar abaixo do homem na criação, se pensarmos como ela foi feita da costela de Adão? Adão, por sua vez, foi modelado com barro úmido." Com essas palavras, Johanna impressiona até mesmo o sibarítico bispo e acaba por ser aceita na escola. O conde Gerold a toma sob sua proteção, leva-a para casa, e entre os dois se desenvolve uma amizade que ao longo dos anos até mesmo se transforma em amor. Quando a esposa de Gerold fica sabendo dessa ligação, secretamente arranja um casamento para a rival, enquanto o marido se encontra em viagem. Justamente durante a cerimônia matrimonial, os normandos atacam a cidade e a devastam. Johanna é uma das poucas sobreviventes, e agora tem certeza de que, como mulher, não conseguirá realizar seus desejos.
Ela corta os cabelos e, vestida de monge, vai para Fulda, onde ingressa num mosteiro. Lá vive vários anos como "homem de medicina" respeitado, até surgir a ameaça de que sua identidade seja descoberta. A religiosa foge, peregrina até Roma, onde se encaja pelos pobres e cura muita gente. Ela é chamada para cuidar do papa Sérgio, então gravemente doente. Após tratá-lo com sucesso, avança ao posto de "conselheiro" do pontífice, e mais tarde até mesmo de "sucessor". Ao mesmo tempo, Gerold chega a Roma, e o amor entre os dois volta a se inflamar.
A Papisa é um filme com muitos momentos fortes, seus cenários são visualmente fascinantes. Quer a vida no povoado, no mosteiro ou mais tarde, em Roma: as imagens tão opulentas quanto sombrias da Idade Média são convincentes em todas as tomadas. Do ponto de vista da atuação, em contrapartida, o trabalho de Wortmann é menos do que brilhante. Nenhum dos membros do elenco realmente se destaca. Johanna Wokalek havia demostrado entusiasmo com a tarefa de representar a protagonista, de mostrar a luta de uma mulher ambiciosa entre a fé, amor e até mesmo falsa identidade. No entanto, embora tendo alguns bons momentos, a aparencia excessivamente femenina da atriz impede que ela seja convincente no papel de falso homem nos quadros da Igreja. Além disso, a música sobrecarrega a ação com uma emocionalidade artificial, o que é desnecessario, já que o filme fala por si. Enquanto isso historiadores e estudiosos da Igreja Católica negam que a história da papisa Joana tenha transcorrido desta forma. Ou que sequer tenha existido uma papisa.
---

RIBEIRA - 349

- NOSTRADAMUS -
A casa de Nostradamus em Salon de Provence
Michel de Nostredame mais conhecido son o nome de Nostradamus nasceu em Saint Remy de Provence em 14 de dezembro de 1503 foi um pretenso médico da Renascença que praticava alquimia, como muitos médicos do século XVI. Ficou famoso por sua suposta capacidade de vidência. Em 1555, escreveu e lançou um livro de centúrias (As Profecias), versos codificados que seriam previsões do futuro. Sofria de epilepsia psiquica, de gota e de insuficiência cardíaca. Morreu a 2 de julho de 1566 em Salon de Provence, vítima de um edema cárdio-pulmonar. Seus pais eram Jacques de Nostradamus e Renée de Saint Remy. Filho mais velho do casal (eram 8 filhos), seu Nostradamus vem do seu avô, que era judeu, que escolheu o nome de Pierre de Nostradamus quando da sua conversão ao catolicismo. Quando tinha 15 anos, Nostradamus entrou na Universidade de Avignon para cursar o bacharelado. Depois de pouco mais em um ano, quando ele estava estudando o Trivium (gramática - era o nome dado na antiguidade ao conjunto de três matérias), teve que sair de lá por causa de uma epidemia de peste negra (peste bubônica). Depois de deixar Avignon ele viajou pelo país por oito anos, de 1521 a 1529, em busca de ervas medicinais. Em 1529, após alguns anos como apotecário (farmacêutico), ele entrou na Universidade de Montpellier para cursar doutorado em medicina. Em 1530, ele foi expulso da Universidade porque eles (os mestres) descobriram que ele era farmacêutico (e isto era proibido). O documento de expulsão ainda se encontra na biblioteca da Universidade. Depois da expulsão, Nostradamus voltou a ser farmacêutico (apotecário) e se tornou famoso por criar uma "pílula rosa" que supostamente protegia as pessoas daquela praga por conter altas doses de Vitamina C.
Ao contrário do que muitos pensam, Nostradamus não era astrólogo, mas sim astrônomo, conforme estudos indicam. Nostradamus utilizava o conhecimento científico da astronomia e, embora fizesse previsões, as mesmas não se baseavam em fundamentos astrológicos.
Em 1531, Nostradamus foi convidado por Julius Caesar Scaliger, um líder polimata (amplo conhecimento) para ir a Agen. Lá ele casou-se com uma mulher de nome ainda incerto (provavelmente Henriette d'Encausse) e teve dois filhos com ela. Em 1537, sua esposa e os dois filhos morreram supostamente por causa da peste negra. Então ele viajou pela França e, provavelmente, pela Itália. Em 1545, ele ajudou o físico Louis Serre para combater um surto da praga em Marselha e depois em Salon de Provence e Aix-en-Provence. Depois, em 1547, casou-se com uma viúva chamada Anne Ponserde Gemelle e teve seis filhos com ela.
Com seus conhecimentos sobre o ocultismo e com as suas habilidades de prever o futuro, começou a escrever uma série de almanaques anuais, sendo o primeiro lançado em 1550, e passou a utilizar o seu nome em latim, Nostradamus. Quando ele lançou o livro As Profecias, muitas pessoas passaram a pensar que ele era o demônio e o chamavam de herege. Mas outras classes sociais aprovaram a publicação, porque suas centúrias inspiravam profecias espirituais. Então o livro chamou a atenção de Catarina de Médicis, esposa de Henrique II da França, que era uma grande admiradora de Nostradamus, e depois ela o chamou para Paris para perguntar a ele qual seria o futuro de seus filhos através do horóscopo.
As profecias de Nostradamus encontram-se ligadas à história do catolicismo e, em prefácios, ele aponta esta preocupação claramente. Foi considerado como homem erudito, além de seu tempo e aliava-se ao fato de conhecer o latim e talvez o grego, que lhe possibilitavam obter conhecimentos de fontes importantes.Sua grande erudição, conhecimentos de astrologia e astronomia, aliados à intuição, permitiam-lhe um raciocínio bastante acurado a respeito do futuro. De qualquer forma, gerou um impácto em milhões de pessoas, que vêm se pondo em contato com seus escritos nesses 500 anos.
---

sábado, 24 de outubro de 2009

RIBEIRA - 348

- SUÁSTICA -
A suástica ou cruz gamada é um símbolo mistico encontrado em muitas culturas em tempos diferentes, dos índios Hopi aos Astecas, dos Celtas aos Budistas, dos Gregos aos Hindus. Alguns autores acreditam que a suástica tem um valor especial por ser encontrada em muitas culturas sem contatos umas com as outras. Os símbolos a que chamamos suástica possuem detalhes gráficos bastante distintos. Vários desenhos de suásticas usam figuras com três linhas. A nazista tem os braços apontando para o sentido horário, ou seja, indo para a direita e roda a figura de modo a um dos braços estar no topo. Outras chamadas suásticas não têm braços e consistem de cruzes com linhas curvas. Os símbolos Islâmicos e Malteses parecem mais hélices do que propriamente suásticas. A chamada suástica celta dificilmente se assemelha a uma. As suásticas Budistas e Hopi (povo indigena americano) parecem reflexos no espelho do símbolo Nazista. Na China há um símbolo de orientação quádrupla que segue os pontos cardeais; desde o ano 700 ela assume alí o significado de número dez mil. No Japão, a suástica é usada para representar templos e santuários em mapas.
A imagem da cruz suástica foi primeiro utilizada no Período Neolitico, na Eurásia. Foi também adotada por nativos americanos, em diversas culturas, sem qualquer interferência umas com as outras. A Cruz Suástica também é utilizada em diversas cerimônias civís e religiosas da Índia; muitos templos indianos, casamentos, festivais e celebrações são decorados com suásticas. O símbolo foi introduzido no Sudeste Asiático por reis hindus, e remanescentes desse período subsistem de forma integral no Hinduismo balinês até os dias atuais, além de ser um símbolo bastante comum na Indonésia. O símbolo tem uma história bastante antiga na Europa, aparecendo em artefatos de culturas européias pré-cristãs. No começo do século XX era largamente utilizado em muitas partes do mundo, considerado como amuleto de sorte e sucesso. Entre os nórdicos, a suástica está associada a uma Runa, Gibur, ou Gebo.
A palavra "suástica" deriva do sânscrito, significando um amuleto da sorte, e uma marca particular de pessoas ou coisas que trazem boa sorte. A palavra tem sua primeira aparição nos clássicos épicos em sânscrito Ramayana e Mahabharata.
---
Veja também;

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

RIBEIRA - 347

- UR -
Ur foi uma cidade da Mesopotâmia localizada a cerca de 160 km da grande Babilônia, junto ao rio Eufrates, habitada na antiguidade pelos caldeus e que, de acordo com o lívro de Gênesis, foi a terra natal do patriarca dos hebreus Abraão. O maior representante de lideranças em Ur tinha o nome de Ur-Nammu, que ficou conhecido por ter criado o primeiro código de leis de que se tem noticias; seu código vigorou por 300 anos, quando então foi substituido por aquele que é considerado como o pai de todos os códigos: o código de Hamurabi. Segundo o livro de Gênesis, da Bíblia, Ur foi a terra natal de Abraão, considerada também a maior cidade de sua época.
Atualmente, Ur é uma estação de estrada de ferro, 180 km ao norte de Baçorá, pelo golfo Pérsico, uma das muitas estações da célebre estrada de ferro de Bagdá, capital do Iraque. O trem regular faz uma breve parada nessa estação ao romper da aurora. Quando se extingue os ruídos das rodas do trem, que continua em seu trajeto para o norte, o viajante que aí desembarca é envolvido pelo silêncio do deserto. Seu olhar desliza pela monotonia pardo-amarelada de intermináveis planícies de areia. É como se se encontrasse no meio de um prato raso, riscado apenas pelos trilhos da via férrea. Um único ponto altera a vastidão ondulante e desolada: iluminado pelo sol nascente, avulta no meio do deserto um imenso toco vermelho-fosco, o qual apresenta profundas mossas como se fossem produzidas por um titã. Para os beduínos é bem familiar esse morro solitário em cujas fendas, lá no alto, fazem ninho as corujas. Eles o conhecem desde tempos imemoriais e chamam-no Tell al Muqayyar, "Monte dos Degraus".
No ano de 1923 uma expedição anglo-americana começou a trabalhar no Monte. Nos primeiros dias de dezembro levantou-se uma nuvem de pó sobre os montes de entulho a leste do zigurate, a poucos passos apenas da larga rampa por onde outrora os sacerdotes se dirigiam, em procissão solene, ao sacrário de Nannar, o deus da lua. Levada por uma brisa, a núvem se espalhou e em breve teve-se a impressão de que a velha torre escalonada estava toda envolta em uma tênue nebulosidade. Era areia fina que, removida por centenas de pás, indicava que a grande escavação havia começado. Essa escavação em grande escala, ao sul da Mesopotâmia, viria a desvendar os tempos distantes em que se formou nova terra no delta dos dois grandes rios e onde se estabeleceram os primeiros povoados humanos. Ao longo do penoso caminho da pesquisa, que retrocedeu no tempo até sete mil nos atrás, tomariam forma, por mais de uma vez, acontecimentos e nomes de que nos fala a Bíblia.
A primeira descoberta consistiu num recinto sagrado com os restos de cinco têmplos que outrora envolviam, num semicirculo, o zigurate (forma de templo usado pelos sumérios) construído pelo Rei Ur-Nammu. Os exploradores pensaram tratar-se de fortalezas, tão poderosos eram os seus muros. O maior, ocupando uma superfície de 100 x 60 metros era consagrado pelo deus da lua, outro templo ao culto de Nin-Gal, deusa da lua e esposa de Nannar. Cada templo tinha um pátio interior, circundado por uma série de compartimentos. Neles se encontravam ainda as antigas fontes, com longas pias calaretadas a betume, e profundos talhos de faca nas grandes mesas de tijolos, que permitiam ver onde os animais destinados ao sacrifício eram mortos. Em lareiras situadas nas cozinhas dos templos, esses animais eram preparados para o repasto sacrifical comum.Havia até fornos para cozer pão. Depois de 38 séculos podia-se acender novamente o fogo alí, e as mais antigas cozinhas do mundo podiam ser utilizadas novamente.
Hoje em dia, as igrejas, os tribunais, a administração das finanças, as fábricas são instituições rigorosamente independente entre si. Em Ur era diferente. O recinto sagrado, a circunscrição do templo não era dedicada exclusivamente ao culto aos deuses. Além dos atos do culto, os sacerdotes desempenhavam muitas outras funções. Fora as oferendas recebiam dízimos e os impostos. Isso não se fazia sem o devido registro. Cada entrega era anotada em tabuinhas de barro, certamente os primeiros recibos de impostos de que se tem conhecimento. Sacerdotes escribas englobavam essa coleta de impostos em memorandos semanais, mensais e anuais. Ainda não se conhecia o dinheiro cunhado. Os impostos eram pagos em espécies. Cada habitante de Ur pagava à sua maneira. No edifício de um tribunal foram encontradas cuidadosamente empilhadas cópias de sentenças, tal como se faz em nossos tribunais de hoje. Os pesquisadores encontraram ainda restos de casas com seus cômodos, ruas e praças. Alí estava Ur dos sumérios e dos caldeus.
----

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

RIBEIRA - 346

- JUBILEUS -
O Livro dos Jubileus diz que Abraão (foto), tendo catorze anos de idade, em Ur dos caldeus, ao longo do rio Eufrates, começou a compreender que os homens da terra haviam se corrompido após adorar as imagens de escultura. Então, Abraão não aceitou mais adorar ídolos (até então, ele teria adorado) com seu pai Tera e começou adorar a um outro ser que, então, chamou de Deus, pois não havia um deus na terra. E pediu-lhe que conservasse a alma pura do erro dos filhos dos homens, a dele e a de seus descendentes. O Livro diz ainda que Abraão casou-se com sua irmã Sara aos 49 anos. (Parece que em tais tempos se podia casar irmão com irmã). Quando Abraão completou 60 anos, morreu Harã, o pai de . Conta o Livro ainda que Abraão levantou-se pela madrugada sem que ninguém soubesse, e pôs fogo na Casa dos Ídolos de seu pai Tera. Mas Harã, acordando pela madrugada, viu o fogo e entrou na Casa dos Ídolos para tentar salvá-los do fogo. Porém, o fogo se agravou e Harã morreu ali queimado, junto com os ídolos de Tera.. Depois disso, Tera saiu de Ur e foi habitar em outro lugar.
Mais adiante, o livro conta-nos que, em certa ocasião, Abraão orava ao Senhor, pedindo-lhe para que Deus não o deixasse desviar dele. Foi então que Abraão partiu para as terras distantes em sua peregrinação. Por recomendação de Tera, ele partiu na companhia de Ló, tratando como seu próprio filho. O Livro diz que "Deus" quis provar o coração de Abraão e permitiu que Sara, mulher jovem e bela, fosse tirada de Abraão quando esse chegasse no Egito e entrasse no palácio do Faraó.
Esse Livro não é aceito pelos judeus e nem pelos cristãos católicos. Nota-se bem que o Deus de Abraão reconhece a existencia de outros deus que comandam a Terra quando ordena a que seu povo receberá maná, leite e mel enquanto os outros irão adorar os seus deuses esquecendo-se de todos os seus mandamentos. Esses gentios viverão entre a imundice e a vergonha e cairão nas mãos dos inimigos porque abandonaram o seu juizo e os seus mandamentos. Esse povo, disse Deus, vai sacrificar seus filhos aos demônios. Para tanto, Ele (Deus) irá enviar testemunhas e que serão mortas pelos seus inimigos. Por isso Deus de Abraão disse que esse povo que adora imagens, será expulsa para viver entre os gentios. Segundo o Livro, Deus de Abraão disse que fará um santuário e alí Ele será adorado por seu povo."Eu serei o Deus deles e eles serão o meu povo". Essa narrativa é de um Deus falando com Abraão. Se os judeus e cristãos não aceitam tal Livro, de qualquer modo na Bíblia dos Judeus tem passagens de igual comportamento, onde Deus "fala" aos hebreus. Fala! Quando Moises foi ao Monte Sinai, ele "falou" com Deus. Seria bom olhar os documentos dos Sumérios, pois eles contam uma historia igual a de Moises. E se sabe que a Biblia foi escrita por ouvido por cerca de 40 anciãos durante um milênio. Na Igreja Católica tem a Missa, onde se ouve parábolas dos apostolos contadas em nome de Jesus Cristo. Casos iguais aos que a Bíblia conta.
---
Veja também:
http://oteoremadafeira.blogspot.com/

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

RIBEIRA - 345

- DEUS -
Há muito se pergunta pela existência de Deus. Antes dos judeus, existiram o Sumérios, dita primeira civilização do mundo. Os sumérios tinham dinheiro em moeda, bancos, agricultura e faziam comércio com povos nômades ao longo dos rios Tigre e Eufrates. Eles viveram muito antes de Cristo e não gozavam de um único deus. Para os sumérios, de acordo com o tempo, tinha um deus. Eles viveram na margem da cidade de Ur, na Mesopotâmia onde tambem viveram os caldeus. Com o passar do tempo, as coisas mudaram e até as fábulas ditas pelos sumérios, como o envio de uma criança que foi apanhada por um pescador à margem do rio Eufrates. Tal criança, mais tarde, se tornou um príncipe. Aí tem algo muito semelhantes com as histórias contadas pelos judeus, nomeando o herói, o cidadão Moisés, que atirou as tábuas da lei de morro abaixo, quebrando tudo. Os sumérios também tinhas suas leis e códigos.
As concepções de Deus variam amplamente. Filósofos e teólogos tem estudado inúmeras concepções de Deus desde o início das civilizações. As concepções abraâmicas - cristã, judaica, islâmica - de Deus incluem a visão a visão da trindade, a definição cabalística de Deus do misticismo judáico, e os conceitos islâmicos de Deus. As religiões indianas diferem no seu ponto de vista do divino: Pontos de vista de Deus no hinduísmo variam de região para região, seita, e de casta, que vão desde as monoteístas até as politeístas: o ponto de vista de Deus no budismo praticamente não é teísta. Nos tempos modernos, mais alguns conceitos abstratos foram desenvolvidos, tais como a teologia do processo e teismo aberto. Concepções de Deus formuladas por pessoas individuais variam tanto que não há claro consenso sobre a natureza de Deus.
Muitos argumentos desenvolvidos por filósofos medievais para a existência de Deus, tentaram compreender as implicações precisas dos atributos de Deus. Conciliar alguns desses atributos gerou problemas filosóficos e debates importantes. Por exemplo, a oniciência de Deus implica que Deus sabe como agentes livres irão escolher para agir. Se Deus sabe isso, a aparente vontade deles pode ser ilusória, ou o conhecimento não implica predestinação, e se Deus não sabe, então não é onisciente.
Os últimos séculos de filosofia tem-se visto vigorosas perguntas sobre a argumentos para a existência de Deus levantadas pelos filósofos. A resposta teísta tem sido de questionamentos que a fé é adequadamente básica. A maior parte das grandes religiões considera a Deus, não como uma metáfora, mas um ser que influencia a existência de cada um no dia-a-dia. Muitos fiéis acreditam na existência de outros seres espirituais, e dão a eles nomes como anjos, santos e demônios..
Há estudos que dizem ter sido Abraão o homem que teve por fim um diálogo com Deus e lhe foi pedido para fosse a terras remotas levando o Seu nome. Nesse tempo, Abraão teve a obdiencia de aceitar o pedido de Deus, pois as nações adoravam a vários deuses. Ele foi quem sentiu que não haveria muitos deuses, mas apenas um. E dessa forma partiu de Ur, terra dos caldeus e antes, dos sumérios que também adoravam a varios deuses e, com sua mulher foi perigrinar até as terras do Egito e da Síria. O Livro dos Jubileus, considerado como uma obra apócrifa entre judeus e cristãos, diz que Abraão, já aos catorze anos de idade, quando ainda resedia em Ur dos caldeus com a sua família, teria começado a compreender que os homens da terra haviam se corrompido com a idolatria, adorando as imagens de escultura. Então Abraão não aceitou mais adorar ídolos e começou a adorar somente a um, cujo nome determinou como Deus. Esse era o Deus que se devia adorar. E assim, migrou coma a sua familia para outras regiões. Abraão foi o primeiro homem a criar um único Deus na terra e foi daí, que aos 49 anos, casado com Sara, começou todo esse processo que ainda hoje gera conflitos entre os homens.
----
Veja também:

terça-feira, 20 de outubro de 2009

RIBEIRA - 344

- ALMOCREVE -
Tem certas ocupações que estão se extinguindo ou então mudando de nome e continuando existindo. Uma delas é a do alfaiate, coisa rara de se encontrar hoje em dia. Além dessa, tem biscateiros, engraxate, sapateiro e outras mais. Entre todas, a que se não ouve mais falar é a do "almocreve". Este nome, nem pensar. "Almocreve? Que diabo é isso?". E vai que ninguem sabe o que é, na verdade. Isso foi lá para os anos de 1600. Hoje, além de não existir, não restam dúvidas se niguém sabe o que é. Quando eu era menino, nos ídos de 1950, havia em Natal, os tangedores de burros, vacas e coisa assim. Chamava-se de tangedores, gente que tange, espanta, junta, manda à frente. E isso é o que se diz como almocreve. Tangedor de burro. Tais ocupações, hoje, quase que não existem. O jovem de hoje, quando completa 18 anos, está em uma Universidade para conseguir um diploma que lhe dá o direito de ter uma profissão. Eu disse: profissão. No entanto, quando acaba o curso, ele sai de lá à procura de um emprego que não acha ou não existe. E o que fazer com aquele canudo na mão? Nada. Tenta em um local ou noutro, qualquer ofício para que ele se ocupe. Aí é onde está o segredo do ofício: ocupação. Nesse tempo pouco vale se ter um diploma, pois o que está dito ali, não serve para uma loja, industria, comércio e coisas do gênero. O rapaz se senta no banco e vai ser um atendente. Sei de casos que a pessoa se forma em Engenharia e consegue um emprego de técnico, coisa muito menor, em salario, do que o que está impresso na carteira de trabalho. Para o jovem, de nada valeu passar 4 ou 5 anos em uma Faculdade e não conseguir a colocação desejada. Assim é o mesmo que ele está procurando uma "profissão" de almocreve. O nome pode ser até simpático, estranho por sinal. Mas não passa de um tangedor de burro. Por sinal, no Brasil, já não tem nem tanto burro assim. É uma coisinha de nada. Eu lembro que, em 1950, 51 e mesmo 1960, ainda tinham muitas mulas em Natal. Havia alí, na Ribeira, ao lado do Colégio Salesiano, uma praça de carroças que tinha vaga para cerca de 40 carroceiros. Nesse tempo, mula valia ouro. E quem não podia adquirir uma mula, se contentava mesmo com um burro. Era pequeno, mas servia para conduzir cargas, mesmo que pequenas. Ainda hoje, no bairro de Mão Luiza e em outros bairros se encontram carroceiros - almocreves - tangendo os seus burros, levando materiais de construção que se compra em um depósito da rua Guanabara. Isso porque, na rua João XXIII tem um depósito que faz entrega em uns jeeps velhos, de 1960. Quem prefere comprar alí, paga muito mais pela mercadoria. E quem vai para a Rua Guanabara, o preço é bem menor. Porém, o cidadão arca com a despesa de transportes. Ele tem que chamar um almocreve que faz o ponto ali, e paga para ele levar no lombo do burro o que foi comprado. Pensando desse modo, a ocupação - eu disse "ocupação" - apenas mudou de nome. Passou a ser carroceiro ou mesmo tangedor de burro. Eu ainda me lembro que em 1950 tinham tais almocreves - tangedores - em larga escala em Petrópolis. O dono dos burros tinha cerca de 200 animais. Um outro dono, tinha mais um tanto. O menor, era uma que tangia apensas 50 burros. Eles faziam a entrega nas construções de areia que era apanhada à beira mar, para os lados de Mãe Luiza.E barro, que eles apanhavam em partes de Barreira "d'Água, escavando o chão que ainda hoje tem enormes crateras que eles cavaram para tirar a imensidão de barro. Tais ocupações se acabaram pelos idos de 1965, com a entrega de barro, cal, areia por caminhões que buscavam esses materiais em pontos mais distantes, em outros munipios. Aos poucos os burros foram sendo "aposentados" e, hoje, quase não existe mais. Teve um caso, no ano passado, 2008, de um homem que veio com uma tropa de burros e deixou vagando no bairro de Mãe Luiza, até que surgiu uns almocreves da Prefeitura e tangeu os animais para a mucura. E, dalí, só Deus sabe o que sucedeu. Disso se conclui que almocreve ainda existe. Apenas com outra denominação. Se um engenheiro diplomado não encontrar um emprego formal, bem pode ser um almocreve. Isso também vale para jornalistas, radialistas, conferentes, despachantes e coisa e tal, ofícios que já não tem mais tanta ocupação assim.
---
Veja seguir:

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

RIBEIRA - 343

- ESPIRITISMO -
Neste fim de semana eu ouvi uma entrevista com o médium espírita Divaldo Franco onde ele falou, principalmente. sobre a vida após a vida. Em outras palavras: sobre a morte. Disse o medium que a morte é uma consequência da vida, pois, quem nasce, morre, não restam dúvidas. E dissertou, Divaldo Franco sobre uma pessoa quando morre, as demais ficam chorando sobre o cadáver, mergulhando os seus remorsos ao dizer que "ele morreu, ai meu Deus. O que será de mim?". É o costume, pelo menos no ocidente, de se comentar a morte como algo inevitável. Mas, o medium não falou sobre a razão do choro dos vivos. É bem sentido que os vivos, ao ver uma pessoa morta, temer que, aquele ser bem poderia ser ele. Então temendo não querer morrer, ele se lamenta como que para encobrir uma única verdade: "o teu dia chegará." Em uma outra entrevista dita ontem pelo SBT, Carlos Massa disse que, certa vez, ele esteve em São Paulo para buscar um Volks de um amigo. Ele saiu para o Paraná. Era noite escura. No meio do caminho ele viu um "espírito" de uma mulher, sentada no banco de trás, sorrindo para Massa (Ratinho, como se chama o apresentador de televisão). Nesse instante, tomado de pânico, enveredou com o carro pelo acostamento da pista, em um local que só tinha mato e, em desespero, saiu do carro, correndo feito um louco, até chegar em uma casa, pedindo socorro e narrando o ocorrido. No fim, ele ficou na casa até a manhã seguinte, quando, temeroso ainda, veio e pegou o Volks, e terminou a viagem, levando o veículo até o seu dono.
Outro caso imteressante: aconteceu em Natal. Um "espirito" de um homem entrou em uma sessão espírita, onde estava muita gente. Era no Centro Espírita Januário Cicco. Um dia de sessão. E esse "espírito" tomou lugar de um médium e disse que estava alí porque viu muita gente e ele pensava que era a festa de Carnaval. Tal "espririto" de tal pessoa disse ainda que trabalhava na "BOTIJA DE OURO", uma loja que tempos atrás existiu na Ribeira. O médium que operava no Centro foi quem disse isso. E mais: ele ficou na mente com a tal loja e, dias depois, andando pela Rua Dr, Barata, viu impresso na porta de uma casa a inscrição - Botija de Ouro. O homem entrou na loja e peguntou a razão de está na porta tal inscrição. O dono lhe disse que o seu pai havia posto esse nome e tempos depois mudou a razao social do armarinho, deixando gravado alí o velho nome. O médium perguntou ainda se um cidadão de nome tal - digamos, Antonio Patricio - também trabalhou naquele armarinho e teve a resposta que "sim" e que havia morrido em 1938, durante uma folia de Carnaval, encostado à parede do Grande Hotel que estava sendo construido pelo Governo do Estado. A conversa do "espírito" bateu com as informações a qual o dono da loja acabara de contar. Então, o medium ficou satisfeito e partiu dalí esperando que o "espirito" do morto estivesse em um local de paz.
Uma outra história: José de Arimatéia, o homem que doou o túmulo onde Jesus Cristo foi sepultado depois de morto na cruz, foi denunciado ao Sinédrio que ele seguia os ensinamentos de Jesus. Dito isso isso, José de Arimatéia foi preso por um tempo. Quando ele estava trancafiado na cadêia, eis que apareceu Jesus, em corpo e alma, pedindo para que ele - José - levasse o "cálice" - Maria Madalena - com ele logo que fosse liberto. José, homem de certas posses, assim o fez e levou Madalena - o "cálice" - com ele para a França. Em outras palavras: Jesus não morreu na cruz e tampouco subiu ao céu, como é dito na oração: "Subiu ao céu e está sentado à mão direita de Deus pai todo poderoso".
Notadamentente, eu vejo agora uma mudança bem profunda no espiritismo, pois há sessenta anos, a doutrina não falava sequer em Jesus. Sabia-se que o espírito voltava para reincorporar novamente em outro ser e continuar vivendo, sempre em familia. É tanto que a doutrina espírita dizia que, não raro, a pessoa podia ser até mesmo o seu avô que morrera antes mesmo do nascimento da criança. Algo como pagamento de dívidas. Hoje, o espiritismo prega Jesus como sendo um personagem forte, capaz de dar todas as impressões possiveis. Mudou-se a filosofia da doutrina para o mundo atual onde a cristianização é a maior verdade, desde o catolicismo, ao protestantismo e também o espiritismo, englobando com o islamismo. A Igreja Católica tem, hoje, varios seguimentos, desde a Ortodóxa, a Anglicana e até mesmo, de certa forma o Judaísmo. O espiritismo já tem mais a mesma força dos seus primórdios.
---
Veja também:

domingo, 18 de outubro de 2009

RIBEIRA - 342

- VÍCIO -
Eu a conheci menina. Magra de cabelos longos, boca suave, olhos tristes e sempre com a sua companheira, uma criança sempre menor que podia ser a sua irmã. Nas noites caladas da Ribeira, ela estava sempre por lá, tentando algum ébrio, mais embriagado que sóbrio, para ir com ele ao "sobrado" e lá fazer o que ele queria. Depois, ela tirava do bolso do bêbado o seu quinhão e alguns cigarros se lá encontrasse. Toda noite era assim. Mesmo nas noites de chuva. Então, ela se agasalhava em baixo de uma marquise e ficava sempre à espera da sua vítima. Se alguém perguntasse se a menina tinha mãe, ela dizia que estava no outro ponto do bairro fazendo a mesma coisa que a filha. Porém, isso era conversa que não lhe agradava. Portanto, ela preferia alguém que não fizesse tantas perguntas. "Qual o seu nome, menina?". Ela respondia: "Miriam". De outra vez o seu nome era diferente, porque não interessava a ninguém saber que seu nome era Maria, Conceição, Matílde ou Marta. Ela dizia um nome qualquer que lhe viesse à lembrança. Sempre perguntava ao possivel freguês se ele tinha um cigarro, mesmo que estivesse fumando, naquele instante. O homem lhe dava e ela fazia a pergunta costumeira que aprendera com sua mãe.
--- "Quer sair ?" - era a sua deixa.
De acordo com a cara do freguês, ela já sabia que ele estava a fim. E o "sobrado" era o caminho mais seguro. Se o homem não quisesse ir para um lugar "mal visto", então ela atendia e partia para um outro local que ficasse perto da Ribeira. E os dois seguiam para os "Coqueiros", onde a menina já era por demais conhecida por sua artimanha de conseguir parceiros.
--- "A chave !" - dizia ela à gerente do randevu.
--- "Uma hora !" - a mulher dizia.
Ela nem sorria, pois queria acabar logo e voltar para o seu "canto" no bairro da Ribeira. Sabia que o freguês tinha dinheiro, e era só. Ao voltar ao seu recinto, ele se encostava a um poste de iluminação pública, de preferência o que estivesse sem iluminação, e ali ficava mais um quarto de hora. Isso, ela fazia todas as noites, mesmo nas noites fracas, de menor movimento no bairro. A menina também tinha os seus companheiros de muito dinheiro. Os "gringos", com certeza. Com estes, ela procurava ser mais prudente e, certamente, eles levavam para os seus apartamentos ou nos hoteis de classe. Quando "saía" com um gringo, ela deixava dito à sua companheira, a outra menina, que não sabia se voltava. A garota, gordinha, dizia que "sim". Se houvesse mais de um "gringo", a outra menina também era convidada para "sair", pois a garota tinha o tento de que a noite era de ouro. Somente elas deixavam o quarto de Hotel, quando o dia amanhecia, após tomarem café com outro ingredientes salutar enquanto seus "maridos" dormiam. E dessa vez, os cigarros eram bem melhores, pois os gringos só fumavam cigarros de boa qualidade, todos, importados.
Certa vez apareceu um homem com uma mal conversa. Ela logo viu que se tratava de um cafetão. Por isso, a menina não quiz saber do assunto, pois os cafetões só tinham mesmo "conversa" a fim de ficar com todo o dinheiro que a garota conseguia fazer durante a noite. Esses protetores das mulheres desavisadas, eram crueis, pois quando não recebiam todo o dinheiro, aplicavam socos nas seus meretrizes. Ela já conhecia muito bem esse tipo de gente. Portanto, não queria saber de conversa com cafetões, mesmo que eles corressem atrás para dar-lhe uns bons tabefes, o que resultaria em prantos sem fim. De um modo ou de outro, ela corria até a Delegacia de Polícia, onde arranjava amparo e o cafetão sempre findava preso.
De cigarro em cigarro, a menina foi crescendo até virar mulher feita, quando conseguiu arranjar um homem que era só seu. O vício parou por ai, aos 28 anos de idade quando ela se amaziou com um pedreiro e não mais fez a vida que sempre teve. Sei que a menina, quando completou seus 35 anos, depois de dois filhos e vários abortos, não suportando mais uma enfermidade que lhe consumia a carne, veio à falecer de câncer deixando para as filhas a triste herança do que durante anos de sua vida teimou fazer. Foi uma morte não sentida por nenhum dos que fizeram "a vida" com aquela mulher que um dia foi uma pequena menina.
---
Veja também:

sábado, 17 de outubro de 2009

RIBEIRA - 341

- AERO CLUB -
Até que não faz tanto tempo assim o que sucedeu no Aero Clube. Alí, se realizavam, aos domingos, bailes - ora vejam só!! - animados com orquestra e tudo - ainda no tempo de orquestra (risos) - para moças, rapazes e os seus pais. No tempo de Carnaval, os bailes duravam até o dia amanhecer. Quando estava clareando para os lados da praia, então, quem estava no Tirol, que fica na parte sul-sudoeste de Natal, começava a ir embora para voltar mais tarde. Certa vez, houve um acontecimento grave que deixou em pânico todos os que frequentavam o Aéro Clube - no Tirol, em frente ao 16° Batalhão de Infantaria (estou dizendo assim, para quem não sabe onde fica o Aero e nem conhece Natal) -. Um alarme geral se deu. Era que decobriu-se que tinha um grupo de rapares com suas namoradas - "é o novo.! Do tempo de namorada!! - fazendo sexo com camisinha ou sem, nos banheiros existentes para o fim do Clube. - Quem entravam pela porta da frente, circundava o prédio e lá no fim, encontrava o banheiro ou aparelho sanitaro. Era mesmo assim. - Mas, relembrando a história. De madrugada, a orquestra tocando frevos de marchas, mocinhas e "mocinhos" no chamego, tudo isso ao barulho ensurdecedor da famosa orquestra, alguem gritou. "Para tudo!!!". Ninguém ouvia o que o homem dizia. Mesmo assim, aos poucos, os músicos foram se inteirando do sucedido. O fato foi que um homem descobriu a sua filha fazendo sexo com o namorado no banheiro do Aero. Deu o alarme e tudo parou. Por fim, descobriu-se que não era apenas aquele "facínora". Outros também aproveitavam das soarês para se animar mais um pouco por tras do salão de baile. O caso deu uma confusão danada. Daquele ano para cá, não teve mais baile no Aero Club. O que o pai da moça dizia era que "esse facínora vai ter que casar com minha filha. Ou por bem, ou por mal". A turma do deixa-disso procurou acalmar o "velho" que, por sinal não era tão velho assim, porque um grupo de rapazes também fez a mesma façanha. Daí por diente, a direção do sodalício (é o novo!!!) suspendeu os bailes de carnaval que se fazia naquele clube. Então, ficaram bailes no América, no ABC, no Natal Clube e em outros pontos onde se fazia o que queria. Mas, no Aéro, nunca mais. Ficaram apenas as lembranças dos tradicionais bailes que eram realizados no clube e os ansêios suspirosos das mocinhas da classe alta em querer pular na folia do carnaval. Depois de um certo tempo, criou-se um tal carnaval fora de época, que foi na praça Pedro Velho e depois migrou para os lados deo Estadio "João Machado", isso, muito tempo depois. No Aero só ficou com a marca do tradicional clube de dança dos velhos carnavais que o tempo não é capaz mais de retornar. Até o prédio sofreu várias reformas e, hoje, já é bem diferente de como fora antigamente. Quem gosta da folia, pode ir para as praias das zonas sul e norte, Pirangí ou Jenipabú, pois lá, por certo, vai encontrar muita folia. E se quizer fazer sexo, só é pagar um motel, pois tem muitos na região. Eu lembro de um clube que existiu na Av, Rodrigues Alves: O Brasil Clube, hoje é um terreno cheio de apartamentos, em frente à Igreja de Santa Teresinha, no Tirol - também -.
---
Veja a seguir:

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

RIBEIRA - 440

- RUA CHILE -
A Rua Chile, no antigo bairro da Ribeira, em Natal (Rn), possui, dentro da geografia natalense, nuances que às vezes passam desapercebidos pelos seus frequentadores. Pois longe de ser, apenas, o logradouro de um simples conjunto de casas e prédios antigos, ela é, antes de tudo, a concentração harmônica de muitas sensações. Diante do seu calçamento de paralelepípedos já muitos gastos e ainda marcados com a saudosa linha do bonde e do trem, pode-se conhecer um pouco mais da história potiguar. Foi alí, por exemplo, que o Rio Grande do Norte soube, oficialmente, da proclamação da República em 1889. "Homem público dando provas de altas qualidades políticas e muito prudente, de grande tolerância, mas firme e enérgico, ponderado e seguro", como afirmou o grande historiador brasileiro Rocha Pombo, o então governador Pedro Velho repercutiu a boa nova de uma das sacadas do Palácio do Governo. Em outra ocasião, o palácio serviu de guarida para o Conde D'Eau. De passagem pela cidade, o consorte da Princesa Isabel se hospedou na antiga sede do executivo estadual. Considerada por muito tempo como a edificação mais alta e imponente da cidade, anos mais tarde, o palácio da Rua Chile passaria a ser o endereço do Wander Bar, uma boate de elegantes prostitutas muito frequentada pelos oficiais americanos durante a Segunda Guerra Mundial. Atualmente, no velho palácio/boate/sede do governo, funciona uma escola de dança.
Por causa da proximidade com o Porto Naval, o primeiro cais da cidade, a outrora Rua da Alfândega e do Comércio era uma das principais vias de Natal no início do século XIX. A partir de 1850, foram erguidos prédios de pedra e cal, na sua maioria lojas e armazéns, destinados ao recebimento de algodão, açúcar e peixe seco. Localizada dentro da Zona de Preservação Histórica da Cidade, mesmo assim, quem caminha pela Rua Chile percebe duas realidades. No início da rua, muitos dos antigos prédios estão sendo vencidos pelo tempo. As fachadas, antes coloridas, deram lugar ao limo e à falta de zelo. Felizmente, ao findar a travessia pela via, a Rua Chile se reinventa. Adiante, a pequena alameda vira cenários de acontecimentos culturais e muita efervescência. Novas cores, novos ares, novas perspectivas. O Largo da Rua Chile, como é conhecido o local, dá abrigo às casas noturnas, bares e ainda é palco de eventos e antigos endereço de um dos maiores festivais de música independente do pais, o MADA - Música, alimento da alma.
----
Veja também:

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

RIBEIRA - 439

- SANTO GRAAL -

Entre tantos aspectos simbólicos atribuídos ao Santo Graal, muitos nasceram na interpretação dos artistas que, ao longo dos séculos, recondicionaram a lenda de diversas formas, principalmente na literatura medieval. Por volta do ano 1190, o romance de Chrétien de Troyes intitulado Le Conte du Graal, narra a busca pelo cálice. Trata-se de um poema inacabado contendo nove mil versos que abordam a busca pelo Santo Graal. Interessante é que o lendário Rei Arthur não participa diretamente da epopéia, que finaliza sem que o objeto almejado seja encontrado. Esta obra foi o ponto de partida para as obras futuras abordando o tema. Entre 1200 e 1210, o francês Robert de Boron, publicou Roman de L'Estoire du Graal; o que popularizou ainda mais o tema e inseriu os elementos históricos não muito diferentes dos que são conhecidos atualmente. Outra obra de Boron, Joseph d'Arimathie, traça conexões simbólicas interessantes ao citar que José de Arimateia foi ferido na coxa por uma lança. Em outra versão, o ferimento é nos órgãos genitais. Percebe-se, portanto, uma associação entre a lança, arma utilizada pelos soldados romanos, e a espada, principal arma e uma das maiores referências das lendas arthurianas (como a mítica Excalibur). Assim, o ferimento nos genitais sofrido por José em virtude de sua quebra do voto dee castidade, associa-se à traição de Lancelot, um dos componentes da Távola Redonda e homem de confiança de Arthur, que tornou-se amante de Guinevere, esposa do Rei.

Nesta mesma época, a obra Parzival do autor alemão Wolfram von Eschenbach associa o Graal a uma esmeralda também chamada Exillis, Lapis exillis ou Lapis ex coelis (pedra caída do céu). Esta esmeralda seria parte do terceiro olho de Lúcifer, que se partiu quando o anjo se rebelou contra o Reino Divino. Uma das partes desta esmeralda teria sido entregue aos templários para que ficasse protegida de intenções malígnas. Deste modo, pode-se entender também que a esmeralda (que neste caso é o Santo Graal) faz alusão a mítica Pedra Filosofal dos alquimistas. Já na obra O Grande Graal, continuação de autoria anônima da epopéia de Robert de Boron, o Graal é um livro escrito por Jesus, que apenas aqueles que estivessem "imersos na Graça Divina" poderiam lê-lo e compreendê-lo. O livro The Holy Grail, de Edward Waite, reúne vários elementos utilizados nas lendas medievais sobre o Graal. Joseph Goering, professor de história da Universidade de Toronto e autor de "A Virgem e o Graal" acredita que as pinturas datadas do século XII, encontradas em oito Igrejas nos Pirineus, entre a França e a Espanha, ilustram a Virgem Maria segurando um recipiente luminoso conhecido pelo nome de graal no dialeto local. A par de outros segmentos da história de Cristo é de se notar que a lança que fere Jesus bem pode ser interpretada como o elemento masculino e o cálice como o útero feminino. Portanto, há o simbolismo do sangue nobre de Jesus Cristo fecundando o útero mágico representado pelo Graal (Maria Madalena). O Santo Graal pode ser uma metáfora que refere-se à própria Maria Madalena que, sendo ela esposa de Cristo, seria portadora da linhagem sagrada do Filho de Deus.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

RIBEIRA - 437

- IMAGEM -
Eu me lembro de Racilva, no tempo em que ela era menina. A sua imagem era igual a essa da fotografia que eu agora mostro. Uma menina!. Eu lembrei-me porque nesta madrugada eu tive um sonho vendo Racilva vindo pela Av. Getúlio Vargas, em Petrópoles, Natal (Rn). Ela caminhava em direção ao Hospital "Miguel Couto" e eu seguia em direção oposta. Logo que a vi, fui tomado de uma leve inquietação e perguntei: "Racilva!!! Voce aqui?!!", Ela me olhou a sorrir. Apenas sorria e caminhava para onde pretendia ir. Trajava um vestido branco que imaginei fosse o mesmo que ela tirara na foto, na praça "Pedro Velho". Vestido amplo e rodado que lhe cobria do pescoço até o meio da canela. Então eu fiquei a pensar: "Mas ela morreu. Não morreu? Morreu nada. Está viva. Olha ela como está viva!" O sonho terminou aí, eu vendo Racilva a caminhar em direção do lugar que devia ir. Talvez o Hospital "Miguel Couto".
Racilva era uma menina viva, cheia de encantos e meiguiçe, magrinha que dava espanto. Todos os dias eu estava em sua casa. De manhã, de tarde e de noite. Era um vício eu estar ali. Racilva tinha um irmão bem mais velho de que ela - e do que eu -. Nós o chamávamos de Deca. Porém, o seu verdadeiro nome era Francisco Canindé Revoredo. Seu pai era um capitão da PM e, certa vez, Deca me chamou para ir até a repartição onde o "velho" trabalhava. Nesse tempo. ao que parece, era o Instituto Médico Legal do Estado. Ele, o capitão, também se chamava Francisco Canindé Revoredo, mais conhecido por Capitão Revoredo, o seu nome de "guerra". Mesmo assim, apesar de terem nomes iguais, Deca não colou o Filho ou o Junior para identificar-se com seu pai. O capitão Revoredo teve um romance, quando moço, com dona Cecí (Cecília), o que resultou no nascimento do menino. Depois, foi cada um para o seu lado. Ceci casou, tempos depois desse tal romnce com o arquiteto Miguel Muniz de Melo, de quem teve três filhos: Racilva, Marconde, e Ralph. Pelo o que eu soube, hoje, só tem um vivo: Ralph. Os demais, morreram, inclusive Racilva que, a esta altura, teria 64 anos ou 65. Racilva teria morrido de câncer no pulmão em decorrencia do cigarro, pois ao que se diz, ela era "viciada" em fumar cigarro. Ao que parece, ela morreu em 2002 ou um ano antes, parece. No entanto, para o meu sonho, Racilva está viva, pois foi assim que se projetou em minha mente já um tanto esquecida. Eu lembro que Racilva, quando criança, morou na Rua Mipibú, na ultima casa; logo depois na avenida Hermes da Fonseca e, depois disso, parece que na Rua Santo Antonio. Ali, ela encontrou uma amiga que fizera quanto então morava na rua Mipibu: Miriam. Essa outra menina mudou-se também para a rua Santo Antonio, próximo ao Convento Santo Antônio. Depois desse viajar, eu não soube mais notícias de Racilva, a não ser uma bem mais recente, que ela havia morrido no Recife (Pe). Mesmo assim, diante de tudo isso, em minha mente Racilva continua viva, igual a foto acima, pois em minha lembrança tudo que vem é a imagém de uma menina linda, amorosa, travessa e muito esperta para cuidar com ternura de seus livros, cadernos, lápis e borrachas. Eu jamais esqueci aquela menina amada que nem o tempo inconsequente apaga, nas ilusões dos nossos furtados sentidos. A cada menina que passa, eu vejo a imagem de Racilva, esperta e ágil para o despertar de sua juventude. Olhos brilhantes, talvez azuis, talvez esverdeados, talvez de qualquer cor. Para mim era uma Héstia a defender os laços de sua família ou Ísis, a deusa da fertilidade. Isso, também pouco importa. Só me deixo furtar pela menina que foi um dia a mais bela, estonteante e sagaz criança de nome Racilva.
---

terça-feira, 13 de outubro de 2009

RIBEIRA - 436

- CARMEN -
Eu tive a oportunidade de ver, ontem, 12 de outubro de 2009. o espetáculo CARMEN, encenado no Teatro Guaiba, no Paraná e levado ao ar por uma emissora de televisão da capital. CARMEN, de Georges Bizet, foi apresentada em quatro atos, falada na língua francesa e conta a história de uma cigana de nome Carmen, uma mulher de vida facil, que se apaixona por D. José, um soldado da polícia do lugar onde se passa a história. A peça foi escrita no ano de 1875 e foi a última e mais famosa òpera de Bizet, sendo até hoje uma das mais representadas em todo o mundo. Escrita com base na novela homônima de Prosper Mérimée, a composição de Carmen teve a influência de Giuseppe Verdi, usando uma mezzo-soprano como personagem principal, a cigana Carmen. Não teve êxito imediatamente, apesar do mérito reconhecido por compositores como Saint-Saens, Tchaikovsky e Debussy. No entanto, Brahms considerou a maior ópera produzida na Europa desde a Guerra Franco-Prussiana. Georges Bizet não viveu para ver o seu sucesso. Morreu de um ataque cardíaco aos 36 anos de idade, na data do seu aniversário de casamento, em Bougival (Yvelines), cerca de 10 milhas a oeste de Paris. Embora tenha sido mais famoso como compositor, Bizet foi também um grande pianista, elogiado inclusive por Franz Liszt, que o considerou um dos melhores executantes de toda a Europa. Devido à sua obsessão pela perfeição nunca terminava a maior parte dos seus trabalhos. Cerca de quarenta óperas nunca passaram da fase de esboço.
Carmen, de Bizet, foi um escândalo. Na noite de 3 de março de 1875, a platéia presente à Ópera de Paris saiu chocada com a estréia de Carmen. Acostumado com histórias ditas "edificantes", o público ficou incomodado com aquele espétaculo singular, no qual uma cigana desprovida de qualquer moral, sem a menor sombra de remorso ou piedade, enfeitiçava e levava os homens à perdição. Em vez de final feliz, um assassinato em cena. Carmen é morta pelo amante, a punhaladas. A música, tão perturbadora quanto o enredo, foi motivo de igual contorvérsia no seu tempo. A crítica, na imprensa mostravá-se dividida. A maioria tratou a ópera de Bizet como um espetáculo repugnante e obsceno. Na peça original tem a presença de Carmen totalmente nua, deitada em um divã, o que não foi mostrado na peça feita no Paraná. A originalidade de Carmen acabaria triunfando sobre os preconceitos e valores da época. Mas Bizet não viveria a tempo de assistir a seu próprio triunfo. Exatamente três meses após a polêmica estreia, recolhido a Bougival, uma pequena cidade do interior da França, ele morreria de um ataque do coração. Sua trajetória musical havia sido rápida e surpreendente. As primeiras obras, Os Pescadores de Pérolas, de 1863, A Bela Moça de Perth, de 1867, e Djamileh, de 1872, pouco ou nada deixaram a antever a revolução proporcionada por Carmen.
Nascido na capital francesa em 1838, Bizet era filho de um professor de canto e de uma pianista. Aos nove anos, os pais o matricularam no Conservatório de Paris. Em 1857, com 19 anos de idade, ganhou o cobiçado Grande Prêmio de Roma e foi estudar na Itália, onde passaria três anos. Os pofessores viram nele um promissor instrumentista, mas Bizet preferiu tentar uma carreira como compositor. Pouco depois de retornar a Paris, perdeu a mãe, morta em 1861, e teve um filho com a empregada doméstica que servia à família. Casaria apenas em 1869, com Geneviéve Halévy. Bizet mergulhou no projeto que resultaria em Carmen, em 1875, a sua obra-prima. Após ler a história original do escritor francês Prosper Mérimée, novela publicada pela primeira vez em 1845, decidiu transformá-la em ópera, com libreto escrito por Henri Meilhac e Ludovic Halévy. Sem nunca ter posto os pés na Espanha, Bizet pesquisou alguns elementos da música espanhola e acrescentou alguns outros, derivados deles, mas fruto de sua própria imaginação. Isso levou parcela da crítica da época a denunciar um certo artificialismo da composição, que soaria como "música francesa querendo se passar por espanhola". Dez anos após a sua morte, Carmen seria apresentada cerca de mil vezes, em diferentes montágens, em toda a Europa. Depois de arrebatar as platéias em sua versão lírica, Carmen também seria celebrada no século 20 com várias versões cinematográficas, entre elas as dirigidas por Carlos Saura e Jean-Luc Godard.
---
Veja também: