sexta-feira, 31 de outubro de 2008

RIBEIRA - 169 A


RIBEIRA - 169

O EXORCISTA
O Dia das Bruxas é um evento tradicional e cultural, que ocorre nos países anglo-saxônicos, com especial relevância nos Estados Unidos, Canadá, Irlanda e Reino Unido, tendo como base e orígem as celebrações pagãs dos antigos povos celtas. A origem do Halloween remonta as tradições dos povos que habitaram a Gália e as ilhas da Grã-Bretanha entre os anos 600 a.C. e 800 d.C., embora com marcadas diferenças em relação às atuais abóboras ou da famosa frase "Gostosuras ou travessuras", exportada pelos Estados Unidos, que popularizaram a comemoração. Originalmente, o halloween nao tinha relação com bruxas. Era um festival do calendário celta da Irlanda, o festival de Samhain, celebrado entre 30 de outubro e 2 de novembro e marcava o fim do verão. (Samhain significa literalmente "fim do verão" na língua celta. A celebração do halloween tem duas origens que no transcurso da História foram se misturando:
Origem Pagã
A origem tem a ver com a celebração celta chamada Samhain, que tinha como objetivo dar culto aos mortos. A invasão das Ilhas Britânicas pelos Romanos (46 a.C.) acabou mesclando a cultura latina com a celta, sendo que esta última acabou minguando com o tempo. Em fins do século II, com a evangelização desses territórios, a religião dos Celtas, chamada drudismo, já tinha desaparecido na maioria das comunidades. Pouco sabemos sobre a religião dos druidas, pois não se escreveu nada sobre ela; tudo era transmitido oralmente de geração para geração. Sabe-se que as festividades do Samhain eram celebradas muito possívelmente entre os dias 5 e 7 de novembro. Eram precedidas por uma série de festejos que duravam uma semana, e davam início ao ano novo celta. A "festa dos mortos" era uma das suas datas mais importantes, pois celebrava o que para nós seriam "o céu e a terra". Para os celtas, o lugar dos mortos era um lugar de felicidade perfeita, onde não haveria fome nem dor. A festa era celebrada com ritos presididos pelos sacerdotes druidas, que atuavam como "médiuns" entre as pessoas e os seus antepassados. Dizia-se também que os espíritos dos mortos voltavam nessa data para visitar seus antigos lares e guiar os seus familiares rumo ao outro mundo.
Origem Cristã
Desde o século IV a Igreja da Síria consagrava um dia para festejar "Todos os Mártires". Três séculos mais tarde a Igreja Católica transformou um templo romano dedicado a todos os deuses num templo cristão e o dedicou a "Todos os Santos"., a todos os que nos precederam na fé. A festa em honra de Todos os Santos, inicialmente era celebrada no dia 13 de maio, mas a Igreja mudou a data para 1º de novembro, que era o dia da dedicação da capela de Todos os Santos na Basílica de São Pedro, em Roma. Na tradução para o inglês, a vigilia era chamada All Hallow's Een (Vigilia de Todos os Santos). Com o passar do tempo ficou sendo chamada de Halloween.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

RIBEIRA - 168

JOANA D'ARC
Joana d'Arc por vezes chamada a donzela de Orleans, é também santa padroeira da França e foi uma heroína da Guerra dos Cem Anos, durante a qual tomou partido pelos Armagnacs, na longa luta contra os borguinhões e seus aliados ingleses. Descendente de camponeses, gente modesta e analfabeta, foi uma mártir francesa canonizada em 1920, quase cinco séculos depois de ter sido queimada viva. Joana d'Arc foi esquecida pela história até o século XIX, conhecido como o século do nacionalismo. Shakespeare tratou-a como uma bruxa. Voltaire escreveu um poema satírico, ou pseudo-ensaio histórico, que a ridicularizava, intitulado "A Donzela de Orléans". A Igreja Católica francesa propôs ao Papa Pio X sua beatificação, realizada em 1909, num período dominado pela exaltação da nação e ao ódio ao estrangeiro, principalmente Inglaterra e Alemanha. O gesto do Papa inspirou-se no desejo de fazer a Igreja de França entrar em mais perfeito acordo com os dirigentes anticlericais da III República, mas só com a Primeira Guerra Mundial de 1914 a 1918, Joana deixou de ser uma heroína da Direita. O Parlamento francês estabeleceu uma festa nacional em sua honra no segundo domingo de maio. Em 9 de maio de 1920, cerca de 500 anos depois de sua morte, Joana d'Arc foi definitivamente reabilitada, sendo canonizada pelo Papa Bento XV - era a Santa Joana d'Arc. Em 1922 foi declarada padroeira da França.
Joana nasceu em Domrémy, na região de Lorena, na França. A data de seu nascimento é imprecisa, de acordo com seu interrogatório em 24 de fevereiro de 1431, Joana teria dito que na época tinha 19 anos portanto teria provavelmente nascido em 1412. Filha de Jacques d'Arc e Isabelle Romée, tinha mais quatro irmãos: Jacques, Catherine, Jean e Pierre, sendo ela a mais nova dos irmãos. Seu pai era agricultor e sua mãe lhe ensinou todos os afazeres de uma menina da época. Em seu julgamento Joana d'Arc afirmou que desde os 16 anos ouvia vozes divinas. Segundo ela em seu julgamento, a primeira vez que escutou a voz, ela vinha da direção da igreja e acompanhada de claridade e uma sensação de medo. Dizia que às vezes não a entendia muito bem e que as ouvia duas ou três vezes por semana. Entre as mensagens que ela entendeu estavam conselhos para frequentar a igreja, que deveria ir a Paris e que deveria levantar o domínio que havia na cidade de Orléans. Posteriormente ela indentificaria as vozes como sendo do arcanjo São Miguel, Santa Catarina de Alexandria e Santa Margaret. O arcanjo São Miguel é o líder dos exércitos celestiais. Santa Catarina é definida as vezes como uma figura apócrifa a cavalo dos séculos III e IV que morreu com uma idade similar a de Joana, também erudita, persuadiu o imperador Maximiliano II que deixasse de perseguir os cristãos. Foi condenada a morrer na roda - um sistema de tortura que fraturava os ossos -.
Aos 16 anos, Joana foi a Vaucouleurs onde recorreu para que o Exercito lhe cedesse uma escolta até Chinon, para assim não temer enfrentar o território hostil dominado pelos ingleses. Quase um anos depois ela foi enviada. Portando roupas masculinas até a sua morte, Joana chegou a Chinon. Sozinha, na presença do Rei, ela o convenceu a lhe entregar um exercito com o intuito de libertar Orléans. Convencidodo que ouvira de Joana, o rei entregou-lhe às mãos uma espada, um estandarte e o comando das tropas francesas, para seguir rumo à libertação da cidade de Orléans que há oito meses era governada pelas tropas inglesas. Munida de uma bandeira branca, Joana chegou a Orléans em 29 de abril de 1429. Comandando um exército de 4000 homens ela consegue a vitória sobre os invasores.
Cerca de um mês após a sua vitória sobre os ingleses em Orléans, ela conduziu o rei Carlos VII à cidade de Reims onde este foi coroado. Joana assistiu a consagração de uma posição privilegiada, acompanhada de seu estandarte. Teoricamente Joana já não tinha nada mais a fazer no Exército já que havia cumprido sua promessa que as vozes lhe haviam dado. No entanto, os ingleses dominavam Paris e enquanto fosse assim o Rei Carlos não teria domínio sobre à França. E a luta continuava. Joana foi ferida por uma flecha durante a tentativa de entrar em Paris. Na primavera de 1430, Joana d'Arc foi presa. Enquanto se decidia quem ficaria com a prisioneira - se ingleses ou franceses - o tempo foi passando. Em Ruão, para onde foi mandada ficou presa em uma cela escura vigiada por cinco homens. Joana vivia seus piores tempos. O processo contra Joana começou em janeiro de 1431 e ela se converteria um heroína nacional. Dez sessões foram feitas sem a presença da acusada, apenas com a apresentação de provas, que resultaram na acusação de heresia e assassinato. Joana foi queimada viva em 30 de maio de 1431, com apenas 19 anos na Praça do Mercado , às 9 horas, em Ruão. Antes da execução ela se confessou e foi administrado o sacramento da Comunhão. Entrou, vestida de branco, na praça cheia de gente. Após lerem o veredicto, Joana foi queimada viva. Suas cinzas foram jogadas no rio Sena para que não se tornassem objeto de veneração pública. Era o fim da heroína francesa.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

RIBEIRA - 167

SANTA INQUISIÇÃO
Inquisição é um termo que deriva do ato judicial de inquirir, o que se traduz e significa perguntar, averiguar, pesquisar, interrogar. No contexto histórico europeu, conforme alguns entendimentos filosóficos atuais, a Inquisição foi uma operação oficial conduzida pela Igreja Católica a fim de apurar e punir pessoas por heresia. É a inspiradora dos tribunais, do direito à defesa do réu e da averiguação dos fatos. Só funcionava para cristãos (católicos) e apenas em assuntos de fé e de moral. A Inquisição ganhou mais relevo na época da Reforma (para os católicos) ou Contra-Reforma (chamada assim pelos protestantes) com as crescentes suspeitas populares.. Portanto, trata-se de uma inquirição, em assuntos de fé, evitando a condenação de alguém sem investigação prévia. Tecnicamente, Inquisição é confundida com "Tribunal do Santo Ofício". O segundo é uma entidade que tem por função fazer inquisições. Ao contrário do que é comum pensar. o "Tribunal do Santo Oficio" é uma entidade juridica e não tinha forma de executar penas. O resultado da inquisição, feita a um réu, era entregue ao poder régio, muitas vezes com o pedido de que não houvesse danos nem derramamento de sangue. Este tribunal era muito comum na Europa a pedido dos poderes religiosos, pois queriam evitar condenações por mão popular.
As origens da Inquisição remontam a 1183, na averiguação dos cátaros de Albi, no sul da França por parte de delegados pontificios, enviados pelo Papa. A instituição da Inquisição se deu no Concilio de Verona. Numa época em que o poder religioso se confundia com o poder real. o Papa Gregório IX, em 20 de Abril de 1233, editou duas bulas que marcam o reinício da Inquisição. Nos séculos seguintes, ela julgou, absolveu ou condenou e entregou ao Estado - que aplicava a pena capital, como era comum na época - vários de seus inimigos propagadores de heresias. Convém lembrar que ser cristão era entendido para lá de uma religião. Ser cristão era a maneira comum de ser e pensar. Um inimigo do cristianismo era entendido como inimigo do pensar comum e da identidade nacional.
Já em pleno século XV, os reis da Espanha solicitam e obtém do Papa a autorização para a introdução de um Tribunal do Santo Oficio: a Inquisição. Tal instituição afigurava-se necessaria para garantir a coesão num país em unifficação e que recentemente conquistara terras aos mouros muçulmanos na Peninsula Iberica e expulsara alguns dos judeus, por forma a obter a unidade nacional que até alí nunca existira. A ação do Tribunal do Santo Oficio tratou de mais casos depois da conversão de alguns judeus e mouros que integravam o novo reino. Alguns judeus e mouros preferiram renegar as suas religiões, e abraçar o cristianismo, a abandonar a nova terra conquistada. A estes é dado o nome de "cristãos-novos". Alguns esqueciam de fato a religião dos seus antepassados, outros continuavam a praticar secretamente a antiga religião. O Tribunal da Santa Inquisição, em Espanha católica tornou-se no imaginário coletivo, uma das mais tenebrosas realizações da humanidade. Mais tarde, n Itália e em Portugal o Papa autorizou a introdução de instituições similares. Em Portugal o rei tomou como alternativa ameaçar com a criação de uma inquisiçao régia. A Inquisição Portuguesa tinha de dar cobrimento a todos os territórios do Império. No Brasil, a Inquisição predominounos Estados da Bahia, Pernambuco, Maranhão e no Pará. Seu fim só veio acontecer por volta do ano de 1820. Mas a Igreja Católica permaneceu com uma nova congregação: a Congregação para a Doutrina da Fé, que, no passado. era o Tribunal da Santa Inquisição.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

RIBEIRA 166

MEL VERDE
Este é o significado em tupy-guarani do
Trio Yrakitan
Nessa foto se vê o trio em sua formação original, com os três rapazes, Gilvan Bezerril, Edinho e João Costa, quando fazia uma ponta em um filme nacional, depois que eles voltaram da viagem que fizeram pelo norte do pais, América Central, indo parar na cidade do México. Muito já se tem dito sobre o cancioneiro do Nordeste e a sua contribuição para a música popular brasileira. Desta forma, qualquer coisa que se disser, se está fazendo um retrospécto do que, um dia, foi dito, desde o xaxado, o xote ou mesmo o baião, criação de Luis Gonzaga e Humberto Texeira. E, ao se falar no nordeste, não se deve esquecer do Rio Grande do Norte, lugar de onde saíram vertentes da música popular, como Núbia Lafayete, Francisco Elion, Mirabô para não se dizer do Trio Maraya e mesmo o Trio Yrakitan, este, o grupo de maior expressão da região e um dos mais respeitados e admirados do país. Quem falar em Natal, hoje, com Marina Elale, há de se lembrar também do Trio Yrakitan.
Surgido em Natal (Rn) em 1948 - alguns dizem que foi em 1947 - o grupo era formado por Edilson Reis de França - Edinho -, que tocava violão, Paulo Gilvan Duarte Bezerril, no afoxé e João da Costa Neto, no tantã. Até 1950, o conjunto era tímido, fazendo apresentação fora de Natal, somente no Recife. Quando o conjunto resolveu viajar pelo norte do pais, pegando a América Cental e depois chegando ao México, viu-se deslumbrado com a aparelhagem sonora do país, fazendo televisão e chegando ao cinema, interpretando uma cena em "Leva-me em Teus Braços", estrelado por Ninon Sevilha. Nesse filme, o trio deixou gravado entre outras canções, o êxito de Dorival Caymmi, "O Vento". Depois do sucesso no México, os tres rapazes retornaram a Natal, onde foram recebidos com entusiasmo pela população, desfilando em carro aberto, onde se estampava a alegria do que eles eram contemplados. Depois de alguns dias em Natal, o trio viajou para o Rio de Janeiro, onde, na Radio Nacional, assinou contrato e então, trabalhou em uma duzia de filmes e gravou seu primeiro disco, em 1955, na Gravadora Odeon. Muitos consideram o Trio Yrakitan uma espécie de versão nacional do famoso grupo mexicano Trio Los Panchos, pelo seu repertório e estilo de interpretação. De um jeito o de outro, ainda hoje, o Trio Yrakitan é um refrigério para a alma brasileira.

RIBEIRA - 165

TRIO YRAKITAN
O Trio Irakinta, que significa na língua tupi "Mel Verde" é um conjunto vocal originalmente formado por Gilvan Bezerril, Edinho e João Costa. O Trio foi formado no ano de 1948 e se apresentava nos programas de auditório da Rádio Poty, fazendo relativo sucesso, até porque era um conjunto novo e só conhecido em Natal. O início foi uma época difícil para os tres rapazes, bem novos, por sinal. Com o tempo passando, o trio teve a oportunidade de conhecer Recife, onde fez grande sucesso. É bom lembrar que Gilvan Bezerril é de Pernambuco, o único da história que ainda hoje está vivo e cantando no seu conjunto. No ano de 1950, o trio iniciou um novo trajeto, partindo para Fortaleza (Ce), Maranhão, Belém, Amazonas e dai seguiu para terras mais distantes, percorrendo toda a América Central. As vezes cantando, outras, não. Foi uma viagem árdua quando Gilvan, Edinho e João Costa, para sobreviver, foram obrigados a comer farinha seca que parecia ter sido misturada com querosene. Não era obrigadoa isso. Mas foi tudo o que acharam em um vagão de trem para comer. Esse trem era de carga e ele pediram passagem ao motorneiro que os colocou em um dos tais vagões. Vida dificil para quem estava acostumado a fazer uma talvez boa refeição, aqui, em Natal (Rn). É bom lembrar que Edinho morava em uma casa de taipa, no centro da cidade, o que mostra que a vida não era lá essas coisas. Era uma casinha, pequena, por sinal. João Costa morava no bairro de Petrópolis, na avenida Hermes da Fonseca, logo no seu inicio. A casa era feita de tijolos, porém, não era tão grande assim. Gilvan, seguia a mesma rotina dos dois amigos.
Na viagem pela América Latina, eles visitaram a Venezuela, Colômbia, Caribe e o México. Com pouco ou nenhum dinheiro, no México eles procuraram uma Rádio e disseram ser brasileiros. Apesar de esperar uns bons momentos, alí, assimilaram toda a cultura méxicana, e passaram a cantar a música popular do Mexico: o bolero. Foi então que o trio formou sucesso: Perfídia, Santa, Amor, Frenezi e tantas outras músicas de que a plateia gostava. Foi então que o Trio Yrakitan desenvolveu a sua técnica de vocalizar que se tornou um conjunto vocal. De volta ao Brasil, em 1954, o Trio veio para Natal, onde foi recebido com estrondoso sucesso, com caminhada em carro aberto desde o Aeroporto de Parnamirim. Por várias vezes, eles deram entrevista na Radio e no Jornal contando o´êxito que tiveram no Mexico, chegando a se apresentar em programas de televisão e fazer pontas em alguns filmes. Eles lamentavam não terem podido trazer nenhuma cópia dos filmes.
De Natal. o grupo seguiu para o Rio de Janeiro, tendo sido contratado pela Radio Nacional. Oseu repertorio era basicamente samba-canções, boleros e músicas que traziam do México. no gênero dos "mariachis". Então, na capital federal, concorrendo com outros conjuntos musicais, o trio chegou a se apresentar em 12 filmes nacionais e fazer sua primeira gravação em disco. Obras importantes, algumas imortais, como "A Velha das Ervas Bentas", composta por Edinho e Gilvan (Paulo Gilvan Duarte Bezerril) em 1956 gravada com outros êxitos populares , como "Negrinho do Pastoreio". Se formos resgatar o que o trio fez na época de sua juventude, iremos encontrar temas memoráveis. "A Velha das Ervas Bentas" é um deles. Edinho soube capitar o que aquela mulher, baixa, de tes não muito clara, conduzindo dois cestos, sendo um na cabeça e o outro no braço, proclamava com a sua voz rouca, o que estava a vender. Juá, jucá, quina-angélica, mutamba, pau-d'alho, marmeleiro, cumaru, mulungu, semente de imbira, amesca, ipepaconha, contra-erva, velame, pião, pimenta, limão. Em tudo isso, feito em verso, despertava Edinho de seu sono quando o dia quase nem clareava. A velha, na rua, vindo ou indo pelas artérias próximas, como a Rua Felipe Camarão, saía a oferecer aquelas ervas bentas para quem quisesse comprar.
Em 1965, Edinho (Edison Reis França) se suicidou. Foi uma lacuna terrivel. Choros e mais prantos derramaram-se. No entanto, o trio sobreviveu com algumas modificações. Houve um tempo que dois conjuntos chegaram a disputar a propriedade do nome. Porem, depois de uma extensa luta na Justiça, Gilvan Bezerril venceu e hoje, ainda, o conjuto se apresenta nas capitais brasileiras
Gilvan - Paulo Gilvan Duarte Bezerril, nascido em Recife, Pe, a 20/10/1930
Edinho - Edison Reis de França, nascido em Natal, Rn, a 14/2/1930
João Costa ou Joaozinho - nascido em Natal, Rn, a 6/2/1930
O trio formou-se com Edinho, no violão; Gilvan, no afoxé, e João Costa, no tantã. O primeiro nome dado ao trio foi Muirakitan, escolhido por Câmara Cascudo. Como na época já havia um trio com o mesmo nome, Câmara Cascudo resolveu criar um neologismo, rebatizando o grupo de Trio Irakitan, que, segundo Gilvan Bezerril, significa mel verde.

domingo, 26 de outubro de 2008

RIBEIRA - 164

MONA LISA
PINTURA DE LEONARDO DA VINCI
O Museu do Louvre, instalado no Palácio do Louvre, em Paris, é um dos maiores e mais famosos museus do mundo. Localiza-se no centro de Paris, entre o rio Sena e a Rue de Rivoli. Seu pátio central, ocupado agora pela pirâmide de vidro, encontra-se na linha central dos Champs-Élysées, e dá forma assim ao núcleo onde começa o Eixo Histórico. É onde se encontra a Mona Lisa, a Vitória de Samotrácia, a Venus de Milo, enormes coleções de artefatos do Egito antigo, da civilização greco-romana, artes decorativas e aplicadas, e numerosas obras-primas dos grandes artistas da Europa como Ticiano, Rembrandt, Michelângelo, Goya e Rubens, numa das maiores mostras do mundo da arte e cultura humanas. O Louvre é gerido pelo estado francês. Foi o museu mais visitado do mundo em 2007, com 8,3 milhões de visitantes
O primeiro real "Castelo do Louvre" neste local foi fundado por Felipe II em 1190, como fortaleza para defender Paris a oeste contra os ataques dos Vikings. No século seguinte, Carlos V transformou-o num palácio, mas Francisco I e Henrique II rasgaram-no para baixo para construir um palácio real; as fundações da torre original da fortaleza estão sob a Sala das Cariátides agora.
As transformações nunca cessaram na sua história, e a antiga fortaleza militar medieval acabaria por se transformar um colossal complexo de prédios, hoje devotados inteiramente à cultura. Dentre as mais recentes e significativas mudanças estão a transferencia para outros locais de órgãos do governo, abrindo grandes espaços novos para exposições. O acervo do Museu do Louvre possui mais de 380 mil ítens e mantém em exibição permanente mais de 35 mil obras de arte. Com mais de 50 mil objetos, que atestam o profundo interesse francês na área da egiptologia no século XIX, abrange os períodos desde o Egito Antigo até a arte copta, incluindo os períodos helenístico, romano e bizantino.
Concentrado nas peças de escultura criadas antes de 1850 que não se enquadram no departamento de antiguidades etruscas, gregas e romanas. Desde o início o Palácio do Louvre foi um depósito de obras escultóricas, mas a sistematização de suas peças só aconteceu depois de 1824. Seu acervo primitivo era na verdade reduzido a cerca de 100 peças, por causa da mudança da corte de Versalhes, e assim permaneceu até 1847. A partir de 1871, a representação de esculturas cresceu, especialmente em peças francesas. O conjunto de esculturas da França oferece um painel amplo e farto desta modalidade de arte desde a Idade Média até meados do século XIX, com uma grande seção de retratos e bustos oficiais. A Idade Média é ricamente ilustrada com fragmentos de arquitetura e estatuária sacra, em grande parte anônima.

sábado, 25 de outubro de 2008

RIBEIRA - 163

O MÉDICO E O MONSTRO
"O Médico e o Monstro" é uma referência entre os clássicos filmes de horror e mistério. Baseado na obra de Robert Louis Stevenson, "O Estranho Caso do Dr. Jekyll e o Sr, Hyde", o filme procura mostrar o conflito entre o bem e o mal, onde Dr. Jekyll representa a personalidade normal do médico, enquanto Hyde o seu lado obscuro, demoníaco e sexual, onde o demoníaco é o sexo. A primeira versão dessa obra é de 1907 e em seguida, a de 1920, e a terceira, a de 1931, essa realizada pelo cineasta Rouben Mamoulian. De qualquer forma, a de 1931 é considerada por um grande número de críticos como sendo a melhor delas. Em termos de premiação, a nova versão de 1950, com Spencer Tracy, Ingrid Bergman e Lana Turner teve três indicações ao Oscar e a versão anterior foi agraciada com o Oscar de Melhor Ator para Fredric March, além de receber outras duas indicações. Mesmo apresentando uma boa direção, o cinesta Victor Fleming já havia oferecido trabalhos melhores, como em "...E o Vento Levou" ou em "O Mágico de Oz". A fotografia em preto-e-branco de Joseph Ruttenberg, capturando magnificamente a atmosfera de Londres, na era Vitoriana, com sua constante neblina e a peculiar iluminação de suas casas, é, sem dúvida, um dos pontos altos do filme.
A história gira em torno passada em 1887 quando um homem interrompe a celebração de uma cerimônia numa igreja de Londres, ao fazer uma série de comentários sugestivos. Policiais tentam prendê-lo, por se achar embriagado, mas o dr. Henry Jakyll intervém. Acreditando que ele sofre de um disturbio mental, o leva para seu hospital. Ele pretende usá-lo como cobaia, em suas pesquisas sobre natureza do bem e do mal, no homem. À noite, durante um jantar em companhia de sua noiva, Beatrix, e do pai dela, Sir Charles Emery, quando ele fala de suas teorias e pesquisas, Sir Charles se mostra perturbado e o aconselha a desistir.
Ao voltar para casa naquela noite, caminhando em companhia de seu amigo, Dr. John Lanyon, ele salva uma jovem, Ivy Peterson (Ingrid Bergman), quando ela estava sendo atracada por seu companheiro. Os dois - Jekyll e Jonh - a levam para a sua casa em um taxi.. Encantada com a atenção recebida, ela finge estar ferida. O Dr. Jekyll a carrega até o quarto dela, onde a examina. Ela lhe dá uma de suas ligas como presente e o beija. (A liga simboliza um símbolo sexual). Os dois são interrompidos (?) por Dr, John, que se preocupa com o comportamento (?) de Jekyll.
Passado um tempo, Jekyll decide experimentar nele próprio, a droga por ele desenvolvida. Como resultado, transforma-se em outra pessoa, com uma terrivel aparencia, que ele a chama de Sr. Hyde e que representa seu lado demoníaco (sexual). Depois de idas e vindas, encontros e desencontros, como Mr Hyde ele, certa vez encontra Ivy em um show, a quem convida para um drique, sendo de pronto rejeitado. Agressõe na encantadora Ive e esta se liberta, indo até o hospital onde encontra Jekyll que lhe assegura nao mais ser agredida pelo sr. Hyde. Mas, nem tudo termina nesse ponto. Somente quando Hyde encontra Ivy no parte (?) e a culpa por ter procurado dr. Jekyll. Chega ao fim, quando Hyde é ferido de morte e se transforma no Dr. Jekyll, depois de morto. Vê-se aí o duplo sentido do homem e da "fera", que procura na amante a forma de se saciar.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

RIBEIRA - 162

ADOLF HITLER
Adolf Hitler foi o lider do Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães, também conhecido por Nazi, sendo ainda oposição aos sociais-democratas, os Sozi. Hitler se tornou chanceler e, posteriormente, ditador alemão. Era filho de um funcionário de alfândega de uma pequena cidade fronteiriça da Austria com a Alemanha. As suas teses racistas e anti-semitas e os seus objetivos para a Alemanha ficaram patentes no seu livro de 1924, Mein Kampf (Minha Luta). Documentos apresentados durante o Julgamento de Nuremberg indicam que, no período em que Adolf Hitler esteve no poder, grupos minoritários considerados indesejados - tais como Testemunhas de Jeová, eslavos, poloneses, ciganos, negros, homossexuais, deficientes físicos e mentais e judeus - foram perseguidos no que se convencionou chamar de Holocausto. Os documentos reunidos indicam ainda que, enquanto a maior parte das vítimas foi submetida à Solução Final, outros foram usados em experimentos médicos. Hitler seria derrotado apenas pela intenção externa do grupo de países denominado "Aliados", no prosseguimento da Segunda Guerra Mundial. Tal grupo faz-se notável por ser constituido pelos principais representantes dos sistemas capitalista e socialista, entre os quais a URSS e os Estados Unidos, união esta que se converteu em oposição no período conhecido como a Guerra Fria. A Segunda Guerra Mundial acarretou a morte de um total estimado em 50 ou 60 milhões de pessoas. Adolf Hitler cometeu suicidio no seu quartel-general, em Berlim, a 30 de abril de 1945, enquanto o Exercito soviético combatia as duas últimas tropas berlinenses. Hitler era canhoto, sofria de fotofobia, abstêmio e falava um alemão com sotaque típico dos suburbios de Viena, capital da Áustria. Vários historiadores afirmam que Hitler era vegetariano. Sabe-se que Hitler foi colocado sob dieta vegetariana pelos médicos, como uma terapia para sua flatulência e outros problemas estomacais. Apesar da dieta proposta pelos médicos, a maioria dos autores diz que Hitler os tapeava comendo carne de tempos em tempos. Aparentemente, a fama de que ele era um vegetariano convicto se deve a Joseph Goebbels, Ministro da Propaganda, que percebeu aí uma oportunidade de mostrá-lo como santo. Independente de ser vegetariano ou não, sabe-se que ele adorava doces, se empanturrava de chocolate e comia porções enormes de bolo. Hitler não admitia que seus oficiais e aliados fumassem. Centa vez, tentou impedir Goring de fumar, defendendo que "quando se posa para um monumento, não se pode estar com um cigarro na boca". Certa vez, durante o outono de 1939, Heinrich Hoffmann trouxe-lhe fotos em que Stalim aparecia com um cigarro na mão. Hitler proibiu sua publicaçao, afirmando que seu interesse de colega por Stalim impedia-o de "prejudicar a imagem grandiosa do estilo de vida do ditador".
Adolf Hitler morava numa pequena localidade perto de Linz, na provincia da Alta-Áustria, próximo da fronteira alemã. Ele nasceu em Braunau am Inn, a 20 de abril de 1889. O seu pai, Alois Hitler, que nascera como filho ilegítimo, era funcionário da alfandega. Até aos seus quarenta anos, o pai de Hitler, Alois, usou o sobrenome da sua mãe. Em 1876, passou a empregar o nome do pai adotivo, Johann Georg Hiedler, cujo nome teria sido alterado para "Hitler" por erro de um escrivão, depois de ter feito diligências junto de um sacerdote responsavel pelos registros de nascimento para que fosse declarada a paternidade, já depois da morte do seu padrasto. Adolf Hitler chegou a ser acusado de não ser um Hitler. A própria propaganda aliada fez uso destas acusações ao lançar varios panfletos sobre diversas cidades alemãs com a frase "Heil Schicklgruber", sobrenome da mãe de Alois - ainda que estivesse relacionado, de fato, aos Hiedler por parte de sua mãe.
A mãe de Hitler, Klara Hitler, era prima em segundo grau do seu pai. Este trouxe-a para a sua casa para tomar conta dos seus filhos, enquanto a sua outra mulher, doente e prestes a morrer, era cuidada por outra pessoa. Depois da morte desta, Alois casou-se, pela terceira vez, , com Klara, depois de ter esperado meses por uma permissão especial da Igreja Católica, concedida exatamente quando Klara já se mostrava visivelmente grávida. No total, Klara teve seis filhos de Alois. No entanto, apenas Adolf, o quarto, e sua irmã mais nova, Paula, sobreviveram à infância.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

RIBEIRA - 161

PENA DE MORTE

Este é um campo de concentração mantido pela Gestapo

A pena de morte foi aplicada pela última vez no Brasil em 1876 e não é utilizada oficialmente desde a Proclamação da República em 1889. Historicamente, o Brasil é o segundo país das Américas a parar de usar a pena de morte como forma de punição, precedido pela Costa Rica em 1859. A última execução determinada pela Justiça Civil brasileira foi a do escravo Francisco, em Pilar das Alagoas, em 28 de abril de 1876. A última execução de um homem livre foi, provavelmente, pois não há registros de outra depois, a de José Pereira de Souza, condenado pelo júro de Santa Luzia, em Goiás, enforcado na dita vila no dia 30 de outubro de 1861. Até os últimos anos do Império, o júri continuou a condenar pessoas à morte, ainda que, a partir do ano de 1876. o imperador comutasse todas as sentensas capitais, tanto de homens livres como de escravos. Todavia, foi só expressamente abolida para crimes comuns após a Proclamação da República. A pena de morte continuou a ser cominada para certos crimes militares em tempos de guerra. A Constituição do Estado Novo de Getúlio Vargas, em 1937, admitiu a possibilidade de se instituir, por lei, a pena de morte para outros crimes além de militares cometidos em tempo de guerra. Não obstante uma que outra condenação à morte, como a do escritor Gerardo Melo Mourão, em 1942, acusado de estar envolvido em atividades de espionagem para o Eixo, não há registros de que tenha havido qualquer execução.

De 1969 até 1978, durante a vigência do AI-5 no Regime Militar, a pena de morte voltou a ser prevista para crimes políticos. Alguns militantes da esquerda armada até foram condenados à morte, mas não houve qualquer execução legal (alguns desses militantes eram assassinados antes mesmo de terem a oportunidade de um julgamento, já que o AI-5 revogou o habeas-corpus). A pena de morte foi abolida para todos os crimes não-militares na constituição federal de 1988. Atualmente, é prevista para crimes militares, somente em tempo de guerra. É o único país de língua portuguesa que prevê a pena do morte na Constituição.

Em 2007, o caso do menino Jõao Hélio fez a mídia reacender a discussão sobre a reintrodução da pena de morte. O Governo Brasileiro, no entanto, vêm demonstrando pouco uo nenhum interesse em reintroduzir a prática que já não é utilizada há mais de 145 anos, apesar de que o apoio popular ao uso da pena capital aumentou drasticamente no pais graças a macissa divulgação do crime citado. Agora, está em vista o caso a jovem Eloá Cristina Pimentel, assassinada no ultimo dia 17 de outubro de 2008, por seu ex-namorado, Lindemberg Fernandes Alves, com um disparo a queima-roupa, que atingiu a cabeça da jovem, indo o projétil se alojar no cerebrelo da parte esqueda do crânio. Um outro disparo foi feito por Lindenberg, atingindo a adolescente na parte da virilia. O mesmo criminoso fez mais um disparo contra uma amiga de Eloá, de nome Naiara, que lhe atingiu a face, pefurado o nariz e se alojando numa parte óssea dos dentes superiores. O homem fez outros disparos contra as pessoas que se aglomeravam em frente ao prédio onde Lindemberg passou pouco mais de 100 horas, fazendo da ex-namorada a sua refém. Esse caso e outros mais, reacendem a questão de se pedir a pena de morte para crimes civis, como o do casal Nardone, de assassinou a sua filha Isabella e de outros que estão correndo no meio judiciário.


terça-feira, 21 de outubro de 2008

RIBEIRA - 160

OS FARRAPOS
O nome do Estado do Rio Grande do Sul originou-se de uma série de erros e discordâncias cartográficas, quando se acreditava que a Lagoa dos Patos fosse a foz do Rio Grande, que já era demonstrado em mapas neerlandeses, dácadas antes da colonização portuguesa na região. Pelo que se sabe até agora, o primeiro cartógrafo dos Paises Baixos a registrar a Lagoa dos Patos, ainda considerada o Rio Grande foi Frederick de Wit, em seu atlas de 1670. Por volta de 1720, açorianos vindos de Laguna vieram à região de São José do Norte buscar o gado cimarrôn vindo das missões, possibilitando a posterior fundação de Rio Grande, em 1737. A partir do nome do município, surgiu também o nome do Estado do Rio Grande do Sul.
Durante o século XIX, o Rio Grande do Sul foi palco de revoltas federalistas, como a Guerra dos Farrapos (1835-45) e participou da luta contra as Rosas e da Guerra do Paraguai. As disputas politicas locais foram acirradasno inicio da República e só no governo de Getulio Vargas, em 1928, o Estado foi pacificado.
Guerra dos Farrapos ou Revolução Farroupilha são os nomes pelos quais ficou conhecida uma revolução ou guerra regional de caráter republicano contra o governo imperial do Brasil. Foi de 1835 a 1845: é o conflito armado mais duradouro que ocorreu no continente americano. A revolução que originalmente não tinha caráter separatista, influenciou movimentos que ocorreram em outras províncias brasileiras: irradiando influência para a Revolução Liberal que viria ocorrer em São Paulo em 1842 e para a Revolta denominada Sabinada na Bahia em 1837, ambas de ideologia do Partido Liberal da época, moldado nas Lojas Maçônicas. Inspirou-se na recém finda guerra da independencia do Uruguai, mantendo conexões com a nova república do Rio da Prata, além de províncias independentes argentinas, como Corrientes e Santa Fé. Chegou a expandir-se à costa brasileira, em Laguna, com a proclamação da República Juliana e ao planalto catarinense de Lages. A questão da abolição da escravatura também esteve envolvida, organizando-se exércitos contando com homens negros que aspiravam liberdade.
Farrapos ou farroupilhas eram chamados todos ose que se revoltaram contra o governo imperial, e que culminou com a Proclamação da República Rio-Grandense. No ano de 1835 os ânimos políticos estavam exaltados. O descontentamento de estancieiros, liberais, industriais do charque e militares locais promoviam reuniões em casas de particulares
Na guerra que se seguiu, surge a figura de Anita Garibalbe, natural de Laguna. Ela veio a ser considerada heroina, por seu destemor perante o perigo, lutando lado-a-lado como fez na Itália onde também é considerada heroina. A guerra prosseguiu entre altos e baixos até o dia 1º de março de 1845 quando foi assinado o tratado de paz: o Tratado de Poncho Verde. Mesmo assim, ainda hoje, o cumprimento desse tratado suscita discussões. Dos escravos sobreviventes alguns acompanharam uma parte do Exército, no exilio até o Uruguai. Outros escravos foram incorporado ao Exécito Imperial e muitos foram vendidos novamente como escravos no Rio de Janeiro.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

RIBEIRA - 159

COLISEO DE ROMA

A história de Roma remonta a 2.800 anos atrás, desde o nascimento de uma pequena povoação na Itália no século VIII a.C. que se tornou o centro de uma vasta civilização que dominou a região Mediterrânica durante séculos, e que seria derrubada por algumas tribos germânicas, dando início à era historiográfica da Idade Média. Tornar-se-ia mais tarde sede da Igreja Católica Romana e, por pressão das circunstâncias políticas, seria obrigada a ceder parte de si, no seu interior, para formar um estado independente, a Cidade do Vaticano. Continuou, no entanto, a desempenhar um papel importante na política global, tal como o fez a cultura dos povos europeus durante milênios.

A Roma Antiga foi uma civilização que se desenvolveu a partir da cidade-estado de Roma, fundada na península itálica durante o século VIII a.C. Durante os seus doze séculos de existência, a civilização romana transitou da monarquia para uma república oligárquica até se tornar um vasto império que dominou a Europa Ocidental e ao redor de todo o mar Mediterrâneo através da conquista e assimilação cultural. No entanto, um rol de fatores sócio-políticos iria agravando o seu declínio, e o império seria dividido em dois: A metade ocidental, onde estavam incluidas a Hispânia, a Gália e a Itália, entrou em colápso definitivo no século V e deu origem a vários reinos independentes; a metade oriental, governada a partir de Constantinopla passou a ser referida como Império Bizantino a partir de 476 d.C., data tradicional da queda de Roma e aproveitada pela historiografia para demarcar o início da Idade Media.

A etimologia do nme da cidade é incerta, e são várias as teorias que nos chegam desde a Antiguidade: a menos provável indica-nos que deriva da palavra grega Róme, que significa "bravura", "coragem"; mais provável é a ligação com a raiz "seios", com possível referência a uma loba que seria adotada pelos gêmeos Rómulo e Remo que segundo se pensa, seriam descendentes dos povos de Lavínio. Rômulo mataria o seu irmão e fundaria Roma. Nas últimas décadas, os progressos na língua etrusca e na arqueologia na Itália reduziram as probabilidades destas teorias, introduzindo novas hipóteses possiveis. Sabe-se, atualmente, que o etrusco era falado desde a região que se tornaria mais tarde na provincia romana de Récia, nos Alpes até à Etrúria, incluindo o Lácio e toda a região para o Sul, até Cápua. As tribos itálicas entraram no Lácio a partir de uma região montanhosa no centro da peninsula itálica, vindos da costa oriental. Apesar das circunstâncias dafundação de Roma, a sua população original era, por certo uma combinação da civilização etrusca e povos itálicos, com uma provavel predominância de etruscos. Gradualmente a infiltração itálica aumentaria, ao ponto de predominar sobre os etruscos. As civilizações etruscas seriam assimiladas pelas itálicas, dentro e fora de Roma.


domingo, 19 de outubro de 2008

RIBEIRA - 158

TORRE EIFFEL
CATEDRAL DE NOTRE DAME


Paris é a capital e a maior cidade da França, bem como a capital da região administrativa de Ile-de-France, na bacia parisiense. A cidade é atravessada pelo rio Sena. É a segunda maior metrópole da Europa (só menos populosa que Moscou), e é a maior cidade francófona do mundo. A cidade é conhecida mundialmente como Cidade Luz, devido a ser uma das primeiras cidades a possuir uma iluminação urbana, sendo uma das principais cidades turisticas do mundo. A cidade encanta pela beleza de sua arquitetura, suas perspectivas urbanas e suas avenidas, bem como por seus vários museus. As margens do rio Sena, em Paris, foram inscritas, em 1991, na lista do Patrimônio Mundial da UNESCO.

Tendo sido capital de um império que se estendeu sobre os cinco continentes, Paris continua a reter uma forte posição no cenário mundial, e a ser considerada a capital do mundo francófono. Paris é um pólo comercial, industrial, financeiro e turistico, que tornou a cidade em um dos maiores centros de transportes do mundo.

Paris tirou seu nome do povo gaulês, os Parisii. A palavra Paris sofreu transformações através dos tempos - a Cité des Parisii - designação que tinha Lutécia. A origem do nome Parisii não é conhecida com certeza. Pode ser derivada da palavra gauluesa Kwar (pedreira), pela referencia às numerosas pedreiras existentes na região parisiense.

Paris vem sendo ocupada pelo homem durante ao menos 40.000 anos, como testemunha foram achados utensílios de pedra talhada na margem do rio Sena. As espetaculares descobertas arqueológicas foram feitas no 12º arrondissement em 1991 onde vestígios atestam a mais velha ocupação humana sobre o território de Paris. Em Bercy, foram descobertos traços de uma vila do período chasséenne (entre 4.000 e 3.800 a.C.). No ano de 52 a.C. os romanos fundaram uma cidade no mesmo lugar ondeos Parisii tiveram a sua aldeia e expandiram-na em ambas as margens do rio Sena, chamando-a de Lutécia. A cidade galo-romana cresceu nos séculos seguintes tornando-se próspera e foram construidos alí palácios, um forum, um teatro e um anfiteatro. O colapso do Império Romano começou no século III com as invasões germânicas. Por volta de 400 d.C. Lutécia estava abandonada pelos seus habitantes: possuía somente uma pequena ocupação dentro da ilha central do rio Sena (Ile de la Citè).

Em 508, o rei franco Clóvis I conquistou Paris. Pouco depois se converteu ao catolicismo e acabou estendendo seu domínio por toda a antiga província Galo-Romana, dando início ao território que se tornaria a França. Durante as guerras religiosas, Paris passou a ser dominada pelo Partido Católico, iniciado com o massacre da noite de São Bartolomeu em 24 de agosto de 1572. A corte só foi restabelecida em 1594. Um século mais tarde, Paris viu-se ao centro da Revolução Francesa mercada em seu inicio pela Queda da Bastilha em 14 de julhode 1789.

A Paris que conhecemos hoje é uma das maiores cidades do planeta. Paris é uma referencia global de qualquer conversa ou assunto que inclua o bom gosto, sofisticação e política, como dizem os franceses.

sábado, 18 de outubro de 2008

RIBEIRA - 157-A

Virgulino Ferreira
Lampião

RIBEIRA - 157



LAMPIÃO E SEU BANDO

MARIA BONITA

O CANGAÇO foi um fenômeno ocorrido no nordeste brasileiro de meados do século XIX ao inicio do século XX. O cangaço tem suas origens em questoes sociais e fundiárias do Nordeste brasileiro, caracterizando-se por ações violentas de grupos ou indivíduos isolados: assaltavam fazendas, sequestravam coronéis (grandes fazendeiros) e saqueavam comboios e armazéns. Não tinham moradia fixa; viviam perambulando pelo sertão, praticando tais crimes, fugindo e se escondendo. O Cangaço pode ser dividido em três subgrupos: os que prestavam serviços esporádicos para os latifundiários; os "políticos", expressão de poder dos grandes fazendeiros; e os cangaceiros independentes, com caracteristicas de banditismo. Os cangaçeiros conheciam as caatingas e o território nordestino muito bem, e por isso, era tão dificil serem capturados pelas autoridades. Estavam sempre preparados para enfrentar todo tipo de situação. Conheciam plantas medicinais, as fontes de água, locais com alimento, rota de fuga e lugares de dificil acesso. O primeiro bando de cangaceiros que se tem conhecimento foi o de Jesuíno Alves de Melo Castelo, "Jesuíno Brilhante", do Rio Grande do Norte, região de Caicó, que agiu por volta de 1870. E o último foi o de "Corisco" (Cristino Gomes da Silva Cleto), que foi assassinado em 25 de maio de 1940, no interior da Bahia, onde saiu ferida a sua mulher conhecida por Dadá. O cangaceiro mais famoso foi Virgulino Ferreira da Silva, o "Lampião", denominado o "Senhor do Sertão" e também "O Rei do Cangaço". Atuou durante as décadas de 20 e 30 em praticamente todos os Estados do Nordeste brasileiro. Em Mossoró, no Rio Grande do Norte, ele não entrou por conta da devoção à padroeira do lugar, Santa Luzia, principalmente porque ele já perdera um olho por conta de um espinho de cardeiro. Ele não veio, mas a pedido de um fazendeiro do Ceará, mandou o seu grupo que terminou todo dizimado. Foi a pior contenda já sofrida pelo bando de Lampião. Por parte das autoridades Lampião simbolizava a brutalidade, o mal, uma doença que precisava ser cortada. Para uma parte da população do sertão ele encarnou valores como bravura, o heroismo e o senso de honra. Virgulino Ferreira nasceu em Serra Talhada sertão de Pernambuco, a 7 de julho de 1897 e foi morto em uma emboscada preparada pela polícia, de quem era inimigo, e tratava os soldados como "macacos", na cidade de Aracajú (?), Sergipe, a 28 de julho de 1938. O seu nascimento, porém, só foi registradono dia 7 de agosto de 1900. Uma das versões a respeito de sua alcunha é que ele modificou um fuzil, possibilitando-o a atirar mais rápido, sendo que sua luz lhe dava a aparência de um lampião.
Virgulino foi o segundo filho de José Ferreira da Silva e de Maria Selena da Purificação. Tinha como irmãos: Antônio, João, Levino, Ezequiel, Angélica, Virtuosa, Maria e Amália. Lampião teve uma infancia comum a todos os meninos de uma baixa classe média sertaneja: aprendeu a ler e a escrever, mas logo foi ajudar o pai, pastoreando seu gado Trabalhou também com seu pai como almocreve - pessoa que transportava mercadorias a longa distância no lombo de burros. Quando adolescente, acompanhado por seus irmãos Levino e Antônio, envolveu-se em crimes por questões familiares. Na época de adolescentes, ele e seus irmãos, Levino e Antônio já tinham fama de valentões, andavam armados e gostavam de arrumar confusão nas feiras livres para impressionar as moças. Tambem tinham o costume de pedir dinheiro por onde passavam. No sertão de sua época, dizia-se, homem macho e de valor, tinha de ser brigão. Seu pai era um homem tranquilo e pacífico. Após várias tentativas que procuravam finalizar a rixa (por questões de disputa de terrase demarcação de divisas entre as propriedades rurais) existente contra a família do seu vizinho José Saturnino, acabou sendo morto pelo delegado de polícia Amarilio Batista pelo tenente José Lucena, quando o destacamento procurava por Virgulino, Levino e Antônio, seus filhos.
No ano de 1920, com o objetivo de vingar a morte do pai, Lampião alistou-se na tropa do cangaceiro Sebastião Pereira, também conhecido por Sinhô Pereira. Em 1922, Sinhô Pereira decidiu deixar o cangaço e passou o comando para Virgulino (Lampião). Sede de vingança, cobiça e concentração do poder que por Sinhô Pereira lhe fora outorgado, levaram Lampião a se tornar um dos bandidos mais procurados e temidos de todos os tempos, no Brasil. Nesse mesmo ano realiza o primeiro assalto, à casa da Baronesa de Água Branca (AL), na qual seus homens saquearam vultosa quantia em dinheiro e jóias.
Em 1926, refugiou-se no Ceará e no dia 04 de Março recebeu uma intimação do Padre Cicero Romão Batista em Juazeiro do Norte (Ce). Compareceu a sua presença, recebeu um sermão por seus crimes e ainda a proporta de combater a Coluna Prestes que, naquela época , se encontrava no Nordeste. Em troca, Lampião receberia anistia e a patente de capitão dos Batalhões Patrióticos, como se chamavam as tropas recrutadas para combater os revolucionários. O Capitão Virgulino e seu bando partiram à caça de Prestes, mas ao chegar em Pernambuco, foi perseguido pela polícia e descobriu que nem a anistia nem a patente tinham valor oficial. Voltou, então, ao banditismo
Em fins de 1930 ou começo de 1931, escondido na fazenda de um coiteiro - nome dado a quem acolhia os cangaçeiros - conheceu Maria Déia Nenen, a mulher de um sapateiro, que se apaixonou por ele e com ele fugiu, ingressando no bando. A mulher de Lampião ficou conhecida como Maria Bonita e, a partir daí, várias outras mulheres se integraram ao bando. Pouco tempo depois, Maria Bonita engravida e sofre um aborto. Mas, em 1932, o casal de cangaceiros tem uma filha. Chamam-na de Expedita. Maria Bonita dá à luz no meio da caatinga, à sombra de um umbuzeiro, em Porto da Folha, no Estado de Sergipe. Lampião foi seu próprio parteiro. Como se tratava de um periodo de intensas perseguições e confrontos, e a vida era bastante incerta, os pais não tinham condições de criá-la dentro do cangaço. Os fatos que ocorreram viraram um assunto polêmico porque uns diziam que Expedita tinha sido entregue ao tio João, irmão de Lampião que nunca fez parte do cangaço; e outros testemunharam que a criança foi deixada na casa do vaqueiro Manoel Severo, na Fazenda Jaçoba.
No ano de 1936, o comerciante Benjamim Abrãao, com uma carta de recomendação do Padre Cícero consegue chegar ao bando e documenta em filme Lampião e a vida no cangaço. Esta "aristocracia cangaceira", como define Lampião, tem suas regras, sua cultura e a sua moda. As roupas, inspiradas em herois e guerreiros, como Napoleão Bonaparte, são desenhadas e confeccionadas pelo próprio Lampião. Os chapeus, as botas, as cartucheiras. os ornamentos de ouro e prata, mostram sua habilidade como artesão.
Maria Bonita sempre insistia muito para que Lampião cuidasse do olho vazado. Diante dessa insistência, ele se dirige a um hospital na cidade de Laranjeiras, em Sergipe, dizendo ser um fazendeiro pernambucano. Virgulino tem o olho extraido pelo Dr. Brangança - um conhecido oftalmologista de todo o sertão - e passa um mês internado para se recuperar. Após pagar todas as despesas de internação, ele sai do hospital, escondido, durante a madrugada, não sem antes deixar escrito, à carvão, na parede do quarto:
"Doutor, o senhou não operou fazendeiro nenhum. O olho que o senhor arrancou foi do Capitão Virgulino Ferreira da Silva, Lampião"
No dia 27 de julho de 1938, o bando acampou na fazenda Angicos, situada no sertão de Sergipe, esconderijo tido por Lampião como o de maior segurança. Era noite, chovia muito e todos dormiam em suas barracas. A volante chegou tão de mansinho que nem os cães pressentiram. Por volta das 5;15 do dia 28, os cangaceiros levantaram para rezar o ofício e se prepararem para tomar café, foi quando um cangaceiro deu o alarme, já era tarde demais. Não se sabe ao certo quem os traiu. Entretanto, naquele lugar mais seguro o bando foi pego totalmente desprevenido. Quando os policiais do Tenente João Bezerra e do Sargento Aniceto Rodrigues da Silva, abriram fogo com metralhadoras portáteis, os cangaceiros não puderam empreender qualquer tentativa viável de defesa. O ataque durou uns vinte minutos e poucos conseguiram escapar ao cerco e à morte. Dos trintae quatro cangaceiros presentes, onze morreram ali mesmo. Lampião foi um dos primeiros a morrer. Logo em seguida, Maria Bonita foi gravemente ferida. Bastante euforicos com a vitória, os policiais saquearam e mutilaram os mortos. Roubaram todo o dinheiro, o ouro e as jóias. A força volante, de maneira bastante desumana, decepa a cabeça de Lampião. Maria Bonita ainda estava viva, apesar de bastante ferida, quando sua cabeça foi degolada. O mesmo ocorreu com Quinta-Feira, Mergulhão (que tiveram as cabeças arrancadas com vida). Luis Pedro, Elétrico, Enedina, Moeda, Alecrim, Colchete e Macela. Um dos policiais, demonstrando ódio a Lampião, desfere um golpe de coronha de fuzil na sua cabeça, deformando-a. Este detalhe contribuiu para difundir a lenda de que Lampião não havia sido morto, e escapara da emboscada, tal foi a modificação causada na fisionomia do cangaceiro. Depois de muitos anos, em conflito com parente das vítimas, inclusive o economista Silvio Bulhões, filho de Corisco e Dadá, as cabeças de Lampião e Maria Bonita foram sepultadas a 6 de fevereiro de 1969. Os demais integrantes do bando tiveram seu enterro uma semana depois.


sexta-feira, 17 de outubro de 2008

RIBEIRA - 156

ANTOINE DE SAINT-ÈXUPÉRY
Eu lembro que, naquele dia eu estava no escritório do meu tio, quando ouvi dobrar o livro e dizer: "Muito bom". Antes, eu já vira que ele estava lendo o romance O Pequeno Principe, de um certo autor, parecia-me francês. Eu não tive oportunidade de olhar de perto o romance. Porém, gravei o seu nome. Como meu tio achara aquele livro "muito bom", decerto eu devia procurá-lo também na livraria do bairro. E foi o que fiz. Em uma de minhas saidas para o comércio, eu já que estava a procura do romance que o meu tio achara muito bom. Ávido para encontrá-lo, parei na livraria e procurei o tal romance. Paguei e levei de volta para o escritório, escondido nas calças para ninguem ver. E li o tal romance. A cada página, me fascinava ainda mais. Era uma história de um aviador que aterrisara no deserto para consertar seu aparelho e, estando lá, se deparou com uma figura infantil de um pequeno príncipe. Daí começou a história até o seu final que, de passagem, posso dizer que foi muito triste: a cobra picou o príncipe. Mas o meu conhecer não parou por aí. Com todos os meus colegas, falava-lhes do principe. E era comum ouvir dizer: "Já li". Mesmo assim eu continuava a minha peregrinação. O que me interessava era saber quem era o autor daquela pequena obra literária. Só o nome não bastava. Eu queria saber mais.E todos me respondiam: "Saint-Èxupéry". Eu pensava que todos eram eram uns inúteis. Certa vez, alguém me disse: "Aquele romance foi inspirado em um pé de baobá que existe em Natal". Tal afirmativa me deixou surpreso. "Por que Natal?", veio a pergunta que eu fiz. "É. Um baobá que tem lá em Lagoa Seca", o rapaz me respondeu. E então eu voltei a inquiri-lo: "E por que ele viu esse baobá em Natal?" . E veio a resposta: "Sei lá. É o que o povo diz".
Ora mais essa. Um baobá existente em Natal. E não me dei por vencido. Procurando saber mais pelo autor do romance, fiquei sabendo que ele passou por Natal, por Recife - lá tem baobá também - pelo Rio de Janeiro e por muitos outros locais. Éxupéry veio do norte da África, onde só tem pé de baobá. Então pode ter sido dos baobás da África. Ou não pode? O certo é que o livro conta a história de um príncipe e de um pé de baobá. Essa é a história.
Antoine-Jean-Baptiste-Marie-Roger Foscolombe de Saint-Èxupéry era o terceiro filho do Conde Jean Saint-Èxupéry e da condessa Marie Foscolombe, nascido a 29 de junho de 1900, em Lyon e morreu a 31 de julho de 1944, no Mar Mediterraneo. Foi escritor, ilustrador e piloto da Segunda Guerra Mundial. Apaixonado desde a infância pela mecânica, estudou a principio no colégio jesuita de Notre-Dame de Saint-Corix, em Mans, de 1909 a 1914. Neste ano da Primeira Guerra Mundial, juntamente com seu irmão François, tranfere-se para o colégio dos Maristas, em Friburgo, na Suiça, onde permanece até 1917. Quatro anos mais tarde , em abril de 1921, Antoine inicia o serviço militar no 2º Regimento de Aviação de Estrasburgo, depois de reprovado nos exames para admissão da Escola Naval. A 17 de junho, obtém em Rabat, para onde fora mandado, o brevê de piloto civil. No ano seguinte, 1922, já é piloto militar brevetado, com o posto de subtenente da reserva. Em 1926, recomendado por um amigo. o Abade Sudour, é admitido na Sociedade Latécoère de Aviação, onde começa então sua carreira como piloto de linha, voando entre Toulouse, Csablanca, Dakar e Brasil, passando então por Natal, Recife e Rio de Janeiro. Faleceu durante uma missão de reconhecimento sobre Grenoble. Recentemente, o alemão Horst Rippert assumiu ser o autor dos tiros responsáveis pela queda do avião e disse ter lamentado a morte de Saint-Éxupéry. Em 2004, os destroços do avião que pilotava foram achados a poucos quilômetros da costa de Marselha. Seu corpo jamais foi encontrado.
Na literatura, deve-se dar uma atenção a seu último trabalho, O Pequeno Príncipe, escrito em 1943, , romance de maior sucesso de Saint-Exupery. Foi escrito durante o exilio nos Estados Unidos, quando fez visitas ao Recife, (Pe). Para muitos era difícil imaginar que um livro assim pudesse ter sido escrito por um homem como ele. O livro nos mostra uma profunda mudança de valores, que ensina como nos equivocamos na avaliação das coisas e das pessoas que nos rodeiam e como esses julgamentos nos levam a solidão

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

RIBEIRA - 155

JESUS
quadro pintado por El Greco
Jesus é a figura central do cistianismo. Para a maioria dos cristãos ele é a encarnação de Deus, o "Filho de Deus", que teria sido enviado à Terra para salvar a humanidade. Acreditam que foi crucificado, morto e desceu à mansão dos mortos e ressuscitou ao terceiro dia (na Pascoa). Para os adeptos do islamismo, Jesus é conhecido no idioma árabe como Isa (Jesus, filho de Maria). Os mulçumanos tratam-no como um grande profeta e aguardam seu retorno antes do Juizo Final. Alguns segmentos do judaismo o consideram um profeta, outros um apóstata. A Biblia é uma das principais fontes de informação sobre ele. O nome Jesus vem do hebraico que significa "Jeová salva". Foi também descrito por seus seguidores como Messias (do hebraico que significa ungido e, por extenção, escolhido), cuja tradução para o grego é a origem da forma portuguesa Cristo. Embora tenha pregado apenas em regiões próximas de onde nasceu, a província romana da Judéia sua influência difundiu-se enormemente ao longo dos séculos após a sua morte. Ele pode ser considerado como uma das figuras centrais da cultura ocidental. Grande parte do que é conhecido sobre a vida e os ensinamentos de Jesus é contado pelos Evangelhos canonicos: Evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas e João pertencentes ao Novo Testamento da Bíblia. Os Evangelhos Apócrifos apresentam também alguns relatos relacionados a Jesus. Esses Evangelhos narram os fatos mais importantes da vida de Jesus. Os Atos dos Apóstolos contam um pouco do que sucedeu nos 30 anos seguintes. As Epístolas (ou Cartas) de Paulo também citam fatos sobre Jesus. Noticias não-cristãs de Jesus e do tempo em que ele viveu encontram-se nos escritos de Josefo, que nasceu no ano 37 d.C.; nos de Plínio, o Moço, que escreveu por volta do ano 112; nos de Tácito, que escreveu por volta de 117; e nos de Suetônio, que escreveu por volta do ano 120. Ha duas apresentações nos Evangelhos sobre a genealogia de Jesus. Uma delas está logo no começo do livro de Matheus e se refere à linhagem real de Jesus por intermedio de José, apresentando-o como descendente do Rei Davi. A outra encontra-se registrada por Lucas e fala da linhagem de Maria que também descendeu de Davi. Matheus menciona sinteticamente um total de 46 antepassados que teriam vivido até uns dois mil anosantes de Jesus, começando por Abraão. Em seu relato, o apóstolo cita não somente herois da fé, mas não deixa de mencionar os nomes das mulheres estrangeiras que fizeram parte da genealogia tanto de Jesus quanto de Davi que no caso foram Rute, Raabe, e Tamar. Também não omite os nomes dos perversos Manassés e Abias, ou de pessoas que não alcançaram destaque nas Escrituras judaicas. Divide então a genealogia de Jesus em três grupos de catorze gerações: de Abraão até Daví. de Daví até o cativeiro babilônico ocorrido em 586 a.C. e do exilio judaico até Jesus. Lucas, por sua vez, aborda a genealogia de Jesus a partir de sua mãe retrocedendo continuamente até Adão, talvez com o objetivo de mostrar o lado humano de Jesus. E, superando Matheus, Lucas fornece um número maior de antepassados de Jesus.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

RIBEIRA - 154

RIBEIRA DE MEUS AMORES
Quando eu era um jovem de pouca idade, aos domingos e feriados, costumava ir passear pelas ruas da Ribeira, onde todas as casas de comércio estavam fechadas, somente abertas algumas barbearias e as famosas "casas de recursos" onde os ricos tinham ficado até altas horas da noite e madrugada. No silêncio do dia, nada era mais saboroso que andar pela rua Dr. Barata, rua Chile, rua Tavares de Lyra e tantas outras. Com certeza, eu passava pelo escritório do meu tio, onde ouvia música em um pick-up que não tinha rádio. Só música em uns discos de 78 rpm, coisa antiga. Mais antiga do que os velhos tempos daqueles anos de 50. Na rua, tudo era silêncio. Somente o pigarrear de Joel demonstrava a presença de alguém que se encontrava no prédio d"A Ordem. Ele era o zelador do prédio e morava em um cubículo na parte de cima do edifício. De noite, Joel empacotava os jornais do dia seguinte. De dia, em um domingo ou feriado, ele se arrumava, ajeitava seu cubículo, olhava um banheiro e outros para ver se não estavam sujos, chegava até onde eu estava passando a escova no cabelo, sorria e escutava também as musicas que eu colocava no toca-disco. E ficava alí um bom tempo, calado, somente ouvindo as melodias antigas que havia ali para se ouvir. Depois, então, saia como que saudoso pelas melodias sentimentais que acabara de escutar. E eu saía também, percorrendo outros caminhos alí existentes. Um trem parado no meio da rua Chile, alí ficava no silêncio do dia. Eu passava por ele, cruzando a linha, indo parar num recanto da Travessa Aureliano, que dava para o rio Potengí onde se ouvia o remanso das águas marulhando à beira das encostas. De um lado, um barco dobrava-se para o leito da maré. Era um barco velho que já não servia para coisa alguma. E eu ficava ali, à sombra de uma mangueira. olhando um grupo de rapazes remando uma yole, indo para os lados da ponte, lá no fim do mundo, de onde voltavam logo após enquanto outros passavam, fazendo o mesmo trajeto. Eu meditava sobre o que faziam os robustos jovens remadores a um tempo que, do outro lado do rio, um grupo e rapazes buscavam pegar caranguejos, enfiando o braço na lama para pegar os bichos que estavam escondidos na toca. Aquela era uma vida de gente pobre, sem tostão, que saíam do lado de cá, do rio, em uma canoa, ficando por lá horas a fio até o rio voltar a encher, como era de costume. Quase meio dia, e eu saia em outra direção pensando o que faria aquela gente com os caranguejos que conseguisse pegar. Rua à cima, rua à baixo, cruzando entre becos, vendo os cabarés adormecidos e eu lembrando das noites que aquelas damas tiveram. Um bonde fazia o ponto no cruzamento das ruas Frei Miguelinho com a Tavares de Lyra. Pouca gente havia ali. Na rua, somente ao longe eu vislumbrava alguns barqueiros ajeitando as velas de suas embarcações. Era uma distancia de uns 200 metros de onde eu estava. Alguém colocou um caso cheio de não sei o que no interior do bonde. Esse toco o de-lem, anunciando a partida e eu subi e me sentei num banco qualquer. Um bêbado, ao que parece, fazia sinais como um guarda de trânsito para o bonde partir. Para mim, era só um bêbado.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

RIBEIRA - 153

FOGO!
Certa vez, saía eu da Agência Pernambucana, da Ribeira, Natal (Rn), lendo uma revista em quadrinhos cheia de emoções, quando me deparei com algo novo para mim: "Fogo de Santelmo". Isso me ficou gravado em minha memória, talvez pela história em sí, talvez pelo nome de Santelmo. O fogo-de-santelmo, ou fogo de São Telmo, consiste numa descarga eletroluminiscente provocada pela ionização do ar num forte campo elétrico causada pelas descargas elétricas. Mesmo sendo chamado de fogo, é na realidade um tipo de plasma, um gás ionizado, provocado por uma enorme diferença de potencial atmosférica. O fogo-de-santelmo origina seu nome de São Telmo, o santo padroeiro dos marinheiros, que haviam observado o fenômeno desde a antiguidade, e acreditavam que a sua aparição era um sinal propício. O fogo-de-santelmo se observa com frequência nos mastros dos navios durante as tormentas elétricas no mar.
Na verdade, fogo é uma mistura de gases a altas temperaturas. Geralmente, um composto quimico orgânico como o papel, a madeira, os plásticos, a gasolina e outros, suceptíveis a oxidação, em contato com uma substância necessitam de uma energia de ativação. O fogo tem fascinado a humanidade durante milhares de anos. Foi a maior conquista do homem pré-histórico. A partir dessa conquista o homem aprendeu a utilizar a força do fogo em seu proveito, extraindo a energia dos materiais da natureza ou moldando a natureza em seu beneficio.
Porém há o fogo que destroi. O homem sempre está preparado para o combate aos incendios, grandes, medios ou até mesmo pequenos. No entanto, tem locais de dificil acesso onde o homem não chega lá. E tem também o fogo que jorra do centro da Terra, até mesmo no mar, onde tudo o que se pode fazer é impedir ou evacuar pessoas, enquanto é tempo. Esse fogo é do chamado vulcão. Por outro lado, tem o fogo que jorra de um poço e surge como uma gigantesca arma que explode em meio a centenas de pessoas. Tem fogo que irrompe nas matas, destruindo tudo o que encontra por sua frente. E tem fogo ameno, que nem se vê. Mas ele existe. O fogo das carvoeiras. De sua existencia só se observa a fumaça constante e leve. E tem fogo de caldeiras, fornos imensos, feitas pelo próprio homem. Esse é um fogo voraz. Ele derrete todos os elementos que são jogados no seu caminho. Com certeza, alguém já viu um outro tipo de fogo. O da colisão entre veículos. Os onibus também pegam fogo, ou alguma questão natural no seu motor ou por causa de pessoas que ateiam fogo nos veículos. Fogo, é FOGO, para se bem dizer. Ele existe até entre os casais de namorados, nos animais e mesmo numa questão de ira.Quem já não ouviu falar em brasa dormida? Alí tem fogo. Até mesmo nas modinhas quando o cantor diz: "Veja só que galharia seca está pegando fogo neste carnaval.".

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

RIBEIRA - 152

BEETHOVEN
Ouvir as obras de Ludwig van Beethoven é um privilégio para muitas ou mesmo, inúmeras pessoas. O músico nasceu a 16 de dezembro de 1770, tendo morrido a 26 de março de 1827, ainda jovem, aos 57 anos de idade, porém, já inteiramente surdo. Beethoven foi um compositor erudito alemão, do período da transição entre o Classicismo e o Romantismo do século XIX. É considerado um dos pilares da música ocidental, pelo incontestável desenvolvimento, tanto da linguagem, como do conteúdo musical demostrado nas suas obras, permanecendo como um dos compositores mais respeitados e mais influentes de todos os tempos.
Beethoven foi batizado em 17 de dezembro de 1770, tendo nascido presumivelmente no dia anterior, na Renânia do Norte (Alemanha). Sua família era de origem flamenga, cujo sobrenome significava horta de beterrabas e no qual a partícula "van" nao indicava nobreza alguma. Seu avô, Lodewijk van Beethoven - também chamado Luis na tradução - de quem herdou o nome, nasceu na Antuérpia, em 1712, e emigrou para Bonn, onde foi maestro de capela do príncipe eleitor. Descendia de artistas , pintores e escultores, era músico e foi nomeado regente da Capela Arquiepiscopal na corte da cidade de Colônia.. Na mesma capela, seu filho, o pai de Ludwig, era tenor e também lecionava. Foi dele que Beethoven recebeu as primeiras lições de música, o qual pretendeu afirmar como menino prodígio ao piano, tal seria a facilidade demonstrada desde muito cedo para tal. Por isso o obrigava a estudar música todos os dias, durante muitas horas, desde os cinco anos de idade. No entanto, seu pai terminou consumido pelo alcool, pelo o que a sua infância se manifestou como infeliz, por isso.
Ludwig nunca teve estudos muito aprofundados, mas sempre revelou um talento excepcional para a música. Com apenas oito anos de idade, foi confiado a Christian Gottlob, o melhor mestre de cravo da cidade, que lhe deu uma formação musical sistemática e lhe deu a conhecer os grandes mestres alemães da música. Aos dez anos, o garoto dominava todo o repertório de Johann Sebastian Bach e era conhecido como o segundo Mozart. Compôs as suas primeiras peças aos onze anos de idade, iniciando a sua carreira de compositor, de onde se destacam alguns Lieds, o que significa "canção". Os seus progressos foram de tal forma notáveis que, em 1784 já era organista-assistente da Capela Eleitoral, e pouco tempo depois, foi violoncelista na orquestra da corte e professor, assumindo já a chefia da família, devido a doença do pai - alcoolismo. Foi neste ano que conheceu um joven Conde de Waldstein, a quem mais tarde dedicou algumas de suas obras, pela sua amizade. Este, percebendo o seu grande talento, enviou-o, em 1787, para Viena, a fim de ir estudar com Joseph Haydn. O Arquiduque de Áustria, Maximiliano, subsidiou então os seus estudos. No entanto, teve que regressar pouco tempo depois, assistindo à morte de sua mãe. A partir daí, Ludwig, com apenas dezessete anos de idade, teve que lutar contra dificuldades financeiras, já que seu pai tinha perdido o emprego, devido ao seu elevado grau de alcoolismo. Foi o regresso a Viena que o motivou a um curso de literatura.. Foi ai que teve o seu primeiro contacto com Ideais da Revolução Francesa, com o Iluminismo e com um movimento literário romântico. Foi em 1792, já com 21 anos de idade, muda-se para Viena onde permanece o resto de sua vida. Foi, também, em Viena que lhe surgiram os primeiros sintomas de sua grande tragédia. Foi-lhe diagnosticado que Ludwig, com os seus 26 anos de idade, sofria de uma congestão dos centros auditivos internos, o que lhe transtornou bastante o espírito, levando-o a isolar-se e a grandes depressões, chegando a pensar em suicidar-se. A doença progredia e aos 46 anos de idade Beethoven estava praticamente surdo.De 1816 até 1827. ano de sua morte, ainda conseguiu compor cerca de 44 obras musicais. Ao morrer, a 26 de março de 1827, estava a trabalhar numa nova sinfonia, assim como projetava escrever um Requiem.

sábado, 11 de outubro de 2008

RIBEIRA - 151


CAJU

Quando eu era menino, certa vez, saí com Antônio, filho de João que se chamava de Parrudo, para irmos colher uns cajus dentro da mata, no morro de Ponta Negra, onde o fruto tinha em ambundância, nos meios dos galhos cheio de folhas verdes e cheirosas sem contar com as secas que enchiam todo o chão. O caju não é o fruto, e sim, a castanha é quem é. Mesmo assim, não me importava em uma coisa ou outra. Só de olhar os cajueiros, me deixava alucinado com tal visão com tantos cajus, tanto no chão como no alto do pé. Os mosquitos da mata, zunindo, era o que me chateava. Mesmo assim, pouco ou nada os bichinos me importavam. O negócio, para mim, era chupar caju, tirado do pé, deixando pingar na camisa o que sobrava do suco. Nem me importava que aquilo fosse prejudicar a camisa, botando nodoa que não saía núnca. Andamos, eu e Antônio, por vasta região onde tinha mato de toda a espécie, inclusive urtiga, que se a gente tocasse nela, pegava uma coceira dos diabos. O canto onde batia a urtiga ficava inchado, vermelho e cheio de conceiras. Mas era coceira mesmo, ora essa. E para completar, o zunido dos mosquito, que atormentava muito mais. Mesmo assim, isso não conta. Eu sempre me livrei das urtigas. Antonio era mais sabido que eu, acostumado na mata. Ele, sempre ia com sua mãe colher caju, quase todos os dia para vender na praia. Ponta Negra é uma praia. Naquele tempo, a praia só tinha gente que ia ali tomar banho. Hoje, a coisa está muito diferente. Como eu dizia: Nas casas de taipa, caju não faltava. Tinha muito mesmo, além dos que dona Nazaré levava para vender na Cidade. Dona Nazaré era a mãe de Antônio. Pois bem! O suco do caju está entre os mais populares, inclusive entre os industrializados. Hoje em dia, se faz a Cajuína, bebida não alcoolica feita somente do caju. Naqueles ídos tempos de minha meninice, peito magro e braços nús era um prazer eu ter que ir aos morros não tão uivantes, pois o calor era demais, buscando cajú, mangaba, arraçá, camboim, minha-tia, pitanga e tantas outras frutas silvestres que enchiam os cestos de trança que se levava para trazer de volta para casa. O caju, diziam os homens grandes (adultos) servinham inclusive, para quem era careca, pois quem passasse na cabeça, por certo nascia cabelo.

O cajueiro é uma planta brasileira, que é cultivado no litoral nordestino. O caju é a segunda fruta com maior área plantada no Brasil, perdendo da laranja e ganhando da banana. Hoje em dia se pode contar que as lavouras de cajueiros estão concentradas no Nordeste, principalmente nos Estados do Ceará, Rio Grande do Norte e do Piaui, em regiões muito secas e de terras arenosas, nas quais o cajueiro tem extraordiñária adaptação. Para ainda quem não conhece o caju, com ele se faz o doce - (o doce de casa é bem melhor do que os empacotados. E também o doce de calda, e o doce do cajú espremido) - se usa o penduculo - que é o caju - para se fazer ou tirar "parede" com cachaça ...Tem uma musica que diz: "Caju nasceu pra cachaça". E nas "guerras" do cajú, a meninada atrevida atira um contra o outro, para ver quem acerta mais no companheiro. O perfume que exala do caju é inebriante deixando a vista da pessoa mais acesa que nem brasa, querendo adquirir tudo o que puder comprar. O morro de Ponta Negra, mesmo agredido pela civilização, ainda é um grande repositório de cajueiros brabos ou não. Brabos, são de cajus pequenos e azedos. Você nasceu no Nordeste? Não? Então venha! No Nordeste dizem que tem fruta que pega de mais. Fruta da pele tão lisa que o gosto não se desfaz.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

RIBEIRA - 150

MULHER RENDEIRA
A vila de Ponta Negra, em Natal (Rn) é o ponto principal onde se pode encontrar as rendas, labirintos e bicos, feitos à mão, em um ensino de mãe para filha. Quando eu era menino, costumava ir na casa de Mercês, uma das mulheres que faziam seus ricos trabalhos que a mulher vendia apreço módico para quem a procurasse. Para mim, era um deleite ver aquele jogo de linhas e bilros se cruzando com uma eterna rapidez, nos seus trec-trec constantes, cobrindo um desenho feito em um papel ou memo cartão, cruzando para um lado e para o outro, como se nunca acabasse de tricotar em uma almofada recheiada de algodão de pluma ou de retalhos de tecidos. Com um cachimbo na boca, quase sempre apagado, aquela nobre senhora não prestava atenção a ninguém, muito emborar o seu olhar ladino sempre estivesse pronto para chamar uma das meninas (mocinhas) para fazer alguma atividade. Na casa de Mercês - e ela nem fazia questão que lhe chamassem desse modo. Era bem melhor do que "dona" - outras mulheres e mocinhas ajudavam no trabalho de cada uma. Às vezes, uma conversa saltava e alguém na roda da sala respondia desatenta: "pois é", "não vi mais, também" ou mesmo "onde ela anda?". Eu nada dizia, mesmo quando Mercês reclamava: "Senta, menino. Agora, fica em pé! Tu morre!". Eu me aquietava, como o pé formando um quatro. um lenço atolado na boca para evitar um espirro descabido. Por vezes, olhava um desenho que fazia no seu dedilhar, uma mocinha dos seus 15 anos, filha de Mercês, jogando os bilros para um lado e para o outro, como se já tivesse a maestria de Mercês. Se bem que pensasse, a mocinha levava jeito para aquela profissão de rendeira. Elas trabalhavam o dia todo e todo santo dia. Eu nunca perguntei para quem as mulheres faziam o serviço, porém, por acaso, ouvindo a conversa que de vez por outra surgia, ficava sabendo que uma mulher "rica" ia casar uma sua filha, dentro de um mês, e precisava dos trabalhos. Para mim, aquilo pouco importava. Não me interessava mesmo. Eu só queria era ouvir o tric-trac dos bilros, batendo uns nos outros, fazendo um entrançado de linhas, as figuras, as vezes de um santo, às veses de Jesus, de Maria Santíssima, de um cálice ou mesmo do que somente as mulheres sabiam do que retratavam. A renda pode ser feita até mesmo com fio de ouro e aplica-se em guarnições de altares ou em vestes de sacerdotes. Pelo que eu soube, a renda vem de muito tempo e chegou até os casebres de Ponta Negra, há muitos anos e ninguém sabe por quem por alí chegou e teve a humildade de dar este presente. De modo que, Mercês aprendeu o oficio com a paciencia de sua mãe e essa aprendera de sua avó. Era assim que se fazia renda, bico, bordado, tricô, babados, labirintos e tudo mais que, antigamente era feito sem qualquer ajuda de máquina de costura. Até aqueles alegres dias de minha infância era assim que se fazia renda na casa de Mercês.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

RIBEIRA - 149

CLEÓPATRA

Certa vez, no escritório do meu tio Zeca - José Leandro - estava sentado na cadeira de frente a ele, do outro lado do balcão onde eu ficava, Gastão, amigo do meu tio que levava um livro muito bem ilustrado com uma foto de uma mulher na capa, cujo nome era Cleópatra, em letras bem amplas, estilo egipcio, em um acabamento impecavel. Gastão não falou sobre o livro. Apenas procurou os jornais do dia para passar uma vista. De minha parte, eu nada perguntei a ele sobre aquele livro. Apenas observei o volumoso exemplar, e nada mais. Passado o tempo, uma revista de circulação nacional trazia a foto de uma atriz que fez o papel de Cleópatra. Uma mera coincidência, apesar do tempo que passou.

Então, lendo o artigo vi que, de fato era a mesma Cleópatra, a última rainha da dinastia de Ptolomeu, general que governou o Egito após a conquista daquele pais pelo rei Alexandre III da Macedonia. Ela era filha de Ptolomeu XII e de Cleópatra V. O nome Cleópatra significa "glória do pai".

Ela foi uma das mulheres mais conhecidas da história da humanidade e um dos governantes mais famosos do Egito, tendo ficado conhecida somente como Cleópatra - ainda que tenha existido várias outras Cleópatras além dela e que a história quase não cita. Nunca foi detentora única do poder em sua terra natal - de fato co-governou sempre com um homem ao seu lado: o seu pai, o seu irmão e, depois, com seu filho. Contudo, em todos estes casos, os seus companheiros eram apenas reis titularmente, mantendo ela a autoridade de fato. Cleopatra VII nasceu em 69 a.C., na cidade de Alexandria. Embora fosse egipcia por nascimento, pertencia a uma dinastia macedônica que se estabeleceu no Egito em 305 a.C. Apesar da origem estrangeira da dinastia à qual pertencia, Cleópatra foi a única da sua dinastia a dominar a lígua egipcia. A lenda fez de Cleópatra uma mulher bonita e sexualmente liberta. Para além do egipcio, Cleópatra falava sete ou oito línguas, entre as quais o grego, o arameu, o etíope, a lingua dos Medas, o hebraico e o latim. Antes de falecer em 51 a.C., Ptolomeu nomeou seus filhos , Cleópatra e Ptolomeu XIII, como novos soberanos do Egito. Cleópatra casou com seu irmão que teria 15 anos de idade. Desde o inicio Cleópatra compreendeu que Roma era a nova potência do Mediterraneo e caso desejasse manter-se no poder deveria manter relações amigáveis com ela. Em 42 a,C. Marco Antônio que governava Roma após o vazio governativo causado pela morte de Cesar, convocou-a a encontrá-lo em Tarso para ela responder a ele sobre a ajuda que ela prestara a Cassio, um dos assassinos de Cesar. Cleópatra chegou com grande pompa e circunstância, que encantou Antônio. Passaram o inverno de 42 e 41 em Alexandria. Ficou grávida pela segunda vez, desta vez com gêmeos que tomariam o nome de Cleópatra Selene e Alexandre Hélio. Quatro anos depois Antônio visitou de novo Alexadria e recomeçou então a sua relação com Cleópatra, passando a viver em Alexandria. É possivel que se tenha casado com Cleópatra segundo o rito egipcio. Então, Cleópatra deu à luz outro filho, Ptolomeu Filadelfo. Cleópatra também recebeu o título de Rainha dos Reis. Somente em 31 a.C., quando o Senado romano declarou-lhe guerra após uma derrota naval de Áccio, Cleópatra cometeu suicidio se deixando picar por uma serpente em Alexandria no ano de 30 e o Egito tornou-se inteiramente uma província romana.


RIBEIRA - 148

PONTA NEGRA
Quem vê, hoje, essa praia tão deserta, com uns dez rapazes e crianças procurando iscas, nem imagina que é a Ponta Negra de hoje. Umas duas ou três casas e uma choupana de palha de coqueiro, essa era uma praia deserta, longe de tudo e de todos. Por lá não havia casas, a não ser as moradas dos pescadores que ficavam no alto, por trás do morro, escondidas dos olhares indiscretos de quem as pudesse ver. Uma silhueta branca já na beira-mar, indicava que ali havia pedras. Pedras miudas e cheias de umas ostras que cortavam a pele dos pés ou mesmo dos joelhos de quem tivesse a audácia de atravessar por lá. Ponta Negra guarda segredos de nossa história, de 1645, quando os holandeses desembarcaram na terra e rumaram para dentro, indo terminar em Cunhaú, no municipio de Canguaretama, e trucidaram 69 pessoas, inclusive o sacerdote do lugar, padre André de Soveral, num dia de domingo, quando o sacerdote rezava missa. Mais para frente, no tempo da II Guerra Mundial, os norte-americanos, fizeram alí, em Ponta Negra, uma base para proteger a costa de Natal (Rn) da invasão, se acontecesse, dos nazistas, que rondavam o mar. O ponto escolhido pelos militares era onde é, hoje, o entrocamento com a Via Costeira. Ponta Negra vivia da pesca, do carvão vegetal e das frutas que as mulheres coletavam nas matas próximas, como o cajú, a mangaba e a pitanga, frutas bem comuns naquela região. Para vir a Natal, as mulheres caminhavam por uma estrada feita pelas próprias pessoas, sem calçamento algum. Era apenas uma vereda. As mulheres, moças e meninas vinham por aquele caminho, trazendo em suas cabeças e nos braços, as cestas cheias de frutas para vender no Mercado Público. De volta, pegavam o mesmo caminho que lhes servia. Os homens trazendo peixes, também faziam o mesmo trajeto pelo igual caminho. Os que vendiam carvão, ja faziam por outro percurso, com seus jericos. Caminhavam por onde hoje é a av. Erivan França. Nesse trajeto, algumas mulheres também caminhavam a pé com os seus maridos e filhos. Porém, na praia, onde pode se avistar um pouco do que hoje chama a atenção de todos: "o morro do careca". Olhando-se bem, pode-se notar na foto um pedaço do morro, já no seu final. Os barcos de pesca, mais jangadas, já não estavam ancoradas, puxadas em rolos de coqueiros até à margem da praia. Com certeza, os pescadores estavam em alto mar na sua faina dioturna, pescando para viver. Interessante: os peixes precisam morrer para dar a vida a quem consome.Ponta Negra também se celebrizou pela feitura de bicos e rendas feitas pelas mulheres que ficavam em casa à espera dos seus maridos. Em o rolo enorme de pano, essas rendeiras faziam seus desenhos, pregando em alfinetes e puxando em bilros para um lado e para o outro, numa sinfonia da qual só se ouvia o tric-trac dos bilros batendo uns nos outros. A renda é um tecido transparente de malha aberta, fina e delicada, que forma desenhos variados com entreleçamentos de fios de linho, seda, algodão ou até mesmo de ouro. São, por vezes aplicados como guarnição de vestidos, alfaias e paramentos. Em sua maioria, as rendas compõem-se de dois elementos: o desenho ou motivo; e o fundo,que mantém o desenho unido. A arte de tecer renda ainda é passada entre gerações, de mãe para filha.
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foto cedida por: nataldeontem.blogspot.com